Segundo um levantamento feito pela Zenklub, plataforma de bem-estar mental, em 2022, 15% das pessoas entrevistadas afirmaram procurar a terapia por conta da busca pelo autoconhecimento.
Isso porque não fomos educados para lidar com
nossas emoções. Desde crianças nos ensinam, em casa ou na escola, a nos
comportar socialmente como pessoas “educadas” e a agir dentro de nossos papeis
sociais definidos. Porém, não somos ensinados a lidar com emoções como medo,
ansiedade, nem mesmo com a alegria.
Mas o fato é que não nascemos sabendo lidar com
emoções e com o que se passa dentro de nós. E, por desconhecermos isso tudo, acabamos
seguindo pela vida negando ou escondendo o que sentimos. Passamos a ter receio
das nossas emoções, a desconfiar delas e a acreditar que nos atrapalham.
Como ficam as relações
amorosas no meio deste cenário?
Uma pesquisa realizada pela Ipsos em 2025,
intitulada Love Life Satisfaction Index, apontou que o Brasil é um dos países
menos satisfeitos com a vida amorosa dentre os latino-americanos, estando atrás
de países como Chile, Argentina, Colômbia e México (que lidera o ranking).
Por isso, já é tempo de pensarmos em uma Pedagogia
dos Afetos. Além da dificuldade em lidar com o sentir, a maior parte das
pessoas vive acreditando na versão do amor idealizado. Hoje fala-se com
naturalidade sobre o amor e seu caminho em direção à rotina. “Isso é normal, o
amor é assim mesmo.”, dizem. Ou: “No começo é assim mesmo, depois cai na
rotina”.
Isso até pode ser verdade. Mas em muitos casos,
talvez até na maioria deles, esse “esfriamento” se traduz em decepções que não
são transformadas nem resultam numa evolução da relação ou das pessoas
envolvidas. Um cenário onde decepções se desdobram em mágoas, raiva,
ressentimentos e no qual, com o tempo, aquele amor inicial resseca e vai
perdendo a sua seiva.
A missão do amor, além de gerar prazer e alegria de
viver, é o autoconhecimento. Não fomos ensinados sobre essa missão. Precisamos
que seja cada vez mais comum e prazeroso falar do amor como um caminho de
conhecimento de si mesmo e ampliação da potência pessoal de realização.
É preciso que cada vez mais a gente aprenda sobre o
amor com essa naturalidade que antes não existia e não sabíamos ser possível -
o amor como experiência de crescimento pessoal compartilhado.
O amor possui forte capacidade de nos fazer ter
mais consciência a respeito de nós mesmos, a partir das emoções que a pessoa
amada nos provoca. Poderemos elaborar emoções difíceis e maravilhosas nos
tornando mais livres e potentes. Por isso, o amor não é uma questão de sorte.
Aprender sobre ele e sobre o nosso sentir é fundamental para nos realizarmos na
vida, o que é a potência do próprio amor.
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