A perda da memória documental da TV brasileira começou logo após sua inauguração e ainda não parou. Seja por desinteresse, descuido, falta de consciência ou de recursos.
Como escreveu a jornalista Rose Esquenazi, nossa
televisão é uma balzaquiana abandonada e desmemoriada. Por isso dá tanto
trabalho falar do seu passado. Ela tem razão. São raros acervos preservados e
acessíveis. Ainda mais raros os profissionais sobreviventes dos tempos do
pioneirismo, improviso e da criatividade dispostos a falar. Aliás, alguns
desses já não têm mais memória, também.
Neste ano em que o país celebra os primeiros 75
anos da inauguração da sua TV, vamos refletir sobre seus avanços e retrocessos.
A pioneira Tupi foi ao ar em 18 de outubro de 1950. Assim como ela, outras emissoras
surgiram e desapareceram por falência ou fatalidades que transformaram seu
acervo e sua memória em cinzas.
Enquanto russos e norte-americanos viajavam pelo
espaço, brasileiros tentavam escapar dos fatídicos incêndios que atingiram
Record, Globo e Bandeirantes. Dois incêndios no dia 13 e outro no dia 16 de
julho de 1969. O fogo destruiu sedes, estúdios e acervos, uma escalada de
destruição que transformou em pó telenovelas e séries de TV inteiras, programas
de auditório e especiais os mais variados.
Escrever e publicar livros sobre séries de TV
estrangeiras é mais fácil, muitas delas têm arquivos acessíveis online. Mas,
quando se trata de pesquisar a teledramaturgia brasileira é preciso escavar
muito e rezar para que a sorte preste atenção na gente.
Que os detentores da documentação sobrevivente
demonstrem alguma compaixão para com os pesquisadores e o público ávidos por
informações que ajudem a perpetuar obras audiovisuais que marcaram suas vidas
através da tela da TV. Interessante e importante seria ampliar o número de
locais onde tais materiais pudessem ser conhecidos e disponibilizados,
aumentando fontes de pesquisa e contribuindo para preservar o pouco que ainda
resta dos tempos pioneiros. Por enquanto.
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