Segundo
especialista, quando consumido em excesso, riscos superam os benefícios
O consumo de bebidas energéticas pode ter efeitos significativos sobre o coração, como por exemplo aumento da frequência cardíaca, arritmias cardíacas, hipertensão arterial, “síndrome do coração partido” e até complicações mais sérias. São muitos os possíveis efeitos que o uso excessivo da bebida pode causar à saúde. Segundo especialistas, além do forte nível de cafeína, que pode ir de 80 a 160 mg dependendo da marca, a bebida contém também ingredientes como taurina, que contribui para estes efeitos colaterais.
Apesar disso, pesquisa realizada pela empresa de dados Kantar revela que o mercado de energéticos no Brasil tem se encaminhado para um cenário positivo em consumo fora do lar, com um crescimento de 54% em consumidores alcançados em um ano. Segundo a pesquisa, a principal razão de consumo dos energéticos pelos brasileiros é o sabor (39%), seguido pelas ocasiões para matar a sede (16%).
Mas quais os verdadeiros cuidados que devemos ter
ao ingerir este tipo de bebida? A Inspirali, principal ecossistema de educação
médica do país, convidou a Dra Juliana Filgueiras Medeiros, médica
cardiologista e professora na Universidade São Judas Tadeu, para tirar as
principais dúvidas dos consumidores sobre o tema. Confira:
- Energético faz mal para a
saúde?
R: O energético, quando consumido em excesso ou em
uma frequência irregular, pode sim fazer mal para a saúde já que geralmente ele
concentra altas doses de cafeína e açúcar que podem afetar o coração aumentando
a pressão arterial, também causando taquicardia. Em alguns casos, pode até
provocar arritmia como fibrilação atrial. Se a pessoa tem algum problema
cardíaco, ou se é muito ansioso e/ou tem insônia, o ideal é evitar.
- Quais são os efeitos colaterais
do energético?
R: Os efeitos colaterais das bebidas energéticas
podem variar de pessoa para pessoa, mas alguns dos mais comuns incluem:
insônia, aumento da pressão arterial, aumento das arritmias, batimentos
cardíacos irregulares, piora da ansiedade e dor de cabeça. Em casos extremos,
pode causar crise convulsiva, desidratação e tem relatos até de parada
cardíaca, mas não é tão comum. Depende muito da dose que a pessoa consome.
Geralmente, para o paciente ter uma parada cardíaca, está associado com o uso
de drogas ou bebida alcoólica.
- Quem não deve consumir?
R: Pacientes com problemas cardíacos, tais como
hipertenso, portadores de arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, nossa
recomendação é evitar. Quem tem crise de ansiedade ou pânico precisa evitar o
consumo, porque ele pode desencadear uma crise de pânico mais grave ou piorar a
ansiedade. Quem tem distúrbio de sono, tais como insônia ou dificuldade de
dormir, o energético vai atrapalhar o sono do paciente e, consequentemente, ele
acordará mais cansado. Crianças e adolescentes não devem consumir porque ainda
estão em desenvolvimento do sistema nervoso e existe o risco de dependência,
principalmente com cafeína, portanto a Sociedade Brasileira de Cardiologia de
Pediatria não recomenda o uso energético para menor que 18 anos. Para gestantes
e quem amamenta também recomenda-se evitar porque a cafeína atravessa a
placenta e pode afetar o bebê. Idosos preferimos não recomendar pois podem ter
efeitos colaterais como tontura, arritmia, pressão alta ou queda da pressão.
É importante que as pessoas estejam cientes desses potenciais efeitos
colaterais e considerem moderar o consumo de bebidas energéticas, especialmente
se tiverem condições de saúde pré-existentes. Consultar um profissional de
saúde é sempre uma boa prática se houver preocupações sobre o consumo.
- O que pode acontecer com o
corpo de uma pessoa que consumo energético diariamente?
R: Não recomendamos tomar energético diariamente.
Mas, em caso de consumo diário, pode ocorrer uma dependência da cafeína ou até
abstinência. O consumo diário pode causar dor de cabeça, irritabilidade,
cansaço, dificuldade de concentração, já que o seu organismo se acostuma cada
vez mais e vai precisar de uma dose cada vez maior de energético para sentir o
efeito. E isso pode sobrecarregar o coração porque terá um aumento da pressão
arterial, batimentos cardíacos acelerados ou irregulares. Então, com isso, a
pessoa vai forçar mais o coração podendo induzir arritmias graves ou até
insuficiência cardíaca.
Na verdade, a bebida vai deixar o cérebro em estado
de alerta o tempo todo e vai ter dificuldade para dormir e cansaço no dia
seguinte, então vai tomar mais energético e acaba virando um ciclo vicioso.
Além disso, como os energéticos têm muito açúcar, você pode ganhar peso,
podendo levar ao risco de diabetes. Para o fígado, metabolizar a cafeína em
excesso pode ter uma hepatopatia, ou seja, uma sobrecarga do fígado. Tomar
energético pode parecer inofensivo, mas o uso crônico pode prejudicar sim. O
ideal é, se for tomar, que seja com moderação e em situações específicas e não
misturar com álcool.
- Energético pode ser benéfico?
R: Como cardiologista, não estimulo o consumo de
energético. Claro que em algumas situações específicas, como por exemplo, você
precisa fazer uma prova, precisa ficar um pouco mais acordado, ter uma melhor
concentração, ou vai viajar de madrugada, até pode tomar um pouco. Ou em
algumas situações como, por exemplo, para melhorar a sua disposição, a sua
energia, diminuir um pouco a fadiga, o estresse. Em algumas situações melhora o
estado mental, o desempenho físico, mas tem que usar com moderação, porque tem
riscos também e acredito que os riscos superam os benefícios. Usar de vez em
quando não tem problema, mas o uso em excesso pode causar dependência e em
associação com o álcool, principalmente, ele fica mais maléfico do que
benéfico.
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