Ensinar o valor do dinheiro desde cedo ajuda a preparar cidadãos conscientes
Nos últimos dez anos, cursos, palestras e conteúdos
sobre educação financeira para crianças e adolescentes ganharam espaço em
eventos, nas redes sociais e em documentos que regem a educação no país, como a
Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Um estudo da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) identificou que, em países
desenvolvidos, a população possui alto letramento financeiro. Em outras
palavras, mantém boa relação com o consumo, com as instituições financeiras e
com o planejamento financeiro pessoal, fatores que costumam impulsionar o
desenvolvimento econômico desses países.
De fato, aprender a lidar com situações que
envolvem dinheiro é uma habilidade útil nos planos individual e coletivo. Essa
abordagem, além de preparar melhor as pessoas para cuidar da própria vida
financeira, contribui para formar adultos mais responsáveis e empáticos.
Assim como ler e escrever, a educação financeira
pode ser ensinada ainda na infância. Para a editora de conteúdo da Aprende
Brasil Educação Janile Oliveira, trabalhar essas habilidades com crianças
promove não apenas responsabilidade, mas também valores como respeito e
solidariedade. “Quando o jovem aprende a se relacionar bem com o dinheiro,
percebe que ele é um recurso geralmente limitado e que precisa ser controlado
com cuidado. Isso ajuda a desenvolver disciplina e a entender o valor de suas
escolhas, um processo que reforça valores como cooperação, responsabilidade e
empatia”, explica.
Antes de falar sobre educação financeira, é preciso
entender que ela não se limita a dinheiro, contas e maneiras de poupar. Envolve
comportamento, consumo, estratégia, organização e cooperação. Por isso, o
cotidiano de uma família pode render boas oportunidades, tal como fazer a lista
do supermercado, reaproveitar alimentos em uma receita, separar brinquedos para
doação ou brincar com jogos que envolvam escolhas e trocas. Em casa, quando
fizer sentido, a mesada pode ser uma aliada. Ajustada à realidade da família,
ela ajuda a planejar gastos, diferenciar o essencial do supérfluo e valorizar o
que já se tem.
Já para pré-adolescentes, recursos como
contas-poupança e investimentos simples introduzem noções de rendimento e de
funcionamento do mercado. Para Janile, “o importante é que crianças e jovens
entendam que o dinheiro é um aspecto da vida e que a educação financeira vai
além de valores monetários, pois ela oferece referências para planejar e tomar
decisões responsáveis”. Ela acrescenta que, assim como a formação acadêmica
contribui para a vida profissional, a formação financeira fornece base para
organização e escolhas conscientes.
Educação para a empatia
Especialistas ressaltam que é importante ensinar às
crianças e adolescentes que o dinheiro pode ir além do consumo, sendo também
fonte de empatia. Nesse sentido, espera-se que eles desenvolvam a capacidade de
tomar decisões responsáveis, evitando prejudicar outras pessoas ou a sociedade
em si. A partilha e doação podem ser incorporadas ao planejamento financeiro da
criança, motivando desde cedo a prática da solidariedade e responsabilidade
social. “Cidadania vai além de direitos e deveres, é também a capacidade de
olhar para o outro. Muitas vezes, pessoas ao nosso redor precisam de ajuda e,
com a educação financeira, a criança aprende que pode ser um ponto de
transformação dessa realidade”, ressalta.
Para isso, a especialista defende que o exemplo
deve começar também dentro de casa. Assim como em um ambiente empresarial, em
que a liderança precisa demonstrar responsabilidade, na educação financeira é
interessante que responsáveis e professores sejam referências consistentes. As
crianças costumam observar comportamentos e escutar o que os adultos dizem. Se
eles falam sobre economia, mas gastam sem planejamento, a mensagem não se
sustenta; se eles falam sobre caridade, mas não incentivam ou fazem a doação de
roupas e brinquedos, não há exemplo para ser seguido. O ideal é que família e
escola caminhem juntas, mostrando, por meio de atitudes, que consumir com
consciência é também cuidar do seu próprio futuro e das pessoas ao redor.
Investir em educação financeira desde cedo, na escola e em casa, contribui para
formar uma próxima geração mais preparada, consciente, autônoma e pautada em
valores como responsabilidade, empatia e cooperação.

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