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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Volta às aulas: sinais de que seu filho pode precisar de óculos

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Pais e responsáveis devem ficar atentos ao comportamento dos pequenos para garantir que a dificuldade de enxergar não atrapalhe o seu aprendizado no retorno do ano letivo 


Dificuldade para enxergar a lousa, queda no rendimento escolar e até isolamento social podem ter uma causa comum: problemas de visão. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 20% das crianças em idade escolar convivem com algum tipo de alteração visual. Quando não diagnosticadas precocemente, condições como miopia, astigmatismo, hipermetropia e estrabismo impactam não só o aprendizado, mas também o desenvolvimento sociocognitivo e emocional. A boa notícia é que, além das consultas regulares ao oftalmologista, alguns sinais do dia a dia ajudam pais e responsáveis a identificar possíveis problemas. 

De acordo com a oftalmologista clínica e cirúrgica Drª Patrícia Kakizaki, o comportamento infantil é um dos principais indicadores de eventuais problemas de visão, e deve ser verificado antes mesmo da consulta com um especialista. “Como não existem parâmetros claros de normalidade visual para as crianças, muitas não conseguem verbalizar que enxergam mal. Em geral, elas acreditam que a forma como veem o mundo é a mesma para todos”, explica a médica. 

Nesse cenário, pais, professores e responsáveis assumem um papel essencial ao observar atitudes recorrentes no dia a dia que podem apontar a necessidade do uso de óculos. Entre os principais sinais de alerta, destacam-se:

  • Dificuldade para acompanhar a leitura, com troca, repetição ou “pulos” de palavras, além de confusão entre letras semelhantes
  • Desinteresse por atividades que exigem esforço visual, como leitura, desenho, pintura ou tarefas escolares prolongadas
  • Queixas frequentes de dor de cabeça, especialmente após atividades que exigem concentração visual
  • Piscar excessivo ou esfregar os olhos com frequência, comportamento que pode indicar fadiga visual
  • Aproximação excessiva do rosto de livros, cadernos e telas, como televisão, computador, tablet ou celular
  • Dificuldade para copiar corretamente conteúdos da lousa, mesmo quando demonstra atenção em sala de aula
  • Desempenho abaixo do esperado em atividades esportivas e brincadeiras, especialmente aquelas que exigem coordenação visual
  • Queda no rendimento escolar, muitas vezes interpretada, de forma equivocada, como desatenção ou falta de interesse
  • Adoção de posturas compensatórias para enxergar melhor, como inclinar a cabeça, franzir a testa, apertar ou fechar um dos olhos
  • Esbarrar em móveis ou tropeçar com frequência, sinal de possível dificuldade de percepção espacial
  • Dificuldade para reconhecer pessoas ou objetos à distância.
  • Insegurança ao explorar novos ambientes, evitando espaços desconhecidos ou atividades que exijam maior autonomia visual
  • Tendência ao isolamento social, afastando-se de brincadeiras e atividades coletivas por não conseguir acompanhar os demais
  • Adoção de posturas compensatórias para enxergar melhor, como inclinar a cabeça ou fechar um dos olhos

Vale ressaltar que a primeira consulta oftalmológica completa deve ocorrer entre seis meses e um ano de idade. “Mesmo na ausência de sinais aparentes, o acompanhamento regular é indispensável para garantir o desenvolvimento visual adequado da criança e evitar impactos futuros no aprendizado e na qualidade de vida”, orienta Patrícia. A partir dessa fase, a recomendação é que crianças e adolescentes realizem avaliações médicas periódicas, preferencialmente uma vez ao ano.
 

As proporções epidêmicas da miopia 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que, até 2050, a miopia irá atingir metade da população mundial, ou seja, cerca de 4,7 bilhões de pessoas. A alta miopia (maior que 5 graus), que aumenta o risco de patologias graves que podem levar à cegueira, atingirá 10% da população mundial. As estimativas incluem as crianças, que têm manifestado esse distúrbio visual cada vez mais cedo, o que aumenta o risco do desenvolvimento de alta miopia. Um estudo do British Journal of Ophthalmology revela que uma em cada três crianças tem miopia ou dificuldade para ver de longe. 

Diante deste preocupante cenário, a ZEISS Vision lançou a campanha “Abra os Olhos para a Miopia Infantil”, com o objetivo de conscientizar pais, educadores e a sociedade em geral sobre a alta prevalência desse distúrbio e seus impactos no dia a dia e no futuro das crianças. “Trata-se de um tema relativamente recente, que ganhou ainda mais evidência após a pandemia, mas a discussão sobre diagnóstico, tratamento e prevenção da miopia infantil ainda é bastante embrionária”, afirma Paula Queiroz, Diretora de Marketing e Produtos da ZEISS Vision Brasil. “Médicos relatam, com frequência, casos de crianças que perdem o interesse pelos estudos e pela vida social simplesmente por não terem sido corretamente diagnosticadas”, completa. 

Além de atuar na promoção da conscientização, a empresa, que é pioneira no debate sobre o tema, também investe em inovação para o controle da miopia infantil. As lentes ZEISS MyoCare foram desenvolvidas para desacelerar a progressão da miopia por meio da tecnologia C.A.R.E.. A solução utiliza elementos refrativos anulares cilíndricos na superfície frontal da lente, que promovem a alternância entre zonas de correção e desfocagem, contribuindo para retardar o alongamento do globo ocular, principal fator associado ao avanço da miopia.


O que fazer caso quebre um dente?

 

Dentista explica os cuidados necessários ao se quebrar um dente em diferentes faixas etárias e quais são os primeiros passos após um acidente desse tipo

 

A fratura em um dente, seja na infância ou na fase adulta, exige cuidados odontológicos para que sua função seja preservada e a estética bucal não seja prejudicada. No entanto, os procedimentos que deveriam ser adotados em casos como esse podem não ser realizados por grande parte dos brasileiros por falta de acesso à rede de profissionais, uma vez que 32% da população do país passou mais de um ano sem visitar um dentista. 

Entre os atendimentos mais comuns em consultórios odontológicos estão as obturações e as restaurações dentárias, que podem reparar fraturas e foram o foco da consulta em 39% dos casos. Os dados fazem parte de uma pesquisa divulgada em 2025 pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) e pela Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO). 

Willian Dias, Cirurgião dentista na clínica AmorSaúde, ressalta que, no caso de um dente quebrado, apenas um profissional da área pode “avaliar a situação, dar as orientações adequadas e realizar os procedimentos necessários”. O profissional ainda alerta sobre a necessidade de se procurar por atendimento odontológico o mais rápido possível nesses casos.

 

Diferença entre quebrar um dente de leite e um dente permanente 

Quando a fratura ocorre em um dente decíduo, também conhecido como dente de leite, são necessários cuidados especiais. “Neste caso, a abordagem consiste em procedimentos temporários visando a manutenção desse dente na arcada até a fase em que ele será substituído por um dente permanente”, explica Willian. 

Por outro lado, se a fratura ocorre em dentes permanentes, seja de crianças ou adultos, “o procedimento foca em devolver a função do dente fraturado e manter uma boa estética”, diz Willian. O dentista ressalta que é possível restaurar o dente com o próprio fragmento ou recorrer a outras técnicas que não usem a parte fraturada. 

Dentre os diversos procedimentos disponíveis, a recolagem do fragmento ou a restauração em resina composta são comuns em fraturas pequenas; o uso de facetas ou coroas totais são indicados em casos maiores, e o tratamento de canal pode ser a solução quando o dente quebra e tem comprometimento da polpa dental.

 

O que fazer quando se quebra um dente?

Caso um dente quebre, o primeiro passo é higienizar o local de maneira adequada. Willian afirma que se a fratura atingir apenas parte do dente e não gerar sangramento nele, nos lábios ou na gengiva, é possível fazer a higiene normalmente. No entanto, caso haja sangramento, é necessário tomar mais algumas precauções: 

  • Lavar a boca com água corrente em abundância para higienizar o local;
  • Guardar o fragmento quebrado do dente;
  • Identificar de onde está vindo o sangramento;
  • Estancar o sangramento com uma gaze ou uma toalha limpa;
  • Se possível, fazer um bochecho com enxaguante bucal, uma vez que em sua composição o produto tem agentes antissépticos.
  • Procurar um dentista imediatamente para receber o tratamento correto. 

Ao procurar por atendimento em um dentista, é necessário levar consigo o fragmento do dente quebrado. Willian explica que essa prática ajuda o profissional a “salvar o dente” e detalha a melhor maneira de transportar o item. “O método mais seguro é comprar em uma farmácia um pote coletor universal e um frasco de soro fisiológico. Coloque o dente nesse coletor submerso em soro e leve o mais rápido possível para o dentista”.

 

A importância de se procurar um dentista 

Segundo Willian, é preciso buscar um dentista com rapidez após quebrar um dente, uma vez que “podem existir problemas maiores em razão desse tipo de trauma, por exemplo, uma fratura óssea, que requer atendimento rápido para maior sucesso no tratamento”. 

Além disso, ele ressalta que “o tratamento tem outra função tão importante quanto a reabilitação: devolver a estética”. O dentista explica que a aparência dos dentes está relacionada com a autoestima de um paciente e, por isso, o profissional da área tem um papel importante em devolver autoconfiança à pessoa que sofreu uma fratura.

 

Práticas não recomendadas 

Negligenciar a fratura ou tentar colar o dente por conta própria pode gerar graves problemas. Sendo assim, “sem o auxílio de um profissional, o paciente não deve, em hipótese alguma, tentar fazer a colagem do fragmento, ainda mais utilizando adesivos inapropriados. Isso também vale para a tentativa de reimplantar o dente”, ressalta Willian. 

O profissional de saúde bucal também alerta que o fragmento quebrado não deve ser descartado, uma vez que “ele pode ser extremamente útil, oferecendo grandes chances de o dentista realizar um excelente trabalho, deixando quase imperceptível a sequela do acidente”. 

Por fim, o dentista esclarece que não há maiores riscos caso um fragmento do dente seja engolido. Nessa situação, a eliminação ocorre naturalmente e provocar o vômito não é recomendável.

 

AmorSaúde


ANVISA aprova indicação ampliada da vacina nonavalente contra HPV para prevenção de cânceres de orofaringe e de cabeça e pescoço

 Aprovação foi embasada em estudos internacionais de vida real que geraram evidências sobre o perfil de efetividade e segurança da vacinação contra o HPV na prevenção a esses tipos de câncer

 

A MSD anuncia que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou, em 22 de dezembro, a indicação ampliada da vacina nonavalente contra o HPV para a prevenção de cânceres de orofaringe e outros cânceres de cabeça e pescoço relacionados à infecção pelo vírus. A decisão foi baseada em estudos internacionais de dados de vida real. 

Um desses estudos foi realizado no Brasil e analisou a prevalência do HPV em mais de cinco mil mulheres e homens de 16 a 25 anos de todas as capitais do país. Entre as mulheres analisadas no estudo, a prevalência da infecção oral pelo HPV foi significativamente menor entre aquelas que foram vacinadas contra a IST (0,43%) em relação às que não receberam a vacina (1,65%). Entre os homens, não houve diferenças significativas.

Segundo dados do INCA, no Brasil os tumores da cavidade oral estão entre os cinco tipos de câncer mais incidentes entre os homens. 

O HPV é conhecido por ser causador de diversas doenças e cânceres entre homens e mulheres. Um estudo demonstrou que a maioria dos casos de câncer de orofaringe relacionados ao HPV foi causada pelos tipos de vírus cobertos pela vacina nonavalente. Embora, na maioria das pessoas, o HPV desapareça espontaneamente, em indivíduos que não eliminam o vírus a infecção persistente pode levar, ao longo do tempo, ao câncer de orofaringe relacionado ao HPV. 

Com a redução do tabagismo e do consumo de álcool, o HPV vem se consolidando como fator de risco-chave para o câncer de orofaringe, especialmente entre homens. A carga global de câncer de orofaringe relacionado ao HPV está em crescimento entre homens e já é mais elevada neles do que em mulheres. Homens têm cerca de duas vezes mais probabilidade de apresentar HPV oral de alto risco em comparação com mulheres e, globalmente, o risco de câncer de orofaringe é aproximadamente quatro vezes maior entre a população masculina. 

“Como não existem exames de rotina estabelecidos para certos cânceres relacionados ao HPV, com exceção do câncer de colo do útero, a nova indicação da vacinação como prevenção contra cânceres de cabeça e pescoço ganha relevância em nosso país e é motivo de celebração”, destaca a Dra. Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD Brasil. 

A MSD está conduzindo um estudo clínico internacional que envolve mais de seis mil homens de 20 a 45 anos, em 16 países, incluindo o Brasil, que investiga o perfil de eficácia e segurança da vacina nonavalente contra o HPV na prevenção da infecção oral persistente por HPV em homens, em comparação com placebo. Este é o primeiro grande ensaio clínico randomizado a avaliar a eficácia contra a infecção oral persistente por HPV nessa população. O estudo terá conclusão em 2028.

 

Atividade física sem preparo eleva risco de lesões e problemas cardíacos

Antes do início das atividades físicas, a avaliação médica
é fundamental para identificar fatores de risco ocultos 
Envato
Falta de avaliação médica e pressa por resultados podem comprometer articulações e sobrecarregar coração


Sair do sedentarismo é uma decisão vital, e o início do novo ano costuma trazer um impulso extra para quem quer começar a se movimentar mais. Estudos mostram que pessoas fisicamente ativas vivem mais, e qualquer nível de movimento já contribui para reduzir os riscos cardiovasculares.

No entanto, o início da prática esportiva traz um alerta que vai além da simples vontade de suar a camisa — a transição abrupta do repouso para o esforço físico, sem o preparo adequado, pode elevar significativamente a incidência de problemas cardiovasculares e ortopédicos. Embora o exercício seja um dos principais aliados da longevidade, quando realizado sem critério, pode transformar uma iniciativa de saúde em um novo problema médico.


Avaliação do risco e saúde do coração

A relação entre sedentarismo e riscos no início da atividade física exige cautela. De acordo com o cardiologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Gustavo Lenci Marques, a avaliação médica é fundamental para identificar fatores de risco ocultos. Caminhadas leves costumam ser incentivadas sem grandes restrições, mas exercícios mais intensos ou de caráter competitivo exigem um check-up prévio. “Se for praticar uma atividade física regular e mais pesada, é importante fazer essa avaliação para detectar se não há nenhuma condição silenciosa, especialmente quando a pessoa não está muito ativa”, alerta.

O cuidado deve ser redobrado em pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas, principalmente com casos de morte súbita, já que condições genéticas podem se manifestar durante o esforço.


Impacto nas articulações e nos músculos

Um dos maiores desafios para quem retoma as atividades é a fragilidade da estrutura muscular. Distensões, estiramentos e lombalgias aparecem com frequência quando não há orientação adequada. Segundo o ortopedista do Hospital Universitário Cajuru, Eduardo Novak, isso ocorre porque o corpo é submetido, de forma repentina, a um esforço para o qual não estava preparado. “O sistema muscular funciona como a suspensão de um carro: assim como os amortecedores protegem o veículo, os músculos protegem as articulações. Em pessoas sedentárias, essa musculatura está enfraquecida e, ao segurar uma carga, o centro de gravidade muda, o que pode sobrecarregar o sistema osteoarticular”, detalha.


Sinais de alerta e como se prevenir

Durante a prática, o corpo emite sinais claros que não devem ser ignorados. Do ponto de vista cardiovascular, dor no peito e falta de ar indicam que a atividade deve ser interrompida imediatamente. “O principal ponto é conhecer o próprio limite. Por isso, é fundamental estar com os exames em dia e seguir um plano de treino personalizado, adequado ao biotipo”, orienta o cardiologista.

Já na parte ortopédica, a prevenção começa com o aquecimento adequado. Para reduzir o risco de lesões, a recomendação é iniciar com cargas leves e avançar gradualmente, respeitando o tempo de adaptação do corpo. O aquecimento prepara as articulações e “calibra” os músculos, enquanto a orientação profissional adapta o exercício às necessidades do indivíduo. “Resultados positivos rápidos não existem. A pressa pode transformar um sedentário em um sedentário lesionado”, finaliza Novak.

 

Hospital São Marcelino Champagnat

 

Governo de SP reforça vacinação contra sarampo e febre amarela nas regiões da Grande São Paulo, Baixada Santista e Campinas

Estratégia prioriza crianças, adultos não vacinados e profissionais de saúde

 

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) intensifica, entre os dias 2 e 8 de fevereiro, a vacinação contra o sarampo e a febre amarela nas regiões da Grande São Paulo, Baixada Santista e Região Metropolitana de Campinas. A mobilização inclui a realização do Dia D de vacinação, nos dias 7 ou 8 de fevereiro, com foco na ampliação da cobertura vacinal e na atualização da caderneta da população. 

A estratégia prioriza a aplicação da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) em crianças, jovens, adultos não vacinados e profissionais de saúde, além da vacina contra a febre amarela, respeitando os esquemas e intervalos recomendados para cada faixa etária e pessoas vacinadas com dose fracionada em 2018, durante campanhas emergenciais. 

“A intensificação da vacinação é uma medida essencial para proteger a população e evitar a reintrodução de doenças já controladas. Manter a caderneta atualizada é um ato de cuidado individual e coletivo”, explica Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP. 

 

Municípios contemplados

Na Região Metropolitana de São Paulo, a estratégia será realizada nos municípios de Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba, Cotia, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista, Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha, Mairiporã, Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel, Suzano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. O município de São Paulo já iniciou a estratégia de vacinação em 12 de janeiro. 

Na Região Metropolitana de Campinas, participam os municípios de Americana, Artur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Jaguariúna, Monte Mor, Morungaba, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d’Oeste, Santo Antônio de Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo. 

Na Baixada Santista, a intensificação da vacinação ocorre em Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente.


Campanha de reforço 

Desde o dia 12 de janeiro, a SES-SP vem ampliando a oferta das vacinas contra o sarampo e a febre amarela por meio de estratégias extramuros, em locais como estações de metrô e trem, terminais de ônibus e centros comerciais, com o objetivo de facilitar o acesso da população à imunização. 

A iniciativa é voltada, principalmente, a adolescentes e adultos que não foram vacinados ou que possuem esquema vacinal incompleto. A recomendação é que pessoas que vivem, circulam ou trabalham na capital, especialmente em áreas com grande fluxo de pessoas ou com registro de transmissão das doenças, busquem a atualização da caderneta de vacinação. 

Manter a vacinação em dia é fundamental para a proteção individual e coletiva, contribuindo para a redução do risco de surtos e epidemias. A imunização também protege pessoas que não podem receber vacinas, como indivíduos imunocomprometidos ou com contraindicações clínicas.

 

Quem deve se vacinar contra sarampo: 

* Crianças: a vacinação contra o sarampo faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. A administração da primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses (tríplice viral – sarampo, caxumba e rubéola) e a segunda aos 15 meses (tetra viral– sarampo, caxumba, rubéola e varicela);

* Pessoas de 5 até 29 anos devem tomar duas doses da vacina com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. A pessoa que comprovar 2 doses da vacina tríplice viral será considerada vacinada;

* Pessoas de 30 a 59 anos de idade devem tomar uma dose da vacina. A pessoa que comprovar 1 dose da tríplice viral será considerada vacinada;

* Trabalhadores da saúde: Devem receber 2 doses de tríplice viral, a depender da situação vacinal encontrada, independentemente da idade. Considerar vacinado o trabalhador da saúde que comprovar 2 doses da tríplice viral.

 

Quem deve se vacinar contra febre amarela: 

* Pessoas vacinadas com dose fracionada em 2018, durante campanhas emergenciais;

* Crianças: uma dose é recomendada aos 9 meses de idade e um reforço aos 4 anos;

* Pessoas que receberam apenas uma dose antes dos 5 anos: devem tomar uma dose de reforço;

* Pessoas de 5 a 59 anos que ainda não foram vacinadas devem receber uma dose única.

 

Saiba como identificar os sintomas de sarampo: 

* Exantema (manchas vermelhas) no corpo e febre alta (acima de 38,5°) acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas:

* Tosse seca;

* Irritação nos olhos (conjuntivite);

* Nariz escorrendo ou entupido.

* Saiba como identificar os sintomas de febre amarela:

* Início súbito de febre;

* Calafrios;

* Dor de cabeça intensa;

* Dores musculares;

* Dores no corpo em geral;

* Náuseas e vômitos;

* Fadiga;

* Fraqueza.

No ano passado, o estado de São Paulo registrou dois casos importados de sarampo. Já em relação à febre amarela, em 2025 foram confirmados 57 casos no estado, com 34 óbitos. 

 

Dúvidas sobre vacinação? 

O Governo de SP, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, criou o portal “Vacina 100 Dúvidas” com as 100 perguntas mais frequentes sobre vacinação nos buscadores da internet. A ferramenta esclarece questões como efeitos colaterais, eficácia das vacinas, doenças imunopreveníveis e quais os perigos ao não se imunizar. O acesso está disponível no link: www.vacina100duvidas.sp.gov.br.

 

Áudio - Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP: https://we.tl/t-2LaEGFnuAy

 

Saúde integrativa amplia o olhar da odontologia para o bem-estar completo

Abordagem sistêmica conecta saúde bucal, metabolismo, emoções e prevenção de doenças

 

A compreensão de que a saúde humana vai além da ausência de doenças tem impulsionado o avanço da saúde integrativa no Brasil. Nesse contexto, a odontologia passa a ocupar um papel estratégico ao ser reconhecida como parte ativa de um sistema que envolve metabolismo, imunidade, alimentação e saúde emocional. É essa visão ampliada que norteia o trabalho da médica dentista Dra. Juliana Varão, que defende um cuidado centrado no indivíduo como um todo e integra a Sociedade Brasileira de Odontologia e Saúde Integrativa (SBOSI), instituição que valoriza uma abordagem sistêmica, interdisciplinar e baseada em ciência real.
Para a especialista, tratar a saúde bucal de forma isolada é limitar o potencial preventivo e terapêutico da odontologia. “A boca não pode ser vista como um sistema independente. Ela se conecta diretamente com processos inflamatórios, hormonais, metabólicos e emocionais. Quando ampliamos esse olhar, conseguimos atuar não apenas no sintoma, mas na origem dos desequilíbrios”, afirma Dra. Juliana.


A proposta dialoga diretamente com os princípios defendidos pela SBOSI, que reconhece a saúde como resultado da integração entre diferentes sistemas do corpo e saberes da área da saúde. Dentro dessa concepção, fatores como alimentação, microbiota intestinal e inflamação crônica passam a ser considerados elementos-chave no cuidado odontológico, assim como o impacto do estresse e do estado emocional em condições como bruxismo, dores orofaciais e disfunções da articulação temporomandibular.


Outro ponto central dessa abordagem é a personalização do cuidado. A saúde integrativa considera que cada paciente possui um contexto biológico, emocional e social único, o que exige planos de tratamento individualizados e interdisciplinares. “Não existe saúde padronizada. O cuidado precisa respeitar a história, os hábitos e o ambiente em que a pessoa está inserida”, destaca a médica dentista.


Nesse cenário, a educação em saúde se torna uma ferramenta essencial. Segundo Dra. Juliana, orientar pacientes de forma clara e baseada em ciência fortalece a autonomia, melhora a adesão aos tratamentos e contribui para resultados mais duradouros. “Informação de qualidade também é tratamento. Não há melhora a longo prazo sem autorresponsabilidade do paciente. Quando ele entende o próprio corpo, passa a fazer parte ativa do processo de cuidado”, reforça.


A integração entre odontologia, medicina, nutrição, psicologia, fisioterapia e outras áreas da saúde é outro pilar defendido pela especialista e amplamente valorizado pela SBOSI. Essa troca amplia o entendimento sobre as causas dos desequilíbrios e fortalece uma prática clínica mais ética, preventiva e resolutiva, alinhada às demandas contemporâneas da saúde.


Ao propor uma odontologia inserida no contexto da saúde integrativa, Dra. Juliana Varão reforça a necessidade de evolução na prática clínica, sem abrir mão do rigor científico real. A abordagem aponta para um futuro em que a saúde é construída de forma contínua, consciente e integrada, beneficiando não apenas a boca, mas o bem-estar global do indivíduo.


Sociedade Brasileira de Odontologia e Saúde Integrativa – SBOSI
Dra. Juliana Varão
@sbosi.saudeintegrativa
https://sbosi.com.br/


Energético com álcool: combinação popular, mas com riscos silenciosos à saúde

Nutrólogo alerta que a mistura pode mascarar a embriaguez, aumentar comportamentos de risco e sobrecarregar coração, fígado e sistema nervoso, mesmo em jovens saudáveis


O consumo de bebidas alcoólicas associado a energéticos, prática comum em festas, baladas e eventos sociais, representa um risco real à saúde do ponto de vista nutricional, metabólico e cardiovascular. O alerta é do nutrólogo e docente do curso de pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica São Paulo, Rômulo Bagano, que explica que a combinação interfere diretamente na forma como o organismo percebe e reage ao álcool.
 

Enquanto o álcool atua como depressor do sistema nervoso central, os energéticos têm efeito estimulante, elevando hormônios como adrenalina e cortisol. Essa ação oposta cria uma falsa sensação de disposição e controle, mascarando os sinais clássicos da embriaguez. “A pessoa se sente mais alerta, mas continua com prejuízo motor, cognitivo e de julgamento”, explica o especialista.

Segundo Bagano, essa interação desregula o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, aumenta o estresse oxidativo e impõe sobrecarga às mitocôndrias, além de favorecer desequilíbrios eletrolíticos. O resultado é um maior risco de consumo excessivo de álcool sem que o indivíduo perceba os próprios limites.


Riscos para o coração, fígado e sistema nervoso

Os impactos da mistura não se restringem à sensação momentânea. No coração, a associação pode provocar taquicardia, arritmias e elevação aguda da pressão arterial. No fígado, há uma sobrecarga metabólica pela tentativa de processar simultaneamente álcool, cafeína e outros aditivos presentes nos energéticos. Já no sistema nervoso, o risco inclui aumento da excitabilidade, confusão mental, convulsões e comprometimento da neurotransmissão responsável pelo controle da ansiedade e da coordenação.

Embora muitas pessoas acreditem que os riscos se limitem a quem já possui doenças, o nutrólogo destaca que jovens saudáveis também estão vulneráveis, especialmente quando o consumo é frequente ou em grandes volumes. Casos de intoxicação aguda, pancreatite, hepatite alcoólica silenciosa e até morte súbita por arritmia já foram associados a esse tipo de consumo.


Sinais de alerta e orientação clínica

Palpitações, náuseas, tontura, agitação, confusão mental, dores no peito, tremores e suor excessivo são sinais de que o organismo está reagindo mal à combinação. Em situações mais graves, podem ocorrer desmaios, convulsões e alteração do nível de consciência, exigindo atendimento médico imediato.

Do ponto de vista científico, não existe uma quantidade considerada segura para associar energético e álcool. “Não há evidência que valide essa combinação como segura. Mesmo uma única lata de energético já pode alterar o limiar de intoxicação alcoólica”, reforça Bagano.


Alternativas mais seguras para manter a disposição

Para quem busca manter energia durante festas e períodos prolongados de atividade, o nutrólogo recomenda alternativas mais seguras, como alimentação equilibrada, hidratação adequada e, quando indicado, suplementação orientada por profissional de saúde. Adaptógenos, vitaminas e estratégias nutricionais ajudam a sustentar a disposição sem expor o organismo aos riscos da mistura.

A hidratação constante e uma alimentação balanceada também têm papel fundamental na redução dos efeitos do álcool, contribuindo para a proteção do fígado, evitando hipoglicemias e reduzindo a sobrecarga renal.

 

Afya
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Sua saúde vale ouro: check-up médico anual é fundamental

Praticar atividades físicas é uma escolha que promove saúde, bem-estar e longevidade. Mas, para que o exercício seja realmente seguro, é fundamental que coração e sistema musculoesquelético sejam avaliados de forma integrada. É exatamente esse o papel do check-up médico anual: identificar riscos silenciosos, orientar o cuidado preventivo e garantir que o corpo esteja preparado para o movimento.

“O check-up cardiológico começa com a história clínica do paciente e o exame físico. A partir daí, conseguimos informações muito relevantes para o cuidado da saúde”, explica o Dr. Rodrigo Penha, cardiologista do Mater Dei Santa Clara. Segundo ele, muitas doenças cardiovasculares não apresentam sintomas iniciais, mas podem se manifestar durante o esforço físico, tornando o acompanhamento médico indispensável até para pessoas ativas e atletas amadores.

 

O coração em foco: prevenção que começa antes dos sintomas

O check-up cardiológico avalia o funcionamento do sistema cardiovascular, identifica fatores de risco e orienta o paciente sobre hábitos e limites seguros. Exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, Holter 24h e exames laboratoriais permitem entender como o coração responde ao esforço e como está a saúde da circulação.

Essa avaliação é especialmente importante antes de iniciar uma nova rotina de treinos, intensificar a carga de exercícios ou retomar o esporte após longos períodos de pausa.

 

O movimento também precisa de avaliação médica

Mas cuidar do coração não é suficiente quando falamos em esporte e atividade física. O sistema locomotor precisa estar preparado para sustentar o esforço, e é aí que entra a Ortopedia.

“O check-up anual permite identificar alterações musculoesqueléticas precoces que podem comprometer o desempenho e aumentar o risco de lesões”, explica o Dr. Wagner Costa, ortopedista do Mater Dei Santa Genoveva. A avaliação inclui análise postural, biomecânica do movimento, alinhamento dos membros, equilíbrio muscular, flexibilidade e testes funcionais específicos para cada modalidade esportiva.

Segundo o especialista, a investigação de lesões prévias, assimetrias musculares e encurtamentos é essencial para prevenir sobrecargas, recidivas e problemas como tendinopatias, instabilidades articulares e fraturas por estresse.

 

Uma abordagem integrada que protege o corpo como um todo

A união entre Cardiologia e Ortopedia permite uma avaliação completa do paciente. Enquanto o cardiologista avalia a capacidade funcional e os riscos cardiovasculares, o ortopedista garante que músculos, articulações e ossos estejam aptos a suportar as demandas do exercício.

Essa integração possibilita prescrição de treinos mais seguros, ajustes personalizados e melhor desempenho, além de reduzir significativamente o risco de eventos agudos e lesões crônicas, ao longo do tempo.

 

Prevenir é cuidar do futuro

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil, alerta o Dr. Rodrigo Penha. Por outro lado, grande parte das lesões ortopédicas poderia ser evitada com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, segundo o Dr. Wagner Costa. Portanto, o check-up anual é o ponto de partida para quem quer se movimentar com segurança, autonomia e confiança.

Cuidar do coração e do sistema locomotor é cuidar do futuro. No Mater Dei, o cuidado é multidisciplinar, personalizado e apoiado por tecnologia, precisão diagnóstica e uma equipe médica que acompanha o paciente em todas as fases da vida.

Agende seu check-up médico anual e conte com a expertise de cardiologistas e ortopedistas para viver com mais saúde, segurança e performance.

 

Canetas emagrecedoras e o preço do imediatismo

Por trás das canetas emagrecedoras, nem tudo é positivo! 

 

A busca por resultados imediatos nunca foi tão intensa, e o emagrecimento rápido entrou definitivamente nessa lógica. A promessa é tentadora: menos fome, menos peso na balança e transformações visíveis em tempo recorde. As chamadas canetas emagrecedoras, como o Mounjaro, deixaram de ser um tema restrito aos consultórios médicos e passaram a circular nas redes sociais de famosos, nos grupos de WhatsApp e nas conversas do dia a dia.

Mas, junto com os quilos a menos, começaram a surgir relatos que chamam atenção. Um deles ganhou até nome: o chamado “efeito Mounjaro”. Trata-se da perda acelerada e desigual de gordura corporal sendo acentuadamente rápida em coxas, glúteos, pernas, braços e face, com manutenção da gordura abdominal, alterando o equilíbrio visual do corpo.

O emagrecimento é tão rápido que o rosto também muda antes que o restante do corpo consiga acompanhar. Essa alteração rápida acentua as silhuetas androgênicas mudando a percepção corporal de algumas mulheres que se veem com membros inferiores muito menores do que o tronco, às vezes, pela primeira vez na vida.

E o que vemos por debaixo das roupas, agora frouxas, são corpos reduzidos de volume, porém, deformados por flacidez e perda de massa muscular. Este efeito poderia ser minimizado com acompanhamento médico e estratégias voltadas à preservação da massa magra, através do exercício físico direcionado.

Por trás dessa mudança estética existe uma resposta fisiológica importante. O corpo não interpreta o emagrecimento abrupto como algo positivo. Ao contrário, entra em um estado de alerta, semelhante a um modo de sobrevivência. Segundo Clarissa Rios, médica, educadora física e CEO da DoctorFit, o problema não está exatamente no medicamento, mas na forma como ele é utilizado.

“Esses medicamentos funcionam, sim. Mas, quando usados de maneira isolada, sem ajuste de alimentação, treino e reposição hormonal, o organismo entra em desequilíbrio, potencializando o reganho de peso, o famoso “efeito sanfona”, explica.

Nesse cenário, o corpo passa a economizar energia e prioriza o que considera indispensável para sobreviver. E, infelizmente, o músculo costuma ser o primeiro a ser sacrificado. A perda de massa muscular não afeta apenas a estética, compromete força, metabolismo, saúde hormonal e funcionalidade.

“O músculo exige energia para existir. Quando o corpo entende que está em risco, ele se livra do músculo primeiro, impactando diretamente a disposição, o metabolismo e até a forma como essa pessoa vai envelhecer”, alerta Clarissa.

As consequências aparecem rapidamente. Um corpo mais fraco, metabolismo mais lento, queda de desempenho físico e aumenta a probabilidade do temido efeito rebote. É frequente a recuperação o peso perdido, mas, infelizmente, com mais gordura e menos músculo. Sem falar no impacto visual, flacidez, rosto mais fundo e uma aparência envelhecida, efeitos que contrastam com a ideia inicial de “resultado positivo”.

O problema, portanto, não é emagrecer, mas o caminho escolhido para isso. Emagrecimento não deveria significar perda de saúde. “O músculo é um dos maiores aliados da longevidade, do equilíbrio hormonal e da qualidade de vida. A balança pode até baixar, mas o corpo cobra essa conta depois. Emagrecer sem preservar músculo não é evolução, é um sinal de alerta”, reforça a médica.

Diante disso, a pergunta é: vale a pena correr o risco? “Se a decisão pelo uso das canetas for tomada de forma consciente, ela precisa vir acompanhada de uma estratégia completa: alimentação bem estruturada, treino de força e prescrição médica individualizada”, orienta a especialista.

Vivemos a era do imediatismo. Queremos tudo rápido, inclusive o corpo “ideal”. Mas o organismo não responde no ritmo das redes sociais. Padrões estéticos irreais empurram muitas pessoas para soluções que parecem eficazes no curto prazo, mas que podem ser silenciosamente prejudiciais no longo prazo. “Emagrecer deveria ser um projeto de saúde, não uma corrida contra o espelho”, conclui Clarissa. 

 

Clarissa Rios - médica e educadora física, com atuação focada em medicina do exercício, promoção da saúde e gestão de negócios na área fitness. À frente da DoctorFit, rede de franquias de estúdios premium de treinamento físico, consolidou um modelo de negócios que une ciência, tecnologia e acompanhamento individualizado, tornando a marca referência no segmento de treinamento personalizado de alta performance. Sua trajetória combina prática clínica, visão estratégica e inovação, pilares que sustentam a expansão da DoctorFit no país.


Saliva artificial ajuda a proteger os dentes de pacientes com câncer de cabeça e pescoço

spray de saliva artificial conseguiu reduzir significativamente
a atividade bacteriana e a desmineralização dos dentes, processo no
qual perdem cálcio e fosfato, ficando mais suscetíveis às cáries
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Efeitos de substância com proteína da cana-de-açúcar são intensificados quando a molécula é aplicada em conjunto com flúor e xilitol, mostrou estudo da USP

 

Uma saliva artificial em formato de enxaguante bucal produzida com uma proteína extraída da cana-de-açúcar e modificada em laboratório – a CaneCPI-5 – pode ajudar no tratamento dos dentes de pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Nesses casos, a aplicação de radioterapia muito perto da boca pode destruir algumas glândulas salivares e comprometer a produção de saliva – fundamental para o controle de bactérias e doenças.

De acordo com uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP), a CaneCPI-5 ajuda a formar uma espécie de “escudo” para os dentes, protegendo o esmalte contra os ácidos que os enfraquecem, como os encontrados em sucos e bebidas alcoólicas ou mesmo os ácidos estomacais. Os resultados foram divulgados no Journal of Dentistry.

A pesquisa foi conduzida durante o doutorado de Natara Dias Gomes da Silva na FOB-USP, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade da Califórnia em São Francisco (Estados Unidos) e Yonsei University College of Dentistry (Coreia do Sul).

Os trabalhos estão inseridos no Projeto Temático “Modulação da película adquirida do esmalte e do biofilme para o controle da perda mineral dentária: desvendando mecanismos e possibilitando terapias”, coordenado pela professora Marília Afonso Rabelo Buzalaf, da FOB-USP.

“Nós testamos o enxaguante bucal desenvolvido com a CaneCPI-5 aplicando essa solução em pequenos pedaços de dentes de animais, uma vez ao dia, durante um minuto. A partir desses resultados, nós vamos desenvolver novas pesquisas, para que possamos pensar sobre a aplicação desse produto”, complementa Silva, primeira autora do artigo.

“Este é o primeiro produto que usa o conceito de película adquirida [camada fina protetora formada rapidamente na superfície do dente] para tratar a xerostomia, que é a sensação de boca seca causada pela falta de saliva. Nós usamos substâncias que vão reformular a composição das proteínas que se ligam aos dentes”, explica Buzalaf.

“Conseguimos desenvolver um processo em que a CaneCPI-5 se liga diretamente ao esmalte dos dentes, contribuindo para que fiquem mais resistentes à ação dos ácidos produzidos pelas bactérias”, destaca Silva.

Os dados publicados no artigo demonstraram que a proteína CaneCPI-5 tem maior eficácia quando combinada com flúor e xilitol. Nesses testes, o spray de saliva artificial conseguiu reduzir significativamente a atividade bacteriana e a desmineralização dos dentes, processo no qual perdem cálcio e fosfato, ficando mais suscetíveis às cáries.

A descoberta é importante porque os pacientes submetidos ao tratamento do câncer de cabeça e pescoço ainda não têm um produto específico, à disposição no mercado, que ajude a combater e tratar as cáries mais agressivas, que se desenvolvem após a radioterapia.

“A saliva artificial melhora a sensação de boca seca e as feridas. Isso ajuda no desconforto e também a combater as bactérias. Em alguns casos, o uso desse tipo de produto é só por algum tempo. Em outros é permanente, porque muitos indivíduos perdem a capacidade de produzir saliva”, complementa Buzalaf.

A patente da proteína CaneCPI-5 foi depositada há alguns anos. O desafio agora, segundo as pesquisadoras, está sendo ganhar escala para que a produção da saliva artificial possa ser realizada em conjunto com empresas que se interessem pela tecnologia.

“Nós já fizemos testes com a solução para fazer bochecho, com gel e com um filme orodispersível, que é um tipo de plástico que se coloca na língua e vai se dissolvendo e liberando a proteína. Já testamos em vários veículos e em todos encontramos um efeito muito bom para a CaneCPI-5. Vamos continuar testando outras tecnologias dentro do projeto temático para utilizar não apenas essa proteína, como também outras”, adianta Buzalaf.


Descoberta

De acordo com Flávio Henrique Silva, professor do Departamento de Genética e Evolução da UFSCar que atuou no desenvolvimento da proteína CaneCPI-5, os trabalhos com as cistatinas (família de proteínas envolvidas em diversos processos biológicos) estão ligados a pesquisas realizadas no âmbito do Projeto Genoma da Cana-de-Açúcar (Sucest, FAPESP), do qual seu laboratório faz parte.

“Naquela época, nosso grupo identificou e produziu, de forma recombinante em bactérias, a primeira cistatina da cana-de-açúcar. Nós a denominamos de CaneCPI-1. Em seguida, identificamos e produzimos outras cinco cistatinas da cana, entre elas, a CaneCPI-5, que apresentava atividades inibitórias potentes frente às cisteíno-peptidases, que são as suas enzimas-alvo. Ao longo do trabalho, notamos que essa proteína se ligava fortemente a superfícies lisas, como as cubetas de quartzo utilizadas nas medidas de atividade. Isso nos levou a realizar ensaios em parceria com a professora Marília Buzalaf, de ligação da proteína com o esmalte dentário.”

Conforme os pesquisadores, a descoberta de que a CaneCPI-5 protege o esmalte dos dentes e, ao mesmo tempo, regula a microbiota da boca a colocou como uma molécula altamente promissora para a área das pesquisas em odontologia.

“A CaneCPI-5 tem sido usada também em trabalhos de outros colegas na área de odontologia, particularmente envolvendo a periodontite. Temos um trabalho em colaboração com colega da Universidade Federal de Uberlândia, utilizando implantes subcutâneos de esponja em camundongos, que demonstrou que ela é capaz de diminuir a inflamação e promover a angiogênese [formação de novos vasos sanguíneos] e a fibrinogênese [formação de fibrina, uma proteína essencial para a coagulação do sangue], processos importantes na reparação de tecidos, colocando-a como uma molécula candidata para o uso em cicatrização de feridas”, ressalta Silva.


Próximos passos

Dentro do Projeto Temático, os pesquisadores vão continuar tentando entender o funcionamento da CaneCPI-5 em conjunto com outras substâncias.

De acordo com Buzalaf, alguns dos caminhos possíveis são estudar a CaneCPI-5 em fusão com um peptídeo derivado da estaterina (proteína encontrada na saliva) para ver se a nova proteína híbrida funciona melhor contra os ácidos que enfraquecem os dentes quando eles vêm do estomago e ainda tentar entender como combater a doença periodontal.

“Outra vertente do projeto é associar a CaneCPI-5 com a vitamina E, porque essa substância funciona como um carreador para levar a proteína para ter contato com o dente. Nós imaginamos que isso pode facilitar a aplicação do produto diretamente pelo paciente, em casa”, adianta a pesquisadora.

O artigo A novel artificial saliva enriched with CaneCPI-5 for irradiated head and neck cancer (HNC) patients: in vitro antimicrobial and anticaries effect pode ser lido em: sciencedirect.com/science/article/abs/pii/s0300571225006220.

 

Cristiane Macedo

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/saliva-artificial-ajuda-a-proteger-os-dentes-de-pacientes-com-cancer-de-cabeca-e-pescoco/57005

 

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