Professor de Psicologia da Una Jataí destaca a importância da escuta humana qualificada no cuidado com transtornos mentais e alerta sobre os perigos do autodiagnóstico
Com o avanço da inteligência artificial (IA) na área da saúde, surgem também dúvidas sobre os limites e responsabilidades no uso dessas tecnologias para o diagnóstico de transtornos mentais como depressão, ansiedade ou TDAH. Para o professor Murilo Assis, do curso de Psicologia da Una Jataí, é fundamental reforçar que a IA não substitui o olhar clínico e a escuta qualificada de um profissional.
“A IA não é recomendada para identificar transtornos mentais. Para isso, são necessários testes específicos, avaliação clínica, observação do comportamento verbal e não verbal, anamnese e todo um conjunto de práticas que são inerentes ao trabalho humano”, afirma o professor.
Segundo Assis, um dos principais riscos está no autodiagnóstico baseado em plataformas digitais e testes online. “Muitas pessoas acabam se rotulando com base em conteúdos de redes sociais, o que pode gerar ansiedade, reatividade ou até mesmo piorar quadros de saúde mental. Essas ferramentas aumentam a probabilidade de falácias e respostas ansiogênicas”, explica.
Embora a IA possa ser útil como ferramenta auxiliar, ela precisa ser mediada por profissionais qualificados. “A tecnologia pode ter funcionalidade na triagem inicial, desde que utilizada por psicólogos ou psiquiatras capacitados. O problema está quando ela é usada de forma isolada ou sem critério técnico”, destaca o professor.
Assis também ressalta que o uso de IA ou conteúdo automatizado em saúde mental não deve ferir o Código de Ética da profissão. “As diretrizes do Conselho Federal de Psicologia impedem que qualquer tecnologia substitua o papel do psicólogo. Ainda não existe ferramenta capaz de substituir o contato humano, a escuta empática e o manejo clínico especializado.”
Para quem busca apoio, o professor recomenda atenção aos sinais de alerta, como prejuízos na vida social ou profissional, sofrimento emocional constante e perda de interesse por atividades cotidianas. “Nesses casos, a busca por acompanhamento psicológico é indispensável. O profissional é preparado para escutar, acolher e conduzir o processo terapêutico de forma segura.”
Ele também reforça a necessidade de uma maior psicoeducação da população sobre o tema. “Temos observado um aumento de pessoas que chegam ao consultório com autodiagnósticos feitos a partir de vídeos, posts ou testes de internet. Nosso papel é acolher essas demandas, mas também orientar sobre a importância de se basear em fontes confiáveis e procurar ajuda qualificada.”
Para Assis, a IA pode
ser uma aliada — desde que usada com ética, responsabilidade e como suporte ao
trabalho humano. “Nada substitui a escuta. Nada substitui o vínculo”,
conclui.
Una

Nenhum comentário:
Postar um comentário