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terça-feira, 15 de setembro de 2026

IA na educação: um avanço necessário e responsável

Janguiê Diniz - Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group

 

A inteligência artificial (IA) já faz parte da realidade educacional. Ela está presente nas pesquisas realizadas pelos estudantes, na preparação de aulas e em diferentes atividades acadêmicas e administrativas. Nesse contexto, proibir a sua utilização seria tão inadequado quanto permitir a sua aplicação sem critérios claros e objetivos. Por isso, a aprovação, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), das Diretrizes Orientadoras para a Utilização da Inteligência Artificial na Educação Brasileira representa um passo fundamental para adequar a formação oferecida no país às exigências e evoluções do nosso tempo. 

O documento abrange todos os níveis e formatos de ensino. Seu mérito inicial está em reconhecer que a tecnologia deve permanecer subordinada às finalidades educacionais. A IA pode ampliar possibilidades de aprendizagem, apoiar o trabalho docente, favorecer a acessibilidade e contribuir para a gestão, mas não deve substituir o julgamento, a responsabilidade e a mediação das pessoas. 

Ao mesmo tempo, o documento não ignora que os estudantes precisam ser preparados para compreender a tecnologia que já influencia a vida social e profissional. A proposta prevê a integração progressiva da inteligência artificial à educação digital, midiática e computacional. Isso envolve conhecer o papel dos dados, identificar riscos, limitações e vieses, reconhecer conteúdos sintéticos e situações de desinformação, verificar fontes e desenvolver autonomia intelectual, cidadania digital e comportamento ético. 

Na educação básica, as diretrizes estabelecem cuidados com as crianças e os adolescentes. Até o 5º ano, os estudantes não deverão ter acesso direto, autônomo ou sem supervisão a ferramentas de IA, especialmente às aplicações generativas, conversacionais, preditivas ou adaptativas. Quando utilizadas, elas deverão integrar atividades mediadas por profissionais da educação, com proteção reforçada dos dados pessoais e comunicação às famílias. 

Na educação superior, os desdobramentos são ainda mais amplos. As instituições terão o desafio de integrar a IA à formação acadêmica sem permitir que ela enfraqueça a autoria, o pensamento crítico ou a responsabilidade intelectual. A tecnologia poderá ser estudada em si mesma e empregada como apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão, respeitando as Diretrizes Curriculares Nacionais, os projetos pedagógicos dos cursos e as particularidades das diferentes áreas do conhecimento. 

Trata-se de um encaminhamento essencial, pois preparar os estudantes para o mercado de trabalho contemporâneo passa, necessariamente, pelo desenvolvimento da capacidade de compreender as possibilidades e limitações desses sistemas, utilizar dados de maneira responsável e reconhecer as implicações éticas, jurídicas e sociais de suas escolhas. 

Nesse processo, as licenciaturas ocupam posição estratégica. A formação dos futuros professores deverá abordar o letramento digital docente, o uso pedagógico das tecnologias emergentes, a análise crítica de dados educacionais, a avaliação apoiada por recursos digitais e os aspectos éticos envolvidos. Sempre que possível, esses conhecimentos deverão dialogar com o estágio supervisionado, a extensão e a pesquisa. 

Também caberá às instituições de educação superior estabelecer políticas para o uso da IA no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão acadêmica. Será necessário definir parâmetros sobre transparência, autoria, integridade acadêmica, proteção de direitos, declaração do uso da tecnologia e prevenção de condutas incompatíveis com a honestidade intelectual. 

A classificação das aplicações em diferentes níveis de risco é outro avanço. Quanto maior o potencial de uma ferramenta interferir em avaliações, certificações, permanência, seleção, benefícios ou sanções, mais rigorosas deverão ser as exigências de transparência, documentação, supervisão e controle.  

Nesse sentido, algumas práticas serão incompatíveis com a educação, entre elas a pontuação social, a inferência automatizada de emoções, a vigilância biométrica contínua, a exploração de vulnerabilidades e a atribuição automática de notas a produções autorais que exijam interpretação. Detectores de conteúdo gerado por IA, por sua vez, não poderão fundamentar isoladamente punições acadêmicas ou disciplinares. Dessa forma, as diretrizes preservam a autonomia institucional, mas deixam claro que autonomia não significa ausência de responsabilidade. 

O novo marco não traz respostas definitivas para uma transformação que seguirá impondo desafios. Oferece, entretanto, algo essencial: princípios para que a inovação avance com segurança, equidade e propósito pedagógico. Ao colocar a inteligência artificial a serviço da aprendizagem e manter as pessoas no centro das decisões, o CNE ajuda a educação brasileira a olhar para o futuro sem abandonar valores que dão sentido à formação humana.


Mais de 1,5 mil vagas gratuitas são oferecidas por Universidade para cursos EAD e Semipresencial Polo


As vagas são para ingresso no 4º bimestre em cursos de graduação
 a distância e semipresenciais em diversos polos do país  Divulgação
 Marketing Uniube

A Uniube está com inscrições abertas para o programa Bolsa 100%, destinado aos cursos de graduação nos formatos de Ensino a Distância (EAD) e Semipresencial Polo, com ingresso no 4º bimestre de 2026. Os interessados podem se inscrever até o dia 24 de setembro pelo site da Instituição. 

As provas serão realizadas on-line, das 10h do dia 25 de setembro às 16h do dia 26 de setembro. O resultado será divulgado no dia 30 de setembro, após as 15h, e ao todo serão ofertadas 1,5 mil bolsas de estudo. No ato da inscrição, o candidato deve escolher o curso e o formato de ensino de interesse, de acordo com as opções disponíveis no edital. 

Para concorrer a uma das bolsas integrais, é necessário que esta seja a primeira graduação do candidato. Podem participar pessoas que tenham cursado o Ensino Médio em escolas públicas ou privadas, desde que a renda familiar mensal bruta não ultrapasse um salário mínimo e meio por pessoa.

 

Da bolsa de estudos ao próprio negócio

A oportunidade de cursar uma graduação com bolsa integral já transformou a trajetória de estudantes como Maricélia de Souza. Depois de adiar por anos o sonho de ingressar no Ensino Superior para trabalhar e cuidar dos filhos, ela conquistou uma Bolsa 100% e ingressou no curso de Gastronomia EAD da Uniube. 

Natural da Bahia e moradora de Uberaba desde 2003, Maricélia sempre teve afinidade com a cozinha, mas foi durante a graduação que encontrou conhecimento técnico e confiança para transformar essa habilidade em profissão.  

Após concluir o curso, criou o próprio negócio de marmitas, o Vovó Mari Comida Caseira – Tempero que abraça o coração. "As pessoas já tinham me dado a ideia, só que eu não acreditava em mim. Depois do curso, encontrei coragem e montei meu negócio de marmitex", conta Maricélia.  

Aos 55 anos e com o primeiro diploma em mãos, a egressa relembra que, durante muito tempo, acreditou que estudar em uma Universidade estava distante da realidade dela. 

“Quando eu passava na avenida da Uniube, eu pensava: ‘quem estuda nessa Universidade é só quem pode’. E hoje eu tenho orgulho de dizer que sou Uniube. Nunca imaginei que eu seria uma dessas pessoas”, afirma.

Para Maricélia, a formação também representou a possibilidade de construir novos caminhos profissionais. “Estudar é a melhor forma de enfrentar dificuldades, e assim eu fiz. Já presenciei muitas pessoas habilidosas na cozinha que não conseguiam evoluir por falta de conhecimento e preparo técnico. Pretendo seguir nos estudos. Neste momento, estou em uma fase de reconhecer tudo o que consegui realizar até aqui”, conclui.  

Para saber mais informações sobre o Bolsa 100%, acesse: https://conteudo.uniube.br/bolsa100/ead

 

Férias parceladas que viram dívida: as armadilhas por trás dos contratos de multipropriedade

Parcelas, taxas de manutenção, limitações de uso e multas para cancelamento podem transformar a promessa de viajar todos os anos em um compromisso financeiro de longo prazo; especialista explica o que deve ser analisado antes da assinatura.

 

Uma apresentação em um resort, acompanhada de descontos, brindes e da promessa de férias garantidas todos os anos, pode terminar com a assinatura de um contrato de longa duração. A empolgação inicial, porém, costuma dar lugar a dúvidas quando o comprador percebe que as parcelas são apenas uma parte do compromisso financeiro assumido.

Regulamentada pela Lei nº 13.777/2018, a multipropriedade permite que diferentes pessoas sejam proprietárias do mesmo imóvel, com direito de utilizá-lo durante períodos determinados. Além da aquisição da fração, o comprador pode ter despesas com condomínio, administração, manutenção, fundo de reserva e sistemas de intercâmbio.

Segundo a advogada especialista em Direito Imobiliário Dra. Layane Borges, o primeiro cuidado é identificar o que está sendo comprado. “O consumidor precisa saber se está adquirindo uma fração imobiliária registrada, um programa de férias ou apenas o direito de utilizar determinadas hospedagens. Essas modalidades podem parecer semelhantes, mas não possuem necessariamente as mesmas regras”, explica.

As condições de utilização também devem ser analisadas. É importante verificar se o período é fixo ou variável, como funciona o calendário de reservas, quais datas estão disponíveis e se feriados, férias escolares e períodos de alta temporada possuem restrições. Mesmo quando o proprietário não utiliza o imóvel, as contribuições condominiais podem continuar sendo cobradas.

“É comum o comprador observar apenas o valor mensal apresentado durante a venda. Quando são incluídas as taxas recorrentes, os reajustes e o prazo total, aquela proposta aparentemente acessível pode representar uma obrigação muito maior”, alerta Layane.

A saída do negócio também pode ser mais complexa do que o consumidor imagina. O cancelamento pode envolver multa, retenção de valores e outras cobranças previstas no contrato. Embora a fração possa ser transferida ou vendida, isso não significa que haverá outro interessado imediatamente.

Nos contratos celebrados fora do estabelecimento comercial, inclusive em determinadas apresentações promocionais realizadas durante viagens ou eventos, pode existir o direito de arrependimento no prazo de sete dias. A aplicação depende das circunstâncias da contratação, por isso o pedido deve ser formalizado por escrito e acompanhado da comprovação do envio.

Antes de assinar, o consumidor deve conferir o preço total, os critérios de reajuste, as taxas periódicas, as regras de reserva e as penalidades para cancelamento. Materiais publicitários, mensagens, propostas e promessas feitas pelos vendedores também devem ser guardados.

“A multipropriedade pode ser adequada para quem compreende o funcionamento e consegue incluir os custos no planejamento. O problema é assumir uma obrigação patrimonial de longo prazo como se fosse apenas a compra parcelada de férias”, conclui. 



Fonte: Dra. Layane Borges — advogada especialista em Direito Imobiliário, com 17 anos de atuação na proteção patrimonial de compradores e investidores | Nelson Borges de Almeida e Advogados.


As Sete Igrejas: uma Jornada pelos Territórios Centrais da Anatóli



Onde civilizações antigas, fé, arqueologia e tradições vivas convergem em uma das paisagens culturais mais fascinantes do mundo

 

Poucos países oferecem uma concentração de civilizações tão extraordinária quanto a Turquia. Dos hititas e gregos aos romanos, bizantinos, seljúcidas e otomanos, todas as eras deixaram sua marca em todo o país. Entre suas rotas culturais mais notáveis está a jornada pelas Sete Igrejas do Apocalipse, um conjunto de antigas comunidades cristãs localizadas no oeste da Turquia que hoje formam um dos itinerários arqueológicos e históricos mais significativos do mundo. 

Embora esses locais estejam profundamente conectados ao cristianismo primitivo por meio do Livro do Apocalipse no Novo Testamento, eles são igualmente envolventes como destinos que contam a história do comércio, arquitetura, filosofia, planejamento urbano e intercâmbio cultural no antigo Mediterrâneo. Visitá-los não é apenas uma experiência espiritual, mas também uma imersão em mais de dois milênios de história humana. 

 

Um Corredor Cultural através da Turquia Ocidental 
 

As Sete Igrejas estão espalhadas pelas províncias modernas de İzmir e Manisa, regiões onde a costa do Egeu encontra vales férteis, vinhedos, paisagens montanhosas e alguns dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo. Juntas, elas revelam como as cidades prosperaram sob influência grega e romana, servindo como encruzilhadas que conectam Europa e Ásia. 

Viajar por essa rota oferece aos visitantes a oportunidade de vivenciar muito mais do que ruínas antigas. Mercados locais, vilarejos tradicionais, culinária regional, museus e Patrimônios Mundiais da UNESCO criam uma rica jornada cultural que mistura o passado com a vida turca contemporânea. 


Éfeso: A Grande Metrópole da Antiguidade 

Talvez a parada mais celebrada da rota, Éfeso foi uma das maiores e mais ricas cidades do Império Romano. Hoje, é reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO e está entre as cidades clássicas mais bem preservadas do mundo. 

Ao caminhar por suas ruas de mármore, se revelam estruturas monumentais como a icônica Biblioteca de Celso, o Grande Teatro com capacidade para cerca de 25.000 espectadores, banhos romanos, templos, praças públicas e elegantes casas decoradas com mosaicos intrincados. 

Além de sua grandiosidade arqueológica, Éfeso representa séculos de intercâmbio cultural. Mercadores de todo o Mediterrâneo já se reuniram aqui, tornando a cidade um centro próspero de comércio, educação e filosofia. Nas proximidades, os visitantes também podem explorar a Casa da Virgem Maria e o Templo de Ártemis, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. 

İzmir: História Antiga na Esmirna Moderna 

İzmir de hoje em dia, a terceira maior cidade da Turquia, está sobre as fundações da cidade antigamente, um dos assentamentos habitados continuamente mais antigos do Mediterrâneo. 

Sua Ágora, lindamente preservada apesar de séculos de terremotos e reconstrução, oferece uma visão notável da vida urbana romana com seus arcos, pátios e galerias subterrâneas. 

Hoje, İzmir ilustra perfeitamente como história e cultura moderna coexistem. Os visitantes podem passar a manhã explorando vestígios arqueológicos antes de desfrutar dos calçais à beira-mar, cafés vibrantes, galerias de arte contemporânea e uma das cenas culinárias mais dinâmicas da Turquia. A cidade serve como um portal ideal para descobrir toda a rota das Sete Igrejas. 

Pérgamo: Inovação Acima do Vale 

Localizada próxima à atual Bérgama, Pérgamo foi uma das principais capitais intelectuais da Antiguidade. 

Situada dramaticamente em uma colina com vista para as planícies ao redor, sua acrópole contém os restos de palácios reais, templos, um dos teatros antigos mais íngremes já construídos e a lendária Biblioteca de Pérgamo, outrora considerada apenas atrás de Alexandria. 

A cidade também deu nome ao pergaminho ("pergamen"), refletindo sua contribuição para a erudição antiga e a preservação do conhecimento. Hoje, os visitantes podem explorar múltiplas zonas arqueológicas, incluindo a Acrópole, o centro de cura de Asclepion e restos romanos que exibem séculos de desenvolvimento contínuo. 

Thyatira: uma História de Comércio e Vida Cotidiana 

Ao contrário de algumas das grandes cidades imperiais, Thyatira, localizada na atual Akhisar, oferece uma perspectiva diferente sobre o mundo antigo. 

Historicamente conhecida por sua produção têxtil, oficinas de tingimento e guildas de artesãos, Thyatira reflete a vida econômica cotidiana que sustentava o Império Romano. Vestígios arqueológicos revelam ruas, colunas, basílicas e edifícios públicos que contam a história de um próspero centro comercial onde diferentes culturas e tradições interagiam por meio do comércio. 

Sua atmosfera mais tranquila permite que os visitantes apreciem como as comunidades comuns contribuíram para a paisagem cultural mais ampla do antigo Mediterrâneo. 

As Igrejas Remanescentes: Sardes, Filadélfia e Laodiceia 

A rota cultural continua por três destinos notáveis adicionais, cada um representando um capítulo diferente na longa história da Anatólia. 

Sardes, outrora a magnífica capital do antigo Reino da Lídia, é conhecida como a cidade associada ao rei Creso e por ter sido uma das primeiras moedas da história humana. Seu monumental ginásio, sinagoga e ruas romanas refletem séculos de prosperidade e coexistência multicultural. 

Filadélfia, hoje conhecida como Alaşehir, preserva vestígios de fortificações bizantinas e da herança cristã primitiva, enquanto permanece cercada por vinhedos que continuam uma tradição agrícola que remonta a milhares de anos. 

Por fim, Laodicea, próxima a Denizli, impressiona os visitantes com um dos projetos de restauração arqueológica mais ambiciosos da Turquia. Avenidas monumentais, teatros, templos, fontes e igrejas revelam a sofisticação de uma cidade que já foi uma das mais ricas da Ásia Menor. 

Juntos, esses locais criam um panorama fascinante de desenvolvimento urbano, comércio, arquitetura e diversidade cultural entre civilizações sucessivas. 




Descobrindo a Turquia com a Turkish Airlines 

Para viajantes que partem do Brasil, a Turkish Airlines oferece acesso contínuo à Turquia por meio de seu serviço direto entre São Paulo e Istambul com duas frequências diárias, conectando passageiros a uma das maiores redes internacionais de voos do mundo. De Istambul, voos domésticos convenientes para İzmir são o ponto de partida ideal para explorar a rota das Sete Igrejas e os tesouros culturais mais amplos do oeste da Turquia. 

Como a companhia aérea voa para mais países do que qualquer outra, a Turkish Airlines facilita a combinação desse notável roteiro histórico com outros destinos em toda a Turquia, permitindo que os visitantes experimentem a extraordinária mistura de civilizações, paisagens, culinária e tradições do país em uma única viagem. 

 
Saiba mais sobre experiências de turismo cultural na Turquia com a Turkish Airlines. 


Crise no campo: recuperação judicial ou alongamento da dívida?

Leandro Marmo, advogado especialista em Direito do Agronegócio, explica quando cada alternativa pode ser utilizada pelo produtor rural em dificuldade financeira

 

O aumento dos custos de produção, problemas climáticos e dificuldades para honrar compromissos financeiros têm colocado produtores rurais diante de uma decisão delicada: buscar o alongamento das dívidas ou recorrer à recuperação judicial para tentar reorganizar a atividade. Em 2026, o próprio Conselho Nacional de Justiça reconheceu a crise enfrentada pelo setor agropecuário e estabeleceu diretrizes específicas para processos de recuperação judicial e falência de produtores rurais. 

 

Para Leandro Marmo, advogado especialista em Direito do Agronegócio, as duas alternativas têm objetivos e requisitos diferentes e não devem ser tratadas como soluções equivalentes. A escolha depende da origem do endividamento, da capacidade de pagamento e do estágio da crise financeira enfrentada pelo produtor.

 

“O produtor precisa avaliar a situação antes que a dificuldade financeira se transforme em uma crise irreversível. O alongamento pode ser uma alternativa quando existe uma dificuldade pontual de pagamento e a atividade continua tendo capacidade de geração de receita. Já a recuperação judicial envolve uma situação mais ampla, em que é necessário reorganizar as dívidas e preservar a continuidade da atividade”, explica.

 

O alongamento de uma dívida de crédito rural, por exemplo, pode permitir que o produtor tenha mais prazo para cumprir suas obrigações quando preenchidos os requisitos previstos na legislação. O Superior Tribunal de Justiça tem reafirmado que o alongamento não é uma simples liberalidade da instituição financeira, mas um direito do devedor quando atendidas as condições legais. 

 

Na prática, a análise deve considerar fatores como a causa da dificuldade financeira, o tipo de crédito contratado, as garantias envolvidas, a capacidade de geração de receita da propriedade e a possibilidade de recuperação da atividade. Quanto mais cedo o produtor identificar o problema, maior tende a ser o espaço para negociar uma solução antes que a dívida comprometa a própria produção.

 

“A recuperação judicial não deve ser vista como o primeiro caminho para qualquer produtor endividado. Ela é uma ferramenta de reorganização para situações em que o passivo já compromete a continuidade da atividade e outras alternativas não são suficientes. Por isso, o diagnóstico precisa ser feito com antecedência”, afirma Marmo.

 

Outro ponto de atenção é que o produtor não deve simplesmente deixar de pagar esperando uma solução posterior. Documentos, contratos, histórico das operações, demonstrativos financeiros e comprovação das circunstâncias que afetaram a capacidade de pagamento podem ser fundamentais para definir a estratégia jurídica adequada.

 

A orientação é que o produtor procure assessoria especializada antes de tomar decisões como interromper pagamentos, renegociar contratos ou ingressar com pedido de recuperação judicial. A análise individualizada pode indicar se o caminho mais adequado é o alongamento, a renegociação ou uma medida mais ampla de reorganização do passivo.



Dez erros que as empresas ainda cometem na inclusão de pessoas com deficiência

Inclusão no mercado de trabalho vai além da contratação
e envolve acessibilidade, desenvolvimento e oportunidades de carreira
Divulgação Grupo Marista
Dados mostram que cumprir a Lei de Cotas não basta: acessibilidade, desenvolvimento e oportunidades reais de carreira ainda são desafios para as organizações

 

A contratação de pessoas com deficiência avançou no mercado de trabalho brasileiro nas últimas décadas, mas ainda há uma distância entre ocupar uma vaga e construir uma carreira. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), mostram que apenas 23% das empresas cumprem integralmente os percentuais previstos pela Lei de Cotas. Além disso, somente uma em cada 29 pessoas com deficiência e emprego formal ocupa cargo de direção ou gerência.

Confira dez erros que ainda podem limitar a inclusão de pessoas com deficiência nas empresas, com base na experiência de profissionais da área:


1. Confundir contratação com inclusão

Contratar é só o começo — o problema aparece quando a empresa para por aí. A analista de Diversidade e Inclusão do Grupo Marista, Denise Dalmece, que também é pessoa com deficiência, já viveu essa situação: em experiências profissionais anteriores, ouviu de lideranças que era essencial para o time, mas, quando o assunto era promoção ou aumento salarial, as oportunidades não se concretizavam. “Muitas vezes, porque não queriam ter o trabalho de contratar e desenvolver outra pessoa com deficiência para ocupar a minha vaga”, conta.

Para ela, ainda existe a ideia de que, por ter uma deficiência, a pessoa já deveria se sentir grata apenas por estar empregada — como se “querer crescer na carreira, ganhar um salário melhor, assumir novos desafios ou ser reconhecida pelo seu trabalho fosse ambição demais”.


2. Enxergar a Lei de Cotas apenas como obrigação

Quando a legislação é tratada apenas como uma exigência a ser cumprida, a inclusão tende a ficar restrita ao preenchimento de vagas. No Grupo Marista, 364 colaboradores com deficiência representam atualmente 5,2% do quadro, e a instituição cumpre a cota há três anos consecutivos. Para a coordenadora de Talentos e Diversidade do Grupo Marista, Tania Mior Botemberger, porém, a inclusão efetiva vai além do cumprimento da legislação e exige que o tema deixe de ser tratado como pauta isolada e passe a fazer parte da estratégia de gestão de pessoas.


3. Não adaptar processos seletivos

Exigir que todos os candidatos passem pelas mesmas etapas, sem considerar necessidades de acessibilidade, cria barreiras antes mesmo da contratação. As empresas precisam avaliar comunicação, entrevistas, testes, ambientes e recursos utilizados na seleção, para garantir que a avaliação se concentre nas competências do candidato.

Entre as práticas adotadas pelo Grupo Marista estão adaptações nas diferentes etapas do processo seletivo, definidas conforme as necessidades de cada candidato. A instituição também disponibiliza recursos de acessibilidade para assegurar condições adequadas de participação.


4. Deixar a inclusão restrita ao RH

A diversidade não pode ser responsabilidade exclusiva da área de Recursos Humanos. Tania avalia que, quando a organização não trabalha a inclusão de forma transversal, desde o recrutamento até o desenvolvimento profissional, “o cumprimento da cota passa a ser visto como um desafio isolado da área de RH, quando deveria ser uma responsabilidade compartilhada por toda a empresa”.


5. Não preparar as lideranças

Gestores influenciam diretamente a experiência dos profissionais com deficiência, do acesso a oportunidades ao reconhecimento de talentos. “Líderes inclusivos desafiam pressupostos, valorizam competências, eliminam barreiras e criam ambientes em que todas as pessoas possam demonstrar seu potencial”, destaca Tania.

Lideranças precisam assumir responsabilidade pelos resultados em diversidade e equidade, não apenas apoiar essas pautas à distância. Na prática, isso significa participar ativamente da identificação de talentos, do desenvolvimento dos profissionais e da criação de oportunidades de crescimento dentro das organizações.


6. Subestimar o impacto do capacitismo

O preconceito nem sempre se manifesta de forma explícita. Pode estar na presunção de que uma pessoa não está preparada para determinada função, na resistência em oferecer novos desafios ou na ideia de que a deficiência limita seu potencial. “Muitas vezes, há um olhar limitado sobre a capacidade profissional da pessoa com deficiência, como se a deficiência definisse até onde ela pode chegar”, pontua Denise.


7. Oferecer a vaga, mas não uma perspectiva de carreira

A inclusão não termina na admissão. Capacitações, planos de desenvolvimento individual, mobilidade interna e oportunidades de assumir novos desafios são importantes para que o profissional possa construir sua trajetória na organização.

Um exemplo é o Programa Incluir, do Grupo Marista, que contempla Planos de Desenvolvimento Individual (PDIs), capacitações e oportunidades de movimentação interna para colaboradores com deficiência. A iniciativa também prevê o acompanhamento de profissionais e lideranças, com foco na inclusão, na permanência e no desenvolvimento de carreira.


8. Ignorar necessidades individuais de acessibilidade

Pessoas com deficiência têm necessidades específicas de acessibilidade, comunicação e adaptação, e políticas padronizadas nem sempre dão conta disso. A inclusão exige escuta individual e identificação das barreiras específicas que podem impedir a participação plena de cada profissional — tanto no processo seletivo quanto no dia a dia do trabalho.


9. Não ouvir os próprios profissionais com deficiência

Uma organização pode criar políticas bem-intencionadas sem necessariamente identificar os obstáculos vivenciados por quem está no dia a dia. Tania aponta esse problema como recorrente: “também é comum a ausência de escuta ativa das próprias pessoas com deficiência na construção das iniciativas de inclusão”.

Para Denise, ocupar esse espaço de escuta tornou-se parte do próprio propósito profissional. “Hoje tenho a oportunidade de ajudar pessoas com deficiência a se desenvolverem e, ao mesmo tempo, conscientizar outras pessoas sobre o capacitismo”, conta.


10. Medir a inclusão apenas pelo número de contratações

O número de admissões é um indicador importante, mas não mostra sozinho se a inclusão está funcionando. Retenção, desenvolvimento, mobilidade interna, promoção e participação em posições de liderança também revelam a evolução das políticas — e o cenário nacional reforça esse ponto: apesar da ampliação do acesso ao mercado formal, apenas uma em cada 29 pessoas com deficiência e emprego formal ocupa cargo de direção ou gerência.

“A inclusão gera valor quando as pessoas têm espaço para contribuir, crescer e liderar”, resume Tania. Para Denise, o caminho começa por reconhecer a raiz do problema: “os desafios não estão relacionados à falta de capacidade, mas às barreiras sociais, estruturais e de acessibilidade que ainda existem”.


Intercâmbio na Espanha muda de perfil e impulsiona busca por cidades além de Madrid e Barcelona

 Levantamento da Experimento aponta crescimento de 16% no número de estudantes, avanço de destinos como Málaga, Valencia e Granada e maior interesse por programas que combinam idiomas, cultura e experiência profissional

 

A Espanha está deixando de ser escolhida pelos brasileiros apenas como destino para aprender espanhol. Um levantamento da Experimento Intercâmbio Cultural revela que cresce o interesse por programas que combinam o aprendizado do idioma com experiências culturais, desenvolvimento profissional e qualidade de vida, movimento que também vem impulsionando a procura por cidades além dos tradicionais pólos de Madrid e Barcelona. 

Na comparação com o mesmo período do ano passado, que foi de janeiro de julho, a procura pelo destino registrou crescimento de 16% no número de estudantes. Atualmente, a Espanha representa cerca de 3% das vendas de programas de idiomas da Experimento, ocupa a 7ª posição entre todos os destinos comercializados pela empresa e se consolida como o principal destino de idiomas cuja língua principal não é o inglês. 

Para Renata Bueno, diretora-geral da Experimento Intercâmbio Cultural, esses indicadores refletem uma transformação no comportamento do estudante brasileiro. “A Espanha sempre foi um destino muito associado ao aprendizado do idioma, mas hoje percebemos que ela passou a representar algo maior. O estudante brasileiro busca uma experiência internacional completa, que combine formação, vivência cultural, qualidade de vida e, em muitos casos, desenvolvimento profissional. O idioma continua sendo importante, mas deixou de ser o único fator na decisão”, explica a executiva. 

Essa mudança também pode ser observada na escolha das cidades. Embora Madrid e Barcelona permaneçam como os principais destinos, cresce o interesse por localidades como Málaga, Valencia e Granada, que vêm conquistando espaço por oferecerem uma combinação de qualidade de vida, imersão cultural e experiências mais próximas da rotina local. 

Outro reflexo dessa transformação aparece na escolha dos programas. O tradicional curso de Espanhol Geral continua liderando a procura, mas cresce o interesse por formatos que unem aprendizado e experiências culturais, como Espanhol + Gastronomia, Espanhol + Flamenco, Programas Sênior e modalidades que permitem combinar estudo e trabalho. 

Segundo a empresa, essa diversificação demonstra que os estudantes passaram a enxergar o intercâmbio como parte de um projeto mais amplo de desenvolvimento acadêmico, profissional e pessoal. 

“Também observamos um consumidor mais informado e criterioso. Além de comparar destinos, ele avalia estilo de vida, custo-benefício, oportunidades acadêmicas e profissionais e o tipo de experiência que deseja viver. Isso explica o crescimento de cidades além de Madrid e Barcelona e de programas que unem idiomas, cultura e trabalho, refletindo uma busca por intercâmbios cada vez mais personalizados”, afirma Renata Bueno. 

O levantamento também mostra que a Espanha atrai um público relativamente mais maduro. A idade média dos estudantes é de aproximadamente 28 anos, acima da média observada em muitos programas de idiomas. Embora a faixa entre 18 e 30 anos continue predominando, cresce a participação de pessoas acima dos 30 anos e também do público 50+, especialmente em programas voltados à aprendizagem contínua e experiências culturais. 

Outro indicador que reforça essa mudança é a duração das viagens. Os programas possuem permanência média de aproximadamente quatro semanas, mas a Experimento observa aumento da procura por cursos mais longos, principalmente entre estudantes interessados em combinar o aprendizado do idioma com uma experiência profissional por meio de programas de Estudo + Trabalho. 

Na avaliação da empresa, essa tendência deve continuar nos próximos anos, acompanhando a busca dos brasileiros por experiências internacionais mais personalizadas e alinhadas a objetivos acadêmicos, profissionais e de desenvolvimento pessoal.

 Experimento Intercâmbio Cultural

 

Diamantes naturais x sintéticos: novas regras impõem sinalização explícita da origem da pedra

Freepik

As novas diretrizes apresentadas no congresso centenário da CIBJO forçam também uma diferenciação no status e valor do diamante; gemóloga Giselly Assis explica como mudanças podem impactar consumidores e o setor de joias. 

 

A diferença entre os diamantes naturais e os produzidos em laboratório ganhou novas definições após a realização do Congresso Centenário da CIBJO, em Vicenza, na Itália. Realizado entre 4 e 7 de setembro, paralelamente à Vicenzaoro, um dos principais eventos internacionais da indústria de joias, o encontro reuniu representantes do setor para discutir questões que vêm transformando o mercado, como nomenclatura, certificação, rastreabilidade, sustentabilidade e a relação entre diamantes naturais e sintéticos. 

Entre as decisões que saíram do congresso está a recomendação de que o termo “synthetic” seja adotado pela CIBJO como descritor técnico para produtos criados que tenham a mesma composição química, propriedades físicas e estrutura de seus equivalentes naturais. A entidade também reconheceu que expressões como “laboratory-grown” e “laboratory-created” continuam sendo utilizadas como termos comerciais em determinados mercados.  

Para a gemóloga Giselly Assis, a discussão mostra que a origem da pedra passou definitivamente a fazer parte da conversa sobre valor no mercado de joias. “Nos últimos anos, os diamantes produzidos em laboratório cresceram muito e passaram a ocupar um espaço importante no mercado. Agora vemos as principais entidades discutindo justamente como essas categorias devem ser identificadas e comunicadas. Isso mostra que não estamos falando apenas de uma diferença comercial, mas de uma mudança que exige mais clareza para o consumidor”, afirma.

 

Um mercado dividido entre natural e sintético

Durante o congresso, o Comitê de Diamantes Produzidos em Laboratório da CIBJO apresentou um dado que ajuda a dimensionar essa transformação: mais da metade dos anéis de noivado comercializados em volume nos Estados Unidos já utiliza diamantes produzidos em laboratório. Ao mesmo tempo, a entidade destacou que a queda dos preços dessas pedras vem pressionando o mercado de diamantes naturais. 

A redução dos preços dos sintéticos tem ampliado a distância entre as duas categorias. Enquanto o diamante produzido em laboratório ganhou espaço como alternativa para consumidores interessados em pedras maiores por valores mais acessíveis, o natural passou a ser cada vez mais associado a atributos como raridade, origem e formação geológica. 

“Existe uma diferença importante entre comparar apenas tamanho e aparência e analisar o que existe por trás de uma pedra. O diamante de laboratório possui as mesmas propriedades físicas e químicas do natural, por isso não é uma imitação. Mas a origem é completamente diferente. Um é produzido por tecnologia e o outro foi formado naturalmente ao longo de milhões de anos”, explica Giselly. 

A própria CIBJO discutiu durante o encontro a necessidade de separar os critérios de avaliação utilizados para os diferentes tipos de diamantes. Em relatório divulgado antes do congresso, a Comissão de Diamantes da entidade defendeu que o sistema dos 4Cs — cor, pureza, lapidação e quilatagem — seja restrito à classificação de diamantes naturais, por ter sido desenvolvido para comunicar a raridade e a singularidade dessas pedras.

 

Valor passa a envolver origem e informação

Para a gemóloga, a discussão sobre nomenclatura acompanha uma transformação no comportamento de quem compra joias. Com o aumento da oferta de diamantes maiores produzidos em laboratório, o consumidor passou a ter mais opções, mas também precisa lidar com uma quantidade maior de informações no momento da escolha. 

“Hoje não basta olhar para o tamanho de uma pedra. O consumidor precisa saber se está diante de um diamante natural ou sintético, qual é a certificação, qual é a origem e como aquela informação foi obtida. A transparência passa a ser uma parte importante do próprio valor da joia”, afirma. 

O movimento também reforça o papel dos laboratórios gemológicos. Antes do congresso, a Comissão de Gemologia da CIBJO já havia destacado a necessidade de harmonizar boas práticas, requisitos técnicos e protocolos de análise para preservar a confiabilidade dos laudos. Durante o encontro, outro debate ganhou espaço: a utilização de inteligência artificial em processos de identificação e avaliação de gemas. 

Para Giselly, a tecnologia tende a fazer parte cada vez mais do trabalho gemológico, mas não elimina a necessidade de conhecimento especializado. “A tecnologia pode ajudar muito na identificação e na análise, mas o mercado precisa saber como essas ferramentas são utilizadas e quais critérios estão por trás dos resultados. Quanto mais tecnologia entra no processo, maior também precisa ser a preocupação com controle, verificação e transparência”, avalia.

 

O futuro dos diamantes naturais

Enquanto os sintéticos avançam em volume, o congresso também discutiu os efeitos da redução da oferta de diamantes brutos sobre o mercado natural.  Na avaliação de Giselly, a tendência não é necessariamente que uma categoria elimine a outra, mas que os dois produtos ocupem espaços cada vez mais distintos dentro do mercado. 

“Os diamantes sintéticos vieram para ficar e representam uma escolha legítima para muitos consumidores. Ao mesmo tempo, o natural tem atributos que não podem ser reproduzidos, como a formação geológica, a raridade e a própria história daquela pedra. O mercado está aprendendo a comunicar essas diferenças de uma maneira mais clara”, afirma. 

O debate deve continuar em 2027. A próxima edição da Vicenzaoro já está marcada para 15 a 19 de janeiro, novamente em Vicenza, mantendo o evento como um dos principais pontos de encontro da cadeia internacional de joias, gemas e relógios. Para Giselly, a tendência é que as discussões iniciadas no congresso centenário avancem para temas cada vez mais ligados à informação e à confiança do consumidor. 

 

 

Giselly Assis - gemóloga, joalheira profissional e fundadora da Make a Wish Jewel. Bacharel em Gemologia pela Universidade Federal do Espírito Santo, possui a titulação AJP — Accredited Jewelry Professional — pelo Gemological Institute of America, o GIA, uma das instituições mais reconhecidas do setor joalheiro no mundo. Tem 10 anos de experiência em Gemologia e seis anos de atuação no segmento de alta joalheria, com especialidade em identificação, certificação e avaliação de gemas e joias. Também possui expertise na avaliação de esmeraldas brasileiras e já ministrou workshops e treinamentos para profissionais do setor joalheiro.


Vai comprar? 5 direitos do consumidor que podem evitar dor de cabeça

Especialista explica como se proteger de cobranças, contratos abusivos e problemas nas compras online


Comprar pela internet, contratar um serviço pelo celular, assinar uma plataforma ou resolver um problema pelo WhatsApp já faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Com tantas relações de consumo acontecendo de forma rápida e sem contato direto com as empresas, saber quais são os próprios direitos também é uma forma de evitar prejuízos e tomar decisões mais conscientes. 

O cenário de consumo mudou profundamente. Pesquisa CNDL/SPC Brasil aponta que 85% dos consumidores digitais residentes nas capitais realizaram pelo menos uma compra online nos 12 meses anteriores, o equivalente a uma estimativa de 139 milhões de compradores no país. A frequência também aumentou: 66% haviam comprado pela internet no mês anterior à pesquisa, ante 54% em 2025. 

Com mais compras acontecendo a poucos cliques de distância, surgem também novos desafios. Pesquisa do Procon-SP mostra que alguns direitos estão mais conhecidos, como o direito de arrependimento, reconhecido por 70% dos entrevistados, e a proibição da venda casada, identificada por 69%. Por outro lado, apenas 37% demonstraram conhecer o que é uma cláusula abusiva. 

“Existe uma diferença entre saber que se tem direitos e conseguir reconhecer quando eles estão sendo desrespeitados. Muitas vezes, o consumidor só procura informação depois que o problema acontece”, explica o advogado Mário Henrique Martins, do escritório Martins Cardozo Advogados Associados e especialista em Direitos Difusos e Coletivos. 

Para marcar o Dia do Cliente, celebrado em 15 de setembro, o especialista reúne orientações para ajudar o consumidor a lidar com situações cada vez mais comuns.

 

1. Conheça os direitos básicos

“O CDC garante proteção à vida, à saúde e à segurança, direito à informação clara sobre produtos e serviços, proteção contra publicidade enganosa e abusiva, além da possibilidade de reparação de danos. São direitos que fazem parte do cotidiano do consumidor e funcionam como pilares para equilibrar uma relação que, naturalmente, pode ter uma diferença de informação e poder entre quem compra e quem vende”, explica Martins.

 

2. Entenda por que existe proteção extra ao consumidor

“Nas relações de consumo, o consumidor costuma estar em uma posição de desvantagem: tem menos informações sobre o produto ou serviço, menos recursos técnicos e jurídicos e, muitas vezes, pouco poder de negociação. A proteção prevista pelo CDC existe justamente para reduzir essa diferença e evitar que essa desigualdade seja usada para impor condições injustas ou práticas abusivas”, afirma.

 

3. Saiba quando buscar ajuda

“Quando há problemas com produtos, serviços ou cobranças, o consumidor não precisa resolver tudo sozinho. É possível procurar a própria empresa, os órgãos de defesa do consumidor e, quando necessário, recorrer à Justiça. Também existem situações em que várias pessoas são afetadas pela mesma prática e podem ser adotadas medidas coletivas. O mais importante é não deixar de buscar uma solução por falta de informação”, complementa o advogado.

 

4. Empresas também têm responsabilidades

“O Código não se limita a proteger o consumidor: ele também estabelece responsabilidades para as empresas e prevê consequências quando as regras são descumpridas. Multas, restrições e outras sanções têm justamente a função de desestimular práticas inadequadas. Mais do que evitar uma penalidade, respeitar essas regras é importante para construir relações de consumo mais transparentes e uma relação de confiança com o cliente”, entende Martins.

 

5. Nas compras online, atenção redobrada

A praticidade do comércio eletrônico exige alguns cuidados. Antes de finalizar uma compra, é importante verificar quem é o vendedor, conferir as informações do produto ou serviço, observar prazo de entrega e condições de pagamento e guardar os comprovantes. 

Outro direito importante é o de arrependimento. Em compras realizadas fora do estabelecimento comercial, como pela internet ou telefone, o consumidor pode desistir da contratação no prazo de sete dias, nas condições previstas pelo CDC. Segundo o Procon-SP, o conhecimento desse direito passou de 60% dos entrevistados em 2024 para 70% em 2026. 

“Quanto mais digital se torna o consumo, mais importante é parar alguns minutos antes de concluir uma compra. Conferir as informações e saber de quem está comprando são cuidados simples que podem evitar muita dor de cabeça”, afirma Martins. 

O Dia do Cliente pode, portanto, ser mais do que uma data de promoções e descontos. É também uma oportunidade para lembrar que conhecer os próprios direitos ajuda o consumidor a fazer escolhas mais seguras e a questionar situações que não estejam de acordo com o que foi contratado. Para as empresas, respeitar essas regras é parte importante da construção de relações baseadas em confiança e transparência.

 

Martins Cardozo Advogados Associados


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