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terça-feira, 25 de março de 2025

Cresce a obesidade infantil no Brasil: Especialista explica estratégias para prevenção e tratamento

 

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Medidas do governo e mudanças nos hábitos familiares são essenciais para conter o avanço da obesidade entre crianças e adolescentes

 

A obesidade infantil tem se tornado um problema de saúde pública cada vez mais preocupante no Brasil. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) revelam que, em 2023, 14,2% das crianças com menos de cinco anos apresentavam sobrepeso ou obesidade. Em resposta, o Governo Federal anunciou a redução do limite de alimentos ultraprocessados nas escolas públicas, com previsão de restrição para 15% em 2025 e 10% até 2026. O objetivo é melhorar a qualidade da alimentação escolar e combater a obesidade infantil. 

Diante desse panorama, o cenário futuro também preocupa: de acordo com o Atlas Mundial da Obesidade e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil poderá ocupar, até 2030, a quinta posição no ranking mundial de obesidade infantil. Atualmente, 14,3% das crianças de 2 a 4 anos estão acima do peso, enquanto 29,3% das crianças de 5 a 9 anos apresentam excesso de peso. 

O crescimento do problema não se restringe à infância. Segundo a OMS, os índices globais de obesidade quase triplicaram desde 1975, e mais de 40% dos adultos estão acima do peso. Como grande parte dos hábitos alimentares e comportamentais são formados na infância, entender os impactos da obesidade infantil e desenvolver estratégias para preveni-la é essencial para evitar complicações futuras. 

Entre os fatores que contribuem para a obesidade infantil, além da má alimentação, o sedentarismo tem um papel significativo. O uso excessivo de dispositivos tecnológicos reduz a prática de atividades físicas, agravando ainda mais o quadro. Além disso, a obesidade infantil está associada a uma série de problemas de saúde, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, tal qual doenças que afetam bem-estar emocional e social das crianças. 

O tratamento da obesidade infantil exige uma abordagem multidisciplinar, que inclui mudanças nos hábitos alimentares, incentivo à prática de atividades físicas e, em alguns casos, suporte médico. O endocrinologista e professor do curso de Medicina do Centro Universitário UniBH, Fabiano Malard de Araújo, explica que o manejo da condição pode envolver ajustes na dieta, como a substituição de alimentos processados, e, em algumas situações, o uso de medicamentos específicos. 

"Para o tratamento da obesidade, nós precisamos seguir três pilares: a dieta, a atividade física e a medicação – esta última para alguns casos selecionados. Existem muitas dietas estruturadas por aí, mas o principal na faixa etária pediátrica envolve cortar os alimentos processados e incentivar ao máximo o consumo de vegetais e frutas. Dietas muito restritivas não são o ideal, pois é fundamental que a pessoa consiga segui-las de forma permanente para que venham os resultados a logo prazo” conta o especialista. 

“Sobre a atividade física, ela vem sendo um desafio cada vez maior devido ao tempo excessivo com telas e, por último, é possível lançar mão de medicações para obesidade, mas em algumas situações específicas. É importante reforçar que nesses casos sempre será necessário o acompanhamento especializado”, destacou. 

Celebrado no último dia 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade veio com um alerta sobre a necessária conscientização sobre a doença. Estudos afirmam que, se nenhuma medida efetiva for tomada, as chances de reverter esse quadro no Brasil até 2030 são de apenas 2%. “Isso reforça a importância de políticas públicas, educação nutricional e mudanças de hábitos tanto nas escolas quanto nas famílias para combater a obesidade infantil e garantir um futuro mais saudável para as novas gerações.

"É nossa responsabilidade reverter essa tendência, porque as crianças sempre copiam os hábitos dos adultos mais próximos. Muitas vezes, é mais fácil fazer uma alimentação ruim e levar uma vida sedentária; por isso é tão importante dar a devida prioridade que esses hábitos merecem, tanto para nossa saúde, como para ensinarmos o correto para as próximas gerações”, conclui Fabiano.


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