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sexta-feira, 9 de maio de 2025

Maternidade e dinheiro: como criar filhos ensina sobre finanças mais do que qualquer curso?

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Em um país com mais de 11 milhões de lares chefiados por mulheres, a maternidade se revela um exercício diário de planejamento, escolhas conscientes e muita inteligência emocional

 

Ser mãe é uma das experiências mais transformadoras da vida — e também uma das mais desafiadoras. Desde o teste de gravidez até a escolha da escola, a maternidade envolve decisões que afetam diretamente o bolso da família. O que muita gente não imagina é que essa jornada também é uma verdadeira escola de educação financeira.

O estudo “Materna – O que pensam e querem as mulheres”, promovido pela UOL, em parceria com a MindMiners, mostra que 53% das mulheres declaram ser as principais tomadoras de decisões em casa. Outras 36% tomam decisões junto com seus parceiros ou parceiras; 7% dizem não participar das decisões e 1% não sabe responder. 

Ademais, um estudo do IBGE mostra que mais de 11 milhões de lares no Brasil são chefiados por mulheres sem a presença de um cônjuge, o que representa cerca de 17% das famílias brasileiras.

Esse retrato demográfico revela não apenas mudanças no perfil etário da maternidade, mas também diferentes dinâmicas econômicas que impactam cada faixa etária. “Mulheres que se tornam mães mais jovens, por exemplo, muitas vezes, ainda estão em processo de formação profissional ou acadêmica, o que pode limitar sua renda e exigir uma organização financeira estratégica. Já aquelas que engravidam mais tarde, geralmente possuem maior estabilidade financeira, mas também enfrentam outros desafios, como os custos elevados associados à gestação em idade mais avançada ou o planejamento da aposentadoria", destaca a psicanalista e especialista em gestão financeira familiar, Adriana de Arruda.


O preço de ser mãe

Independentemente da fase da vida, a maternidade exige uma série de aprendizados sobre orçamento, prioridades e tomada de decisões. Segundo um estudo da Universidade de São Paulo (USP), criar um filho até os 18 anos no Brasil pode custar entre R$400 mil e R$2 milhões, a depender do padrão de vida da família. Isso significa que cada escolha, da fralda até a graduação, precisa ser planejada com cuidado.

Ao longo dessa trajetória, muitas mulheres acabam desenvolvendo ou aprimorando habilidades financeiras essenciais, como a organização do orçamento doméstico, o senso de prioridade e a capacidade de adaptação. Desde a preparação do enxoval até a construção de uma reserva de emergência para eventuais imprevistos com a saúde da criança, cada passo envolve escolhas que moldam o presente e o futuro financeiro da família.

“A maternidade me ensinou tudo sobre finanças. Aprendi a ter reserva, a dizer não para o que pode comprometer meu dinheiro, a fazer escolhas mais conscientes, como ir ao mercado mais barato mesmo que seja mais longe. Antes, eu tinha noção de valores, mas não sabia lidar com dinheiro. Hoje, sei. Aprendi a barganhar, a pensar no futuro e a priorizar o que realmente importa. O medo de não conseguir oferecer um futuro para minha filha me fez mudar completamente. Agora, até ela entende o valor de guardar dinheiro", relata a mãe solo da Maria Luiza, Yasmin da Silva.  

Para Adriana de Arruda, muitas vezes, as mulheres acabam encontrando formas de se adaptarem conforme a sua realidade para dar o melhor para seus filhos(a). "Muitas mães acabam se tornando verdadeiras especialistas em economia doméstica, encontrando maneiras criativas de economizar, empreender ou até mesmo investir pensando no bem-estar dos filhos. E mais: passam a transmitir esses conhecimentos para as novas gerações, criando um ciclo virtuoso de consciência financeira, isso é excelente", afirma.  


Mães solo X gestão financeira: responsabilidade redobrada  

Para as mães solo, o desafio financeiro é ainda maior. Nessas casas, muitas vezes apenas uma fonte de renda sustenta todas as despesas, da conta de luz ao presente de aniversário.

“Descobrir que será mãe muitas vezes é algo inesperado, no entanto, saber que além de mãe, você terá que seguir a vida sozinha com uma criança é muito mais desafiador. Ser mãe solo é assumir todos os papéis ao mesmo tempo: provedora, cuidadora, gestora e estrategista financeira. Nesse contexto, o planejamento financeiro precisa ser ainda mais rigoroso. Controlar as despesas, fazer escolhas mais conscientes e aprender a negociar tornam-se habilidades essenciais e que nascem juntas com uma mãe", completa Adriana.  

Diante desse cenário e considerando o número de mães solo no país, o Projeto de Lei 2099/20 propõe o chamado Auxílio Mãe Solteira, que prevê um auxílio mensal de R$ 1,200 para mulheres provedoras de uma família, sem a contribuição de um companheiro ou cônjuge.  

Conforme o portal da Câmara dos Deputados, o PL 2099/2020 foi aprovado pela Comissão dos Direitos da Mulher, mas ainda aguarda o despacho do presidente da Câmara. Se aprovada, a previsão é de que a lei seja regulamentada pelo Poder Executivo em até três meses da publicação da norma.


Mãe empreendedora: jornada tripla?

Atualmente, muitas mães acabam se tornando empreendedoras ou freelancers para equilibrar a rotina com os filhos e garantir independência financeira. Essa realidade mostra como a maternidade, ainda que repleta de amor e entrega, também é um potente exercício de inteligência financeira, resiliência e criatividade.

Conciliar o cuidado com os filhos e a administração de um negócio não é tarefa simples, exige disciplina, flexibilidade e, principalmente, um olhar estratégico sobre tempo e dinheiro. Para muitas mulheres, empreender surge como a única alternativa viável diante da dificuldade de conciliar horários tradicionais de trabalho com as necessidades da maternidade, especialmente nos primeiros anos da criança.

“Me tornei mãe cinco anos depois de fundar a Temma, e, no começo, confesso que foi um choque. Eu estava acostumada a ter total controle da minha rotina e da empresa, mas a maternidade me tirou do eixo em determinados momentos. Precisei ressignificar minha forma de trabalhar, aprender a delegar mais e, principalmente, aceitar que produtividade também é sobre saber priorizar. Hoje, me sinto uma líder mais empática e estratégica, porque a maternidade me ensinou a olhar para o todo com mais sensibilidade”, comenta a fundadora e CEO da Temma, agência boutique especializada em construção de imagem e reputação, Stefani Pereira. 

De acordo com Adriana de Arruda, o empreendedorismo materno tem crescido justamente porque oferece um modelo de trabalho mais adaptável à realidade dessas mulheres. “Mães empreendedoras costumam ter uma capacidade enorme de gestão multitarefa, e isso, aliado à força que nasce com a maternidade, faz com que elas busquem capacitação, se conectem com outras mulheres e desenvolvam soluções criativas. Muitas delas passam a cuidar da empresa com o mesmo zelo com que cuidam dos filhos e isso pode ser uma grande vantagem competitiva”, analisa a especialista.

Para quem está pensando em empreender após a maternidade, Adriana recomenda começar com pequenas ações: organizar o orçamento da casa considerando o essencial para a família e separando o dinheiro do negócio e o da família, buscar cursos gratuitos online sobre planejamento financeiro e marketing digital, criar uma rede de apoio, mesmo que virtual, com outras mães e, acima de tudo, validar ideias de forma prática, como vendendo para amigos ou testando produtos em feiras locais. 

“A maternidade ensina muito sobre adaptação, e esse é um dos pilares do sucesso no empreendedorismo. O importante é começar, mesmo que seja pequeno, e aprender ao longo do caminho”, completa.


Educar pelo exemplo

Outro ponto fundamental que a maternidade traz à tona é o poder do exemplo. Quando uma mãe aprende a lidar com o dinheiro, esse conhecimento naturalmente se espalha para os filhos. Desde cedo, as crianças observam comportamentos e decisões — como a escolha de economizar, comparar preços ou adiar uma compra — e começam a incorporar esses valores no próprio cotidiano.

Yasmin da Silva, por exemplo, conta que sua filha já dá os primeiros passos no universo da educação financeira. “Minha filha, com 7 anos, já está juntando dinheiro para comprar um iPhone 16 Pro Max, mesmo sem ter noção exata do valor. Ela me vê guardando, me vê recusando certas compras. E eu explico: ‘A gente escolhe agora para ter mais adiante’. Percebi que isso mudou tudo.”  

A maternidade, portanto, vai muito além do instinto e do cuidado afetivo. É também uma jornada prática, que demanda organização, visão de futuro e muita inteligência emocional e financeira. "Em um país onde tantas mulheres sustentam sozinhas suas famílias, reconhecer e apoiar esse papel é fundamental não só para elas, mas para toda a sociedade. Afinal, mães bem informadas e financeiramente conscientes criam filhos mais preparados para os desafios do mundo", finaliza Adriana de Arruda.

 


Adriana de Arruda - Adriana de Arruda é Planejadora Financeira Pessoal, psicanalista e especialista no atendimento a famílias e suas questões com o dinheiro. Escritora, produtora de conteúdo, podcaster e palestrante, há mais de 10 anos promove a educação financeira com uma abordagem realista e humanizada, incentivando o uso consciente do dinheiro, o diálogo familiar sobre finanças e a preparação para a longevidade. Autora do livro "Longevidade é hoje!", Adriana orienta homens e mulheres na construção de uma vida financeira equilibrada e sustentável, considerando não apenas o futuro, mas a finitude da vida. Saiba mais: Site / Linkedin / Instagram

Stefani Pereira - jornalista e CEO da Temma Relações Públicas. Temma, empresa especializada em conectar marcas a pessoas por meio de planejamento estratégico, entrega de valor e gestão de imagem. Sob sua liderança, a Temma tem sido responsável por projetos de destaque que fortalecem a visibilidade, credibilidade e autoridade de organizações como Genial Care, MindMiners, Keyrus, Lina Open X, Se Candidate, Mulher!, Ana Tomazelli, etc. Com sólida formação acadêmica e vasta experiência no setor de negócios e empreendedorismo, Stefani conduz a Temma com uma abordagem estratégica focada em inovação e excelência operacional, consolidando a empresa como referência no mercado de Relações Públicas. Saiba mais: LinkedIn de Stefani Pereira

 

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