| Emoções impactam o corpo físico. Por isso, saúde é estar com o corpo e a mente “em ordem”. |
O início do ano costuma vir acompanhado de metas, listas e promessas de uma vida mais equilibrada. No entanto, em meio à rotina acelerada e às cobranças pessoais, um lembrete essencial ganha força: saúde mental também é saúde. É justamente com esse propósito que surge a campanha Janeiro Branco, convidando à reflexão sobre o cuidado emocional como parte indispensável do bem-estar integral.
Segundo especialistas, olhar para a saúde mental com a mesma atenção dedicada à saúde física é fundamental para prevenir adoecimentos e promover qualidade de vida ao longo do tempo. Para a Dra. Isabela Teixeira, clínica médica do Eco Medical Center, a saúde mental é resultado de um conjunto de fatores que precisam estar em equilíbrio. Autoconhecimento, propósito, capacidade de impor limites e compreensão dos próprios gatilhos emocionais fazem parte desse processo.
“A saúde mental não está isolada.
Ela envolve entender o que nos desestabiliza emocionalmente e como lidamos com
isso no dia a dia”, explica a médica. Essa relação se torna ainda mais evidente
quando observamos como emoções e corpo se comunicam de forma contínua.
O eixo cérebro-intestino e os
sinais do corpo
A Dra. Isabela destaca a existência do chamado eixo cérebro-intestino, um sistema de comunicação direta entre o sistema nervoso central e o trato gastrointestinal. Situações de estresse, ansiedade ou tensão emocional ativam a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, provocando alterações em diversas funções do organismo. “Esses hormônios interferem na frequência cardíaca, nos níveis de glicemia e também no funcionamento do intestino”, explica.
Como consequência, desequilíbrios emocionais podem se manifestar por meio de sintomas físicos, como gastrite, intestino preso, diarreia, queimação e dores abdominais. Para a psicóloga Aline Gazinelli, também do Eco Medical Center, esses sinais não devem ser ignorados.
“O corpo fala aquilo que muitas
vezes a mente tenta silenciar. Em muitos casos, a dor física é o primeiro
alerta de que algo emocional não está bem”, resume.
A geração dopamina e a cultura
da exaustão
Outro ponto abordado pelas especialistas é o impacto do estilo de vida contemporâneo sobre a saúde mental. Vivemos em uma era marcada por estímulos constantes, recompensas imediatas e excesso de informações. Para Aline, trata-se da chamada “geração dopamina”.
“Estamos o tempo todo em busca de prazer rápido, seja nas redes sociais, no consumo, na comida ou na produtividade extrema. Isso gera ansiedade, dificuldade de lidar com frustrações e uma sensação permanente de insatisfação”, alerta.
Nesse contexto, o descanso acaba
sendo negligenciado. A Dra. Isabela reforça que a exaustão emocional se tornou
quase uma regra social. “Criamos uma cultura em que descansar parece errado,
quando, na verdade, o descanso é essencial para manter o equilíbrio físico e
emocional”, afirma.
Vícios modernos e a
dificuldade de desacelerar
Além dos vícios tradicionalmente
conhecidos, como álcool e cigarro, outros comportamentos também funcionam como
mecanismos de fuga emocional. Um dos mais comuns, segundo Aline, é o vício no
trabalho.
“Muitas pessoas se ocupam excessivamente para não entrar em contato com o que estão sentindo. O problema é que isso apenas anestesia o sofrimento, sem resolvê-lo”, explica.
A Dra. Isabela complementa que o
corpo costuma dar sinais progressivos de que algo não vai bem. Insônia, dores
recorrentes, irritabilidade e cansaço constante não devem ser normalizados.
“Esses sintomas são alertas claros de que é hora de parar e olhar para dentro”,
reforça.
Metas, constância e
autocuidado no início do ano
Janeiro também é conhecido como o mês das resoluções. No entanto, as especialistas alertam para o risco de metas irreais e mudanças abruptas. “O problema não é ter objetivos, mas querer transformar tudo de uma vez. Metas inalcançáveis geram frustração e alimentam a ansiedade. O ideal é começar com passos pequenos e possíveis”, orienta a psicóloga.
A Dra. Isabela traduz essa ideia de
forma prática: “Não comece tentando correr uma maratona. Comece com uma volta
na quadra. A constância é muito mais importante do que a intensidade”.
Autocuidado não é luxo, é
necessidade
As profissionais são unânimes ao reforçar que autocuidado não deve ser visto como privilégio, mas como parte essencial da saúde. Reservar tempo para atividades prazerosas, descanso e hobbies é uma forma legítima de prevenção. “Precisamos encher a mente de coisas boas. Fazer o que se ama também é tratamento preventivo”, destaca a Dra. Isabela.
A psicóloga Aline reforça que esses
momentos devem ser tratados com a mesma seriedade que outros compromissos do
dia a dia. “Coloque-se na sua própria agenda. Você é a coisa mais importante da
sua vida. Quando você está bem, tudo ao seu redor também melhora”, finaliza.
Eco Medical
Center
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