A explosão de uma caldeira metalúrgica em uma empresa localizada
em Cabreúva, no interior de São Paulo, deixou cinco pessoas mortas e 30
feridas, além de um prédio destruído. Considerando o cenário preocupante de
acidentes e perdas de vidas, a segurança do trabalho no Brasil é uma questão de
extrema urgência.
Neste contexto, soluções são apontadas para que episódio como esse
sejam evitados, e, vidas, preservadas. Dessa forma, empresas podem recorrer a
‘Gestão de Riscos de Segurança do Trabalho’ ou, o chamado, ‘Gerenciamento de
Riscos Ocupacionais’ (GRO). Esta ferramenta tem se mostrado fundamental na hora
de dar respaldo a integridade física dos colaboradores, além de garantir a
saúde mental, bem como a sustentabilidade e a produtividade das empresas.
Em 1970, antes da criação das normas regulamentadoras, o Brasil
era campeão em acidentes de trabalho. Atualmente, o país ocupa o 4º lugar no
ranking mundial. Isso porque, as medidas preventivas adotadas ao longo dos anos
foram cruciais para diminuir o número de acidentes nestes ambientes. No
entanto, mesmo com os avanços, ainda há muito a ser feito.
De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho,
realizado entre 2012 e 2020, houve mais de cinco milhões de acidentes no
ambiente de trabalho notificados no país. Isso reflete que o Brasil enfrenta um
cenário alarmante no que diz respeito à segurança do trabalho.
Ainda conforme o mesmo levantamento, em 2020, foram registrados
446.881 acidentes de trabalho notificados e 1.866 pessoas perderam a vida
durante o exercício da função. No ano seguinte, o número de notificações dos
acidentes subiu 37%, alcançando 612.920. Já no ano passado, foram 2.538 mortes,
registrando um aumento de 36%.
Além dos custos humanos e sociais, os acidentes de trabalho
geraram impactos significativos aos cofres públicos. Em 2022, foram concedidos
mais de 148 mil benefícios a vítimas de acidente e 6,5 mil aposentadorias por
invalidez. Além disso, os acidentes tratados no sistema de saúde público
totalizaram 392 mil notificações e os custos associados a esses benefícios
foram de cerca de R$ 17,7 bilhões.
Analisando estes números, é fácil concluir que o cenário exige
ações proativas das empresas e governos na promoção de ambientes laborais mais
seguros. A GRO trata de um conjunto de medidas e procedimentos técnicos e
administrativos que visam prevenir, reduzir e controlar os riscos presentes nos
ambientes laborais. O objetivo dessa iniciativa é manter uma instalação
operando dentro de padrões de segurança considerados toleráveis ao longo do
tempo nas empresas.
Essa abordagem tem sido amplamente utilizada em alguns países,
estes considerados os mais seguros do mundo, como Islândia, Dinamarca, Irlanda,
entre outros. Os quais tiverem resultados positivos, tanto para a proteção dos
trabalhadores quanto para a preservação dos ativos e do patrimônio das
empresas. A incorporação das práticas dessa gestão é uma forma eficaz de
prevenir e reduzir acidentes, beneficiando o colaborador, as empresas e a
produtividade do país.
Entre os padrões fundamentais no conjunto de medidas, está a
análise de riscos. A ação consiste na identificação sistemática dos perigos
existentes no ambiente laboral, bem como na avaliação das consequências
potenciais desses riscos. Dessa forma, é possível estabelecer medidas
preventivas e corretivas para mitigar os perigos identificados.
Em relação aos riscos presentes nos locais de trabalho, eles podem
ser classificados como ambientais, ergonômicos e de acidentes. O primeiro, por
exemplo, inclui fatores físicos, químicos e biológicos que podem afetar a saúde
dos colaboradores. Já os riscos ergonômicos estão relacionados às condições de
trabalho, como esforço físico intenso, posturas espontâneas e jornadas
prolongadas. Por fim, a parte de acidentes engloba diversas situações de perigo
que podem resultar em graves ocorrências.
Outro fator fundamental incluso na Gestão de Riscos Ocupacionais é
a análise de processos. Esse item visa identificar possíveis falhas nos
procedimentos operacionais e estabelecer medidas para melhorar a eficiência e a
segurança das atividades exercidas pelos trabalhadores. A combinação da análise
de riscos com a análise de processos permite uma abordagem mais abrangente e
eficaz na prevenção dos acidentes e das doenças ocupacionais.
A segurança do trabalho no Brasil é uma questão que exige atenção
e ação imediata. A GRO aliada à análise de riscos e de processos nestes espaços
é uma estratégia essencial para promover ambientes laborais mais seguros e
saudáveis. Tanto a adoção de práticas preventivas, quanto o uso adequado de
Equipamentos de Proteção Individual (EPI), são medidas fundamentais para
reduzir acidentes e preservar a saúde e o bem-estar dos colaboradores.
Cabe às empresas, governo e profissionais da área de segurança
garantir o cumprimento das normas regulamentadoras (NRs) e promover a
conscientização sobre a importância da prevenção.
Paulo Musa - consultor master em Segurança Empresarial e Residencial da ICTS Security, empresa de origem israelense que atua com consultoria e gerenciamento de operações em segurança.
ICTS Security
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