Coordenador da UTI do Hospital Unimed Araxá aponta avanços em protocolos e gestão de saúde pública
No último dia 26
de fevereiro completaram-se cinco anos desde o primeiro diagnóstico de COVID-19
no Brasil. Desde então, já foram confirmados em nosso país pouco menos de 40
milhões de casos e pouco mais de 716 mil óbitos dessa doença, de acordo com
dados do Ministério da Saúde. A principal marca da pandemia foi essa
enorme perda de vidas humanas em tão curto espaço de tempo (a maior parte
dessas mortes ocorreu em aproximadamente dois anos). Ficaram também, no
entanto, lições importantes que nos poderão ser muito valiosas quando a próxima
pandemia ocorrer.
Na dimensão dos
profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas etc.) destacam-se
os aprendizados acerca do tratamento de síndromes respiratórias graves, da
ventilação mecânica, das medidas de controle de infecção, do cuidado
multidisciplinar e da prática baseada em evidências científicas e protocolos
clínicos. Além disso, a pandemia evidenciou o impacto do cuidado centrado no
paciente e na equipe, ressaltando a importância do apoio psicológico e do
bem-estar mental dos profissionais de saúde.
Já os gestores
de saúde aprenderam a necessidade de fortalecer a capacidade de planejamento
estratégico e melhorar a comunicação entre diferentes setores e níveis de
atenção. Além disso, um dos maiores desafios foi a otimização dos recursos
(infraestrutura, equipamentos, insumos, medicamentos e pessoal treinado).
Também ficou claro o valor de processos flexíveis frente a uma doença cujo
diagnóstico, prevenção e tratamento mudaram constantemente à medida que
avançavam as descobertas científicas.
No nível da alta
gestão de saúde pública (secretarias de saúde e Ministério da Saúde), a
pandemia também ressaltou a importância de tornar transparentes e disseminar
informações confiáveis e de fácil compreensão, tanto para as equipes técnicas
quanto para a população geral. Também se evidenciou a necessidade de medidas de
saúde pública coordenadas e organizadas entre os diversos níveis do sistema de
saúde. Em especial, no caso da pandemia de COVID-19, ressalta-se o esforço de
vacinação em massa e em escala nacional, que em última instância possibilitou o
fim da emergência sanitária.
Não sabemos
quando ocorrerá a próxima pandemia, mas a história nos ensina que ela
invariavelmente ocorrerá. Esperamos que, com essas lições aprendidas, possamos
enfrentá-la com maior eficiência, rapidez e flexibilidade do que o fizemos com
a pandemia iniciada há 5 anos.

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