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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Entenda como a Síndrome de Burnout pode afetar sua vida profissional



 Segundo pesquisa, 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem com o problema


Esgotamento físico, emocional, desinteresse no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, dificuldade de concentração, pessimismo. Estes são alguns sintomas da chamada Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional, um tipo de estresse avançado, provocado por condições de trabalho desgastantes. Burnout, do inglês, seria algo como “queimar por completo”. É quando o funcionário chega ao seu limite, criando uma aversão pelo ambiente ao seu redor e às suas atividades diárias. De acordo com pesquisa realizada pela International Stress Management Association (Isma), 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem com o problema.

De acordo com Licia Milena de Oliveira, psiquiatra e especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e professora da Medcel, que oferece cursos para residência médica, trabalhadores de qualquer área podem ser acometidos com a patologia, mas ela aponta as áreas mais suscetíveis. “Profissionais da saúde, assistência social, agentes penitenciários, policiais estão mais propensos, pelas condições de trabalho. Mulheres com dupla jornada e cuidadores também são de alto risco para desenvolver a síndrome”, explica

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a depressão será a segunda principal causa mundial de afastamento de profissionais no mundo até 2020. No Brasil, estima-se que 5,8% da população tenha a doença. A Previdência Social registrou, em 2016, o afastamento de 75,3 mil trabalhadores por causa de quadros depressivos —37,8% do total de licenças por distúrbios psíquicos. O país é o quinto no planeta em número de casos.



Como saber se você sofre desta síndrome

Ela pode ser confundida com ansiedade ou mesmo por uma depressão, onde os sintomas são parecidos, porém, relacionados ao contexto geral da sua vida, não somente a vida profissional. O sintoma típico da síndrome é a sensação de esgotamento físico e emocional, que se reflete em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo e baixa autoestima. Podem aparecer sintomas físicos como dores de cabeça, cansaço, sudorese, palpitação, dores musculares, insônia e distúrbios gastrintestinais.

Quanto as características externas, é possível destacar a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, colegas ou clientes, ,, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe.

Dra. Licia conta que existem três níveis da síndrome, que pode se caracterizar por um quadro leve, moderado ou grave. “Sintomas leves geralmente não são incapacitantes e surgem no ambiente de trabalho, enquanto que nos casos graves há alto índice de absenteísmo e sintomas que extrapolam o ambiente corporativo”, completa.
Um estudo recente realizado pela London School of Economics, em oito países, mostra que o Brasil é o segundo país com maior valor em perdas ligadas à depressão no trabalho, com US$ 63,3 bilhões (R$ 206 bilhões), atrás apenas dos EUA, com US$ 84,7 bilhões.



Como tratar e evitar

O tratamento é realizado com psicoterapia, antidepressivos e mudanças no estilo de vida. Algumas dicas são importantes para afastar a síndrome, como adotar um estilo de vida saudável, com exercícios físicos, alimentação adequada, meditação, momentos de lazer e relaxamento.
A sugestão de Licia Oliveira é avaliar as condições de trabalho e tentar implementar maneiras para que a atividade laboral não interfira na qualidade de vida, danificando a saúde física e mental. “Percebendo qualquer alteração emocional ou física, procure um psiquiatra ou psicólogo. Se os sintomas da síndrome forem identificados precocemente, evita maiores danos à saúde”, finaliza a especialista.






Dra. Licia Milena de Oliveira - Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu. Especialista em Psiquiatria e em Medicina Legal pelo HC-FMUSP. Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo AMBAN do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP. Título de Especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Médica Assistente do Instituto de Psiquiatria no HC-FMUSP. Professora da Medcel, empresa de cursos preparatórios para Residência Médica.




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