No que
se refere à carreira profissional, o setor de tecnologia não é tão
democrático quanto deveria, principalmente no que se refere a inclusão do
público feminino. Segundo um estudo do Google For Startups, realizado em 2023,
51% dos entrevistados concordam que existem grandes barreiras para mulheres
nesse campo de atuação, e 57% veem o mercado atual como excludente para elas.
Além disso, 71% das startups concordam que nas escolas existem poucos exemplos
de profissionais bem-sucedidos nesta área. Isso ocorre porque, os modelos de
sociedade tendem a replicar as mesmas referências de caminhos tradicionais,
como direito, administração e pedagogia, fazendo com que as opções sejam
engessadas e pouco democráticas.
Ainda
de acordo com o estudo do Google for Startups, 78% dos entrevistados veem o afastamento
do jovem brasileiro do setor tecnológico por falta de conhecimento básico.
Neste sentido, as instituições de ensino desempenham um papel crucial
na formação das mentalidades e aspirações dessas pessoas. É essencial
incentivar meninas a explorarem as disciplinas STEM (áreas de
ciência, tecnologia, engenharia e matemática) desde cedo, garantindo que
tenham acesso a oportunidades e recursos iguais. Essa inclusão pode acontecer
através de programas extracurriculares, palestras e materiais que destaquem as
realizações das mulheres nessas áreas.
Além
disso, é vital que escolas e universidades promovam ambientes de
aprendizado inclusivos, onde todas as vozes sejam valorizadas,
independentemente do gênero, raça ou classe social. Isso não apenas prepara as
pessoas para carreiras tecnológicas, mas também ajuda a quebrar os estereótipos
de gênero enraizados na sociedade.
Outro
desafio que enfrentamos no mercado de tecnologia é a chamada "síndrome da
impostora", na qual as profissionais duvidam de suas habilidades e têm
medo de serem expostas como incompetentes. Para superar esse obstáculo, é
fundamental criar redes de apoio sólidas. Isso pode envolver a busca
de mentoras na indústria, colegas que compartilhem experiências similares e
grupos de networking voltados para esse público. Essa troca oferece
não apenas orientação e suporte emocional, mas também a chance de compartilhar
histórias de sucesso e enfrentar desafios juntas. À medida que as mulheres no
campo da tecnologia continuam a se apoiar mutuamente, a confiança e a
resiliência aumentam, ajudando-as a se destacarem em suas carreiras.
Diante
de um cenário como este, é essencial que as empresas adotem políticas de
igualdade de gênero, não apenas por uma questão de justiça, mas também
porque a diversidade é um fator-chave para a inovação. Dados e pesquisas
já comprovaram que organizações que valorizam a inclusão de mulheres e minorias
têm maior probabilidade de desenvolver soluções mais abrangentes e atender às
necessidades de um público diversificado. Além disso, podem implementar
programas de treinamento e desenvolvimento para ajudá-las a avançar em suas
carreiras, bem como estabelecer metas de contratação e promoção de mulheres em
cargos de liderança. Uma pesquisa de 2020, realizada pela McKinsey, apontou que
a diversidade na diretoria de uma empresa se traduz em mais receita em até 50%.
Em
resumo, superar os desafios que as mulheres enfrentam no mercado de tecnologia
requer uma abordagem abrangente que começa na educação, passa pela construção
de redes de apoio e chega às empresas. Tenho certeza de que à medida que
desafiamos os estereótipos e promovemos inclusão e diversidade nas empresas,
estaremos incentivando as próximas gerações e construindo um mercado mais
igualitário, que beneficia a todos.
Fernanda Faria - Cofundadora e Diretora de Operações da {reprograma} , iniciativa de impacto
social que ensina programação para mulheres em situação de
vulnerabilidade
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