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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Estudo aponta envelhecimento populacional como maior causa de problemas musculoesqueléticos que custam bilhões aos sistemas de saúde globais

Transição demográfica é a principal responsável pelo aumento de doenças como artrite e osteoporose em um terço dos países

 

O rápido envelhecimento da população mundial está se tornando o fator dominante no aumento de doenças que afetam os ossos, os músculos e as articulações. Uma nova pesquisa¹, publicada pela empresa de dados Elsevier, nos Annals of the Rheumatic Diseases, revela que, em cerca de um terço dos países e territórios, a mudança na estrutura etária foi a principal causa para o aumento dos distúrbios musculoesqueléticos entre 1990 e 2021. O alerta é particularmente relevante para o Brasil, que, conforme o Censo 2022², do IBGE, registrou um crescimento de 57,4% no número de pessoas com 65 anos ou mais em apenas 12 anos, alcançando 10,9% da população total.

O objetivo do estudo foi medir o verdadeiro impacto do envelhecimento demográfico nos últimos 30 anos, excluindo o crescimento da população e outros fatores de saúde. E o resultado mostrou que o aumento dos distúrbios ortopédicos e musculares causado pelo avanço da idade gerou um custo de saúde global de US$ 96 bilhões em 2021, o equivalente a 0,10% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, superando os gastos atribuídos a fatores de risco modificáveis comuns como obesidade, sedentarismo e má alimentação.

“O envelhecimento populacional no Brasil e no mundo é um fato. O grande desafio hoje, contudo, é garantir que esses anos a mais sejam vividos com qualidade. Precisamos tratar a osteoporose e a osteoartrite não apenas como doenças da idade, mas como condições que podem ser mitigadas com acompanhamento proativo”, comenta Laura Mendonça, reumatologista e densitometrista da clínica CDPI, da Dasa, no Rio de Janeiro.

Segundo a Organização Mundial de Saúde³ (OMS), patologias como artrite reumatoide, osteoporose e dor nas costas estão entre as maiores causas de incapacidade em todo o mundo. E a nova pesquisa vai ao encontro disso, provando que a osteoartrite é o distúrbio musculoesquelético mais afetado globalmente pelo envelhecimento, seguida pela gota e pela artrite.

Para a reumatologista, a prevenção e o diagnóstico precoce são estratégias essenciais para aliviar a sobrecarga financeira e funcional nos serviços de saúde no futuro. E para evitar o crescimento de casos de problemas ortopédicos e musculares entre os idosos, diferentes exames podem ajudar: “É possível utilizar exames laboratoriais para avaliar os níveis de cálcio e vitamina D no sangue, além dos marcadores autoimunes, da Proteína C Reativa (PCR), da Velocidade de Hemossedimentação (VHS), do Fator Reumatoide (FR) e outros, bem como os exames de imagem – como ressonância magnética, raios X e densitometria óssea –, que podem contribuir com o diagnóstico precoce”, comenta Laura.

A médica detalha que a densitometria óssea é o exame padrão ouro para o diagnóstico precoce da osteoporose, capaz de detectar osteopenia (condição anterior, com perda de massa óssea menos grave), permitindo intervenções antes que a condição se instale.

De acordo com a especialista, a densitometria óssea é indicada, principalmente, para mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70 anos, mesmo sem fatores de risco aparentes. 

“Mulheres na pós-menopausa ou homens acima de 50 anos com fatores de risco adicionais, como baixo peso, histórico familiar de fraturas ou uso crônico de certos medicamentos, como corticoides, também podem fazer o rastreio. Além disso, pessoas de qualquer idade que já sofreram fraturas por fragilidade ou que apresentam evidências radiográficas de perda de massa óssea devem investigar o quadro com o exame”, afirma a médica.


Genética e prevenção: avaliando o envelhecimento e o futuro da saúde óssea

Diante desse cenário, a busca por um envelhecimento mais saudável e com maior qualidade de vida se intensifica. Surgem então novas ferramentas aliadas, como os testes genéticos de saúde e bem-estar, que têm se destacado, como cita o geneticista Gustavo Guida, dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, também da Dasa: “Os testes analisam o DNA para identificar predisposições genéticas e características de saúde musculoesquelética, como a propensão à osteoporose ou a forma como o organismo processa e absorve o cálcio e a vitamina D.”

O avanço da nutrigenética permite analisar como o corpo de um indivíduo absorve e interage com nutrientes e vitaminas, como a Vitamina D fundamental para a saúde óssea e muscular, cuja deficiência pode estar ligada a variações no gene GC. O Dr. Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em genética e co-fundador do laboratório Genera, da Dasa, enfatiza que essa análise é vital para orientar "alimentações mais personalizadas” que, consequentemente, colabora na prevenção de problemas musculoesqueléticos.

Segundo Guida, ao decifrar o impacto do DNA no processo de envelhecimento, é possível personalizar estratégias preventivas. “Com esse mapeamento genético, conseguimos ajustar a dieta, a suplementação e o tipo de atividade física muito antes que os primeiros sintomas se manifestem. Este é um caminho promissor para reduzir o risco de doenças crônicas ortopédicas, ter uma velhice saudável e, consequentemente, diminuir a sobrecarga nos sistemas de saúde”, finaliza o geneticista.

 



Referências:

1https://ard.eular.org/article/S0003-4967(25)04301-8/fulltext

2https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos

3https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/musculoskeletal-conditions


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