Médico reforça que, embora menos frequente, a doença nessa faixa etária existe e torna ainda mais crucial o diagnóstico precoce
Recentemente, o relato público de Bruna Furlan de
Nóbrega, de 24 anos, influenciadora digital e neta do apresentador Carlos
Alberto de Nóbrega, sobre o diagnóstico de câncer de mama emocionou e
surpreendeu muita gente. A reação foi imediata: “como assim câncer de mama aos
24 anos?”. O susto é compreensível, mas os dados mostram que essa situação,
embora menos frequente, não é isolada.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima dezenas de milhares de novos casos de câncer de mama por ano entre mulheres, com maior concentração a partir dos 50 anos. Mas estudos nacionais mostram que a doença também atinge mulheres abaixo dos 40 anos e, quando isso acontece, muitas vezes chega em estágio mais avançado. Um trabalho publicado por pesquisadores brasileiros analisou 12.689 casos de câncer de mama em mulheres de 18 a 39 anos atendidas no SUS entre 2000 e 2009 e encontrou um dado preocupante: mais de 60% dessas pacientes foram diagnosticadas já em estágio avançado (igual ou acima de IIB), com tumores maiores, maior comprometimento de linfonodos e mais metástases ao diagnóstico no grupo abaixo de 35 anos.
“Quando um diagnóstico de câncer de mama em uma mulher tão jovem ganha visibilidade, ele escancara algo que nós, médicos, já vemos no dia a dia: câncer de mama em mulheres jovens existe, e muitas chegam tardiamente ao diagnóstico”, afirma o médico Gilberto Ururahy, especialista em medicina preventiva e diretor-médico da Med-Rio Check-up. “Não se trata de alarmar, mas informar. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de tratamento menos agressivo e de bom prognóstico.”
Especialistas reforçam que o principal fator de risco para câncer de mama ainda é a idade, mas isso não significa que mulheres com menos de 40 anos estejam “protegidas” ou possam ignorar sinais do corpo. Histórico familiar importante, mutações genéticas, menarca precoce, uso de hormônios, obesidade e sedentarismo são alguns dos fatores que podem aumentar o risco ao longo da vida.
Por isso, o recado não é de pânico, e sim de atenção. Mulheres jovens devem conhecer o próprio corpo, observar mudanças na mama (nódulos, retrações, secreções, alterações de pele), buscar avaliação médica quando algo diferente surgir e manter consultas regulares com ginecologista ou mastologista. O autoexame não substitui os exames de imagem, mas ajuda a perceber sinais que não devem ser ignorados.
“Diagnóstico precoce salva vidas. Isso vale para todas as idades, mas na mulher jovem o impacto é ainda maior, porque muitas vezes ela está estudando, trabalhando, planejando a vida. Quanto mais cedo a gente descobre, mais chances temos de preservar não só a vida, mas também a qualidade dessa vida”, conclui Ururahy.
Falar sobre esse tema com clareza, acolhimento e sem culpa é uma forma de apoiar quem está em tratamento hoje e, ao mesmo tempo, incentivar que mais mulheres procurem ajuda ao primeiro sinal de alerta.
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