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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Quando a mente não está bem, todo o corpo sente

Emoções impactam o corpo físico. Por isso, saúde é
estar com o corpo e a mente “em ordem”.
Campanha Janeiro Branco reforça a importância de desacelerar, reconhecer limites e compreender como as emoções impactam o corpo físico

 

O início do ano costuma vir acompanhado de metas, listas e promessas de uma vida mais equilibrada. No entanto, em meio à rotina acelerada e às cobranças pessoais, um lembrete essencial ganha força: saúde mental também é saúde. É justamente com esse propósito que surge a campanha Janeiro Branco, convidando à reflexão sobre o cuidado emocional como parte indispensável do bem-estar integral. 

Segundo especialistas, olhar para a saúde mental com a mesma atenção dedicada à saúde física é fundamental para prevenir adoecimentos e promover qualidade de vida ao longo do tempo. Para a Dra. Isabela Teixeira, clínica médica do Eco Medical Center, a saúde mental é resultado de um conjunto de fatores que precisam estar em equilíbrio. Autoconhecimento, propósito, capacidade de impor limites e compreensão dos próprios gatilhos emocionais fazem parte desse processo. 

“A saúde mental não está isolada. Ela envolve entender o que nos desestabiliza emocionalmente e como lidamos com isso no dia a dia”, explica a médica. Essa relação se torna ainda mais evidente quando observamos como emoções e corpo se comunicam de forma contínua.

 

O eixo cérebro-intestino e os sinais do corpo

A Dra. Isabela destaca a existência do chamado eixo cérebro-intestino, um sistema de comunicação direta entre o sistema nervoso central e o trato gastrointestinal. Situações de estresse, ansiedade ou tensão emocional ativam a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, provocando alterações em diversas funções do organismo. “Esses hormônios interferem na frequência cardíaca, nos níveis de glicemia e também no funcionamento do intestino”, explica. 

Como consequência, desequilíbrios emocionais podem se manifestar por meio de sintomas físicos, como gastrite, intestino preso, diarreia, queimação e dores abdominais. Para a psicóloga Aline Gazinelli, também do Eco Medical Center, esses sinais não devem ser ignorados. 

“O corpo fala aquilo que muitas vezes a mente tenta silenciar. Em muitos casos, a dor física é o primeiro alerta de que algo emocional não está bem”, resume.

 

A geração dopamina e a cultura da exaustão

Outro ponto abordado pelas especialistas é o impacto do estilo de vida contemporâneo sobre a saúde mental. Vivemos em uma era marcada por estímulos constantes, recompensas imediatas e excesso de informações. Para Aline, trata-se da chamada “geração dopamina”. 

“Estamos o tempo todo em busca de prazer rápido, seja nas redes sociais, no consumo, na comida ou na produtividade extrema. Isso gera ansiedade, dificuldade de lidar com frustrações e uma sensação permanente de insatisfação”, alerta. 

Nesse contexto, o descanso acaba sendo negligenciado. A Dra. Isabela reforça que a exaustão emocional se tornou quase uma regra social. “Criamos uma cultura em que descansar parece errado, quando, na verdade, o descanso é essencial para manter o equilíbrio físico e emocional”, afirma.

 

Vícios modernos e a dificuldade de desacelerar

Além dos vícios tradicionalmente conhecidos, como álcool e cigarro, outros comportamentos também funcionam como mecanismos de fuga emocional. Um dos mais comuns, segundo Aline, é o vício no trabalho.

“Muitas pessoas se ocupam excessivamente para não entrar em contato com o que estão sentindo. O problema é que isso apenas anestesia o sofrimento, sem resolvê-lo”, explica. 

A Dra. Isabela complementa que o corpo costuma dar sinais progressivos de que algo não vai bem. Insônia, dores recorrentes, irritabilidade e cansaço constante não devem ser normalizados. “Esses sintomas são alertas claros de que é hora de parar e olhar para dentro”, reforça.

 

Metas, constância e autocuidado no início do ano

Janeiro também é conhecido como o mês das resoluções. No entanto, as especialistas alertam para o risco de metas irreais e mudanças abruptas. “O problema não é ter objetivos, mas querer transformar tudo de uma vez. Metas inalcançáveis geram frustração e alimentam a ansiedade. O ideal é começar com passos pequenos e possíveis”, orienta a psicóloga. 

A Dra. Isabela traduz essa ideia de forma prática: “Não comece tentando correr uma maratona. Comece com uma volta na quadra. A constância é muito mais importante do que a intensidade”.

 

Autocuidado não é luxo, é necessidade

As profissionais são unânimes ao reforçar que autocuidado não deve ser visto como privilégio, mas como parte essencial da saúde. Reservar tempo para atividades prazerosas, descanso e hobbies é uma forma legítima de prevenção. “Precisamos encher a mente de coisas boas. Fazer o que se ama também é tratamento preventivo”, destaca a Dra. Isabela. 

A psicóloga Aline reforça que esses momentos devem ser tratados com a mesma seriedade que outros compromissos do dia a dia. “Coloque-se na sua própria agenda. Você é a coisa mais importante da sua vida. Quando você está bem, tudo ao seu redor também melhora”, finaliza.

 

Eco Medical Center

 

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