Ser mãe é uma das experiências mais intensas que uma mulher pode viver, além de ser uma das expressões mais profundas de amor, também pode ser um território desafiador, onde habitam a culpa, o medo e, muitas vezes, a autossabotagem.
Ao longo da minha caminhada como especialista em
inteligência emocional, ouvi e acompanhei milhares de mães que, como eu,
desejam fazer o melhor pelos seus filhos. No entanto, com o tempo, fui
compreendendo que esse “melhor” consiste em dar espaço para que sejam
protagonistas de sua própria história.
Eu sei, isso não é simples, mas aprendi que
seguimos na vida, muitas vezes, fazendo e desejando por e pelos filhos, e se
esquecendo de si mesmas. Isso é tão automático que não percebermos que no lugar
de os instruirmos para gerarem autonomia e experiências fundamentais ao
desenvolvimento, retiramos deles a oportunidade de desejarem por si mesmos e
de, assim, viverem desafios, frustrações, sonhos e crescimentos.
E se você, como tantas outras mulheres, já se viu
tomada pelo sentimento de culpa, eu entendo. Sei bem como é fácil se
questionar: “O que foi que eu fiz de errado?” Quando algo não vai bem com os
filhos — seja na escola, nas emoções ou no comportamento — a culpa nos invade,
mas deixa eu te contar uma coisa importante: a mudança não está neles. O ponto
de virada começa em nós.
Quando uma mãe se permite olhar para si, ela acessa
recursos emocionais preciosos. Cura suas próprias dores, ressignifica suas
crenças e se fortalece e é nesse lugar de inteireza que ela se torna capaz de
sustentar relações mais leves, verdadeiras e amorosas com os filhos.
Eu acredito profundamente que o autoconhecimento é
a maior herança emocional que podemos deixar. Mães que se acolhem, que aceitam
suas sombras e falhas, que se veem com compaixão, libertam seus filhos de
expectativas irreais. Elas param de exigir que os filhos preencham suas faltas
e passam a amar de forma plena, sem cobranças.
Essa não é uma maternidade idealizada, é uma
maternidade possível, real e humana. Uma maternidade que cuida da mulher que
existe por trás do papel de mãe, porque quando você está inteira consigo mesma,
o amor que transborda de você é o mais poderoso que existe.
A maternidade, para mim, é isso: um caminho de
volta para casa. Para dentro de nós. E, de lá, seguimos juntas, com mais
leveza, mais consciência e muito mais amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário