Transição demográfica é a principal responsável pelo aumento de doenças como artrite e osteoporose em um terço dos países
O rápido envelhecimento
da população mundial está se tornando o fator dominante no aumento de doenças
que afetam os ossos, os músculos e as articulações. Uma nova pesquisa¹,
publicada pela empresa de dados Elsevier, nos Annals of the Rheumatic Diseases,
revela que, em cerca de um terço dos países e territórios, a mudança na
estrutura etária foi a principal causa para o aumento dos distúrbios
musculoesqueléticos entre 1990 e 2021. O alerta é particularmente relevante
para o Brasil, que, conforme o Censo 2022², do IBGE, registrou um crescimento
de 57,4% no número de pessoas com 65 anos ou mais em apenas 12 anos, alcançando
10,9% da população total.
O objetivo do estudo foi
medir o verdadeiro impacto do envelhecimento demográfico nos últimos 30 anos,
excluindo o crescimento da população e outros fatores de saúde. E o resultado
mostrou que o aumento dos distúrbios ortopédicos e musculares causado pelo
avanço da idade gerou um custo de saúde global de US$ 96 bilhões em 2021, o
equivalente a 0,10% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, superando os gastos
atribuídos a fatores de risco modificáveis comuns como obesidade, sedentarismo
e má alimentação.
“O envelhecimento populacional no Brasil e no mundo é um fato. O
grande desafio hoje, contudo, é garantir que esses anos a mais sejam vividos
com qualidade. Precisamos tratar a osteoporose e a osteoartrite não apenas como
doenças da idade, mas como condições que podem ser mitigadas com acompanhamento
proativo”, comenta Laura Mendonça, reumatologista e densitometrista da clínica
CDPI, da Dasa, no Rio de Janeiro.
Segundo a Organização
Mundial de Saúde³ (OMS), patologias como artrite reumatoide, osteoporose e dor
nas costas estão entre as maiores causas de incapacidade em todo o mundo. E a
nova pesquisa vai ao encontro disso, provando que a osteoartrite é o distúrbio
musculoesquelético mais afetado globalmente pelo envelhecimento, seguida pela
gota e pela artrite.
Para a reumatologista, a prevenção e o diagnóstico precoce são
estratégias essenciais para aliviar a sobrecarga financeira e funcional nos
serviços de saúde no futuro. E para evitar o crescimento de casos de problemas
ortopédicos e musculares entre os idosos, diferentes exames podem ajudar: “É
possível utilizar exames laboratoriais para avaliar os níveis de cálcio e
vitamina D no sangue, além dos marcadores autoimunes, da Proteína C Reativa
(PCR), da Velocidade de Hemossedimentação (VHS), do Fator Reumatoide (FR) e
outros, bem como os exames de imagem – como ressonância magnética, raios X e
densitometria óssea –, que podem contribuir com o diagnóstico precoce”, comenta
Laura.
A médica detalha que a densitometria óssea é o exame padrão ouro
para o diagnóstico precoce da osteoporose, capaz de detectar osteopenia (condição
anterior, com perda de massa óssea menos grave), permitindo intervenções antes
que a condição se instale.
De acordo com a especialista, a densitometria óssea é indicada,
principalmente, para mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70
anos, mesmo sem fatores de risco aparentes.
“Mulheres na pós-menopausa ou homens acima de 50 anos com fatores
de risco adicionais, como baixo peso, histórico familiar de fraturas ou uso
crônico de certos medicamentos, como corticoides, também podem fazer o
rastreio. Além disso, pessoas de qualquer idade que já sofreram fraturas por
fragilidade ou que apresentam evidências radiográficas de perda de massa óssea
devem investigar o quadro com o exame”, afirma a médica.
Genética e prevenção: avaliando o envelhecimento e o futuro da
saúde óssea
Diante desse cenário, a busca
por um envelhecimento mais saudável e com maior qualidade de vida se
intensifica. Surgem então novas ferramentas aliadas, como os testes genéticos
de saúde e bem-estar, que têm se destacado, como cita o geneticista Gustavo
Guida, dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, também da Dasa: “Os testes
analisam o DNA para identificar predisposições genéticas e características de
saúde musculoesquelética, como a propensão à osteoporose ou a forma como o
organismo processa e absorve o cálcio e a vitamina D.”
O avanço da
nutrigenética permite analisar como o corpo de um indivíduo absorve e interage
com nutrientes e vitaminas, como a Vitamina D fundamental para a saúde óssea e
muscular, cuja deficiência pode estar ligada a variações no gene GC.
O Dr. Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em genética e co-fundador do
laboratório Genera, da Dasa, enfatiza que essa análise é vital para orientar
"alimentações mais personalizadas” que, consequentemente, colabora na
prevenção de problemas musculoesqueléticos.
Segundo Guida, ao
decifrar o impacto do DNA no processo de envelhecimento, é possível
personalizar estratégias preventivas. “Com esse mapeamento genético,
conseguimos ajustar a dieta, a suplementação e o tipo de atividade física muito
antes que os primeiros sintomas se manifestem. Este é um caminho promissor para
reduzir o risco de doenças crônicas ortopédicas, ter uma velhice saudável e,
consequentemente, diminuir a sobrecarga nos sistemas de saúde”, finaliza o
geneticista.
Referências:
1https://ard.eular.org/article/S0003-4967(25)04301-8/fulltext
2https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos
3https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/musculoskeletal-conditions
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