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terça-feira, 20 de maio de 2025

Maio Laranja alerta: violência sexual infantil é real, silenciosa e pode estar dentro de casa

Em um país onde 84 mil casos foram registrados em um único ano, estima-se que esse número represente só 9% da realidade. Especialista reforça: educação sexual infantil salva vidas e não tem nada a ver com erotização


A violência sexual contra crianças e adolescentes é um problema grave e subnotificado. Só em 2023, o Brasil registrou mais de 84 mil casos de estupro e estupro de vulnerável, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, um número assustador que, de acordo com especialistas, representa apenas 9% da realidade.

Neste Maio Laranja, mês de conscientização e combate à violência sexual infantil, a pedagoga Mariana Ruske, idealizadora da Senses Montessori School, reforça a importância da educação sexual infantil como ferramenta de proteção: “Educação sexual não erotiza. Ao contrário, fortalece as crianças, ensina sobre os próprios limites e ajuda a identificar situações abusivas”, afirma.

O abuso sexual na infância pode atingir qualquer criança, independentemente da classe social ou do ambiente em que vive. A maioria dos casos acontece dentro da própria casa e, em cerca de 80% das vezes, o agressor é um familiar ou uma pessoa próxima da confiança da família. “É um crime silencioso, muitas vezes cometido por quem a criança chama de tio, padrinho ou vizinho”, alerta Mariana. “O abusador geralmente se apresenta como alguém gentil e confiável — é o chamado grooming, ou aliciamento.”


Sinais de alerta

Nem sempre a criança consegue verbalizar o que está acontecendo. Por isso, é fundamental que pais e cuidadores estejam atentos a mudanças comportamentais repentinas, como:

  • Choro frequente sem explicação aparente;
  • Medo de pessoas específicas ou de situações que antes eram neutras;
  • Regresso de comportamentos (como voltar a urinar na cama);
  • Alterações no sono, apetite ou desenvolvimento;
  • Dificuldade para se comunicar ou se concentrar.

Segundo Mariana, a educação sexual infantil deve começar cedo, de forma lúdica, respeitosa e baseada no vínculo familiar. Algumas estratégias podem ser incorporadas ao dia a dia, como:

  • Ensinar que partes íntimas têm nome e ninguém deve tocá-las sem permissão;
  • Incentivar a criança a contar tudo que a deixa desconfortável;
  • Estimular o “círculo de confiança”: adultos em quem ela pode confiar;
  • Orientar que segredos sobre o corpo não devem ser guardados;
  • Reforçar que ela será ouvida e protegida sempre.

Uma frase simples que pode ser ensinada para situações de risco é:
“Pare agora. Eu sei o que você está fazendo. Vou contar para meus pais e eles vão acreditar em mim.”
Essa atitude pode interromper o abuso ou desencorajar o agressor.


E a escola?
A escola também tem papel fundamental nessa rede de proteção. “É onde a criança passa a maior parte do tempo. Muitas vezes, é no comportamento dentro da sala de aula que os primeiros sinais aparecem”, diz Mariana Ruske. “Os educadores devem ser capacitados não apenas para identificar, mas para acolher.”

Toda e qualquer suspeita de abuso sexual deve ser notificada. As denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Disque 100, sem a necessidade de comprovação prévia.

A proteção da infância é um compromisso coletivo e começa com informação, escuta e coragem para agir.

 

Mariana Ruske - Pedagoga da Senses Montessori School, especializada no método Montessori e fundadora da Senses Montessori School, referência em bilinguismo e educação Montessori no Brasil. Mãe de dois meninos, sua trajetória inclui formações em engenharia e astrofísica antes de encontrar sua vocação na pedagogia, impulsionada pela paixão pelo cérebro humano e seu desenvolvimento. Palestrante e ativista, dedica-se a disseminar informações sobre a proteção infantil contra abuso e violência. Defende que a educação infantil é a base do futuro e vê na Pedagogia Científica de Maria Montessori a ferramenta ideal para um desenvolvimento integral.


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