Especialista
aponta práticas essenciais para garantir tanto a saúde física quanto mental das
mulheres
Após o nascimento de um bebê, a atenção dedicada à
saúde da mulher costuma diminuir drasticamente, mesmo quando o corpo e a mente
seguem em intensa transformação. A romantização da maternidade ainda ofusca
discussões fundamentais sobre as consequências físicas e emocionais enfrentadas
pelas mães. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 25% das
mulheres brasileiras apresentam sintomas de depressão pós-parto em até 18 meses
após o nascimento do filho.
Esses dados reforçam o que a literatura médica
internacional já vem alertando: o puerpério é um período de riscos
persistentes, muitas vezes ignorados. O editorial "Morbidade pós-natal:
prevalente, persistente e negligenciada", publicado pela
revista científica The Lancet em parceria com o jornal eClinicalMedicine,
reuniu indicadores alarmantes: 35% das mulheres relatam dor durante relações
sexuais, 32% dor lombar, 19% incontinência anal, até 31% incontinência
urinária, entre outros sintomas que incluem depressão, ansiedade e dor
perineal.
Para além do parto, o cuidado materno precisa se
estender e ser ampliado. “Depois que o bebê nasce, o corpo da mulher se
reconstrói. Há uma reorganização hormonal intensa, alterações emocionais
profundas e demandas físicas novas que exigem suporte especializado e
contínuo”, afirma Jéssica Ramalho, CEO e cofundadora da Acuidar, rede de
cuidadores especializados.
Segundo ela, nos últimos anos houve um crescimento
expressivo na procura pelos serviços da empresa, impulsionado pela maior
conscientização sobre os impactos da maternidade na saúde da mulher. “As
famílias estão entendendo que cuidar do bebê também é cuidar de quem cuida”,
destaca.
A seguir, confira seis práticas essenciais para
garantir o bem-estar integral das mães no período pós-natal:
Acompanhamento psicológico
contínuo
A saúde emocional da mãe não se encerra com o
nascimento do bebê. Pelo contrário: é a partir desse momento que emergem
sentimentos ambíguos, mudanças de identidade e sobrecarga emocional. Situações
como a solidão materna, a pressão para cumprir expectativas sociais e o medo de
não estar fazendo o “suficiente” impactam diretamente a saúde mental.
“A psicoterapia, quando inserida de forma regular
na rotina da mulher, possibilita um espaço seguro de escuta e acolhimento, no
qual ela pode expressar suas angústias, revisar crenças e construir novas
formas de lidar com o cotidiano”, explica Jéssica. Segundo a profissional, é
fundamental que esse cuidado se estenda para além das primeiras semanas e
esteja disponível durante toda a jornada da maternidade.
Reabilitação do assoalho
pélvico
O parto, especialmente o vaginal, provoca alterações
significativas na musculatura do assoalho pélvico, responsável por funções como
continência urinária e suporte dos órgãos internos. Muitas mulheres enfrentam
dor, incontinência ou sensação de peso na região, mas acabam normalizando esses
sintomas por falta de informação.
Jéssica destaca que o acompanhamento com
fisioterapeutas especializados acelera a recuperação funcional e devolve
autonomia à mulher. “Além do conforto físico, há um impacto direto na
autoestima. A mulher se sente mais conectada ao próprio corpo e percebe que
está retomando seu equilíbrio”, enfatiza. A reabilitação também previne
problemas futuros e melhora a vivência da sexualidade no pós-parto.
Sono reparador como prioridade
O cansaço extremo é uma das queixas mais frequentes
entre mães recentes. A privação de sono, além de afetar o humor e a memória,
compromete o sistema imunológico, agrava quadros de depressão e dificulta o
vínculo afetivo com o bebê.
Por isso, criar estratégias que favoreçam períodos
reais de descanso é uma medida urgente. Dividir turnos com o parceiro, contar
com ajuda profissional para cuidados noturnos ou até mesmo aceitar cochilos ao
longo do dia são atitudes que, embora simples, transformam a rotina. Estimular
o descanso sem culpa e reconhecer que a exaustão não é fraqueza, mas um sinal
de sobrecarga, é o primeiro passo para restaurar o equilíbrio físico e mental.
Alimentação funcional e
individualizada
Durante a gestação e a amamentação, o corpo
feminino utiliza uma quantidade enorme de nutrientes para sustentar dois
organismos. No pós-parto, essa demanda continua, mas nem sempre a alimentação
acompanha essa necessidade. “Há relatos frequentes de fadiga intensa,
dificuldade de concentração e alterações no humor que estão diretamente
relacionados ao desequilíbrio nutricional”, explica a COO.
Segundo Jéssica, um plano alimentar voltado para as
necessidades da mulher nesse período traz benefícios notáveis: “Quando a
alimentação é planejada de forma adequada, a mãe recupera energia, regula
hormônios e fortalece a imunidade. Isso reflete até no humor e na disposição
para cuidar do bebê”. A orientação de nutricionistas especializados é essencial
para considerar fatores como o tipo de parto, uso de medicações e o estilo de
vida da mãe.
Rede de apoio ativa e treinada
O suporte no pós-parto precisa ser mais do que
pontual ou simbólico: ele deve ser efetivo, empático e baseado em conhecimento.
Ter uma rede de apoio que compreenda as necessidades físicas e emocionais da
mulher faz toda a diferença. Famílias informadas sobre o puerpério, parceiros
engajados nos cuidados domésticos e profissionais treinados para oferecer
assistência especializada formam uma base sólida para que a mulher não se sinta
sobrecarregada ou invisível.
Conforme aponta Jéssica, o aumento na procura por
cuidadores especializados evidencia uma mudança cultural importante: “Hoje,
mães e famílias estão buscando um cuidado integral. Elas sabem que não basta
apenas dar suporte ao bebê. É preciso amparar a mulher que cuida, que nutre e
que também precisa ser cuidada”. Uma rede bem estruturada contribui para um
pós-parto mais seguro, humanizado e saudável.
https://www.acuidarbr.com.br/
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