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isolamento e uso excessivo de telas
O Janeiro Branco é um movimento de conscientização que chama a atenção para a
importância do cuidado com a saúde mental e emocional. O tema é de extrema
relevância, já que o número de crianças e adolescentes que enfrentam algum tipo
de transtorno psicológico, como ansiedade e depressão, cresce a cada ano.
De
acordo com Audrey Taguti, psicopegagoga e diretora do Brazilian
International School – BIS, de São
Paulo, a família e a escola têm um papel central na identificação precoce e no
suporte aos jovens, especialmente com a grande exposição ao ambiente digital da
vida moderna.
Segundo
a especialista, crianças e adolescentes frequentemente demonstram, por meio do
comportamento, que estão enfrentando alguma situação de estresse ou sofrimento.
Por isso, pais e responsáveis devem ficar atentos a três grandes grupos de
sinais, indícios de que o jovem pode estar em sofrimento ou tentando ocultar
algo.
“O
primeiro sinal são mudanças abruptas de comportamento, como irritabilidade,
isolamento repentino ou perda de interesse por atividades que antes eram
prazerosas. O segundo envolve alterações físicas, queda no rendimento escolar,
ou mudanças nos padrões de sono e apetite. O terceiro alerta é o comportamento
digital excessivo, com uso exagerado do celular, ou o ato de se esconder para
acessar a internet e apagar conversas e histórico de navegação”, alerta.
Como falar sobre saúde mental com os filhos?
Segundo
Audrey, a chave para abordar o assunto de forma leve e assertiva está no
diálogo e na escuta ativa, adaptado à fase de desenvolvimento do filho. Ela
sugere abordagens específicas para cada momento.
Crianças (até 10 anos)
Nesta
fase, o foco do desenvolvimento está no aspecto sensorial e motor, e a criança
explora o mundo com todos os sentidos. Como elas ainda não têm um repertório
verbal e cognitivo totalmente estruturado para dar nome ou compreender emoções
complexas, a dica é usar o lúdico para falar sobre o assunto.
“Se
a criança está mais chorosa, agressiva ou retraída, os pais devem se sentar com
ela para brincar e, através de desenhos, bonecos ou de histórias, perguntar
como o ‘personagem’ se sente. É uma maneira de a criança expressar os
sentimentos sem ter que usar palavras complexas, e o adulto deve validar esses
sentimentos”, orienta.
Pré-adolescentes (11 a 13 anos)
Esse
é um período em que a criança começa a buscar mais independência, a se
identificar com grupos de pares e a desenvolver um senso de individualidade,
questionando regras e demonstrando uma autoconsciência maior de suas vontades.
Se
o pré-adolescente estiver lidando com situações do "mundo real", como
frustrações, dificuldades e conflitos com amigos, esportes, na escola ou em
atividades sociais, os pais devem aproveitar os momentos de qualidade, como
refeições ou passeios em família, para incentivar a conversa, perguntando sobre
os sentimentos e desafios do dia. É crucial que o adulto participe ativamente
da vida do filho, ajudando o jovem a criar estratégias saudáveis para lidar com
esses desafios.
“Os
pais não devem minimizar esses sentimentos, que para o pré-adolescente são
muito reais. Devem, com paciência e empatia, manter o diálogo aberto e
proporcionar um ambiente acolhedor”, orienta.
Adolescentes (14 a 19 anos)
A
adolescência é um verdadeiro turbilhão emocional, marcada por intensas mudanças
físicas e hormonais. "Isso significa que o adolescente sente com
intensidade e, muitas vezes, reage de maneira impulsiva. Nesta fase, o foco
deve ser no acolhimento incondicional e sem julgamentos. Quando o adolescente
se isola ou demonstra irritação, os pais precisam validar os sentimentos e
buscar o diálogo”.
A
educadora enfatiza que, quando o adolescente se isola no quarto ou demonstra
irritação, os pais precisam validar os sentimentos e perguntar de forma clara:
“Percebi que você está mais quieto(a). O que posso fazer para te ajudar?”
Audrey
Taguti destaca ainda que o exemplo é essencial. Pais que demonstram estratégias
saudáveis para lidar com frustrações, consequentemente ensinam aos filhos a
autorregulação emocional. Mas, se os sintomas persistirem e houver prejuízo na
rotina do jovem, a busca por ajuda especializada deve ser imediata.
O papel da escola
A
escola assume um papel decisivo na promoção da saúde emocional dos jovens,
sendo um espaço privilegiado para identificar problemas e implementar ações
preventivas. Audrey reforça que a instituição, em parceria com a família, atua
como uma rede de apoio essencial. Projetos de convivência, rodas de conversa e
atividades artísticas e esportivas funcionam como canais para expressão e
acolhimento.
“O
ambiente escolar oferece espaços seguros de convivência e aprendizado prático,
onde os jovens encontram diversidade e aprendem a lidar com as diferenças,
resolver conflitos e desenvolver resiliência. Além disso, com a restrição do
uso de celulares em sala de aula desde o ano passado, o ambiente escolar tem
resgatado o encontro humano e a atenção plena, contribuindo para um maior foco
e bem-estar dos alunos”, finaliza a docente.
Audrey Taguti - acumula 41 anos de experiência e trabalho em Educação. É formada em Magistério e Pedagogia, possui pós-graduações em Psicopedagogia e Bilinguismo e é especialista em Alfabetização. É diretora pedagógica do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP desde a fundação do colégio, em 2000.
ISP – International Schools Partnership

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