Saber que precauções tomar e estar atento aos sinais dados por cães e gatos são pontos essenciais para a prevenção e diagnóstico
O dia 14 de
novembro é marcado pela campanha de conscientização sobre a diabetes, doença
que atinge quase 17 milhões de adultos no Brasil, de acordo com dados do
Ministério da Saúde, de 2021. Porém, engana-se quem pensa que a diabetes atinge
apenas humanos: de acordo com dados apontados por especialistas do Nouvet, centro
veterinário de nível hospitalar em São Paulo, a frequência da doença em cães no
geral é de até 1,3%; em gatos, até 1%.
Victória
Rodrigues, veterinária endocrinologista, detalha a doença que também atinge os
pets. “A diabetes primária, caracterizada pela destruição das células
responsáveis pela produção de insulina, é mais comum em cães. Já a diabetes
secundária é a mais diagnosticada em gatos e envolve a deficiência relativa ou
absoluta de insulina, mais a presença de resistência insulínica”,
comenta.
Para orientar
melhor os tutores, os especialistas explicam que certas raças caninas têm maior
predisposição genética, como Cocker Spaniels, Golden Retrievers, Labradores,
Lulus-da-Pomerânia, Terriers, Poodles Toy e mestiços dessas raças. Já em
relação à predisposição racial dos felinos, os veterinários alegam que é mais
complicado afirmar; porém, alguns estudos apontam que os Birmaneses,
Noruegueses da floresta, Abissínios e Tonquineses são os mais acometidos.
Estar atento aos
sintomas e predisposições são fatores primordiais no combate e na prevenção da
doença. Mudanças no comportamento, por exemplo, podem ser indicadores que o pet
está com início da diabetes. “Cansaço, diminuição da interação com os membros
da família e descuido com a aparência do pelo (redução do grooming)
são alguns dos fatores”, comenta também Igor Guedes, endocrinologista do
Nouvet.
Os bichinhos
também podem ter dor associada a neuropatia diabética, isto é, dores ao se
movimentar (mais frequente em felinos), além de irritabilidade/dor ao toque nos
membros acometidos. Outros sintomas evidentes são perda de peso, aumento
do apetite, aumento da sede e da ingestão de água, aumento do volume de urina e
quantidade de micções.
Para efetuar um
diagnóstico quando há suspeita da doença, os veterinários realizam associação
dos sinais clínicos e exames complementares, dentre eles, hemograma e perfil
bioquímico básicos, com mensuração da glicemia em jejum, presença de glicose na
urina e ultrassonografia abdominal.
Em felinos, por
apresentarem hiperglicemia por estresse mais marcante em comparação a outras
espécies, são associadas outras ferramentas para diagnóstico:
frutosamina/hemoglobina glicada, além da glicose sanguínea.
Como
prevenir e que cuidados os tutores devem ter
Os
endocrinologistas do Nouvet explicam que a principal forma de prevenir
complicações da diabetes nos pets é manter visitas regulares ao veterinário
para realizar check-ups, permitindo a identificação precoce da doença, além de
se atentar aos sinais clínicos. Outras orientações são garantir que os
bichinhos tenham uma alimentação adequada, pois auxilia no controle da glicose
e de lipídios no sangue; realizem exercícios físicos regularmente; e mantenham
o controle do peso.
Uma recomendação,
tanto contra a diabetes quanto outras doenças, como de fígado e da vesícula
biliar, é evitar ou limitar o fornecimento de petiscos para suprir necessidades
emocionais ou como expressão de carinho aos pets. Esse “carinho” pode trazer
sobrepeso, obesidade e hiperlipidemia, ou seja, altos níveis de gordura no
sangue.
Em caso de dúvidas
quanto à orientação, ou se o pet se mostra refratário ao tratamento proposto
pelo clínico geral, é importante orientar o atendimento com endocrinologista
veterinário, e/ou nutrólogo veterinário.
Nenhum comentário:
Postar um comentário