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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Bebês de Ozempic: o que as gestantes e tentantes precisam saber sobre o uso das “canetas emagrecedoras”

 A médica Natália Fischer, especialista em reprodução humana, explica os prós e contras do uso dessas medicações para quem quer engravidar

           

            Já ouviu falar nos “bebês de Ozempic”? Algumas mulheres relataram ter engravidado após o uso das chamadas canetas emagrecedoras, como Ozempic e Monjauro. Mas esses medicamentos, que inicialmente foram estudados e aplicados para controle das diabetes e, posteriormente, da obesidade, não são usadas para tratamento da fertilidade. Na verdade, é o oposto, mulheres que estão tentando engravidar (as tentantes) e gestantes, não devem fazer o uso dessas medicações, pois pode causar vários efeitos adversos durante a gestação e formação do bebê.

            Mas por que essas mulheres relataram conseguir engravidar após o uso das canetas emagrecedoras? Segundo explica a médica Natália Fischer, especialista em reprodução humana, a obesidade pode causar infertilidade. Assim, a partir do momento que essa mulher emagrece, o corpo “desinflama” e melhora suas chances de engravidar. “A perda de peso é muito importante, pois na paciente com obesidade, que gera um estresse oxidativo no corpo, temos uma diminuição de quantidade e qualidade de óvulos, processos metabólicos, além de aumento de aborto espontâneo, entre outros riscos. Então, é importante o controle do peso para engravidar”, detalha a médica.

Porém, o processo de emagrecimento com o uso dessas medicações – se houver prescrição médica –, deve ser realizado antes do início das tentativas de engravidar. “A orientação é suspender o uso das canetas emagrecedoras oito semanas antes de engravidar. Já para a mulher que engravidou usando as canetas emagrecedoras, é recomendada a suspensão imediata do medicamento”, orienta Natália Fischer, especialista em reprodução humana. Isso porque, em testes com ratos, foram observadas mal formações, alterações no parto prematuro e restrição de crescimento em animais que foram expostos à semaglutida.

Não é permitido fazer o estudo científico padrão em pacientes com uso da medicação para engravidar. Contudo, em um estudo apresentado no ESHRE – o mais importante congresso internacional de reprodução assistida –, foi observado que em mulheres que estavam em uso da medicação e engravidaram quais as repercussões obstétricas para essas mulheres.

“Para as que estavam em uso da semaglutida (princípio ativo do Ozempic) para tratamento de diabetes houve um aumento de parto prematuro; enquanto aquelas que foi para perda de peso, tratamento da obesidade, essa taxa não foi muito relevante”, pontua a médica Natália Fischer, que participou do evento, realizado recentemente, em Paris. “De toda forma, caso esteja no uso da medicação e receba a surpresa de um positivo para gravidez, o ideal é que a paciente pare imediatamente e consulte seu médico, pois ele vai fazer as orientações necessárias”, reforça a médica.

 Então, o emagrecimento é importante para quem deseja engravidar, seja naturalmente ou através de fertilização in vitro (FIV). A especialista em reprodução humana lembra, porém, que avaliar o fator tempo é essencial nesses casos. Isso porque, o declínio natural da fertilidade da mulher se inicia aos 35 anos e se acentua aos 40, quanto teremos menos quantidade e qualidade de óvulos. Ou seja, em pacientes mais jovens, o processo de emagrecimento pode ser priorizado antes da gestação, mas a recomendação é essa paciente buscar orientação de um médico especialista em reprodução humana, para avaliar cada caso e traçar um planejamento de fertilidade individualizado, seja através de gravidez natural ou fertilização in vitro.

“Para aquelas mulheres que tem ‘médio tempo’, as que estão na faixa dos 37 aos 40 anos, terão menos tempo para emagrecer. Porém, podemos fazer um protocolo junto com o endócrino para organizar o tratamento de emagrecimento, inclusive com o uso das canetas emagrecedoras, se houver indicação, antes de iniciar o de fertilidade”, detalha a médica Natália Fischer. Além do controle de peso corporal, a especialista lembra que manter bons hábitos, como não fumar, não fazer o consumo excessivo de álcool, praticar atividade física e ter uma alimentação saudável, evitando ultraprocessados, comidas industrializadas e fast foods, são fundamentais para melhorar as chances de gravidez.   

 

DRA. NATÁLIA FISCHER – Com 16 anos de experiência, Dra. Natália Fischer Pimentel é uma especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com foco em Reprodução Humana. Sua trajetória profissional inclui atuações em Recife e João Pessoa, além de ser sócia-fundadora da Clínica Embrius (PE) e médica colaboradora na Geare (PB). Sua expertise abrange desde a fertilidade e reprodução assistida até o congelamento de óvulos, infertilidade feminina e masculina, saúde hormonal e planejamento reprodutivo. Possui formação em Medicina pela UFPE, seguida por Residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo IMIP, no Recife. Na área de reprodução humana realizou pós-graduações em Reprodução Humana e Cirurgia Videolaparoscópica, além de uma especialização em Fertilidade pelo Hospital de Valência, na Espanha. Sua expertise se concentra em áreas de grande demanda, como fertilidade e reprodução assistida, congelamento de óvulos, infertilidade feminina e masculina, ciclo menstrual e saúde hormonal, endometriose, fertilização in vitro (FIV) e consultoria sobre maternidade tardia e planejamento reprodutivo. Mais informações no Instagram @dranataliapimentelfischer. Para agendamento de consultas no Recife: (81) 98802.0882.


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