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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Estratégia permite abater dívidas de financiamento de imóveis, diz analista

Analista de mercado imobiliário Daniel Claudino aponta que trabalhadores podem potencializar benefícios das recentes atualizações no teto do FGTS e na modalidade "FGTS Futuro" para reduzir saldo devedor e juros

 

As recentes atualizações nas regras do FGTS, que elevaram o teto para financiamento imobiliário para R$ 2,25 milhões e ampliaram o percentual máximo de financiamento para 80% do valor do imóvel, abrem novas possibilidades para os trabalhadores. Em 2026, com a expectativa de queda gradual da taxa Selic, especialistas recomendam uma estratégia financeira inteligente: utilizar a antecipação do décimo terceiro salário para abater parcelas de financiamentos imobiliários.

 

O analista de mercado imobiliário Daniel Claudino explica que a combinação das novas regras com o planejamento financeiro pessoal pode gerar economia significativa. "Com o novo teto do FGTS, mais famílias podem usar o fundo para amortizar o saldo devedor. Se o trabalhador antecipar parte do décimo terceiro e destinar esse valor para abater parcelas do financiamento, ele reduz o montante principal sobre o qual incidem os juros. Em um cenário de juros ainda altos, mas com tendência de queda, essa é uma estratégia poderosa", afirma Claudino.

 

Com a projeção de que cada queda de 1 ponto percentual na Selic pode recolocar cerca de 160 mil famílias em condições de financiar um imóvel, segundo dados da ABRAINC, a orientação do analista é clara: "Quem já tem financiamento deve usar o décimo terceiro para abater dívida. Quem está planejando comprar, pode usar a antecipação para aumentar a entrada e garantir condições melhores. O momento é de planejamento e ação estratégica."

 

Em 2026, com o mercado imobiliário em fase de retomada e crédito mais acessível, a recomendação de especialistas como Daniel Claudino aponta para o uso consciente dos recursos extras, como o décimo terceiro, aliado às novas regras do FGTS, como caminho para conquistar ou quitar o imóvel próprio com mais vantagens.



Vai prestar vestibular? Evite esses 5 erros comuns ao estudar literatura

Edipro
Para além dos resumos, a preparação para a prova exige compreensão do contexto histórico, linguagem e características das obras


Para muitos estudantes, o vestibular transforma a leitura de clássicos em uma tarefa de memorização: decorar o nome do autor, a escola literária, os personagens e algumas características consideradas importantes para a prova. O problema é que esse método pode deixar de lado justamente o essencial: a relação entre linguagem e história.  

Na lista de leituras obrigatórias do Vestibular Unicamp 2029, obras como Broquéis, de Cruz e Sousa, e Lésbia, de Maria Benedita Bormann, mostram como diferentes estratégias podem ajudar a tornar a leitura mais proveitosa. Além da compreensão do contexto histórico e das características literárias, recursos como notas explicativas ajudam a aproximar o estudante de vocábulos pouco usuais, referências históricas e construções de linguagem que podem dificultar o contato inicial com obras de outros períodos. 

Confira cinco erros comuns na hora de estudar literatura e como evitá-los: 


1. Ler apenas o resumo da obra

É durante a leitura que o estudante consegue perceber a maneira como o autor constrói personagens, desenvolve ideias, escolhe determinadas palavras e apresenta os conflitos da narrativa ou, no caso da poesia, trabalha ritmo, imagens e sonoridade. O resumo pode ajudar a organizar informações, mas dificilmente reproduz a experiência necessária para uma interpretação mais completa. 


2. Decorar a escola literária sem relacioná-la ao texto

Memorizar as principais características do Romantismo, Realismo, Naturalismo, Simbolismo ou de outros movimentos pode facilitar a revisão, mas não garante que o vestibulando saiba reconhecê-las em uma obra. O ideal é partir do próprio texto e observar como determinadas características aparecem na prática. Perguntar "onde isso aparece na obra?" ajuda a transformar um conceito em uma ferramenta de interpretação. 


3. Ignorar o contexto histórico

Conhecer o período em que uma obra foi escrita pode ajudar a compreender comportamentos, conflitos, referências e escolhas. Isso não significa estudar toda a história do século em que o livro foi publicado, mas identificar acontecimentos, valores sociais e características culturais que tenham relação direta com o texto. 

 

4. Parar a leitura diante de toda palavra desconhecida

Textos escritos em outros períodos podem apresentar vocabulário, construções e referências pouco comuns atualmente. Tentar entender cada palavra antes de avançar pode tornar a leitura cansativa e dificultar a compreensão do conjunto. Uma alternativa é tentar interpretar o significado pelo contexto, marcar os termos desconhecidos e pesquisá-los depois. Edições com notas explicativas também podem facilitar esse processo ao apresentar essas informações. 


5. Estudar pensando apenas no que pode cair na prova

A preocupação com o vestibular pode fazer com que o estudante procure apenas informações que imagina que serão cobradas. Uma leitura mais atenta, porém, permite compreender relações entre personagens, temas, contexto histórico e escolhas de linguagem, elementos que também ajudam na hora de interpretar questões.  


Ubatuba, Ilhabela e Monte Verde: como funciona a Taxa de Preservação Ambiental nos destinos mais procurados para o feriado

Praias e destinos de serra são opções para quem quer fazer uma viagem curta no feriado prolongado; motoristas devem ficar atentos à cobrança da TPA nas cidades

 

Com o feriado de 7 de setembro caindo em uma segunda-feira neste ano, o fim de semana prolongado é uma oportunidade para uma viagem rápida saindo de São Paulo. Destinos como Ubatuba, Ilhabela e Monte Verde são opções para aproveitar os três dias de folga, com atrações que vão de natureza e atividades ao ar livre a gastronomia e experiências para diferentes perfis de viajantes. 

Antes de pegar a estrada, os motoristas precisam se atentar para o pagamento da TPA (Taxa de Preservação Ambiental), cobrança destinada a ações de preservação e manutenção ambiental dos municípios. Assim como nos pedágios, o pagamento da taxa também pode ser feito de forma automática por meio de uma tag de pagamento, como a ConectCar, facilitando a passagem dos veículos pelos destinos que adotam esse tipo de cobrança. 

"Para quem aproveita um feriado para fazer viagens rápidas, detalhes podem fazer diferença no tempo curto. A possibilidade de pagar a Taxa de Preservação Ambiental automaticamente pela tag ajuda o motorista a seguir viagem tranquilo, sem precisar se preocupar com paradas ou diferentes formas de pagamento, deixando o trajeto mais simples", aconselha Ricardo Kaoru, CEO da ConectCar. 

Confira alguns destinos perto de São Paulo, ideais para viagens curtas, e as informações sobre a TPA em cada um:
 

Ubatuba: praias e natureza

Localizada no litoral norte paulista, Ubatuba é uma opção para quem quer aproveitar o feriado à beira-mar. O município reúne praias de diferentes perfis, desde faixas mais movimentadas até áreas cercadas por Mata Atlântica, além de trilhas e cachoeiras para quem busca atividades ao ar livre. A região também conta com opções de passeios de barco e mergulho, ampliando as possibilidades para quem pretende passar alguns dias no litoral. 

Para carros de passeio, o valor da TPA é de R$ 13,86; já em utilitários como caminhonetes e furgões, é cobrado R$ 20,78; e para vans, R$ 41,56.
 

Ilhabela: praias, trilhas e cachoeiras

Outra alternativa no litoral norte é Ilhabela, que conta com praias, trilhas e cachoeiras em meio à Mata Atlântica. Entre as possibilidades estão passeios por áreas de natureza preservada, atividades náuticas e visitas a praias de diferentes características, tornando o destino uma opção tanto para quem quer descansar quanto para quem prefere uma programação mais ativa. 

Para motoristas que pretendem passar o feriado na cidade, é necessário considerar a TPA, que custa R$ 48 para carros de passeio, utilitários e kombis, e R$ 70 para vans e caminhões.
 

Monte Verde: clima de serra

Para quem prefere temperaturas mais amenas, Monte Verde, no sul de Minas Gerais, é uma opção próxima de São Paulo que combina clima de serra, gastronomia e contato com a natureza. O destino é conhecido pelas trilhas e atividades ao ar livre, além de restaurantes e estabelecimentos com foco na gastronomia local, sendo uma alternativa para quem deseja uma viagem curta com um ritmo diferente do litoral. 

O valor da TPA na cidade é de R$ 9,20 para carros de passeio, R$ 13,80 para utilitários e Kombis e R$ 32,20 para vans e veículos de excursão.
 

Bombinhas: águas cristalinas e mergulho

Para quem quer ir mais longe, Bombinhas, em Santa Catarina, é uma opção para quem busca águas cristalinas e atividades no mar. Conhecida pelas condições favoráveis para mergulho, a cidade é um dos destinos procurados do litoral catarinense para quem quer aproveitar dias de sol e também conhecer um pedaço da Mata Atlântica. 

A TPA na cidade custa R$ 40 para carros de passeio, R$ 60 para utilitários e R$ 80 para vans e furgões.
 

Antes de pegar a estrada

Para quem utiliza a tag da ConectCar, também é importante verificar se ela está ativa e com saldo suficiente para as passagens previstas no trajeto. É possível habilitar a recarga automática, que repõe o saldo quando ele atinge o limite mínimo definido pelo usuário, ou optar pela recarga avulsa, feita via cartão de crédito ou Pix. 



ConectCar - disponibiliza as tags em sua loja virtual,
Para saber mais, acesse conectcar.com.br.


Dia Mundial da Alfabetização: o desafio de equilibrar o uso das telas e a aprendizagem

Leitura e atividades manuais estimulam a curiosidade e criam
novas formas de aprender na infância
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Leitura e atividades manuais contribuem para o desenvolvimento infantil em uma rotina cada vez mais digital
 

Aprender a ler e escrever é uma das principais etapas do desenvolvimento infantil, mas a alfabetização não se resume ao que acontece na escola. Livros, desenhos, recortes, colagens, jogos e brincadeiras também aproximam as crianças das palavras e estimulam a curiosidade. Em meio à presença cada vez mais ativa das telas na infância, criar momentos dedicados a essas experiências pode ajudar a diversificar a rotina dos pequenos e oferecer outras formas de interação com o mundo. 

O hábito da leitura e o manuseio de materiais como papel, tesoura e cola, exercitam habilidades cognitivas fundamentais, incluindo concentração, coordenação motora e autonomia. Ao transformar ideias em produções tangíveis, a criança torna o contato com a linguagem um processo espontâneo. Esse desenvolvimento criativo é destacado por Letícia Scaldelai, Analista de Marketing da Pritt, marca da Henkel que acompanha a jornada criativa das pessoas desde a alfabetização até a vida adulta. 

Quando a criança faz interações com diferentes materiais, assume um papel ativo na construção do próprio aprendizado. Além dos benefícios pedagógicos, as atividades manuais fortalecem os vínculos entre pais e filhos, criando oportunidades para momentos de descoberta e criação conjunta. Para que essas experiências aconteçam de forma segura e estimulem a autonomia infantil, é importante contar com materiais adequados para cada faixa etária. 

“Na Pritt, acreditamos que a criatividade tem um papel importante no processo de aprendizagem. Equilibrar o digital com experiências práticas é um dos desafios atuais das famílias. Atividades manuais ajudam as crianças a transformar ideias em algo concreto, estimulando criatividade, concentração e autonomia. São momentos que complementam o aprendizado e tornam a relação da criança com a leitura, com a escrita e a expressão mais significativa”, pontua Letícia. 

Neste Dia Mundial da Alfabetização, a conscientização foca no equilíbrio entre o tempo digital e a valorização do contato físico com livros e atividades artísticas que despertam a imaginação. O domínio da leitura e da escrita é o marco inicial de uma jornada de expressão e descoberta contínua.
  
 


Pritt
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Henkel
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Um em cada três usuários de Internet no Brasil relatou sofrer tentativa de golpe com uso de seus dados pessoais, aponta Cetic.br

Pesquisa lançada nesta segunda-feira (31) revela que aplicativos de mensagem (84%) e chamadas telefônicas (79%) estão entre os canais mais mencionados por usuários que vivenciaram tentativas de golpes com dados pessoais; estudo traz dados inéditos sobre o uso de IA generativa e o panorama em relação à privacidade e proteção de dados pessoais em empresas e órgãos públicos
 

 

Cerca de 45 milhões (32%) de usuários de Internet com 16 anos ou mais no país relataram ter sofrido tentativas de golpes com o uso de seus dados pessoais, enquanto 20% disseram ter sido vítimas desse tipo de crime. Os dados inéditos integram a terceira edição da Pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). 

O levantamento revela que as tentativas de golpe relatadas pelos usuários ocorrem por múltiplos canais de comunicação, combinando meios digitais e tradicionais. Entre os usuários que informaram ter vivenciado tentativas de golpe, os aplicativos de mensagens lideram como a principal via de abordagem (84%), seguidos por ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), e-mail (69%) e redes sociais (67%). 

"Os resultados mostram que as tentativas de golpes envolvendo dados pessoais ocorrem por diferentes canais e podem trazer consequências que vão além das perdas financeiras. A disseminação dessas situações reforça a importância de iniciativas de prevenção e conscientização, combinadas a políticas de proteção de dados e segurança no ambiente digital", afirma Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.
 

IA como conselheira, suporte emocional e companhia

Pela primeira vez, a pesquisa investigou a relação dos brasileiros com ferramentas de inteligência artificial generativa sob a ótica da privacidade. Embora a utilização profissional ou acadêmica seja a mais comum, os dados mostram que não são raros os casos de uso dessas plataformas para aconselhamento, suporte emocional e companhia. 

Para melhor caracterizar a natureza desse uso, o levantamento mapeou os tipos de informação fornecidos para as ferramentas entre os usuários de IA generativa. Das categorias investigadas, “temas de trabalho ou de estudo” foi a mais mencionada (73%). Na sequência, aparecem: “preferências e gostos pessoais, como filmes ou músicas” (58%), “sentimentos e emoções” (54%), “dados de saúde, como sintomas e exames” (52%) e “fotos suas ou de pessoas conhecidas” (50%). As categorias menos citadas foram “finanças pessoais, como orçamentos e investimentos” (41%) e “dados pessoais, como nome, endereço, data de nascimento ou CPF” (37%). 

Entre os usuários de IA generativa, a maioria (66%) declara estar preocupado ou muito preocupado com o uso de dados pessoais pelas empresas responsáveis por essas ferramentas. Esse nível de preocupação é maior entre os que combinam celular e computador (68%) e entre aqueles com nível mais alto de escolaridade (72%). 

" A incorporação da IA generativa ao cotidiano dos usuários de Internet traz novas questões para a agenda de privacidade e proteção de dados pessoais. Os resultados mostram a importância de acompanhar não apenas a disseminação dessas ferramentas, mas também os tipos de informação que os usuários compartilham e suas preocupações em relação ao tratamento desses dados ", destaca Barbosa.
 

Proteção de dados pessoais nas empresas brasileiras

Entre as empresas brasileiras, 69% declararam armazenar dados pessoais de clientes e/ou usuários. Entre os tipos de dados sensíveis investigados pela pesquisa, a biometria permaneceu como a mais frequentemente armazenada pelas organizações (31%), seguida por dados de saúde (26%). 

Entre as empresas que mantêm dados de clientes e usuários, 9% informaram armazenar informações pessoais de menores de 18 anos. Esse percentual alcança 21% entre aquelas de grande porte e 19% no setor de alojamento e alimentação. 

O estudo aponta para um quadro de estabilidade na implementação de estruturas formais de governança ou adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD): 40% das empresas realizaram reuniões específicas sobre o tema, 32% contrataram consultorias ou assessorias externas especializadas, 20% mantêm uma área ou funcionários dedicados a atividades de proteção de dados e, apenas 16%, nomearam formalmente um encarregado de proteção de dados (DPO). 

Entre as medidas investigadas pela pesquisa, as mais reportadas pelas empresas foram a alteração de contratos vigentes (30%), a criação de política de uso de dados de funcionários (29%) e o desenvolvimento de política de privacidade (28%).
 

Governança no setor público e estabelecimentos públicos de saúde

Nas organizações públicas, observou-se avanço na presença de áreas ou responsáveis por privacidade, em especial na esfera municipal, onde a estimativa cresceu de 36% em 2023 para 42% em 2025, impulsionada principalmente por prefeituras de até 10 mil habitantes (de 31% para 37%). Nos órgãos federais e estaduais, a presença dessas estruturas é mais frequente no Ministério Público (100%), Judiciário (94%) e Legislativo (83%) do que no Executivo (74%). 

Nos órgãos públicos estaduais, houve avanços entre as medidas investigadas no estudo: a nomeação de encarregados pelo tratamento de dados pessoais passou de 46% para 58%, e a adoção de planos de resposta a incidentes subiu de 30% para 42%. Contudo, os patamares estaduais permanecem inferiores aos registrados na esfera federal, onde 93% dos órgãos possuem encarregado e 54% contam com plano de resposta a incidentes. 

Nos estabelecimentos públicos de saúde, a adoção de políticas de segurança da informação aumentou de 24% para 28% (chegando a 54% nos hospitais públicos com mais de 50 leitos). A realização de treinamentos em segurança da informação para equipes dobrou na rede pública, passando de 16% em 2023 para 32% em 2025. Em relação aos resultados relacionados à LGPD nos serviços públicos de saúde, a adoção permanece restrita: 30% realizaram campanhas internas de conscientização, 29% publicaram política de privacidade e 13% nomearam encarregado de dados. 

“Ao mesmo tempo em que os usuários precisam estar atentos às informações que compartilham, não podemos transferir para o indivíduo a responsabilidade por proteger seus dados. É fundamental que empresas e organizações públicas adotem práticas de governança, transparência e segurança capazes de garantir o uso responsável dessas informações. A proteção de dados é uma dimensão essencial da autonomia e dos direitos das pessoas na sociedade digital”, afirma a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.
 

Desafios e conscientização nas escolas públicas

A pesquisa evidenciou um avanço na presença de políticas de proteção de dados e segurança da informação nas escolas públicas. A proporção de instituições que possuíam documento com essas diretrizes passou de 37% em 2020 para 54% em 2025. 

Questões relacionadas à privacidade e à proteção de dados influenciam também a adoção de serviços digitais. Em 2025, 39% dos gestores de escolas públicas que não utilizavam programas, sistemas e plataformas na gestão escolar afirmaram que a preocupação com a privacidade e a proteção de dados pessoais está entre os principais desafios associados à adoção desses recursos. A proporção chega a 36% nas redes municipais e a 58% nas estaduais. 

Para 25% dos gestores de escolas públicas, a segurança de dados é também um dos motivos para não utilizar dispositivos, plataformas ou outros recursos educacionais digitais. Entre os fatores mais citados, destacam-se os riscos de vazamento ou roubo de dados dos alunos (16%) e falta de clareza nos termos de uso sobre o tratamento dessas informações (15%). 

Em relação à formação e ao compartilhamento de informações sobre o tema, o levantamento apontou ainda que 73% dos gestores relataram ter recebido orientações da rede de ensino sobre o tratamento de dados de alunos e profissionais, e 46% das instituições realizaram debates ou palestras sobre o tema (contra 32% em 2023), tendo como público principal professores (44%) e funcionários (43%).
 

Sobre a pesquisa

A pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais é realizada pelo Cetic.br, departamento do NIC.br, com apoio da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Em sua terceira edição, o estudo tem como objetivo mapear o cenário atual e compreender os principais desafios para a construção de um ecossistema digital que garanta a privacidade e a proteção de dados pessoais no Brasil. Para tanto, a pesquisa reúne indicadores coletados junto a indivíduos, empresas e organizações públicas, identificando suas práticas e percepções sobre o tema. 

O estudo reúne dados provenientes da pesquisa Painel TIC e das pesquisas TIC Empresas 2025, TIC Governo 2025, TIC Saúde 2025 e TIC Educação 2024 e 2025, permitindo acompanhar a evolução dos resultados ao longo das diferentes edições e abordar temas emergentes relacionados à proteção de dados pessoais. 

Os resultados completos, a metodologia e a publicação na íntegra estão disponíveis no site do Cetic.br: Link



Cetic.br - O Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação -Cetic.br Mais informações em Link.

 Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (Link). Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte: Registro.br (Link), CERT.br (Link), Ceptro.br (Link), Cetic.br (Link), IX.br (Link) e Ceweb.br (Link), além de projetos como Internetsegura.br (Link) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (Link). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (Link)

Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br
Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (Link). Mais informações em Link.


O limite entre personalização e invasão no varejo


O varejo digital enfrenta um impasse complexo ao tentar personalizar a jornada do cliente sem violar o direito à privacidade. As vitrines automatizadas e as recomendações personalizadas precisam conviver com a exigência de transparência no uso de informações pessoais. Embora a inteligência artificial generativa traga sofisticação e escala a essas interações, o risco de transformar utilidade em invasão aumenta quando os modelos operam em arquiteturas fragmentadas e sem uma base legal claramente definida para o tratamento de dados.  

A transparência no uso de dados exige uma arquitetura de sistemas sólida e bem integrada. O setor exige soluções capazes de cruzar instantaneamente o histórico e a intenção de compra, conectando os canais físicos e digitais. Sem uma base firme de governança, segurança e rastreabilidade, a personalização perde o propósito de facilitar a jornada e passa a representar riscos operacionais, regulatórios e reputacionais. 

A coleta excessiva de informações não torna a experiência de compra mais eficiente, e um dos erros operacionais mais comuns do setor é acreditar que a inteligência artificial resolve falhas na base de dados apenas processando essas informações mais rapidamente, sem corrigir os problemas estruturais anteriores. Quando a base está desatualizada, duplicada ou sem regras claras de governança, o modelo passa a gerar recomendações inconsistentes, respostas incorretas e decisões pouco confiáveis em larga escala, reduzindo o retorno sobre o investimento em inovação e comprometendo o orçamento destinado à tecnologia. 

A Gartner quantifica o impacto desse desgaste ao apontar que a personalização gera experiências negativas para 53% dos clientes, o que aumenta a probabilidade de arrependimento após a aquisição e reduz em 44% a chance de uma nova compra. Evitar esse tipo de resultado exige modelos preditivos sustentados por dados confiáveis e por uma governança rigorosa desde a origem.

 

Eficiência operacional sem invasão 

A eficiência consiste em organizar as escolhas e simplificar a jornada do cliente por meio de autorizações explícitas e preferências declaradas, sem monitoramento excessivo. Quando a inteligência artificial é integrada a esses fluxos, decisões complexas passam a ser processadas em alta velocidade e escala. Isso exige uma integração consistente entre os sistemas, para que plataformas de vendas, bancos de dados e ferramentas de análise apliquem as mesmas regras de acesso e de tratamento de informações, evitando que permissões isoladas provoquem quebras de confiança e riscos regulatórios. 

O sinal de alerta acende quando a abordagem deixa de fazer sentido para quem compra. Ofertas desalinhadas, dados desatualizados, informações contraditórias entre os canais e o uso de registros sem autorização prévia mostram que a confiança do cliente foi comprometida. O investimento só se traduz em valor quando a entrega é relevante, coerente e transparente em cada ponto de contato. 

A governança de dados transformou essa gestão em uma responsabilidade estratégica que envolve toda a liderança corporativa, incluindo as áreas de tecnologia, jurídica e de segurança. O descumprimento das diretrizes pode resultar em sanções administrativas severas, com multas de até 2% do faturamento empresarial, limitadas a R$ 50 milhões por infração. Na prática, a estrutura de personalização precisa respeitar a autonomia do usuário para gerenciar, aceitar ou rejeitar preferências com facilidade, permitindo que a tecnologia seja aplicada com segurança jurídica, previsibilidade e transparência. 

A velocidade para customizar ofertas perde o sentido prático se as bases de dados continuarem fragmentadas. O varejo realiza testes em larga escala nessa área, mas a adoção efetiva depende de consolidar a jornada de compra e as permissões do cliente em um único ecossistema. Quando essas bases permanecem isoladas, a inteligência artificial processa informações sem contexto real, o que amplia o risco de exposição de dados dos consumidores, compromete a governança e gera decisões automatizadas difíceis de auditar.

 

Conversão depende de confiança 

A inteligência artificial gera impacto financeiro mensurável quando aplicada com precisão e sustentada por dados confiáveis, governança e clareza na relação com o consumidor. A McKinsey estima que a inteligência artificial generativa pode destravar entre US$ 240 bilhões e US$ 390 bilhões em valor econômico para o varejo global. A consultoria também relata que, em cenários práticos com chatbots generativos, um aumento de 2% a 4% no valor da cesta de compras já pode compensar os custos de uso dos modelos, enquanto testes controlados apontam uma redução de 50% a 70% no tempo necessário para concluir um pedido. 

Esses retornos não vêm da insistência e do monitoramento excessivo, mas da redução do esforço exigido do consumidor. A conversão cresce quando a tecnologia resolve dúvidas, localiza produtos com precisão e simplifica a compra. Experiências invasivas, repetitivas ou baseadas em dados, utilizadas sem transparência, comprometem a confiança e reduzem o potencial de conversão. 

Para o varejo, o diferencial competitivo passa pela personalização de precisão, apoiada em informações que o consumidor decide compartilhar voluntariamente em troca de valor real. O efeito se intensifica com a transição de modelos generativos de apoio para agentes autônomos de IA, elevando substancialmente as exigências técnicas e operacionais das empresas. 

Diferentemente dos modelos generativos tradicionais que apenas apoiam a tomada de decisão humana, os sistemas autônomos executam ações diretamente na operação. Essa transição exige bases integradas, regras de negócio rigorosas e rastreabilidade contínua. O amadurecimento do setor não virá da simples adoção de ferramentas mais rápidas, mas da capacidade de desenhar estruturas em que a privacidade seja a regra, não a exceção. A tecnologia mais avançada só será efetivamente inteligente se também for transparente.


Rodrigo Costa - CTO e Head de Digital Business da Kron Digital


Fila para primeiro visto americano passa de 4 meses em São Paulo às vésperas da alta temporada de viagens ao exterior

Levantamento da Mundo dos Vistos mostra queda de 37,9% nas emissões de vistos B1/B2 para brasileiros no primeiro bimestre de 2026. O motivo não é aumento de recusa, mas um gargalo na agenda consular que penaliza de forma desigual quem mora em cada região do país


Entre janeiro e fevereiro de 2026, o governo americano emitiu 98.199 vistos B1/B2 (turismo e negócios) para brasileiros, uma queda de 37,9% frente ao mesmo período de 2025, quando foram 158.114. À primeira vista, o número sugere que o brasileiro perdeu interesse em viajar para os Estados Unidos ou que os consulados endureceram a análise dos pedidos. Um levantamento da Mundo dos Vistos, feito a partir de dados oficiais do governo americano e do monitoramento diário da agenda de agendamento consular, mostra que nenhuma das duas hipóteses se sustenta. A explicação é mais concreta e mais urgente para quem pretende viajar no fim do ano: faltou vaga de entrevista, não faltou aprovação.


O motivo da queda não está na análise do pedido, está na agenda

O primeiro indício de que a retração não é sobre rigor consular está na própria taxa de recusa. No ano fiscal de 2025, a taxa ajustada de negativa para vistos da categoria B entre brasileiros foi de 14,87%, praticamente estável frente aos 15,48% de 2024 e bem abaixo dos 23,16% de 2020. Se os EUA estivessem barrando mais brasileiros, esse número teria subido junto com a queda nas emissões. Não subiu.

“É importante não interpretar essa retração, isoladamente, como perda de interesse dos brasileiros ou como aumento do rigor consular. O número de vistos emitidos também é influenciado pela disponibilidade de entrevistas, capacidade operacional dos consulados, sazonalidade e tempo de processamento”, explica o CEO da Mundo dos Vistos. Na prática, isso significa que menos vistos foram emitidos porque menos entrevistas foram realizadas, e não porque mais pedidos foram negados.


A prova está em quem não depende de entrevista marcada com pressa

Essa leitura ganha mais força quando se olha para as categorias de visto que não dependem de uma decisão de viagem repentina, e sim de um planejamento que já estava em curso havia meses, como estudo no exterior ou transferência entre empresas do mesmo grupo. Enquanto o volume geral de B1/B2 caiu quase 38% no bimestre, o visto de estudante F1 recuou apenas 8,9% (de 459 para 418 emissões), e o L1, usado em transferências corporativas, teve queda de 14,6%, menos da metade da retração do turismo e negócios. Os dados do H1B (queda de 36,5%) e dos vistos de intercâmbio J (queda de 26,5%) ficaram mais próximos do movimento geral, mas ainda assim abaixo do tombo do B1/B2.

“De maneira geral, nossa leitura é que o mercado começou 2026 em ritmo inferior ao de 2025, mas a retração não ocorreu de maneira uniforme. Turismo e negócios apresentaram uma redução mais acentuada, enquanto os vistos de estudante e de transferência empresarial demonstraram maior estabilidade”, afirma o CEO. Em outras palavras: quem já tinha um processo em andamento sentiu menos o gargalo. Quem depende de conseguir uma vaga nova na agenda, o perfil típico do turista de fim de ano, é quem mais sente o impacto.


E o tamanho do gargalo depende de qual cidade o solicitante mora

É nesse ponto que o levantamento revela o dado mais prático para quem ainda não tem visto: o gargalo de agenda não é igual em todo o país. No retrato de 28 de agosto de 2026, a primeira data disponível para entrevista de primeiro visto varia até 133 dias entre os consulados analisados, como mostra a tabela abaixo. Já os casos elegíveis ao MPP, que dispensam entrevista, têm vaga praticamente imediata em todas as cidades, o que reforça que o problema não é a análise do visto, é a fila para ser ouvido por um oficial consular. 

Cidade

Primeira data disponível (primeiro visto)

Renovação do visto

Recife

2 de setembro de 2026

27 de agosto de 2026

Rio de Janeiro

17 de setembro de 2026

27 de agosto de 2026

Brasília

8 de outubro de 2026

27 de agosto de 2026

Porto Alegre

28 de outubro de 2026

27 de agosto de 2026

São Paulo

13 de janeiro de 2027

28 de agosto de 2026

Essa diferença regional é o que transforma um dado estatístico em um risco real de calendário. Uma pessoa que mora em São Paulo e decide solicitar o visto pensando na viagem de fim de ano pode simplesmente não conseguir entrevista a tempo, enquanto a mesma pessoa, se avaliar a possibilidade de ser atendida no Recife ou no Rio de Janeiro, ainda tem margem.


Por isso, a antecedência importa mais do que nunca

É essa combinação, o gargalo de agenda desigual somado à proximidade da alta temporada de viagens de fim de ano, que sustenta a recomendação da Mundo dos Vistos: quem ainda não iniciou o processo deve fazê-lo com pelo menos seis meses de antecedência, evitar comprar passagens e hospedagens não reembolsáveis antes da emissão do visto, e considerar avaliar a entrevista em um consulado com fila menor.

“Essas datas são dinâmicas e podem mudar diariamente, inclusive com a abertura de vagas antecipadas por cancelamentos ou ajustes operacionais”, pontua o CEO. Por isso, a Mundo dos Vistos mantém uma equipe dedicada a monitorar a agenda oficial ao longo do dia e da noite, em busca de vagas liberadas por desistências, sem, no entanto, garantir a antecipação, já que toda abertura depende exclusivamente do sistema consular. “Mesmo com uma entrevista marcada antes da viagem, ainda existe o prazo de análise e emissão do documento após o encontro consular, e alguns pedidos passam por processamento administrativo, cujo prazo não é previsível”, completa. “Nesse cenário, torna-se ainda mais importante orientar corretamente o solicitante, avaliar o perfil individual e preparar uma solicitação consistente, sem criar expectativas irreais de aprovação.”


Onda de recuperações judiciais acende alerta

O Brasil atravessa um momento que exige atenção. Grandes empresas recorrem à recuperação judicial ou extrajudicial, o crédito está mais caro e seletivo, empresários encontram dificuldades crescentes para financiar suas operações e uma parcela da população reduz o consumo porque já não consegue assumir novas prestações. O problema, portanto, deixou de ser apenas empresarial. Ele começa a atingir toda a cadeia econômica. 

O recente pedido de recuperação judicial das Casas Bahia é um exemplo emblemático. A companhia chegou à Justiça com aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas à recuperação judicial, enquanto seu endividamento total se aproxima de R$ 28 bilhões. O grupo também anunciou o fechamento de centenas de lojas e a redução de sua estrutura. Mas o número mais importante talvez não esteja no balanço da companhia: está na quantidade de empresas que dependem dela. 

Uma grande rede varejista não compra apenas produtos. Ela movimenta fabricantes, distribuidores, transportadoras, empresas de tecnologia, prestadores de serviços, proprietários de imóveis e milhares de trabalhadores. Quando uma companhia desse porte deixa de pagar ou precisa alongar seus compromissos, o fornecedor muitas vezes passa a financiar involuntariamente a crise. Entregou a mercadoria, pagou empregados, comprou matéria-prima e cumpriu suas obrigações, mas não recebeu no prazo. Sem caixa ou acesso a crédito, sua própria sobrevivência passa a ser ameaçada. 

Esse efeito dominó explica por que grandes recuperações judiciais precisam ser analisadas para além da empresa que está no processo. O Grupo Gennius, controlador de marcas como Habib's e Ragazzo, ingressou em recuperação judicial com dívida superior a R$ 265 milhões. O Grupo Toky, que reúne Tok&Stok e Mobly, enfrenta dívidas superiores a R$ 1 bilhão. A Marabraz recorreu à recuperação judicial com passivo estimado em aproximadamente R$ 140 milhões. Na indústria petroquímica, a Braskem iniciou uma recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas. Em outro setor, a Oi voltou a enfrentar uma situação extrema depois de processos de recuperação que envolveram dezenas de bilhões de reais.

 Não é possível afirmar que todas essas empresas tenham chegado a essa situação pelas mesmas razões. Há problemas de gestão, decisões empresariais equivocadas, excesso de endividamento, mudanças tecnológicas e transformações no comportamento do consumidor. Também não se pode ignorar, porém, o ambiente financeiro em que essas companhias estão operando: juros elevados, crédito mais caro, maior seletividade dos bancos e consumidores com menor capacidade de assumir novas dívidas. 

A taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, não é apenas uma referência utilizada pelo mercado financeiro. Ela chega à economia real. Para uma empresa, significa pagar mais caro pelo capital de giro, pelo financiamento de estoques, pela antecipação de recebíveis e por novos investimentos. Para o consumidor, representa prestações maiores e menor capacidade de compra. 

Esse talvez seja um dos pontos centrais da questão. Para uma família de maior renda, juros elevados podem significar apenas adiar a compra de determinado produto. Para uma família de menor renda, podem significar simplesmente não comprar. Uma geladeira, um fogão, um móvel ou uma televisão muitas vezes só cabem no orçamento porque podem ser parcelados. Quando o crédito deixa de ser acessível, a demanda diminui. 

Quando o consumidor compra menos, o varejista vende menos. Vendendo menos, reduz os pedidos à indústria. A indústria reduz a produção e suas compras de fornecedores. A transportadora recebe menos pedidos, o prestador de serviços perde contratos e o trabalhador sente os efeitos na renda e no emprego. A crise, que começou como financeira, transforma-se em econômica. 

Os números mostram que o problema não está restrito às grandes companhias. Segundo o Monitor RGF-Bizdoc, havia 6.341 empresas em recuperação judicial ao final de junho de 2026, o maior nível da série iniciada em 2023. O dado merece atenção porque as dificuldades também atingem empresas menores, que possuem menos capital para absorver uma queda de faturamento ou um atraso relevante de seus clientes. 

É importante reconhecer que recuperação judicial não deve servir para proteger empresas inviáveis ou transferir indefinidamente seus prejuízos para fornecedores, bancos e trabalhadores. E sim para preservar uma empresa viável para evitar que sua quebra destrua valor em toda a cadeia. Para um fornecedor, muitas vezes é melhor receber uma dívida de forma parcelada do que não receber nada. Para um banco, pode ser melhor renegociar um crédito do que executar uma empresa e descobrir que seus ativos valem menos do que a dívida. Para o trabalhador, preservar o emprego pode ser muito mais importante do que receber uma indenização depois do encerramento das atividades. 

O que precisa ser evitado é que uma recuperação judicial gere outra, que gere outra, criando uma cadeia de empresas enfraquecidas pela falta de pagamento, pelo crédito caro e pela redução do consumo. 

O Brasil precisa de estabilidade monetária e controle da inflação, mas também precisa de crédito para produzir, investir e consumir. 

 As grandes recuperações judiciais são, portanto, mais do que processos empresariais. São sinais de que a engrenagem econômica pode estar perdendo velocidade. Uma empresa que deixa de investir hoje não recupera automaticamente esse investimento amanhã. Um fornecedor que quebra não recupera seus clientes imediatamente. Um trabalhador que perde o emprego não recompõe sua renda de um dia para o outro. E uma família que deixa de consumir reduz a receita de toda uma cadeia produtiva. 

O debate precisa ir além da pergunta sobre qual será a próxima grande empresa a entrar em recuperação judicial. A pergunta mais importante é outra: quantas empresas ainda saudáveis estão deixando de investir, contratar e crescer por que o crédito ficou caro demais e o consumidor perdeu capacidade de compra?

Porque a crise financeira de uma empresa nunca fica inteiramente dentro dela. Ela percorre fornecedores, chega aos trabalhadores, reduz o consumo, afeta a indústria e termina atingindo toda a economia. Quando trabalhadores perdem, empresários perdem e a economia retrai, todos pagam a conta.

 

João Alberto Graça - advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná indicado pela FETRANSPAR, especialista em Direito Tributário pelo IBET/SP, doutorando em Direito Tributário Internacional pela Universidad Castilla La Mancha em Toledo - Espanha, especialista em Direito dos Negócios Internacionais pela UFSC/SC e pela Universidad Complutense de Madrid - Espanha



Carreiras não lineares: o mercado mudou ou mudaram as competências que geram valor?


Por muito tempo, construir uma carreira de sucesso significava seguir um caminho relativamente previsível: estudar, ingressar em uma empresa, crescer gradativamente na hierarquia e, ao final da trajetória, aposentar-se após décadas de dedicação à mesma organização ou ao mesmo setor. Hoje, por mais que esse modelo não esteja errado, deixou de ser a única alternativa para a progressão profissional. 

O ambiente de negócios se torna cada vez mais complexo, especialmente em decorrência dos impactos dos avanços tecnológicos, que transformaram, praticamente, todas as profissões e os desafios que as organizações enfrentam diariamente. O relatório “Future of Jobs 2025”, do Fórum Econômico Mundial, comprova este cenário: segundo seus dados, 59% da força de trabalho mundial precisará passar por requalificação ou aprimoramento de competências até 2030. 

Nesse contexto, a discussão sobre carreiras lineares ou não lineares ganha espaço. Mas, ao invés de questionarmos qual caminho tende a ser mais benéfico, a pergunta central deveria ser: quais competências tornam um profissional relevante em um mundo de mudanças constantes? 

Dentre as respostas essenciais para esse ponto, o conhecimento continua sendo extremamente importante, mas já não é suficiente. Isso porque, durante décadas, as empresas buscavam profissionais que já tivessem enfrentado um determinado desafio, partindo de um raciocínio simples: quem já fez, tende a repetir o sucesso. Hoje, boa parte dos desafios corporativos não possui precedentes. 

Usando o caso da inteligência artificial, como exemplo: qual a melhor forma de incorporá-la aos processos de negócio? Em relação às diferentes gerações trabalhando juntas nos ambientes corporativos, como liderar equipes diversas nesse sentido, mantendo a satisfação e produtividade de todos? Pensando nos constantes avanços tecnológicos, como as empresas podem acelerar uma transformação digital, sem perder eficiência operacional? E, considerando todos esses fatores juntos, como podem desenvolver novos modelos de negócio diante de mudanças tão rápidas? 

Não existe um manual para todas essas perguntas, muito menos uma regra que poderia ser seguida por todas as organizações. Por isso, muitas empresas passaram a valorizar não apenas a experiência acumulada, mas a capacidade de aprender, adaptar-se e construir soluções em ambientes de incerteza – fazendo com que o diferencial competitivo deixasse de ser apenas "o que o profissional sabe", e passasse a incluir "a velocidade com que ele consegue aprender algo novo e transformar esse conhecimento em resultado". 

A adaptabilidade também se tornou um ativo estratégico do mercado atual. Por mais que a experiência anterior continue sendo importante, competências como aprendizagem contínua, pensamento crítico, influência, inteligência emocional, resiliência e leitura de contexto passaram a exercer um papel decisivo, de forma que tenham times capazes de navegar diante de cenários imprevisíveis, que não possuem um caminho claramente definido. Unir profundidade técnica com visão ampla de negócios é o que tende a ser cada vez mais valorizado. 

Neste cenário, profissionais que atuaram em diferentes setores, lideraram projetos distintos, viveram culturas organizacionais variadas ou assumiram desafios fora da zona de conforto, costumam desenvolver um repertório mais amplo para resolver problemas complexos. Não porque mudaram mais de empresa, mas porque aprenderam a se adaptar a novos contextos – o que facilita a compreensão do porquê trajetórias diversas passaram a ser mais valorizadas. 

Essa transformação também altera a forma como enxergamos a liderança. Enquanto, no passado, esperava-se que o líder tivesse as respostas prontas para todas as ocasiões, hoje, é desejado que tenha a capacidade de desenvolver pessoas que encontrem respostas para problemas que ainda nem existem. Isso, na prática, exige criar ambientes de aprendizagem contínua, incentivar a experimentação responsável, promover a colaboração entre áreas e estimular a autonomia. Mais do que gerir equipes, liderar passa a significar desenvolver a capacidade adaptativa da organização. 

Nesse cenário, o RH assume um papel ainda mais estratégico. Sua responsabilidade vai além de preencher vagas ou estruturar programas de treinamento, devendo criar mecanismos que acelerem o desenvolvimento organizacional por meio de mobilidade interna, job rotation, projetos multidisciplinares, mentorias, comunidades de prática e iniciativas que ampliem a troca de conhecimento entre diferentes áreas. 

No fim, o mercado não recompensa quem muda mais de empresa, nem quem permanece mais tempo em uma única organização. Da mesma forma que profissionais que permanecem muitos anos em uma organização continuam construindo trajetórias extraordinárias quando mantêm curiosidade, ampliam responsabilidades e seguem aprendendo; carreiras não lineares podem gerar vantagem competitiva quando cada mudança representa evolução, desenvolvimento e ampliação de repertório. 

Em um mundo marcado pela transformação tecnológica e pela imprevisibilidade dos negócios, talvez a principal competência profissional não seja dominar todas as respostas, mas a capacidade de aprender continuamente, adaptar-se rapidamente e liderar com confiança, mesmo quando o caminho ainda está sendo construído. 

  

Thiago Xavier - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

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