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sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Intoxicação por metanol: entenda os riscos, sintomas e saiba o que fazer em casos de emergênci


Responsável por casos graves que já causaram vítimas fatais, o metanol é incolor e tem sabor praticamente indistinguível na bebida alcoólica

 

Com o recente aumento no número de casos graves de intoxicação por metanol no Brasil que já resultaram em óbitos, é fundamental que a população compreenda os graves riscos associados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. O metanol, ou álcool metílico, é uma substância industrial que, quando misturada de forma ilegal a destilados como vodca, gim ou uísque e também em cerveja e vinho, pode ter consequências devastadoras para a saúde, incluindo cegueira e morte.

 

A Dra. Juliana Sartorelo, especialista em Urgência e Emergência e Toxicologia e conteudista da Afya, explica que o metanol é um veneno potente. "Uma vez ingerido, o organismo o metaboliza em ácido fórmico, que é a substância responsável pela sua toxicidade devastadora no corpo. Isso causa uma acidose metabólica grave, que é o desequilíbrio do pH no sangue, afetando órgãos vitais e podendo levar à falência renal e lesões cerebrais."

 

O grande perigo da intoxicação por metanol reside no fato de que ele é incolor e o sabor é praticamente indistinguível do etanol (o álcool comum de bebida), tornando-o imperceptível. Além disso, os sintomas iniciais são facilmente confundidos com uma simples ressaca ou embriaguez comum, como náuseas, vômitos e dor de cabeça.

 

Os sinais mais alarmantes tendem a surgir de forma tardia, geralmente entre 12 a 24 horas após a ingestão. É crucial estar atento a sintomas mais intensos e persistentes, principalmente as alterações visuais. A Dra.Sartorelo faz um alerta: "O acometimento do nervo óptico é uma das marcas da intoxicação por metanol, podendo resultar em cegueira irreversível. Dor abdominal intensa, confusão mental e visão turva, ou até mesmo perda de visão, são sinais de que o corpo está sob ataque e exigem atenção imediata."

 

Diante da suspeita de intoxicação, a ação deve ser imediata. A toxicologista reforça que o tempo é essencial: "É fundamental que, em caso de sintomas neurológicos ou persistência de mal-estar intenso após o consumo de álcool, o paciente procure a emergência imediatamente. A rapidez do diagnóstico e do tratamento é vital para evitar sequelas permanentes."

 

A Dra. Sartorelo enfatiza que não se deve tentar qualquer "tratamento caseiro". O tratamento é complexo e deve ser feito exclusivamente em ambiente hospitalar, com o uso de antídotos específicos, como o etanol farmacêutico intravenoso, e, em casos graves, pode ser necessária a hemodiálise para remover a toxina do sangue. Ao chegar ao pronto-socorro, é vital informar a equipe médica qual bebida foi consumida, e se possível, levar a embalagem para análise.

 

A principal medida de prevenção é garantir que as bebidas sejam de origem confiável. O consumidor deve desconfiar de preços muito baixos e deve sempre verificar a integridade da embalagem. Rótulos mal impressos, rasurados ou ausência de selos e lacres violados são fortes indicativos de falsificação. Comprar apenas em estabelecimentos fiscalizados e autorizados é a maneira mais eficaz de se proteger.

 



Afya
http://www.afya.com.br
ir.afya.com.br


Drogarias Pacheco e São Paulo se tornam as primeiras redes de farmácias a terem pontos de coleta de medicamentos vencidos ou em desuso em 100% das unidades

Os resíduos são coletados por uma empresa homologada do sistema de logística reversa de medicamentos e encaminhados para a destinação final adequada 

 

As Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, do Grupo DPSP, se tornaram as primeiras redes de farmácia a disponibilizarem pontos de coleta para medicamentos vencidos ou em desuso em todas as suas 1.650 unidades.

A medida é prevista por lei, mas o pioneirismo faz parte da estratégia do SER+ em cuidar do meio ambiente com uma gestão de resíduos “Cuidar do meio ambiente é uma prioridade para o Grupo DPSP e uma responsabilidade de todos. Há 03 anos criamos nossa estratégia ESG e estamos continuamente evoluindo para contribuir na redução de impactos. Por isso, fomos além do que pede a lei e implantamos o sistema de logística reversa em 100% de nossas unidades”, celebra o CEO do Grupo DPSP, Marcos Colares.

O descarte indevido de medicamentos pela população em vasos sanitários, nas pias ou como resíduos comuns, pode ocasionar a contaminação da água, resultando em afetações na flora e fauna marinha. Há também um risco de contaminação para a saúde humana, considerando as condições de tratamento e reutilização da água de cada município.

Estima-se que 1 kg de medicamentos descartados de forma irregular pode contaminar até 450 mil litros de água. Além disso, ao serem descartados irregularmente como resíduo comum doméstico, tem-se o risco de contaminação do solo e de pessoas que poderão ter contato com as substâncias. “Procure a unidade das Drogarias Pacheco ou São Paulo mais perto de você e contribua também com a saúde do planeta descartando seus medicamentos e embalagens no local correto”, convida Colares.

Até junho de 2025, mais de 74,2 toneladas de medicamentos vencidos ou em desuso foram coletados no ano nas unidades das Drogarias Pacheco e São Paulo.

O que você pode descartar nos pontos de coleta?

Comprimidos e cartelas que estejam vencidos ou que não tenham mais funcionalidade;

Bulas e caixas que não tenham estado em contato com o medicamento, podem ser descartados nas farmácias ou como resíduos recicláveis;

O que não pode ser descartado nos pontos de coleta?

Seringas, agulhas e canetas de insulina. Esses materiais devem ser envoltos por uma caixa de papelão e podem ser descartados na Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua residência.

 

Grupo DPSP


Inscrições para residência médica e áreas de atuação em pediatria do Pequeno Príncipe vão até 20 de outubro

As provas serão aplicadas presencialmente, em Curitiba (PR), no dia 9 de novembro

 

Crédito: Wynitow Butenas

O Hospital Pequeno Príncipe está com inscrições abertas, até 20 de outubro, para o processo seletivo dos programas de residência médica e áreas de atuação em pediatria, bem como da Residência em Medicina de Família e Comunidade. A prova objetiva será realizada no dia 9 de novembro. Os processos seletivos são desenvolvidos em parceria com a Faculdades Pequeno Príncipe.

Entre os programas de residência, cujo tempo de duração varia de um ano a três anos, estão pediatria, cirurgia pediátrica, oncologia pediátrica, ortopedia e traumatologia, psiquiatria da infância e adolescência e medicina de família e comunidade. 

Já entre os programas de residência para áreas de atuação em pediatria, com dois anos de duração, estão as especialidades de cardiologia, gastroenterologia pediátrica, medicina intensiva pediátrica, nefrologia pediátrica, neonatologia, neurologia pediátrica, nutrologia, pneumologia e reumatologia pediátrica.
 

Referência na formação de especialistas

53 anos, o Pequeno Príncipe é reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) como instituição formadora em residências médicas. Desde a década de 1930, a instituição recebe estudantes de Medicina; à época, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal. 

“A história da pediatria do Paraná está presente na história do Complexo Pequeno Príncipe. Considerado um Hospital especializado, oferece programas em 15 áreas distintas, com destaque para a pediatria, um dos mais procurados do Brasil, além de especialidades cirúrgicas como ortopedia e cirurgia pediátrica. A excelência do ensino atrai médicos de todo o país e também do exterior. São mais de cem anos no ensino da medicina da criança e do adolescente”, reforça o médico pediatra e diretor de Ensino e Bioética do Hospital Pequeno Príncipe, Donizetti Dimer Giamberardino Filho. 

Em 2024, foram ofertados 15 programas de residência e 11 programas de especialização, que juntos capacitaram 146 profissionais médicos em pediatria. Já pelos programas de estágio passaram 1.080 estudantes de medicina. 

Para acessar os editais na íntegra e as páginas de inscrição, clique nos links abaixo.

Residência médica e áreas de atuação em pediatria

Residência em Medicina de Família e Comunidade

Cursos de especialidades

 

Fique atento!

As inscrições para a especialização em Saúde da Criança e Adolescente com Área de Ênfase em Ortopedia Pediátrica, Cirurgia da Mão Pediátrica e Cirurgia da Coluna Vertebral, e para os cursos de especialização em Saúde da Criança e do Adolescente, começam no dia 15 de setembro e vão até o dia 2 de fevereiro de 2026. Há vagas para anestesiologia, cirurgia cardíaca pediátrica I e II, cirurgia geniturinária, transplante renal e videoendourologia, radiologia pediátrica, otorrinolaringologia pediátrica, transplante de medula óssea pediátrico, emergência pediátrica, oftalmologia pediátrica, eletrofisiologia e transplante hepático pediátrico.

 

Sobre o Pequeno Príncipe

Com sede em Curitiba (PR), o Hospital Pequeno Príncipe é o maior e mais completo hospital pediátrico do Brasil. Há mais de cem anos, a instituição filantrópica e sem fins lucrativos oferece assistência hospitalar humanizada e de alta qualidade a crianças e adolescentes de todo o país. Referência nacional em tratamentos de média e alta complexidade, realiza transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea, além de atuar em 47 especialidades e áreas de assistência em pediatria, com equipes multiprofissionais. 

Com 369 leitos, sendo 76 de UTI, o Hospital promove 74% dos atendimentos via Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, realizou 259 mil atendimentos ambulatoriais, 20 mil procedimentos cirúrgicos e 293 transplantes. Reconhecido como hospital de ensino desde a década de 1970, já formou mais de dois mil especialistas em diferentes áreas da pediatria. 

Junto com a Faculdades Pequeno Príncipe e com o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, compõe o Complexo Pequeno Príncipe. Essa atuação em assistência, ensino e pesquisa — conforme o conceito Children’s Hospital, adotado por grandes centros pediátricos do mundo — tem transformado milhares de vidas anualmente, garantindo-lhe reconhecimento internacional. 

Em 2024, o Pequeno Príncipe foi listado como um dos 80 melhores hospitais do mundo no ranking elaborado pela revista norte-americana Newsweek, o que o colocou, pelo quarto ano consecutivo, como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina. Neste ano, foi reconhecido como Hospital de Excelência pelo Ministério da Saúde por meio de certificação concedida a instituições que cumprem critérios técnicos rigorosos na assistência.


MULHER 50+

Câncer de mama: atenção redobrada depois dos 50 anos

 

Chegar perto da menopausa é viver uma fase de mudanças intensas. O corpo dá sinais claros: a menstruação vai ficando irregular até parar de vez, o calor forte e repentino aparece em horas inesperadas, o sono pode ser afetado com noites de insônia e até a memória parece falhar em alguns momentos. Tudo isso já seria suficiente para desafiar qualquer mulher. Mas há um alerta que não pode ser ignorado: o risco de câncer de mama aumenta a partir dessa fase da vida. 

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo mais comum da doença entre mulheres no Brasil. Ele surge da multiplicação desordenada de células anormais que formam um tumor, capaz de se espalhar para outros órgãos. A boa notícia é que, quando descoberto cedo, o tratamento costuma ter ótimos resultados. Por isso, informação e prevenção são essenciais. 

Alguns fatores aumentam o risco e merecem atenção: primeira menstruação muito cedo (antes dos 12 anos), não ter engravidado ou ter a primeira gestação depois dos 30, e chegar à menopausa mais tarde, após os 55 anos. O estilo de vida também pesa: obesidade, má alimentação, sedentarismo e tabagismo são inimigos não só da saúde das mamas, mas também do coração. Quem chegou aos 50 anos sem uma rotina saudável deve estar ciente de que agora não dá mais para adiar. Tem de se cuidar mais, rever hábitos e colocar o corpo em movimento. 

Além dos exames anuais, como a mamografia, o ultrassom e a tomossíntese, alguns sinais podem ser percebidos no dia a dia e servir de alerta:

  • nódulo na mama que não desaparece, endurecido ou que cresce com o tempo;
  • saída espontânea de líquido pelo mamilo;
  • alterações na pele da mama que não melhoram com pomadas;
  • mudança no formato da mama ou do mamilo;
  • pele com aspecto de casca de laranja;
  • aparecimento de caroços no pescoço ou nas axilas.

O autoexame, muito lembrado no Outubro Rosa, continua sendo importante, mas não deve ser o único cuidado. O ideal é que cada mulher aprenda a observar o próprio corpo em sua rotina, seja no banho ou ao se trocar, e que não demore para procurar ajuda médica diante de qualquer alteração. 

Cuidar da saúde é um gesto de amor-próprio. Também é uma forma de inspirar filhas, netas, amigas e vizinhas a fazer o mesmo. O Outubro Rosa nos lembra, todos os anos, que prevenção salva vidas. Que tal aproveitar este mês para marcar seus exames e também incentivar outras mulheres a fazerem o mesmo?

  

Heloísa H. Paiva - jornalista, autora de “50+ Desperte para a Vida e Pare de Sofrer” e escreve mensalmente a Coluna Mulher 50+, trazendo reflexões sobre saúde, bem-estar e a vida plena depois dos 50. www.presspagina.com.br


10 perguntas que os pais mais fazem a pediatra – e as 5 respostas que mais aliviam a ansiedade


Quando um bebê chega à família, junto com todo o amor também surgem muitas inseguranças. No consultório pediátrico, algumas perguntas se repetem com frequência e conhecer as respostas pode trazer tranquilidade aos pais. A Dra. Mariana Bolonhezi, pediatra e CEO do Instituto Macabi, reuniu as dez dúvidas mais comuns que recebe no dia a dia: quando medicar a febre, se febre alta causa convulsão, se é preciso acordar o bebê para mamar, em quais situações realmente se deve ir ao pronto-socorro, se está tudo bem a criança não querer comer quando está doente, além de questões como o que fazer quando o bebê não evacua, se o choro diário no fim da tarde é normal, se pode dar o peito antes de três horas, se dormir no colo faz mal e como identificar se o recém-nascido está com frio ou calor.


Entre essas perguntas, algumas são mais urgentes e costumam deixar os pais ainda mais ansiosos. É o caso da febre, por exemplo. Segundo a pediatra, não existe um número fixo no termômetro que determina o uso do medicamento: “Eu costumo orientar que não medicamos o termômetro, mas sim a criança. Se ela está indisposta, com dor ou abatida, pode ser interessante medicar, mesmo que a febre não esteja tão alta. Por outro lado, se a criança está brincando, se alimentando bem e ativa, mesmo com 38°C, muitas vezes não há necessidade imediata de remédio”.


Outra preocupação frequente é se a febre de 40°C causa convulsão. De acordo com a especialista, não é a temperatura em si que provoca a convulsão febril, mas a velocidade com que a febre sobe. “Algumas crianças têm limiar mais baixo e podem convulsionar até com 37,8°C. Por isso, o mais importante é observar o quadro geral e conversar com o pediatra sobre a melhor conduta”.


A amamentação também gera muitas dúvidas, especialmente nos primeiros dias de vida. Precisa acordar o bebê para mamar? A resposta é: depende. “O bebê passou nove meses recebendo nutrientes sem sentir fome. Ele não sabe pedir, então pode ser necessário acordá-lo para evitar hipoglicemia e também para estimular a amamentação, que é um aprendizado para mãe e filho. Depois que a amamentação está estabelecida, durante o dia pode ser útil acordar para manter o ritmo, mas à noite vale seguir a livre demanda. Se ele acordar, mama; se não acordar, tudo bem deixar dormir”.


Outra questão que leva muitos pais ao consultório é quando realmente é preciso procurar o pronto-socorro. A febre isolada, mesmo alta, não é motivo de corrida ao hospital. O que demanda atenção imediata são situações como dificuldade para respirar, vômitos persistentes que impedem a ingestão de líquidos, convulsão, desmaio ou acidentes com repercussão importante. Para os demais casos, o ideal é manter contato com o pediatra e marcar uma avaliação em consultório.


Por fim, há a dúvida se está tudo bem a criança não querer comer quando está doente. A resposta é sim. Assim como os adultos, os pequenos também podem perder o apetite em quadros virais. O mais importante é garantir a hidratação e oferecer líquidos; o apetite volta naturalmente conforme a melhora clínica.


Essas cinco respostas são as que mais aliviam a ansiedade das famílias, mas as demais dúvidas listadas também são extremamente comuns no dia a dia. “Não existe manual pronto para criar um filho, cada criança é única e cada família tem sua dinâmica. Por isso, a relação próxima e de confiança com o pediatra faz toda a diferença nesse processo”, conclui a Dra. Mariana.

 

Sedentarismo no trabalho é comparado ao hábito de fumar

A rotina de ficar horas no escritório podem aumentar os riscos à saúde, mas pequenas pausas ao longo do dia ajudam a prevenir danos e manter a disposição.

 

Durante décadas, fumar foi considerado um hábito socialmente aceito, até que a ciência comprovou seus efeitos devastadores sobre a saúde. Atualmente, os danos à saúde por permanecer longas horas sentado vem sendo comparado ao cigarro. O chamado “novo fumar” já preocupa especialistas em saúde ocupacional, que alertam para os riscos físicos e mentais do sedentarismo, cada vez mais presente após a consolidação do home office. 

Segundo um estudo publicado no Journal of Lifestyle Medicine, com a participação de mais de 400 trabalhadores de escritório que passavam, em média, 6,2 horas sentados por turno, as condições provocaram dores frequentes no pescoço, ombros e lombar, além de sinais de cansaço e redução do desempenho ao longo do dia. 

De acordo com Daniel Sandy, especialista em Ciência da Motricidade Humana e em Atividade Física Ocupacional, fundador da Pausa Ativa Ocupacional, o sedentarismo ocupacional, muitas vezes, é confundido apenas com a ausência de prática esportiva, mas também se manifesta nos longos períodos de inatividade diante do computador. Assim, ele afirma que a comparação com o cigarro não é exagero. 

“Nos anos 80, fumar era amplamente aceito, e só depois de muita conscientização os riscos foram reconhecidos. Atualmente, ocorre o mesmo com o comportamento sedentário. Não percebemos o quanto ele é prejudicial. Além dos danos físicos, ficar sentado por longos períodos gera impactos sociais e culturais, perpetuando ambientes de trabalho pouco saudáveis”, explica Sandy. 

Nesse cenário, as pausas ativas surgem como uma alternativa prática e acessível para combater os efeitos do sedentarismo. Por meio de intervalos curtos, de 5 a 10 minutos, dedicados a alongamentos, exercícios de respiração e movimentos simples é possível estimular a circulação sanguínea, reduzir tensões e aumentar o foco. 

De acordo com Sandy, os benefícios vão além da saúde física e podem, por exemplo, contribuir com a prevenção de doenças crônicas, estresse e auxiliar no aumento da produtividade. 

“As pausas ativas quebram o ciclo do sedentarismo, ativando músculos, oxigenando o cérebro e prevenindo doenças crônicas. Além disso, ajudam a aliviar o estresse, promovem disposição e podem reduzir o risco de burnout. É um recurso simples e eficaz, que pode ser incorporado à rotina corporativa sem comprometer a produtividade”, comenta Sandy. 

Para estimular essa prática saudável no ambiente de trabalho, a Pausa Ativa Ocupacional, desenvolveu um aplicativo e software, que envia notificações em horários estratégicos ao longo da jornada de trabalho, incentivando os colaboradores a realizarem pausas rápidas com alongamentos e movimentos guiados que reduzem o estresse, previnem dores musculoesqueléticas e contribuem para o aumento da produtividade. 

“Somos referência nacional com nosso software e gestão de pausas ativas in company, oferecemos soluções personalizadas para diferentes segmentos do mercado e transformamos a qualidade de vida no ambiente profissional”, diz Sandy.

  

Pausa Ativa Ocupacional 
Reconhecida por sua contribuição para a promoção da saúde no ambiente de trabalho, a Pausa Ativa Ocupacional é um movimento que convida empresas a repensarem a cultura do trabalho no Brasil. Com foco na implementação de pequenas e regulares pausas ativas durante o dia, a iniciativa ajuda empresas e colaboradores a prevenir doenças ocupacionais, reduzir o estresse e aumentar a produtividade. Hoje, é referência nacional no seu software e na gestão de pausas ativas, oferecendo soluções personalizadas para diferentes segmentos do mercado e transformando a qualidade de vida no ambiente profissional.


Dia Mundial da Menopausa destaca importância do cuidado e informação sobre a saúde feminina

Desafios, sintomas e tratamentos que marcam
uma nova fase na vida da mulher 
Freepik
Ginecologista Loreta Canivilo explica os desafios, sintomas e tratamentos que marcam uma nova fase na vida da mulher

  

O Dia Mundial da Menopausa, celebrado em 18 de outubro, é uma oportunidade para ampliar o debate sobre saúde feminina e destacar a importância da informação e do acompanhamento médico nesse período. A menopausa é uma etapa natural da vida de toda mulher que menstrua, marcada pela interrupção definitiva dos ciclos menstruais em função da redução da produção hormonal pelos ovários.

Antes da menopausa propriamente dita, há a chamada perimenopausa, fase de transição que pode durar de cinco a sete anos e trazer alterações significativas. “Nesse período, mudanças no ciclo menstrual, como menstruações mais curtas, mais longas ou até irregulares, são sinais de que o corpo está entrando em uma nova fase”, explica a ginecologista Loreta Canivilo.

De acordo com a especialista, a menopausa é oficialmente reconhecida quando a mulher permanece doze meses consecutivos sem menstruar, normalmente entre os 45 e 55 anos de idade. Porém, muito antes da última menstruação, sintomas já podem ser percebidos. “Fogachos (ondas de calor), suor noturno, ganho de peso, secura vaginal, alterações no sono e até variações de humor e episódios de ansiedade ou depressão fazem parte desse processo”, afirma Canivilo.

A médica reforça que, embora seja uma fase natural, a experiência da menopausa é diferente para cada mulher. “Não existe uma receita única. O tratamento deve ser individualizado, levando em conta sintomas, histórico de saúde e qualidade de vida da paciente”, destaca Loreta. Entre as alternativas, estão a terapia de reposição hormonal, indicada em casos específicos e abordagens não hormonais, como mudanças no estilo de vida, prática de atividade física, acompanhamento psicológico e estratégias para prevenção de doenças associadas, como osteoporose e doenças cardiovasculares.

Para a ginecologista, o mais importante é que a mulher não enfrente essa fase sozinha. “O tabu em torno da menopausa ainda faz muitas pacientes acreditarem que os sintomas são algo com que precisam conviver em silêncio. Mas informação e acompanhamento médico adequado fazem toda a diferença para atravessar esse período com saúde e bem-estar”, conclui Loreta Canivilo.

 

Dra. Loreta Canivilo - médica ginecologista, obstetra e gineco-endocrinologista Loreta Canivilo é especialista em reposição hormonal feminina, estética íntima feminina e no tratamento de doenças do útero e endométrio. A profissional possui diversas pós-graduações em instituições de referência, como o Hospital Sírio-Libanês, onde se especializou em Reprodução e Ginecologia Endócrina, e o Hospital Albert Einstein, onde estudou Medicina em Estado da Arte. Também é especialista em Nutrologia e Endocrinologia pela Faculdade Primum, referência em educação médica. Nas redes sociais, Loreta já acumula mais de 85 mil seguidores (@draloreta), oferecendo conteúdos explicativos sobre saúde da mulher, gestação, reposição hormonal e implantes. Além disso, é idealizadora de um projeto social, em parceria com o Instituto Primum — onde também ministra aulas —, que promove atendimento gratuito de saúde feminina para mulheres em situação de vulnerabilidade.



Pesquisas avançam no diagnóstico de Alzheimer por meio de exames de sangue

Dois estudos com participação de brasileiros apoiados pelo Serrapilheira apontam a proteína p-tau217 como potencial exame de sangue para doença; grupo quer levar testes ao SUS

 

Duas pesquisas recém-publicadas, com resultados promissores e participação de cientistas brasileiros apoiados pelo Instituto Serrapilheira, trouxeram novos avanços para o uso de exames de sangue para o diagnóstico do Alzheimer. Os estudos confirmam o desempenho da proteína p-tau217 como o principal biomarcador para distinguir, por meio desses exames, indivíduos saudáveis de pessoas com a doença. 

Atualmente, o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer é considerado um dos principais desafios de saúde pública no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 57 milhões de pessoas no mundo vivem com algum tipo de demência — destas, pelo menos 60% têm o diagnóstico de Alzheimer. No Brasil, o Relatório Nacional sobre Demência, de 2024, estima cerca de 1,8 milhão de pessoas com demência. A previsão é que o número pode triplicar até 2050. 

Diante do desafio, uma nova pesquisa, publicada na revista Molecular Psychiatry, avaliou biomarcadores em sangue e líquor por meio de exames em uma coorte de pacientes brasileiros atendidos em clínicas de memória, com destaque para populações de baixa escolaridade — grupo muitas vezes negligenciado em pesquisas internacionais. O estudo foi liderado por Wyllians Borelli e Eduardo Zimmer, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apoiados pelo Serrapilheira. 

Os resultados, obtidos em análises de 59 pacientes, apontaram o p-tau217 plasmático como o principal biomarcador em exames de sangue. Os testes foram comparados com o “padrão ouro”, o exame de líquor, e apresentaram alto nível de confiabilidade – acima de 90%, padrão recomendado pela OMS. 

No estudo, os cientistas identificaram ainda um recorte social relevante: a baixa escolaridade parece acentuar mais a doença, reforçando a hipótese de que fatores socioeconômicos e educacionais impactam no envelhecimento do cérebro. 

“Exames de sangue para a doença de Alzheimer podem trazer benefícios clínicos ao aumentar significativamente a precisão do diagnóstico, além de possibilitar a avaliação em quadros pré-demenciais, com mais antecedência na detecção da doença. E isso pode ser feito de forma mais acessível para a população, com custos muito menores do que exames mais tradicionais, como PET Scan e líquor”, explica Borelli, pesquisador de pós-doutorado da UFRGS e apoiado pelo Serrapilheira. 

Os resultados brasileiros foram reforçados em revisão internacional publicada em setembro no renomado periódico Lancet Neurology. A pesquisa analisou mais de 110 estudos sobre o tema com cerca de 30 mil pessoas, confirmando que o p-tau217 no sangue é o biomarcador mais promissor para identificar a doença de Alzheimer. Assinado por 23 pesquisadores, incluindo oito brasileiros, o estudo conta com Eduardo Zimmer e Wagner Brum, aluno de doutorado e membro do grupo de pesquisa de Zimmer na UFRGS, como coautores. 

Para os pesquisadores, as descobertas apontam para um futuro em que exames de sangue simples poderão auxiliar no diagnóstico precoce do Alzheimer, reduzindo desigualdades de acesso. “Realizamos a mais abrangente das meta-análises sobre os novos exames de sangue para a doença de Alzheimer. Entre os candidatos à prática clínica, o p-tau217 se destacou para identificar alterações cerebrais típicas da doença”, comenta Brum.
 

Resultados ajudam a aproximar oferta de exames de sangue para Alzheimer no SUS 

“Os resultados abrem caminho para que exames de ponta em neurociência cheguem ao SUS, democratizando o acesso ao diagnóstico precoce e transformando a vida de milhares de brasileiros”, afirma Zimmer. Atualmente, o pesquisador e sua equipe coordenam a Iniciativa Brasileira de Biomarcadores para Doenças Neurodegenerativas (IB-BioNeuro), que busca implementar exames de sangue específicos para demências como política pública no SUS. 

Dois estudos, realizados no laboratório ZimmerLab, financiado pelo Serrapilheira, terão investimento de cerca de R$ 20 milhões para iniciar testes em escala nacional ainda neste ano. Os recursos vêm do Ministério da Saúde, Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A previsão é apresentar os resultados em 24 meses. 

O diagnóstico por exame de sangue já é uma realidade na rede privada. Testes realizados no exterior, como o americano PrecivityAD2, são oferecidos no Brasil a um custo que pode chegar a R$ 3,6 mil. Embora apresentem alta precisão, seu preço elevado reforça a importância de desenvolver uma alternativa nacional e gratuita.

  

Instituto Serrapilheira

 

Setembro passou e nada mudou: o limbo regulatório da cannabis medicinal no Brasil


Na noite do último dia 30 de setembro, nos últimos minutos do prazo já estendido anteriormente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a União protocolaram novo pedido de prorrogação de 180 dias no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O objetivo é ganhar mais tempo para regulamentar o plantio de cânhamo industrial e de cannabis medicinal, conforme determinado no Incidente de Assunção de Competência (IAC 16). 

O histórico revela um padrão de adiamentos que contrasta com a urgência social da matéria. Em novembro de 2024, a Primeira Seção do STJ reconheceu a possibilidade de autorização sanitária para o cultivo, com finalidade exclusivamente medicinal e farmacêutica, e fixou prazo inicial de seis meses para a edição das normas. Esse prazo foi prorrogado, e a expectativa era de que setembro de 2025 representasse um ponto de virada. Não foi o que ocorreu. 

O argumento apresentado pelo Executivo e pela Anvisa apoia-se na complexidade técnica, na necessidade de participação social e em mudanças internas na gestão da Agência. O cronograma agora promete abertura de consulta pública até o fim de outubro, sistematização das contribuições até janeiro e edição da norma até março de 2026. 

Ainda que se reconheça a relevância de uma regulação participativa e tecnicamente sólida, a realidade é que cada adiamento amplia a insegurança jurídica e agrava a desigualdade no acesso a tratamentos. Pacientes continuam reféns de decisões judiciais individuais, associações sobrevivem em um limbo legal e famílias seguem arcando com altos custos de importação de produtos que poderiam ser produzidos localmente sob controle sanitário rigoroso. 

Em agosto de 2025, a Agência anunciou que levaria à votação uma proposta de alteração da Portaria SVS/MS nº 344/1998 para retirar a cannabis sativa L. com baixo teor de THC da Lista E de plantas proscritas, medida que alinharia o regramento nacional ao cenário científico atual. No entanto, a minuta foi retirada da pauta da Dicol na reunião de 13 de agosto de 2025, adiando novamente a decisão. Esse histórico de adiamentos revela um padrão de hesitação regulatória que prolonga a vigência de normas desatualizadas e posterga a criação de um ambiente jurídico mais adequado para pacientes, prescritores e empresas. 

O marco regulatório de cannabis, RDC 327/19 também reclama revisão pela Anvisa. A Consulta Pública nº 1.316/2025, que trata da atualização da norma, encerrou-se em junho e ainda segue sem conclusão: a Anvisa consolida contribuições e não pautou a matéria para deliberação da Diretoria Colegiada. É preciso lembrar que a própria norma previa sua revisão em até três anos — prazo que se esgotou em 2022. Ou seja, estamos com pelo menos três anos de atraso. O setor de farmácias de manipulação segue há seis anos proibido de atuar com cannabis, tema que responde por forte judicialização. 

Esse compasso de espera expõe pacientes, médicos e empresas a um vácuo regulatório que compromete previsibilidade, segurança jurídica e até o acesso a terapias. A morosidade da Agência contrasta com a velocidade de expansão do mercado e com a urgência dos que dependem de produtos à base de cannabis para tratamento. 

A demora não atinge apenas quem precisa da cannabis medicinal como recurso terapêutico, mas também impede o país de estruturar uma cadeia produtiva regulada, transparente e segura. O Brasil perde tempo enquanto outras nações avançam em políticas públicas que conciliam ciência, regulação e desenvolvimento econômico. 

Ao insistirem em mais uma prorrogação, a União e a Anvisa transmitem a mensagem de que o direito à saúde pode esperar, quando o tribunal já foi claro em sua decisão. O atraso prolonga um cenário de incerteza e posterga a construção de uma política pública consistente. A postergação administrativa, neste caso, não é apenas burocrática: ela tem consequências concretas sobre vidas e direitos fundamentais.

 

Claudia de Lucca Mano - advogada e consultora empresarial atuando desde 1999 na área de vigilância sanitária e assuntos


Pesquisa inédita sobre a Doença de Huntington no Brasil revela impactos sociais e financeiros da enfermidade

O desconhecimento e a falta de políticas públicas contribuem para atrasos no diagnóstico e acesso ao cuidado adequados para a condição que é rara, degenerativa e incapacitante


Pouco conhecida e sem políticas públicas específicas, a Doença de Huntington (DH) afeta os pacientes com barreiras no diagnóstico e no cuidado, aumentando a vulnerabilidade e a dependência financeira dos pacientes e de suas famílias, como revela a pesquisa inédita Mapeamento da Doença de Huntington no Brasil: Perfil das Pessoas com DH, Cuidadores e Familiares em Risco. O levantamento identificou que cerca de 30% da população com DH conta com algum auxílio do governo ou suporte da família para os custos gerados pela doença e dois a cada três pacientes (66,6%) afirmam desconhecer seus direitos previdenciários e sociais.

O objetivo do primeiro levantamento sobre a Doença de Huntington no país, realizado pela ABH - Associação Brasil Huntington com o apoio da farmacêutica Teva Brasil, foi avaliar as consequências da condição, observando como estigmas, atrasos no correto diagnóstico e cuidado agravam questões físicas e emocionais para as pessoas com a enfermidade e suas famílias, gerando grandes impactos financeiros e sociais.

A DH é rara, hereditária, progressiva e neurodegenerativa, com idade média de início entre 30 e 50 anos, gerando desafios como a incapacidade para o trabalho e elevados custos de saúde para pacientes e cuidadores, o que torna as políticas públicas e os programas assistenciais ainda mais importantes. Segundo a pesquisa, apenas 20% da amostra afirma ter acesso à aposentadoria por invalidez apesar de se tratar de uma condição incapacitante. Apenas 26% dos pacientes declaram receber auxílio do governo (45% auxílio-doença e 23% BPC/LOAS - Benefício de Prestação Continuada, previsto na Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS).

As mulheres são as principais impactadas pela carga da doença: elas representam quase 85% dos responsáveis pelo cuidado. Dentre os cuidadores, mais de 30% são cônjuges e cerca de 28% são mães dos pacientes.

“A DH afeta diretamente a vida dos pacientes, que enfrentam os desafios do diagnóstico em idade produtiva. Esse mesmo cenário se repete para os cuidadores – na maioria mulheres – que passam a se dedicar integralmente aos familiares, enquanto outras áreas de suas vidas, incluindo a profissional, ficam comprometidas”, explica Gladys Miranda, presidente da ABH.

Dentre os sintomas, a coreia, termo médico que descreve movimentos involuntários, rápidos e descoordenados, semelhantes a uma dança irregular, é mencionada por quase 40% da amostra de pacientes como o sintoma mais relevante, seguida pela falta de equilíbrio, sentida por 22% dessa população e sintomas psicológicos (15%) – como mudanças de humor, depressão e irritabilidade.

Ao serem perguntados sobre como a doença os afeta, o impacto na memória, concentração e bem-estar emocional são as respostas mais citadas, em cerca de 70% dos casos. Os prejuízos nas relações familiares, eventos e amizades também se destacam, com 60% das respostas, seguida de 50% dos pacientes declarando sentir suas vidas comprometidas na realização de multitarefas, atividades físicas e, nas atividades da vida diária, no ato de em pegar objetos.

Além dos desafios dos sintomas no dia a dia, os pacientes sofrem com o preconceito: 31% relatam desconforto, 21% medo e 14% discriminação no convívio com outras pessoas.

“Os dados do primeiro panorama sobre a DH no Brasil são importantes para que o país possa evoluir em políticas públicas para garantir a atenção aos pacientes e suas famílias. Essas pessoas convivem com grandes estigmas e enfrentam desafios como o acesso limitado ao diagnóstico correto, especialmente a exames genéticos no SUS, e a falta de disponibilidade do cuidado adequado, conhecimento de profissionais de saúde e da população em geral”, afirma Aparecida Alencar, responsável pela pesquisa.

 

Acesso à saúde

As dificuldades de acesso em saúde na DH estão frequentemente relacionadas à demora do diagnóstico correto, uma vez que os sintomas iniciais são comportamentais e/ou cognitivos e podem ser confundidos com outras doenças neurológicas, como esquizofrenia e Alzheimer. Muitas vezes o diagnóstico só é fechado mais adiante, quando a coreia se inicia e, mesmo assim, ainda pode ser confundida com sintomas de Parkinson. Os pacientes enfrentam barreiras como a falta de conhecimento, de apoio multidisciplinar adequado, aos tratamentos e cuidados especializados, especialmente em áreas mais distantes e isoladas do Brasil.

Na temática de acesso e utilização de serviços em saúde, o SUS é o principal suporte para 56% dos respondentes do levantamento, enquanto 44% são usuários de saúde suplementar. Metade dos participantes gasta até R$ 1.500 por mês devido às necessidades geradas pela doença, em um cenário já complexo, de impacto financeiro.

 

Diagnóstico da DH e teste genético

A pesquisa também ouviu familiares em risco, ou seja, parentes em primeiro grau, como filhos, irmãos, netos, e mostrou que dois em cada três familiares já ouviram falar sobre o teste preditivo para Doença de Huntington, mas apenas 11% buscaram essa opção para saber se herdaram o gene alterado.

Sobre planejamento familiar, mais da metade (54%) nunca ouviu falar da fertilização assistida com teste genético pré-implantacional para a DH, mas entre os que conhecem, um em cada três pretende realizá-lo. Para uma em cada quatro pessoas, o custo é a barreira que impede o acesso à fertilização assistida.

A doença segue um padrão de herança autossômica dominante, o que significa que os filhos de um indivíduo com uma cópia mutada do gene HTT têm 50% de chance de herdar o gene alterado e, tendo herdado, desenvolverão a doença em algum momento da vida.

Quase metade dos participantes tem cinco ou mais familiares com sintomas de DH, mostrando o grande impacto dentro dos núcleos familiares. No entanto, somente 38% da amostra de familiares relata falar sobre a enfermidade com frequência, reforçando o estigma e invisibilidade da doença.

“A DH ainda precisa de investimentos em pesquisa e inovação, além de ampliação nas campanhas de conscientização. Essas ações são essenciais para o país avançar na qualidade do cuidado oferecido, além de tornar essas pessoas visíveis para a sociedade. Precisamos desenvolver mudanças sobre como são conduzidas as medidas de suporte para melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, elucida Tatiana Henrique, psicóloga da ABH.

 

Sobre o estudo

A pesquisa on-line contou com 1.437 participantes válidos de 608 municípios brasileiros, disponível para a coleta de dados ao longo de cinco meses, entre novembro de 2024 e março 2025. Foram desenvolvidos três questionários, sendo: um para pacientes com Doença de Huntington, outro para seus cuidadores e outro para familiares em risco de desenvolver a doença. Entre os participantes, estavam 448 pessoas com DH, 357 cuidadores e 632 familiares em risco.

Dentre os 448 pacientes entrevistados, as mulheres são a maioria, quase 60% da amostra, enquanto a idade média mapeada é de 52 anos. Mais de 60% dos participantes se declaram pessoas brancas. O perfil demográfico mostrou maior prevalência dos respondentes na Região Sudeste (173), seguidos pelo Sul do país (86), Nordeste (70), Centro-Oeste (22) e Norte (15), sendo que mais de 65% foram auxiliados por terceiros para participar da pesquisa.

O público-alvo do estudo como um todo incluía adultos a partir de 18 anos, que concordaram com a participação e o uso anônimo dos dados. Os questionários coletaram informações demográficas, dados sobre o diagnóstico, a jornada de tratamento, o estágio, a capacidade funcional do paciente e a percepção sobre os impactos da doença no dia a dia, incluindo sentimentos e qualidade de vida.

 

Conhecer para cuidar

A Doença de Huntington é uma condição hereditária rara, que afeta o sistema nervoso central e apresenta como características alterações motoras, comportamentais e cognitivas. É causada por uma mutação no gene que codifica a proteína huntingtina (HTT), que resulta em uma forma anormal da proteína. Essa mutação leva à morte de células nervosas em áreas específicas do cérebro e causa comprometimento em diversas funcionalidades do corpo.

A transmissão da doença segue um padrão de herança autossômica dominante: basta que um dos pais tenha o gene alterado para que cada filho tenha 50% de chance de herdar a mutação e desenvolver a doença. Homens e mulheres são igualmente afetados e, se a mutação não é herdada, a condição não é transmitida para as próximas gerações.

A DH inicia, em geral, em pessoas entre os 30 e 50 anos, com sintomas comportamentais e/ou cognitivos e pode ser confundida com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos. Porém, muitas vezes o diagnóstico só é fechado quando a coreia (movimentos involuntários rápidos e descoordenados) se inicia. O diagnóstico da DH é um processo multifacetado, normalmente feito por um médico neurologista, que envolve avaliação clínica, testes genéticos e, em alguns casos, exames neurológicos adicionais e teste genético confirmatório.

A agilidade na procura por acompanhamento médico auxilia o paciente e seus familiares a planejarem melhor sua assistência, prolongar a autonomia e a manter a qualidade de vida do paciente.

Não é recomendado, para pessoas em risco de terem herdado o gene da DH, realizar testes antes do aparecimento dos primeiros sintomas, uma vez que não há, até o momento, medicamentos que alterem o curso natural da doença, e o diagnóstico é um momento complexo, que pode trazer consequências psicológicas à pessoa e seus familiares. No entanto, caso seja de vontade da pessoa em risco realizar o exame preditivo, são indispensáveis o aconselhamento genético e a avaliação por um especialista, além de ser altamente recomendado acompanhamento psicológico.

A DH é uma doença rara que afeta cerca de 1 em cada 10 mil pessoas na maioria dos países europeus. A incidência varia em diferentes regiões do mundo. Não existem estatísticas oficiais de casos de DH no Brasil, porém estima-se que existam entre 13 e 19 mil pessoas portadoras do gene da doença. Há locais de alta prevalência como Feira Grande (AL), Ervália (MG) e o distrito de Salão (CE), que, provavelmente, decorrem do isolamento geográfico e casamentos entre parentes.

A Doença de Huntington tem consequências sociais profundas que vão além do paciente, afetando famílias, comunidades e o sistema de saúde. Os sintomas motores, cognitivos e psiquiátricos levam à perda de autonomia, estigmatização e exclusão social, além da interrupção precoce da vida profissional. Para as famílias, a doença impõe sobrecarga emocional e financeira, já que muitos se tornam cuidadores em tempo integral e convivem com o medo da herança genética. Especialmente em regiões de alta prevalência, o preconceito e o isolamento agravam a vulnerabilidade social. No sistema de saúde, há desafios de capacitação de profissionais, custos elevados de cuidados prolongados e carência de centros de referência. Assim, a DH não é apenas uma condição clínica, mas um desafio social complexo, que exige políticas públicas, suporte multidisciplinar e mobilização comunitária para garantir cuidado digno e inclusão.

Embora ainda não exista tratamento modificador do curso da doença, medicamentos e a assistência multidisciplinar podem auxiliar no manejo dos sintomas proporcionando visível melhora da qualidade de vida.

 

 

ABH – Associação Brasil Huntington
www.abh.org.br


Teva Pharmaceutical Industries Ltd.
www.tevapharm.com

Teva Brasil
www.tevabrasil.com.br.




Referências

1 BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. 27/9 – Dia Nacional da Doença de Huntington. Brasília: Ministério da Saúde, [2023?]. Disponível em: Link

2 ABH - Associação Brasil Huntington. Herança genética na Doença de Huntington: entenda o risco e a transmissão. Disponível em: Link


Crianças e tecnologia: os efeitos do excesso de telas no corpo e no movimento


Nos últimos anos, a tecnologia passou a ocupar um espaço cada vez maior na rotina das crianças. Tablets, celulares e videogames ganharam protagonismo, muitas vezes substituindo as brincadeiras ao ar livre e os movimentos livres do corpo. Se por um lado as telas podem ser ferramentas de aprendizado e entretenimento, por outro, o uso excessivo traz impactos diretos na saúde física e no desenvolvimento motor.


O sedentarismo infantil já é uma preocupação global, e o tempo prolongado diante das telas agrava o problema. Crianças que passam longos períodos sentadas, olhando para baixo e em posições inadequadas podem apresentar alterações posturais, como ombros projetados para frente, encurtamentos musculares e até a chamada “síndrome do pescoço de texto”. Além disso, a falta de movimento reduz oportunidades importantes para fortalecer músculos, melhorar a coordenação e desenvolver habilidades motoras que serão fundamentais na vida adulta.


Segundo Dra. Lígia Conte, Fisioterapeuta Infantil, o corpo da criança precisa de movimento constante para crescer de forma saudável. “Quando ela passa horas no celular ou no tablet, deixa de explorar seu próprio corpo e o ambiente, o que pode trazer prejuízos não apenas para a postura, mas também para a coordenação, o equilíbrio e até para a socialização”, alerta.


Para equilibrar os efeitos do sedentarismo, pequenas pausas ativas podem ser inseridas na rotina. Exercícios simples e lúdicos fazem diferença: brincar de andar como caranguejo ou como urso fortalece a musculatura global e estimula a coordenação; circuitos improvisados com almofadas trabalham o equilíbrio e a agilidade; alongamentos para o pescoço e movimentos que ativam a região das costas, como o “super-herói”, ajudam a melhorar a postura.


Mais do que restringir totalmente o uso das telas, a recomendação é buscar equilíbrio. Cabe aos pais e cuidadores incentivar pausas frequentes, promover brincadeiras ativas e observar sinais de dificuldades motoras ou posturais. “Não se trata de demonizar o uso da tecnologia, mas de garantir que haja tempo e espaço para que a criança se movimente, explore e descubra o mundo com o corpo em ação”, reforça Dra. Lígia Conte. 


O recado é claro: se houver mudanças na postura, na coordenação ou até na disposição da criança para brincar, é importante buscar orientação profissional. O desenvolvimento infantil é construído em cada movimento — e o corpo, quando estimulado, se torna a base para um crescimento pleno e saudável.



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