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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Fator vulnerabilidade afeta a relação dos jovens com IA, revela pesquisa da Demà e da Nexus


 

Levantamento expõe dificuldades do grupo para se familiarizar com novas tecnologias, mas reforça o interesse de dominar as ferramentas

 

A relação dos jovens com as novas tecnologias, em especial a inteligência artificial (IA), é uma tendência cada vez mais crescente no Brasil. Esse contato, no entanto, tende a ser comprometido a depender das condições sociais e econômicas de cada indivíduo ou família. Pesquisa da Demà e da Nexus aponta que a condição de vulnerabilidade afeta diretamente a familiaridade, o conhecimento e as expectativas quanto às novas ferramentas em comparação com os jovens que não se enquadram nesse perfil.

Para esta análise, foram considerados em situação de vulnerabilidade os entrevistados ou alguém que resida na mesma residência esteja cadastrado no CadÚnico, o principal instrumento do estado brasileiro para identificar esta parcela. Assim, o entrevistado ou alguém de sua família que receba algum benefício social (como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada – BPC) foi referido nesta condição.

A pesquisa da Demà e da Nexus mostra que 84% dos jovens em situação de vulnerabilidade têm conhecimento sobre inteligência artificial, enquanto 16% não possuem. A taxa é nove pontos abaixo quando se comparado à juventude fora dessa condição, na qual 93% têm familiaridade com as novas ferramentas e apenas 7% não conhecem.

Outra situação é quanto ao contato com as ferramentas de IA. Dos jovens em situação de vulnerabilidade, 63% têm convívio diário, 15% algumas vezes por semana e 3% por mês. Outros 10% raramente utilizam, enquanto 7% não sabem e 2% não souberam responder. O principal dado, de contato diário, é também o mais discrepante quando comparado à juventude fora da situação de vulnerabilidade: 73% acompanham quase todo dia, 12% algumas vez por semana, 3% por mês, 6% raramente e 4% nunca veem – apenas 1% não soube ou não respondeu.

“Os números expõem claramente que não apenas o acesso à tecnologia, mas o próprio conhecimento, embora não seja mais tão restrito como já foi num passado mais elitista, ainda não é o ideal quando comparamos indicadores sociais e econômicos”, frisa analisa Juan Carlos Moreno, Diretor da Demà.



PERCEPÇÃO E UTILIZAÇÃO SÃO ATÉ MAIORES

Se por um lado a vulnerabilidade interfere na familiaridade e nos conhecimentos quanto à IA, por outro ela não afeta tanto na percepção dos grupos quanto ao uso da tecnologia em múltiplas aplicações. Isso porque os jovens em situação de vulnerabilidade reconhecem essas ferramentas tal qual, ou até mais, do que aqueles fora desta condição.

Um exemplo é quanto às assistentes de voz em smartphones, como Siri e Alexa: 94% da juventude em condição de vulnerabilidade percebe a utilização de IA, enquanto 5% não reparam e 1% não sabem ou não responderam. É um número maior que o de jovens fora dessa situação, onde 92% reconhecem e 8% não percebem.

Quanto indagados sobre a utilização da IA, são aqueles em situação de vulnerabilidade que mais utilizam para fazer pesquisas no Google: 85%, três pontos a mais do que aqueles que não estão nesta situação. O mesmo vale para a tradução de textos (72% a 69%). Em compensação, quem não está na situação de vulnerabilidade utiliza a IA mais para preparar apresentações ou relatórios (54% a 48%), criar imagens (64% a 60%) e gerar novas ideias para alguma atividade (67% a 65%) do que quem se encontra em condição mais adversa.



INTERESSE, O PONTO FUNDAMENTAL

O impacto da IA na futura carreira profissional é um ponto de importância mais reconhecida pelos jovens em situação de vulnerabilidade: 66% analisam que o domínio dessas ferramentas será essencial para seu desenvolvimento profissional, enquanto que os entrevistados fora dessa condição estão no patamar de 62%.

O grupo mais desfavorecido também avalia que as ferramentas de IA podem ajudar no processo de aprendizagem: 72% têm esta visão, enquanto 22% acham que as tecnologias podem prejudicar e 6% não souberam ou não responderam. Entre os que estão fora da situação, 68% veem como benéfica ao aprendizado, 24% avaliam que prejudica e 7% não sabem ou não souberam responder.

É também na população em condição de vulnerabilidade que reside o maior interesse em realizar cursos de IA. Do total, 71% pretendem se atualizar, enquanto 27% não desejam e apenas 1% não soube ou não respondeu. Por sua vez, 61% dos jovens fora dessa situação quem se atualizar - uma diferença considerável de 10 pontos percentuais -, 37% não querem e 1% não se manifestou.

 

METODOLOGIA

A Nexus entrevistou 2.016 cidadãos com idade entre 14 e 29 anos, nas 27 Unidades da Federação, entre 14 e 20 de julho. A margem de erro da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%


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