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terça-feira, 6 de maio de 2025

Maio Amarelo: neurocirurgião alerta para impacto dos acidentes de trânsito nas lesões da coluna


Em meio à campanha Maio Amarelo, que chama a atenção para a segurança viária, um alerta importante: os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de lesões graves na coluna vertebral. De acordo com dados do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, mais de 250 mil brasileiros por ano sofrem algum tipo de lesão medular resultantes de colisões automobilísticas. 

Lesões na coluna, especialmente as que afetam a medula, têm consequências que vão muito além do momento do acidente, podendo gerar sequelas irreversíveis”, afirma o neurocirurgião, mestre pela UNIFESP, Dr. Alexandre Elias. 

Um impacto violento pode comprometer vértebras, discos intervertebrais, nervos espinhais e a própria medula, o que pode levar a paralisias permanentes e necessidade de intervenção cirúrgica imediata. Segundo o Dr. Alexandre, as fraturas vertebrais estão entre as ocorrências mais comuns nesse tipo de trauma. 

Fraturas leves podem ser tratadas com colete e repouso, mas quando há instabilidade da coluna ou risco à medula, a cirurgia é essencial para evitar sequelas mais graves. Usamos parafusos, hastes e técnicas modernas para realinhar e estabilizar a coluna com o menor dano possível”, explica o especialista. 

Outros quadros frequentes incluem instabilidade vertebral com lesões ligamentares, hérnias de disco traumáticas e, nos casos mais graves, a lesão medular. “Quando a medula é comprimida ou lesionada, cada minuto conta. A cirurgia, nesses casos, pode ser decisiva para preservar funções motoras e sensoriais”, acrescenta o médico. 

Apesar da gravidade, nem toda lesão exige procedimento cirúrgico. A avaliação é feita com base em exames de imagem e na sintomatologia apresentada, e os avanços na medicina têm permitido tratamentos menos invasivos e com melhor recuperação. 

A boa notícia é que evoluímos muito nas técnicas cirúrgicas da coluna. Hoje conseguimos tratar com mais precisão, menos dor e um tempo de reabilitação mais curto, por procedimentos minimamente invasivos, neuronavegação e robótica. Mas nada substitui a prevenção”, ressalta. 

Para o especialista, atitudes simples são as melhores aliadas na proteção da coluna: uso de cinto de segurança, capacete, roupas de proteção, respeito às leis de trânsito e jamais dirigir sob efeito de álcool ou cansaço. 

Por mais que a medicina tenha avançado, nenhuma cirurgia é melhor do que evitar o acidente. Proteger sua coluna é, antes de tudo, um ato de responsabilidade com sua própria vida e com a dos outros”, finaliza Dr. Alexandre Elias. 



Dr. Alexandre Elias - neurocirurgião especializado em cirurgia minimamente invasiva da coluna vertebral, com mais de 25 anos de experiência. Mestre pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e research fellow na University of Arkansas for Medical Sciences, atua como preceptor de cirurgia de coluna vertebral na Unifesp e é membro ativo do Hospital Sírio-Libanês e do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho. É também especialista pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e pela Sociedade Brasileira de Coluna Vertebral (SBC).
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