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terça-feira, 20 de maio de 2025

Licença-maternidade: como as empresas podem acolher as mães no retorno ao trabalho?

Flexibilizar horários, fazer reuniões de reintegração, pensar nas mães solo e incentivar trocas entre colaboradoras mães devem fazer parte das estratégias 

 

Imagine ser uma profissional com anos de experiência que engravida e sai de licença-maternidade confiante no seu retorno. Mas, ao voltar, recebe a notícia de que está sendo dispensada. Essa é a realidade de muitas mulheres: mais da metade (57%) delas já foi demitida ou conhece alguém que foi desligada no retorno da licença, segundo estudo do portal Empregos. Em oposição a esse cenário, as empresas têm a importante missão de se preparar para que a volta dessas mães seja o mais fluida possível, tanto para elas quanto para o time. 

“Em uma experiência anterior, fui desligada após a licença-maternidade. Por isso, na minha segunda gravidez, já em outra empresa, senti medo de a situação se repetir. Para a minha surpresa, encontrei um ambiente totalmente diferente, com apoio, oportunidades e confiança nas minhas competências”, comenta Polyana Macedo, gerente executiva de RPO no ManpowerGroup. "O apoio que recebi me deu força e confiança para lidar com a maternidade sem abrir mão da minha carreira". 

Empresas que se organizam para dar tempo e condições para as mães voltarem ao ritmo podem transformar histórias e colaborar para um mercado mais equitativo. Além de contribuírem para o crescimento de suas carreiras, companhias que investem no desenvolvimento das profissionais contribuem também para o próprio crescimento. 

“No ano do meu retorno, bati as metas definidas para a minha área e, com minha equipe, entreguei um dos projetos mais desafiadores. Oportunidades como as que eu tive deveriam ser a regra para outras mulheres. A relação de trabalho é um ‘ganha-ganha’; ao se sentirem valorizadas, elas vão desempenhar suas funções com qualidade e entregar resultados. A confiança e a segurança no ambiente de trabalho são essenciais para que se alcance alta produtividade”, comenta Polyana. 

Entre as medidas que empresas podem estabelecer para o retorno dessas colaboradoras, a executiva sugere opções como flexibilização de horários e a existência de uma comunidade de trocas entre outras colaboradoras mães. Outro passo importante é estabelecer reuniões de reintegração, para alinhar expectativas e atualizar novidades da equipe; e de acompanhamento individual, para ouvir as necessidades dessa profissional durante o retorno. 

Um passo indispensável é também a capacitação da liderança e dos times, a fim de treiná-los para apoiar, ter empatia e escuta ativa. “Enquanto empresa e líderes, é fundamental pensar no que podemos oferecer para possibilitar o equilíbrio dessas mães entre carreira e suas vidas pessoais. Sobretudo, no caso de mães solo, que também têm desafios no fim da licença”, comenta a gerente do ManpowerGroup. 

Casos de mães que gerenciam suas famílias sozinhas também devem estar no radar das empresas, dado que, em dez anos (2012–2022), o número de domicílios com mães solo cresceu de 9,6 milhões para 11,3 milhões, segundo estudo da FGV. Considerando que cuidar dos filhos é quase um trabalho integral — o tempo que elas dedicam a tarefas maternais equivale a uma semana de trabalho de 98 horas, segundo estudo da marca americana Welch’s —, estratégias de apoio para esse grupo são mais do que válidas, como parcerias com creches. 

Pensando em atração de talentos, demonstrar para as atuais ou futuras mães que elas são bem-vindas na organização ajuda a construir uma cultura que valoriza os profissionais para além do trabalho. “Essa é uma estratégia de marca empregadora que reforça inclusão e fortalece o vínculo com os talentos. Comunicar claramente essa abertura e espaço para diversidade em páginas de carreira, processos seletivos, redes sociais e na comunicação é um dos caminhos-chave”, complementa a executiva.

 

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