Ferramentas de IA geram valor, mas exigem controle e proteção de dados
A adoção em
larga escala da inteligência artificial tornou-se parte da rotina das empresas.
Embora muitas vezes associada a chatbots que completam e-mails ou geradores de
código, o uso da IA hoje vai muito além. Ferramentas como ChatGPT e Gemini
estão sendo aplicadas para automatizar tarefas antes restritas a especialistas,
ampliando a eficiência em diversas áreas. No entanto, essa expansão traz riscos
que não podem ser ignorados. Segundo um estudo recente da Harmonic, 8,5% das
interações de colaboradores com modelos de IA generativa envolvem dados
sensíveis, um percentual que mostra a exposição das empresas a vulnerabilidades
em segurança, conformidade e privacidade, além de potenciais implicações
legais.
Como já adiantado pela pesquisa, por depender da inserção de informações para
gerar respostas, muitas dessas plataformas armazenam pontos que podem ser
sensíveis como códigos, estratégias de negócio e dados pessoais. Atrelado a uma
regulamentação mais rígida, um vazamento acidental como esse representa não
apenas um risco técnico, mas um potencial prejuízo financeiro e reputacional.
Outra prática de que se deve ter atenção é o chamado Shadow IT, quando
departamentos contratam ou utilizam ferramentas sem aprovação ou supervisão da
área de tecnologia. Sem essa governança, o “experimento” de uma equipe pode
acabar com a exposição do cliente e de sua empresa e rapidamente se tornar um
problema de compliance. Somado a isso, cresce também a ameaça de ataques
maliciosos potencializados pela IA. Grupos de hackers têm utilizado técnicas
como engenharia de prompts para manipular sistemas, explorar vulnerabilidades e
até criar campanhas de phishing e malware automatizadas.
Mas o que é possível fazer neste cenário?
Eu defendo que o desafio aqui não é restringir o uso da IA, mas garantir que ela seja aplicada com responsabilidade e segurança. Isso exige políticas claras, governança eficiente e uma cultura de conscientização, especialmente no compartilhamento de informações sensíveis com essas ferramentas não proprietárias. Proteger a organização dos riscos passa por decisões estratégicas, processos bem definidos e o uso das tecnologias adequadas. Deixo aqui algumas ações que podem garantir segurança e governança na adoção da IA:
Estabeleça políticas claras e invista em conscientização.
Defina regras objetivas, com limites para o compartilhamento de informações sensíveis. Capacite as equipes com treinamentos que mostrem, na prática, os riscos e as boas práticas no trabalho.
Priorize soluções corporativas com segurança robusta.
Adote plataformas desenvolvidas para o ambiente empresarial, com controles sobre armazenamento, fluxo, criptografia e compliance. Evite o uso de ferramentas de consumo para atividades que envolvam dados críticos.
Implemente ferramentas de prevenção contra perda de dados (DLP).
Utilize soluções que automatizam a detecção e o bloqueio de pontos sensíveis antes que sejam enviados para sistemas externos. Aplique sanitização de dados como uma camada adicional de proteção.
Controle o acesso e monitore o uso das ferramentas de IA.
Restrinja o acesso de acordo com as funções de cada colaborador. Mantenha registros de atividades e utilize análise comportamental para identificar padrões anômalos e agir preventivamente.
Realize avaliações rigorosas de fornecedores.
Inclua critérios de segurança, governança de dados e gestão de incidentes nos processos de contratação de soluções de IA. Exija SLAs que assegurem confidencialidade, integridade e responsabilidade em caso de vazamentos.
Fortaleça a detecção e resposta a ameaças internas.
Implemente
tecnologias que monitorem o uso e identifiquem comportamentos suspeitos.
Combine análise de padrões de uso com alertas inteligentes para prevenir ações
maliciosas ou erros humanos.
Com isso, é possível aproveitar as oportunidades reais de ganho da IA, como
eficiência e competitividade, gerando valor forma consistente e com
responsabilidade. Empresas com políticas claras, governança e práticas de
segurança bem definidas não apenas evitam riscos como fortalecem a confiança em
suas operações e decisões.
Fabio Caversan - VP Global de Inovação do
Stefanini Group
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