Imagine viver em uma cidade onde, após uma enchente devastadora, a única água disponível para beber está contaminada. Essa é a realidade de milhares de brasileiros que enfrentam tragédias naturais todos os anos. O saneamento básico, que deveria ser um direito garantido, ainda é um desafio para muitas comunidades, e a falta dele agrava os impactos das crises ambientais.
Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou um
projeto que permite agilizar obras de saneamento em casos de calamidade
pública. Essa medida é fundamental, mas levanta uma questão importante: por que
precisamos esperar uma crise para agir?
O Marco Legal do Saneamento estabeleceu metas
ambiciosas: até 2033, 99% da população deve ter acesso à água potável e 90% ao
tratamento de esgoto. Porém, a realidade mostra que ainda estamos longe desse
objetivo.
Atualmente, mais de 30 milhões de brasileiros não
têm acesso à água tratada e quase metade da população não conta com coleta de
esgoto. Esse cenário não pode ser normalizado e expõe a fragilidade da
infraestrutura atual e tornam urgente a implementação de medidas mais ágeis.
Os gestores públicos têm a responsabilidade de
garantir a aplicação eficiente dos recursos, fortalecer a regulação e
viabilizar parcerias com o setor privado para acelerar a universalização do
saneamento. Além disso, precisam enfrentar desafios como a modernização de
sistemas defasados, a redução do desperdício de água e a adoção de soluções
tecnológicas que otimizem o uso dos mananciais.
O avanço do saneamento precisa ser tratado como
prioridade antes que tragédias aconteçam. Obras emergenciais são importantes,
mas não podem ser a única solução. Precisamos de planejamento estratégico,
políticas públicas bem estruturadas, investimentos contínuos e maior
participação do setor privado para garantir que as exigências do Marco Legal
sejam atendidas dentro do prazo. O país não pode esperar uma calamidade para
agir.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São
Paulo (Sabesp), por exemplo, tem implementado projetos para cumprir as metas
estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento. A Companhia, inclusive, pretende
assegurar a universalização dos serviços até 2029, quatro anos antes do prazo
estabelecido pelos órgãos governamentais.
Para 2025, a Sabesp planeja investir R$ 4,7 bilhões
em diversas iniciativas voltadas à modernização e expansão dos serviços de
saneamento. Os recursos serão direcionados para programas como o Água Legal,
além da renovação de equipamentos, automação de processos, melhoria da
eficiência energética e ampliação das redes de abastecimento de água e coleta
de esgoto. Essas inovações visam otimizar a operação do sistema e reduzir
perdas, garantindo maior eficiência e qualidade no atendimento à população.
Agir com eficiência não significa buscar apenas
soluções paliativas, mas sim investir em infraestrutura duradoura que previna
futuras crises.
Para isso, a empresa também tem buscado expandir
sua atuação por meio de concessões e parcerias público-privadas, que podem ser
uma aliada nesse processo, trazendo tecnologia, expertise e recursos para
acelerar o avanço do saneamento.
Quando garantimos acesso à água potável e ao tratamento
de esgoto, reduzimos doenças, aumentamos a qualidade de vida e promovemos um
crescimento sustentável para o país.
É hora de mudar a mentalidade e parar de tratar o saneamento como um problema secundário. A universalização não pode ser um sonho distante – deve ser uma realidade construída agora. Afinal, não há desenvolvimento sem água e saneamento para todos.
André Ricardo Telles - CEO da Ecosan, empresa de soluções sustentáveis para o tratamento de água e recuperação de efluentes. Pós-Graduado em Inovação na Universidade CUOA na Itália, com MBA pela FGV, Telles já publicou livros no Vale do Silício pela IBM-USA e está à frente de inovações que transformam desafios ambientais em soluções de engenharia eficientes e sustentáveis.
ECOSAN
https://ecosan.com/
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