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sábado, 3 de maio de 2025

IA e saúde mental: os riscos do uso de tecnologia no diagnóstico psicológico

Professor de Psicologia da Una Jataí destaca a importância da escuta humana qualificada no cuidado com transtornos mentais e alerta sobre os perigos do autodiagnóstico  

 

Com o avanço da inteligência artificial (IA) na área da saúde, surgem também dúvidas sobre os limites e responsabilidades no uso dessas tecnologias para o diagnóstico de transtornos mentais como depressão, ansiedade ou TDAH. Para o professor Murilo Assis, do curso de Psicologia da Una Jataí, é fundamental reforçar que a IA não substitui o olhar clínico e a escuta qualificada de um profissional.  

“A IA não é recomendada para identificar transtornos mentais. Para isso, são necessários testes específicos, avaliação clínica, observação do comportamento verbal e não verbal, anamnese e todo um conjunto de práticas que são inerentes ao trabalho humano”, afirma o professor.  

Segundo Assis, um dos principais riscos está no autodiagnóstico baseado em plataformas digitais e testes online. “Muitas pessoas acabam se rotulando com base em conteúdos de redes sociais, o que pode gerar ansiedade, reatividade ou até mesmo piorar quadros de saúde mental. Essas ferramentas aumentam a probabilidade de falácias e respostas ansiogênicas”, explica.  

Embora a IA possa ser útil como ferramenta auxiliar, ela precisa ser mediada por profissionais qualificados. “A tecnologia pode ter funcionalidade na triagem inicial, desde que utilizada por psicólogos ou psiquiatras capacitados. O problema está quando ela é usada de forma isolada ou sem critério técnico”, destaca o professor.  

Assis também ressalta que o uso de IA ou conteúdo automatizado em saúde mental não deve ferir o Código de Ética da profissão. “As diretrizes do Conselho Federal de Psicologia impedem que qualquer tecnologia substitua o papel do psicólogo. Ainda não existe ferramenta capaz de substituir o contato humano, a escuta empática e o manejo clínico especializado.”  

Para quem busca apoio, o professor recomenda atenção aos sinais de alerta, como prejuízos na vida social ou profissional, sofrimento emocional constante e perda de interesse por atividades cotidianas. “Nesses casos, a busca por acompanhamento psicológico é indispensável. O profissional é preparado para escutar, acolher e conduzir o processo terapêutico de forma segura.”  

Ele também reforça a necessidade de uma maior psicoeducação da população sobre o tema. “Temos observado um aumento de pessoas que chegam ao consultório com autodiagnósticos feitos a partir de vídeos, posts ou testes de internet. Nosso papel é acolher essas demandas, mas também orientar sobre a importância de se basear em fontes confiáveis e procurar ajuda qualificada.”  

Para Assis, a IA pode ser uma aliada — desde que usada com ética, responsabilidade e como suporte ao trabalho humano. “Nada substitui a escuta. Nada substitui o vínculo”, conclui. 

 

Una    


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