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terça-feira, 25 de março de 2025

Cálculo renal: como evitar e tratar o mal silencioso

Especialista do Hospital Mater Dei Santa Genoveva explica sobre pedras nos rins, com alertas sobre clima, genética e mitos sobre suplementos  

 

Dores intensas nas costas, náuseas e sangue na urina são os sintomas mais conhecidos do cálculo renal. Mas o que poucos sabem é que as pedras nos rins podem se formar silenciosamente, sem aviso, e só se revelarem em crises agudas. O nefrologista Dr. Victor Jordão, que atua no Hospital Mater Dei Santa Genoveva, desvenda os sinais sutis, os riscos ocultos e as estratégias inovadoras para enfrentar essa condição, que afeta 12% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia.  


Como as pedras se formam?  

Cálculos renais são cristais sólidos que se aglomeram no trato urinário, quando substâncias como cálcio, oxalato ou ácido úrico se concentram na urina. “A formação depende da composição da urina de cada pessoa. Por isso, genética e estilo de vida são fatores-chave”, explica o Dr. Victor.  


Sinais silenciosos:  

- Urina turva ou com odor forte;  

- Vontade frequente de urinar, mesmo com pouco volume;  

- Desconforto leve e intermitente na região lombar.  


Clima, genética e estilo de vida 

Enquanto a desidratação é o principal fator de risco, o especialista alerta para outros gatilhos menos óbvios:  

- Clima tropical: Países quentes, como o Brasil, têm maior incidência devido à perda de líquidos pelo suor. Trabalhadores expostos ao calor (como construção civil) são grupo de risco.  

- Predisposição genética: Quem tem histórico familiar precisa de monitoramento, mesmo sem sintomas.  

- Suplementos perigosos: Usados sem orientações médicas podem não ser seguros. 


Prevenção e alerta aos mitos  

Dr. Victor destaca estratégias simples para evitar crises:  

1. Hidratação inteligente: 30-35 mL de água por quilo de peso/dia (ex.: 2,1 litros para 70 kg). Quem sua muito deve aumentar a dose.  

2. Frutas cítricas: Limão, laranja e acerola são ricos em citrato, que impede a aglomeração de sais na urina.  

3. Cuidado com modismos: Suplementos de vitamina C e D só são prejudiciais em casos específicos, mas o uso sem orientação é arriscado.  


Tratamentos

Quando a prevenção não é suficiente, a medicina oferece opções avançadas para combater os cálculos renais. Antes de qualquer intervenção, porém, a tomografia de abdômen sem contraste se consolida como exame padrão ouro, oferecendo imagens detalhadas para localizar os cálculos e guiar a estratégia mais segura. 


Controle a longo prazo exige mudança de hábitos  

O nefrologista reforça, porém, que o fim do tratamento não significa o fim dos cuidados: “Após a remoção, o monitoramento contínuo é essencial. Mesmo sem sintomas, pedras recorrentes podem causar danos renais irreversíveis, como obstruções ou infecções crônicas. E há formas de investigar a causa dessa recorrência e tratá-la. Por isso, exames periódicos e ajustes no estilo de vida são aliados permanentes”.

Para o médico, a chave está na personalização. “Cada paciente precisa de um plano que considere sua genética, rotina e até o clima onde vive. Não existe fórmula única”. Com hidratação rigorosa, dieta balanceada e exames periódicos, é possível reduzir consideravelmente o risco de recorrência.


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