Marcas que se
adaptam bem ao mercado crescem 2,5 vezes mais rápido
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O reposicionamento de marca é uma decisão
estratégica crucial para empresas que buscam se renovar no mercado e atrair
novos clientes. No entanto, o processo está repleto de armadilhas que podem
comprometer a credibilidade e os resultados financeiros.
Segundo estudo da
Interbrand, as marcas que melhor se adaptam às mudanças de mercado crescem 2,5
vezes mais rápido que as concorrentes. "O principal erro é achar que
reposicionamento é apenas uma mudança visual. Trata-se de uma transformação
profunda que deve começar de dentro para fora, envolvendo todos os pontos de
contato com o cliente e, principalmente, a cultura interna da empresa",
explica o CEO da IDK, consultoria de marketing, comunicação e tecnologia
, Eduardo Augusto.
Desconexão entre promessa e
entrega
Um dos principais erros cometidos por empresas em
fase de reposicionamento é criar uma expectativa que não consegue cumprir.
A pesquisa "Consumer Trust Barometer 2024",
realizada pela Edelman, revela que 71% dos consumidores perdem a confiança
rapidamente quando uma empresa não cumpre suas promessas de marca, sendo que
40% dificilmente retornam após uma experiência negativa nesse sentido.
"Antes de anunciar ao mundo sua nova posição,
é fundamental garantir que a empresa está preparada operacionalmente para
entregar essa promessa. O reposicionamento precisa ser autêntico e sustentável,
caso contrário, o efeito será o oposto do desejado: perda de credibilidade e
confiança", afirma Eduardo.
De acordo com o relatório "CX
Trends 2025", realizado pela Octadesk em parceria com a
Opinion Box, 62% dos consumidores brasileiros já desistiram de uma compra após
uma experiência negativa. Entre os principais motivos estão qualidade
insatisfatória do produto ou serviço (26%), atrasos na entrega (24%) e
propaganda enganosa (24%)
Negligência com a presença
digital integrada
Segundo o estudo "Digital Consumer Trends 2024",
da Deloitte, 83% dos consumidores brasileiros pesquisam online antes de fazer
uma compra, mesmo que a transação ocorra em loja física.
A pesquisa ainda revela que 59% dos consumidores
consideram confusa a comunicação de marcas que apresentam posicionamentos
distintos em diferentes canais digitais, o que resulta em desconfiança e
hesitação na decisão de compra.
"Estamos falando sobre uma geração (z) que
leva a autenticidade muito a sério, a ponto de não comprar de uma marca casos
os valores (não monetários), estejam desalinhados com seus propósitos de vida.
Para eles, a jornada é multicanal por natureza, e cada ponto de contato
precisa reforçar a nova mensagem da marca de forma consistente. Um dos erros
mais graves que observamos é quando a empresa reposiciona sua comunicação em
alguns canais, mas negligencia outros, criando uma experiência fragmentada para
o consumidor", explica o CEO da IDK.
Falha na comunicação interna
Um terceiro ponto frequentemente negligenciado é a
comunicação interna durante o processo de reposicionamento. "O
reposicionamento só é verdadeiramente bem-sucedido quando começa de dentro para
fora. Os colaboradores são os primeiros embaixadores da marca e precisam estar
alinhados e engajados com os novos valores e direcionamentos. Uma equipe que
não compreende ou não acredita no novo posicionamento jamais conseguirá
transmiti-lo de forma autêntica aos clientes. Também é um termômetro sobre a
efetividade do reposicionamento”, ressalta Eduardo.
Segundo o levantamento "Employee Engagement & Brand
Alignment" da Gallup, empresas com alto alinhamento entre
funcionários e valores da marca apresentam rentabilidade 23% superior às
demais.
A pesquisa também demonstra que apenas 27% dos
funcionários realmente compreendem e acreditam no posicionamento da marca em
que trabalham, o que compromete significativamente a capacidade de entregar a
promessa ao cliente final.
Erros comuns no
reposicionamento de marca
Existem diversos erros que são muito cometidos
durante o processo de reposicionamento. O especialista em comunicação e marcas,
Eduardo Augusto, aponta os mais comuns:
1) Mudança superficial: alterar apenas elementos visuais sem revisar o propósito e a
estratégia da marca como um todo.
2) Timing inadequado: reposicionar em momentos de
crise sem uma estratégia clara de recuperação.
3) Desconsiderar o histórico da marca: ignorar os
elementos que já são valorizados pelos clientes atuais.
4) Pesquisa insuficiente: não investir em estudos
aprofundados sobre o novo público-alvo e suas necessidades.
5) Falta de diferenciação: adotar posicionamentos
genéricos que não distinguem a empresa da concorrência.
6) Comunicação inconsistente: transmitir mensagens
contraditórias em diferentes canais.
7)Ignorar tendências relevantes: negligenciar
mudanças importantes no comportamento do consumidor ou no mercado,
principalmente no ambiente digital.
8) Orçamento subestimado: não prever recursos
suficientes para implementar mudanças em todos os pontos de contato.
9) Falta de métricas claras: não estabelecer KPIs
específicos para avaliar o sucesso do reposicionamento.
10) Impaciência para resultados: abandonar a
estratégia prematuramente antes que os resultados se consolidem.
"É notável que muitas empresas subestimam a
complexidade de um reposicionamento e acabam criando problemas ainda maiores do
que aqueles que tentavam resolver. Especialmente no Brasil, vemos que o
entendimento de um reposicionamento de marca está diretamente atrelado a um
novo logotipo e está muito distante de ser isso. Um processo bem-sucedido exige
planejamento cuidadoso, alinhamento interno e paciência para colher os
resultados ao longo prazo", finaliza o CEO da
IDK.
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