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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Guarda compartilhada é opção em 37,8% dos divórcios no Brasil

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No Dia dos Pais, advogada e psicóloga analisam o tema e reforçam a importância da participação paterna para a autoconfiança dos filhos

 

O número de divórcios aumentou 4,9% no Brasil em 2023 se comparado a 2022, chegando a 440,8 mil dissoluções extrajudiciais ou em primeira instância. Em 46,3% dos casos, os divórcios ocorreram em famílias constituídas somente com filhos menores de idade, segundo as estatísticas do Registro Civil divulgadas pelo IBGE.

 

Assim como os divórcios, cresceram também os processos judiciais pela guarda dos filhos. Em 2014, em 85% dos divórcios, a guarda dos filhos ficava com a mulher; em 2022, a porcentagem caiu para 50%. No mesmo período, o índice de guarda compartilhada passou de 7,5% para quase 37,8% nos casos de divórcio.

 

Doutora em Direito e advogada da área de Família, Adriana Martins Silva explica que esses números refletem a principal recomendação da Justiça brasileira. “A partir de 2014, a legislação brasileira (Lei nº 13.058) definiu que a guarda compartilhada deveria ser regra sempre que possível. O principal objetivo é defender o melhor interesse das crianças”, diz.

 

Segundo a professora do curso de Direito do UniCuritiba, a guarda compartilhada pressupõe que pai e mãe participem ativamente das decisões sobre a vida dos filhos. “Isso não significa, necessariamente, que a criança terá que se dividir entre a casa do pai e da mãe. Independentemente de onde ela mora, na guarda compartilhada os genitores decidem tudo em conjunto”, explica Adriana.

 

 

Mudança cultural e social

A valorização crescente da presença paterna no cuidado dos filhos é refletida tanto em transformações culturais quanto no aumento dos pedidos de guarda compartilhada.

 

“A própria estatística divulgada pelo IBGE em 2023, apontando que quase 38% dos divórcios envolvem esse tipo de guarda, reforça esse movimento. Ainda que, na prática, o cuidado cotidiano continue sendo majoritariamente exercido pelas mães, esse dado sugere uma ampliação no desejo dos pais em permanecerem ativos na criação dos filhos após a separação”, afirma a psicóloga Alexia Soares Montingelli Lopes.

 

Formada em Direito e Psicologia com especialização em Neuropsicologia, a professora do curso de Psicologia do UniCuritiba diz que o envolvimento de ambos os responsáveis é um fator importante para o desenvolvimento emocional das crianças.

 

“Do ponto de vista da Psicologia, especialmente na Análise do Comportamento, compreendemos que as crianças que vivem em ambientes onde há previsibilidade, afeto, limites claros e incentivo à autonomia têm mais chances de desenvolver segurança emocional e repertórios saudáveis para lidar com os desafios da vida”, diz ela.

 

De acordo com a psicóloga Alexia, a guarda compartilhada, quando praticada com corresponsabilidade, favorece esse cenário. “Quando os adultos conseguem cooperar e dividir decisões com respeito mútuo, a criança é diretamente beneficiada. Há menos conflitos, mais estabilidade emocional e maior preservação dos vínculos afetivos. Isso reduz sentimentos como culpa, abandono ou rejeição, além de contribuir para a prevenção de quadros de ansiedade e sofrimento psicológico.”

 

A psicóloga destaca que os benefícios se estendem também aos pais. “A divisão de responsabilidades evita sobrecarga, melhora a comunicação entre os ex-cônjuges e favorece um ambiente mais equilibrado. Não se trata de afirmar que existe um único modelo ideal de família, mas de reconhecer que relações pautadas na presença ativa e no cuidado compartilhado são mais promissoras para o bem-estar de todos.” 

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 Modelos de guarda

A guarda compartilhada é o modelo mais recomendado pela Justiça brasileira e, entre outras vantagens, costuma coibir a alienação parental.

A advogada Adriana Martins Silva explica que a alienação parental é uma forma de violência emocional onde um dos pais influencia a criança a rejeitar ou desvalorizar o outro genitor(a).

 

“Essa prática atrapalha o desenvolvimento saudável da criança e se torna menos frequente nos casos de guarda compartilhada, já que os genitores, em geral, entendem melhor seu papel e sua importância na vida do filho”, analisa a professora.

 

No Brasil, a guarda dos filhos após o divórcio segue quatro modelos principais: compartilhada, unilateral, alternada e nidal.

 

Na guarda compartilhada, pais e mães participam ativamente das decisões sobre a vida do filho, mesmo que a criança resida com um deles. Apesar da moradia principal com um dos pais, o outro mantém o direito de convivência e participação nas decisões. 

 

No caso de guarda unilateral, apenas um dos pais detém a guarda da criança, tomando todas as decisões sobre ela. O outro genitor tem direito a visitas e convivência, mas não participa das decisões sobre a vida do filho. Geralmente, é estabelecida em casos de conflitos graves entre os ex-cônjuges.

 

A guarda alternada é um modelo menos comum por ser mais instável para a criança, principalmente se ela for muito pequena. Nesse modelo, a criança reside com cada um dos pais em períodos alternados, como semanas ou meses. Para dar certo, exige organização e flexibilidade dos pais, além de um bom nível de comunicação e colaboração.


Um tipo menos comum, mas possível, é a guarda nidal, onde a criança permanece em sua residência fixa e os pais se revezam na convivência com ela, em vez de a criança mudar de casa. Evita que a criança tenha de se adaptar a diferentes ambientes, mas exige alta organização e colaboração entre os pais.

 

 

UniCuritiba


Dia dos Pais: O desafio de retratar homens de formas positivas na publicidade

Estudo da Kantar mostra que os pais ainda são pouco considerados na hora de formular publicidade para produtos de bebê

 

O Dia dos Pais é uma data que levanta diferentes questões sobre "modelos tóxicos" de masculinidade e como redefinir os papeis dos homens. 

Mas redefinir a masculinidade não é apenas uma questão social – é um imperativo empresarial. O levantamento da Kantar, “Connecting with men: How brands can decode modern masculinity” (“Conectando-se com os homens: como as marcas podem decodificar a masculinidade moderna”), mostra que os anúncios que retratam homens em papéis positivos, dando bons exemplos para os outros, têm melhor desempenho do que aqueles que não o fazem: são 37 pontos percentuais mais altos quando se trata de aumentar o poder de demanda de longo prazo – o share de volume que a marca alcançaria apenas baseado nas percepções dos consumidores - e 21 pontos percentuais mais altos para probabilidade de aumentar as vendas no curto prazo.

Essa comparação foi feita por meio da Métrica de Não Estereótipo de Gênero Masculino, desenvolvida pela Kantar em parceria com a Unstereotype Alliance e que mede quão bem os anúncios retratam os homens de maneiras positivas e progressivas.

"Ajudar a redefinir o conceito de masculinidade é importante para os profissionais de marketing porque a publicidade faz parte do tecido cultural e molda como vemos os homens. Eles querem enxergar representações mais autênticas e diferenciadas de si mesmos”, afirma Miguel Vils, diretor de creative e analytics da Kantar Brasil. “Marcas que abandonarem velhos estereótipos construirão conexões mais fortes, bem como impulsionarão o crescimento real e a mudança positiva.” 

E isso inclui a representação dos homens como pais. Duas categorias se destacam quando os assuntos são paternidade e o papel dos homens no lar.

 

• Produtos para bebês: apenas 24% dos anúncios de produtos para bebês são testados com homens. Trata-se de uma oportunidade perdida de envolver o crescente público de pais ativamente envolvidos em cuidados infantis. Na verdade, mais propagandas de itens para animais de estimação são testados com ambos os sexos (95%) do que anúncios de cuidados com bebês e alimentação. 

• Produtos para o lar: enquanto os homens estão assumindo mais responsabilidades em casa — especialmente porque mais deles vivem sozinhos —, a indústria de publicidade não está acompanhando o ritmo. Apenas 15% dos testes de anúncios em cuidados domiciliares buscam feedback do público masculino. Isso ocorre apesar do fato de que anúncios que os retratam como tomadores de decisão ativos na vida doméstica geram um engajamento mais forte e repercutam melhor. 

Para o levantamento da Kantar, as marcas precisam estar profundamente cientes da evolução das masculinidades e adaptar suas estratégias de marketing de acordo, incluindo dar atenção ao papel de pai dentro de categorias específicas.

“Ao reconhecer seus públicos existentes e potenciais além dos estereótipos, e por meio de retratos intencionais de homens de uma forma positiva e inclusiva, as marcas podem predispor mais pessoas e forjar conexões significativas, ao mesmo tempo em que impulsionam mudanças sociais positivas”, afirma Vils. 

O levantamento também lista algumas dicas para as marcas:

• Lembre-se: a masculinidade não é um monólito. Não existe um “tipo de homem" para representar represente todos;

• Tenha em mente que evitar estereótipos de gênero é um imperativo social e comercial;

• Crie melhores conexões com os homens por meio de estratégias inclusivas sem comunicações exclusivas para eles;

• Teste sua criatividade sem preconceito de gênero embutido;

• Evite estereótipos de gênero – ou você limitará suas oportunidades de predispor mais pessoas à sua marca.

 

Metodologia

O “Connecting with men: How brands can decode modern masculinity”, da divisão Insights da Kantar, se baseia em dados de banco próprio, no Brand Inclusion Index 2024, no US MONITOR e em análises qualitativas no Brasil, nos Estados Unidos, na Tailândia e na Turquia.



Kantar
www.kantar.com/brazil


Fundação da Gide aponta as 5 causas que mais impactam a aprendizagem na educação básica

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Fatores foram levantados a partir do trabalho da instituição - que, há quase 30 anos, aplica uma metodologia própria de gestão da aprendizagem - e já atuou em cerca de 10 mil escolas públicas em todo o país

 

Neste Dia do Estudante, a Fundação da Gide (FdG) elenca as cinco principais causas de insucesso da aprendizagem na educação básica pública. Os fatores foram compilados ao longo dos 28 anos de atuação da FdG, que desenvolve um trabalho de referência em prol da melhoria dos resultados educacionais nas redes municipais e estaduais de ensino — e já atuou em aproximadamente 10 mil escolas, com alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, em 12 estados brasileiros. São eles: Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Rio Grande do Sul.

 

1 - Defasagem de aprendizagem

A diretora técnica da FdG, Isis Chaves, explica que uma das causas muito comuns para o baixo desempenho escolar nas escolas públicas do Brasil, identificada pela instituição, é a necessidade da recomposição da aprendizagem. “Um exemplo: o aluno está no 9º ano fundamental, mas ainda não sabe multiplicar, algo que ele deveria ter aprendido nos anos anteriores. Consequentemente, o professor vai ter que recompor esse aprendizado quando poderia estar ensinando algo que, de fato, estivesse na grade curricular de um estudante nessa faixa etária”. Chaves aponta que essa causa sempre esteve presente no dia a dia das escolas, porém depois da pandemia, ela tem se tornado mais frequente, devido aos gaps de aprendizagem acumulados no período, quando muitos alunos passaram a estudar em casa.

 

2 - Baixa atratividade das aulas

Isis reforça que as aulas tradicionais, com transcrição do conteúdo no quadro e longas explicações da matéria, já não cabem mais no contexto atual, marcado por tecnologias cada vez mais disruptivas. “O professor, hoje, precisa diversificar e colocar o aluno como protagonista do aprendizado, se quiser captar sua atenção. Para isso, vale tentar, na medida do possível, desenvolver projetos interdisciplinares, utilizar espaços diversificados de aprendizagem, como laboratório, biblioteca, jogos e usar a Inteligência Artificial a favor do aprendizado”.

 

3 - Infrequência dos estudantes

A evasão escolar, segundo Isis, continua sendo uma causa que impacta severamente na aprendizagem dos alunos na rede pública brasileira e, conforme a especialista, a situação é ainda mais crítica nos anos finais do ensino básico, entre a 6º e a 9ª série. “Muitos pais, infelizmente, não acompanham o filho nesta fase. Diante dessa falta de acompanhamento, a criança/adolescente acaba não indo à escola”. Ainda de acordo a diretora técnica, o que a FdG já percebeu, por meio de seus quase 30 anos de trabalho, é que as causas para a ausência na sala de aula são multifacetadas, com fatores que vão desde os socioeconômicos, pedagógicos aos pessoais. A necessidade de trabalhar, problemas familiares e gravidez na adolescência são alguns dos principais motivos que levam jovens e crianças a abandonarem a escola. Causas como violência escolar, bullying e dificuldades de acesso também contribuem para a evasão.

 

4 - Baixa participação de pais e/ou responsáveis na vida escolar dos estudantes

Isis Chaves enfatiza ser muito difícil trazer os pais para a escola, principalmente nos anos finais. “Eles precisam acompanhar não só a execução das tarefas, como incentivar o filho a estudar. Vale lembrar que a educação é um trabalho em conjunto da escola com a família, feito a quatro mãos, e não deve ser terceirizado à instituição de ensino.

 

5 – Indisciplina

As queixas das redes de ensino sobre a indisciplina dos alunos em sala de aula é um motivo constante nas escutas feitas pela FdG nas escolas atendidas. Para tentar minimizar o problema, a instituição trabalha com uma série de ações adequadas ao contexto de cada caso. Uma delas é propor ao professor a implementação de um Pacto de convivência com a turma. “Em um primeiro momento, ele vai conversar com os estudantes para identificar os itens comportamentais que deverão fazer parte do acordo. Em seguida faz uma votação com os alunos dos itens comportamentais necessários para o bom desenvolvimento das aulas, formaliza o pacto e acompanha sua aplicação no dia a dia. Se 70% ou mais de estudantes cumprirem todos os combinados, a equipe toda recebe um benefício.”

 

O que vem sendo feito para reverter o cenário?

Instituição sem fins lucrativos, a Fundação da Gide atua em parceria com governos estaduais e prefeituras municipais para a melhoria da educação básica no Brasil. A partir da junção de forças com redes públicas de ensino de uma determinada cidade e/ou região, profissionais das secretarias de educação, com know how na área pedagógica, são selecionados para atuarem como uma espécie de consultores internos nas escolas, promovendo capacitação da equipe gestora (diretores e coordenadores pedagógicos). “A partir daí, é realizado um diagnóstico que inclui a coleta de dados para identificar o problema e suas causas, explica Isis. 

De posse dessas análises, os consultores realizam encontros com a equipe da escola, onde é definida uma meta e um plano de melhoria. “Não se trata de uma receita padronizada. Cada escola tem seu problema e sua realidade, que vai desde causas relacionadas às competências cognitivas, atratividade das aulas, frequência de estudantes, de professores, e questões relacionadas às competências socioemocionais”, pontua Chaves. 

Ainda de acordo com a diretora técnica, a instituição de ensino sempre terá a liberdade de definir, junto com a FdG, qual a melhor ação de resolução para seu cenário. Se uma meta não for alcançada, novas reuniões são necessárias para entender onde está localizado o problema, seguidas da implantação de medidas corretivas para reverter o resultado indesejável. 

O trabalho, segundo Isis, costuma acontecer por, no mínimo, um ano, com o acompanhamento inloco da FdG. Depois que as metas são alcançadas e a escola adquiriu conhecimento sobre como fazer/executar o plano, continua dando seguimento a ele de forma autônoma. “A partir daí é como se o filho tivesse crescido e consegue, sem a mãe, resolver seus problemas”, ilustra. 

Metas alcançadas ao longo do ano são registradas em um livro de práticas pedagógicas de sucesso produzido pela FdG e registrado no ISBN. Ao final de cada ano, o documento é fechado e as redes de ensino organizam um evento, chamando todas as escolas para que elas compartilhem os seus feitos, em um momento de grande troca de experiências. 

Ao longo de quase 30 anos de atuação, a Fundação da Gide já impactou mais de 10 milhões de alunos e qualificou um milhão de educadores em quase 10 mil escolas de 12 estados brasileiros. A instituição acumula cases de sucesso em várias partes do país, incluindo Ceará, Rio de Janeiro, Pernambuco e Manaus.

 

Governança Corporativa e Compliance no Setor Farmacêutico: a Base Estratégica para a Sustentabilidade Empresarial


No setor farmacêutico, onde os riscos regulatórios, éticos e operacionais são elevados e constantes, a estruturação de um processo de governança corporativa baseado em compliance é mais do que uma boa prática — é uma questão de sobrevivência e reputação. 

Com o aumento da complexidade normativa, da vigilância dos órgãos reguladores (como ANVISA, FDA e EMA) e da cobrança por responsabilidade socioempresarial, empresas farmacêuticas precisam incorporar o compliance à sua cultura corporativa como instrumento de governança estratégica e diferencial competitivo.


O papel do compliance na indústria farmacêutica. 

Compliance, nesse contexto, não se limita à conformidade legal. Ele envolve o cumprimento rigoroso das normas que regulam o desenvolvimento, a fabricação, o registro, a promoção, a distribuição e até o descarte de medicamentos. Inclui também práticas éticas no relacionamento com médicos, pacientes, entidades públicas e privadas, além de assegurar a integridade da cadeia de valor. 

É o compliance que sustenta a credibilidade das decisões tomadas pelos conselhos e diretores, e que permite à governança corporativa funcionar de maneira eficaz, prevenindo escândalos, sanções administrativas, recall de produtos e perda de licenças.

 

Estruturação eficiente: da cultura ao controle 

A criação de uma cultura de integridade na indústria farmacêutica exige um sistema estruturado, com políticas claras, códigos de conduta específicos para o setor, mecanismos de due diligence com terceiros, monitoramento constante, e canais de denúncia que assegurem anonimato e não retaliação. 

Adicionalmente, é fundamental que o compliance officer tenha autonomia e reporte direto à alta gestão, garantindo independência na atuação e força institucional para implementar medidas corretivas, quando necessário.

 

Riscos específicos e medidas preventivas 

Entre os riscos mais sensíveis do setor estão o off-label marketing, pagamentos indevidos a profissionais de saúde, violação de patentes, manipulação de dados clínicos, e descumprimento de normas sanitárias. Cada uma dessas vulnerabilidades pode comprometer não apenas a operação, mas também a licença social da empresa. 

A atuação do compliance deve, portanto, ser integrada à gestão de riscos regulatórios, à análise de impacto regulatório e à construção de uma agenda de transparência ativa junto aos órgãos fiscalizadores e à sociedade.


Governança para um setor de alta responsabilidade. 

A boa governança, com base no compliance, fortalece a responsabilidade corporativa, promove decisões mais sustentáveis e assegura que a empresa atue com ética, eficiência e foco no bem-estar coletivo. Em um setor que lida diretamente com a vida humana, a credibilidade e a confiança não são ativos opcionais — são essenciais. 

Empresas que integram compliance à governança colhem os frutos da estabilidade institucional, da atração de investimentos, da conformidade internacional e da reputação sólida diante da sociedade e do mercado.

 

O que considerar ao contratar um plano de saúde empresarial? YIA Broker destaca 5 pontos essenciais para PMEs

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Carência, rede credenciada, reajustes e suporte corretor estão entre os principais critérios que o RH avalia para garantir um bom custo-benefício e assistência de qualidade aos colaboradores
 

Garantir um plano de saúde empresarial de qualidade é uma das estratégias mais valorizadas por pequenas e médias empresas na hora de atrair e reter talentos. No entanto, a escolha da operadora e das condições do plano exige atenção a detalhes que vão além do preço final. Hoje, grande parte das organizações enfrenta desafios sérios com: altos reajustes nos planos de saúde – a segunda maior despesa da empresa, indicadores que não se traduzem em ações eficazes; RH sobrecarregado com demandas operacionais; colaboradores enfrentando dificuldade para agendar consultas e procedimentos e alta taxa de absenteísmo. 

Pensando nisso, a YIA Broker, plataforma digital especializada na coordenação de cuidados e atenção primária, com foco em resultados concretos na gestão de saúde e financeira das empresas, preparou um checklist com os cinco principais pontos que o RH precisa considerar antes de fechar contrato com uma operadora de saúde.

"Nosso papel como corretora é justamente orientar empresas, especialmente as de menor porte, a fazer escolhas conscientes. Um plano mal contratado pode gerar custos altos, insatisfação dos colaboradores e dores de cabeça para o RH", explica Dyla de Toledo, CEO da YIA Broker. 

A seguir, a especialista da empresa detalha os principais pontos de atenção para quem está contratando ou renovando um plano de saúde empresarial:
 

1. Período de carência

Muitas empresas se surpreendem ao descobrir que os colaboradores precisam esperar meses para acessar determinados serviços. Planos com redução ou isenção de carência são ideais em casos de contratação coletiva com um número mínimo de vidas. “Negociar condições de carência pode ser decisivo para garantir o uso imediato do benefício pelos funcionários”, pontua Dyla.
 

2. Rede credenciada

Antes de fechar com qualquer operadora, é essencial verificar quais hospitais, laboratórios e clínicas estão disponíveis na região onde os colaboradores atuam. Uma rede extensa nem sempre é sinônimo de qualidade. “A recomendação é que o RH cheque se os principais serviços de saúde utilizados pelos colaboradores estão, de fato, dentro da cobertura”.
 

3. Reajustes e sinistralidade

Entender como funcionam os reajustes anuais e por faixa etária é fundamental. Além disso, é importante avaliar o histórico de sinistralidade, que pode impactar diretamente o valor da mensalidade. "Uma análise criteriosa dos dados evita surpresas desagradáveis no futuro e ajuda a manter o plano financeiramente sustentável", afirma Dyla.
 

4. Tipo de contratação

A forma de contratação, se por adesão, coletivo empresarial ou PME, define regras de reajuste, carência e obrigatoriedade de aceitação. Empresas com CNPJ ativo e CCAE compatível conseguem melhores condições em planos empresariais. “A contratação adequada garante segurança jurídica e vantagens em longo prazo”, orienta a especialista.
 

5. Suporte do corretor

Mais do que apenas vender o plano, a corretora deve oferecer suporte contínuo ao RH e aos colaboradores. Atendimento pós-venda, gestão de benefícios e apoio na resolução de problemas são diferenciais que fazem a diferença no dia a dia. “É nesse ponto que a YIA Broker se destaca: atuamos lado a lado com o cliente, desde a escolha até o suporte contínuo”, conclui Dyla de Toledo.
 

Com um cenário cada vez mais competitivo e uma força de trabalho que valoriza benefícios de qualidade, contratar o plano de saúde certo deixou de ser apenas uma exigência operacional e passou a ser uma decisão estratégica para as empresas. Ao seguir esses cinco pontos de atenção e contar com a consultoria de uma corretora especializada como a YIA Broker, o RH ganha segurança, previsibilidade financeira e apoio especializado para transformar o benefício em um verdadeiro diferencial para o negócio. 

Dyla finaliza falando que: “Nosso time cuida de toda a operação para que sua empresa tenha tranquilidade e foco no que realmente importa. Entre os serviços que oferecemos estão: movimentação cadastral, plano de extensão, carta de permanência, abertura e cancelamento de subestipulante, conferência de faturamento, prorrogação, gestão de contrato, controle de inadimplência, rateio de faturamento e relatórios com indicadores contínuos para o RH, sempre com as demandas resolvidas. Com a YIA, sua empresa ganha eficiência, saúde e resultado.”


Mais de 19 milhões de tentativas de golpe usaram jogos como GTA, Minecraft e Call of Duty como iscas

Comportamento digital da Geração Z é explorado por cibercriminosos que usam mods e arquivos maliciosos para espalhar malware e roubar contas em plataformas de jogos 

 

A popularidade dos games entre a Geração Z virou um campo minado para cibercriminosos: a Kaspersky revela que mais de 19 milhões de tentativas de golpes digitais usaram títulos como GTA, Minecraft e Call of Duty como isca em pouco mais de um ano. O levantamento da empresa expõe como a paixão por mods e a busca por novas experiências transformam jogadores em alvos fáceis para malware e roubo de contas, impulsionando um mercado ilegal de ativos digitais que já movimenta fóruns e canais fechados. A Kaspersky está lançando o “Case 404”, jogo interativo de cibersegurança que ensina a Geração Z a reconhecer ameaças e a proteger o seu mundo digital enquanto fazem o que mais gostam: jogar. 

A Geração Z passa mais tempo em games do que qualquer outra geração - não apenas jogando, mas buscando tendências virais e novas experiências. No entanto, os cibercriminosos acabam explorando essa busca por novidades da Gen Z para aplicar golpes. O relatório da Kaspersky analisou mais de 19 milhões detecções de ataques, entre abril de 2024 e maio de 2025, que utilizaram jogos populares para a Geração Z como iscas para fraudes. Durante um pouco mais de um ano de análise, mais de 400 mil jogadores foram afetados em todo o mundo. 

Apesar de o GTA V ter sido lançado há mais de uma década, a franquia continua sendo uma das mais exploradas do mundo para golpes por conta da popularidade de modding em mundo aberto e a comunidade online engajada. No total, a Kaspersky detectou 4.456.499 tentativas de ataques que envolveram arquivos maliciosos de conteúdos relacionados ao game. O GTA VI, previsto para 2026, será um dos lançamentos mais aguardados da indústria dos jogos e os especialistas preveem um potencial aumento deste tipo de ataques, com os cibercriminosos explorando o hype pelo game com a distribuição de instaladores falsos, ofertas de acesso antecipado ou convites falsos para a versão beta. 

Entre os demais jogos mais explorados pelos cibercriminosos, o Minecraft ficou em segundo lugar, com 4.112.493 tentativas de ataque – principalmente por conta de seu vasto ecossistema de modding e à sua popularidade duradoura entre os jogadores da Geração Z. Em seguida, destacam-se Call of Duty (2.635.330) e The Sims 2 (416.443). O primeiro, por conta da procura de cheats e versões pirateadas em torno de lançamentos competitivos de Call of Duty, enquanto os fãs de The Sims procuram conteúdos personalizados ou pacotes de expansão não lançados. 

Como resultado desses ataques, os dispositivos dos usuários podem ser infectados por diversos tipos de programas indesejados ou maliciosos — desde downloaders, que instalam outros programas nocivos, até trojans que roubam senhas, monitoram atividades, permitem acesso remoto aos criminosos ou instalam ransomware. Os objetivos desses ataques variam, mas um dos mais comuns é o roubo de credenciais de contas de jogos, que depois são vendidas na dark web ou em fóruns fechados. 

O comércio de contas de jogos roubadas e itens digitais evoluiu rapidamente: deixou de ser uma prática restrita à dark web e agora está presente em fóruns privados, grupos fechados e até canais no Telegram. Com poucos cliques, qualquer pessoa pode acessar essas plataformas e encontrar anúncios vendendo skins raras, contas de alto nível ou acesso a itens premium. Esse acesso facilitado transforma o golpe em uma ameaça real e constante, ampliando o alcance do mercado ilegal de ativos digitais e tornando o que antes era uma prática técnica e clandestina em um mercado — rápido, acessível e global. 

“Desde blockbusters de mundo aberto como o GTA até simuladores acolhedores como The Sims, os cibercriminosos visam jogos de todos os gêneros que os jovens adoram. O que os une é o público: A Geração Z é a mais ativa digitalmente, deixando para trás um rico rastro de dados, cliques e curiosidade. É por isso que a autodefesa digital já não é opcional. Aprender a reconhecer as ameaças deve ser tão natural como subir de nível num jogo. Através do “Case 404”, queremos capacitar os jovens jogadores com ferramentas e instintos para protegerem o que mais lhes interessa - a sua identidade digital, as suas contas e a sua liberdade de jogar em segurança, explica Vasily Kolesnikov, especialista em segurança da Kaspersky. 

Para enfrentar esse cenário e jogar com segurança, a Kaspersky recomenda:

  • Baixe jogos, mods e ferramentas somente de fontes oficiais. Evite torrents, sites de terceiros ou links compartilhados em fóruns e chats, mesmo que prometam skins raras ou bônus gratuitos.
  • Desconfie de ofertas boas demais para serem verdade. Se um site ou mensagem oferecer algo muito vantajoso (como moeda gratuita ou itens lendários), provavelmente é — especialmente se pedir suas credenciais de login.
  • Use senhas fortes e exclusivas para cada conta de jogo ou e-mail. Um gerenciador de senhas pode ajudar a criá-las e armazená-las com segurança.
  • Ative a autenticação em dois fatores (2FA) sempre que possível, principalmente em plataformas como Steam, Epic Games e Discord.
  • Não compartilhe suas contas ou informações de login, nem mesmo com amigos. O acesso compartilhado costuma levar à exposição acidental ou ao roubo de dados.
  • Use uma solução de segurança confiável, como o Kaspersky Premium, para detectar anexos maliciosos que possam comprometer seus dados.
  • Garanta uma navegação e troca de mensagens seguras com o Kaspersky VPN, ocultando seu endereço IP e evitando possíveis vazamentos de dados.
  • Jogue o game “Case 404” - criado especialmente para os jogadores da Geração Z. Nesta aventura de detecção de ameaças, os jogadores mergulham em casos fictícios inspirados em ameaças digitais reais, aprendendo a detectar fraudes, tentativas de phishing e táticas de aquisição de contas comuns nos jogos.

 

Kaspersky
Mais informações no site

 

Serviço Geológico do Brasil esclarece dúvidas sobre potencial do país para terras raras e minerais estratégico

Brasil detém a segunda maior reserva/recurso de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas estimadas 

 


O Serviço Geológico do Brasil (SGB) é o órgão do governo federal responsável pelo mapeamento geológico, produção e disseminação do conhecimento geocientífico, que inclui a avaliação do potencial mineral do território nacional. No contexto dos Elementos Terras Raras (ETR) e demais minerais estratégicos, o SGB atua na identificação de áreas com potencial mineral, com a aquisição e processamento de dados geológicos, geofísicos e geoquímicos, úteis para subsidiar a avaliação de viabilidade técnica e econômica de recursos minerais.

“O trabalho que realizamos subsidia políticas públicas, orienta investimentos privados e fortalece a presença do Brasil em cadeias produtivas globais essenciais para a transição energética, segurança alimentar e o desenvolvimento tecnológico”, destaca o diretor-presidente do SGB, Inácio Melo.

Com recursos minerais expressivos, projetos em expansão e pesquisas coordenadas pelo SGB, o país busca fortalecer sua posição na cadeia global desses minerais que estão no centro das discussões geopolíticas e industriais globais devido à sua aplicação na indústria de alta tecnologia.

O Brasil é o maior detentor global de reservas de nióbio (94%) – com 16 milhões de toneladas. No ranking global, é o segundo maior em reservas de grafita, com 74 milhões de toneladas (26%), e de terras raras, com 21 milhões de toneladas (23%). No caso do níquel, o Brasil possui a terceira maior reserva global, com 16 milhões de toneladas (12%) das reservas mundiais. Os dados são apresentados na publicação “Uma Visão Geral do Potencial de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil”, do SGB.


Potencial do país no cenário global

O Brasil é o detentor da segunda maior reserva mineral de ETR do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, o que representa cerca de 23% das reservas/recursos globais, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O diretor Inácio Melo afirma que o protagonismo do Brasil na produção de ETR é inevitável: “O Brasil se tornará o maior produtor global de ETRs”.

Para Melo, os desafios do Brasil para as próximas décadas são ampliar o conhecimento geológico e transformar o enorme potencial geológico dos recursos minerais estratégicos em reservas minerais explotáveis e bem conhecidas. “Precisamos descobrir novas ocorrências e superar as limitações tecnológicas e logísticas”, afirmou. Apesar do potencial mineral, o país produziu, em 2024, apenas 20 toneladas de terras raras, menos de 1% da produção mundial, que foi de 390 mil toneladas.

Atualmente, a China detém uma posição dominante não apenas nos volumes de suas reservas e produção de elementos terras raras, mas, sobretudo, na cadeia tecnológica de separação e refino para obtenção de óxidos de alta pureza (em inglês, REO). “Parcerias entre o SGB, outras ICTs e o setor privado serão o caminho seguro para o desenvolvimento de novas tecnologias que se tornarão a chave para o Brasil transformar recursos estimados em depósitos minerais medidos e viáveis economicamente”, destaca o diretor-presidente.

O termo técnico reserva mineral refere-se à porção economicamente explotável de um recurso mineral medido ou indicado, demonstrada por estudos técnicos (pré-viabilidade ou viabilidade). No caso da maior parte dos ETR do Brasil, o mais adequado é aplicar a terminologia recurso mineral, que é uma concentração ou ocorrência com interesse econômico na crosta terrestre, cuja quantidade, qualidade, continuidade e distribuição são conhecidas ou estimadas com base em evidências geológicas, mas que ainda não é viável economicamente ou apresenta estudos em andamento.


Onde estão os principais recursos de ETR do Brasil

A maior parte dos recursos medidos de Elementos Terras Raras (ETRs) no Brasil está concentrada, principalmente, nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia, além de Sergipe. Esses estados abrigam os principais tipos de depósitos com potencial econômico de ETRs, conforme levantamentos do SGB, da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de estudos técnicos consolidados.


Elementos Terras raras


As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos com propriedades similares encontradas em alguns minerais. São definidos como terras raras os 15 lantanídeos, além do escândio (Sc) e do ítrio (Y). Os principais elementos são os utilizados para fabricação dos ímãs magnéticos, que são o neodímio (Nd), praseodímio (Pr), térbio (Tb) e o disprósio (Dy).

Os elementos terras raras são encontradas como produtos secundários em depósitos de outros bens minerais, principalmente em depósitos de nióbio (Nb) e fosfato (PO4). Dos mais de 200 minerais que contêm ETR, apenas alguns têm potencial para formar depósitos econômicos desses elementos e são explorados atualmente: bastnaesita, monazita, xenotímio e loparita.

Apesar de não serem escassos na natureza, os elementos terras raras (ETR) são considerados críticos devido à complexidade dos processos envolvidos em sua extração e beneficiamento.


Aplicações


Os elementos terras raras são usados para melhorar a eficiência de diversos produtos de alta tecnologia e de energia limpa, com destaque para a aplicação em turbinas eólicas e motores elétricos, além da aplicação em equipamentos aeroespaciais, como satélites, foguetes e mísseis. Os elementos têm altas propriedades magnéticas, elétricas, catalíticas e luminescentes.


Pesquisas do Serviço Geológico do Brasil sobre ETR

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) desenvolve estudos para identificar áreas com potencial e impulsionar o desenvolvimento da cadeia de valor de terras raras. A principal iniciativa é o Projeto de Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil, inserido na linha de atuação “Minerais Estratégicos para Transição Energética”, dentro da Ação do Programa de Aceleração do Crescimento-PAC do governo federal.

Atualmente, o projeto desenvolve atividades nos estados de Goiás e Tocantins (Província Estanífera de Goiás), Minas Gerais (Província Alto Paranaíba), Bahia (Província Jequié e região de Prado) e Paraná, São Paulo e Santa Catarina (Vale do Ribeira). Além desse projeto, há outras pesquisas do SGB relacionadas a terras raras em áreas potenciais dos estados Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Piauí. A Elevação do Rio Grande também tem sido estudada. Em todo o país, o SGB realiza pesquisas sobre o potencial mineral e identifica áreas com indícios favoráveis à presença de elementos terras raras e outros minerais estratégicos.


Principais depósitos de terras raras


Minas Gerais

Em Araxá (MG), está a única reserva oficialmente reconhecida de terras raras do Brasil. Os minerais com terras raras nas rochas alcalinas são: apatita e calcita. Na região de Poços de Caldas (MG), há diversas empresas de mineração pesquisando para terras raras e já identificaram recursos de 950 milhões de toneladas com teor de 0,25% de TREO. As pesquisas do SGB também indicam ocorrências de terras raras no município de Tapira (MG), conhecido pelas mineralizações de fosfato, nióbio e titânio.



Goiás

O estado de Goiás é destaque nacional por ter uma mina ativa de elementos terras raras na cidade de Minaçu (GO). Os recursos estimados são de 910 milhões de toneladas. É a primeira mina fora da Ásia a operar um depósito de argila iônica – um tipo de mineralização considerada a principal fonte de terras raras pesadas do mundo e que possui o processo de extração de ETR com maior rentabilidade. Até então, apenas a China produzia terras raras em depósitos desse tipo. A mina de Serra Verde possui recursos medidos de cerca de 22 milhões de toneladas, conforme o relatório técnico da empresa de 2015.

O termo produção industrial de terras raras refere-se ao conjunto de operações, como processos físicos, químicos e metalúrgicos, necessários para transformar minérios contendo ETRs em produtos comercializáveis em escala industrial, em especial os óxidos de terras raras – produtos de alto valor agregado. A Mineração Serra Verde, em Minaçu (GO), comercializa como produto final um concentrado misto de óxidos de terras raras (REO – Rare Earth Oxides), com destaque para os elementos magnéticos críticos.

Em Nova Roma (GO), há um projeto com recursos de terras raras estimados em 168,1 milhões de toneladas. Além disso, há ocorrências nas regiões de Catalão (GO) e em outros corpos graníticos da Província Estanífera de Goiás (GO).



Amazonas

No Amazonas, há ocorrências identificadas no depósito de Seis Lagos, localizado a 64 km a nordeste do município de São Gabriel da Cachoeira. Esse é um depósito de nióbio com altas concentrações de terras raras. O recurso estimado é de 43,5 milhões de toneladas de ETR. É importante reforçar que a região é uma reserva legal índigena, portanto, a exploração é impedida por restrições legais.

O depósito de Pitinga, no município de Presidente Figueiredo (AM), é também conhecido como distrito mineiro de vários bens minerais, dos quais a cassiterita é o bem mineral principal. Os elementos terras raras são encontrados nos minerais xenotima, gagarinita, niobidatos e fluocerita. Desses, a xenotima é o principal mineral com terras raras. Esse depósito é considerado um dos poucos com potencial expressivo de ETRs pesados, mas ainda sem exploração dedicada.



Bahia

Na Bahia, o Complexo de Jequié tem depósito de bauxita conhecido e recentemente tem se destacado como uma província mineral com mineralizações de alto teor de terras raras (11,2% de TREO) associados a outros bens minerais como nióbio, urânio, tântalo, escândio, bauxita e gálio no Projeto Pelé. O depósito pesquisado pela Brazilian Rare Earth tem mineralização associada a rocha com teor de até 40,5% de TREO no Projeto Velhinhas e em rocha alterada, denominada areais de monazita que chegam a teor de 7, 9% no projeto Pelé.

Além deste, na região de Prado há depósito de monazita em minerais pesados da planície costeira. No início do século passado, a região de Cumuruxatiba foi produtora de monazita.



Sergipe

Em Sergipe, na porção norte do estado, há depósito de monazita em minerais pesados em antigos cordões litorâneos e dunas do delta do Rio São Francisco. Há recursos JORC totais de 196 milhões de toneladas com 0,4% de concentrado de monazita. Este é um novo projeto na região.



Entrevista com o diretor-presidente do SGB, Inácio Melo, sobre terras raras


1. Qual é o papel do SGB na agenda de minerais estratégicos, como as terras raras?


R: O SGB atua na identificação de áreas com potencial mineral, realiza mapeamentos, aquisição e processamento de dados geológicos, geoquímicos e geofísicos. Esses trabalhos subsidiam políticas públicas, orientam investimentos privados e fortalecem a presença do Brasil em cadeias produtivas globais ligadas à transição energética e ao desenvolvimento tecnológico.


2. Por que as terras raras são tão estratégicas para o Brasil e para o mundo? 

R: As terras raras são essenciais para tecnologias de baixo carbono, como turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias e equipamentos eletrônicos. Esses elementos também têm aplicações relevantes na indústria bélica e aeroespacial, sendo utilizados em caças, satélites e mísseis.

Embora não sejam escassas na natureza, são difíceis de extrair e processar, o que as torna críticas do ponto de vista tecnológico, econômico e ambiental. Além disso, a maior parte das reservas conhecidas estão concentradas na China, que domina também as tecnologias de beneficiamento e refino.

Nesse contexto, o Brasil, que possui a segunda maior reserva global de terras raras, tem uma posição estratégica e tem atraído atenção do mundo para diversificar a oferta, atrair investimentos, fortalecer cadeias produtivas e ampliar sua relevância geopolítica em temas ligados à transição energética e à inovação tecnológica. Esse é um ponto forte que pode ser evidenciado nas discussões internacionais.


3. O Brasil tem potencial para se tornar um líder global na produção de terras raras?


R: Sim. O Brasil possui a segunda maior reserva do mundo, concentrando 23% das reservas globais. Além disso, o país conta com projetos em expansão e pesquisas coordenadas pelo SGB que podem ampliar esse potencial e consolidar o país como um polo global estratégico na produção desses elementos.

Nossos pesquisadores realizam estudos em todo o território nacional para identificar novas áreas com potencial para terras raras. Estes estudos estimulam a atração de investimentos em pesquisa mineral, o desenvolvimento de projetos sustentáveis e o fortalecimento das cadeias produtivas ligadas à transição energética e à inovação tecnológica.

Também estamos avançando em parcerias com outros institutos de ciência e tecnologia e o setor privado para encontrar soluções que ajudem a superar as limitações tecnológicas e logísticas para que o Brasil possa transformar recursos estimados em depósitos minerais medidos e viáveis economicamente.


4. Quais são os principais projetos do SGB voltados para terras raras?


R: O principal é o Projeto de Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil, parte da linha “Minerais Estratégicos para Transição Energética”. Atuamos em diversas províncias geológicas nos estados de Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Paraná, São Paulo e Santa Catarina, além de pesquisas por meio de outros projetos em estados como Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Piauí.


5. Quais os desafios para que essas ocorrências e recursos se tornem produção efetiva?


R: Os principais desafios são tecnológicos, logísticos, ambientais e de viabilidade econômica. A maturação dos projetos exige tempo e investimento, além de soluções para garantir sustentabilidade ambiental. Em alguns casos, como em Seis Lagos e Repartimento, há restrições legais por serem áreas de proteção ambiental ou territórios indígenas. Os elementos terras raras, apesar de não serem raros no solo, estão presentes em concentrações muito baixas, o que exige tecnologias avançadas para separação, concentração e beneficiamento.

O país está avançando com políticas públicas para fortalecer a cadeia produtiva, visando desenvolver infraestrutura, atrair investimentos e capacitar mão de obra. Tudo isso é parte do esforço do governo federal para consolidar o país como um destino atrativo para o desenvolvimento de pesquisa mineral.

Há várias ações governamentais em curso, por exemplo, o edital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) com a chamada pública para seleção de planos de negócio para investimentos na transformação de minerais estratégicos para transição energética e descarbonização. Há também a chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para expansão e consolidação do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) – minerais estratégicos estão entre os temas. Outro exemplo é a criação do Primeiro laboratório-fábrica de ligas e ímãs de terras-raras do hemisfério sul (LabFabITR), iniciativa da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge).


6. Como o SGB apoia políticas públicas e investimentos privados nesse setor?

R: Oferecendo dados geocientíficos qualificados, atualizados e de acesso público. Nossos estudos orientam desde políticas de segurança energética até decisões de investidores que buscam oportunidades em minerais estratégicos. O conhecimento que geramos reduz incertezas e acelera o desenvolvimento de projetos.


7. O país tem potencial para outros minerais estratégicos?

R: O Brasil tem grande potencial geológico e abriga reservas/recursos minerais significativos de diversos minerais estratégicos, além das terras raras. Podemos destacar o lítio, fundamental para baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia; o nióbio, usado em superligas de alta resistência; o grafita e o grafeno, com aplicações em diversas tecnologias avançadas; e o cobre e o níquel, essenciais para a transição energética.

O SGB realiza pesquisas em diferentes regiões do país para identificar novas áreas promissoras e apoiar o aproveitamento sustentável desses recursos. Nos próximos dias, entregaremos o Plano Decenal de Pesquisa de Recursos Minerais (PlanGeo 2026–2035) — um documento estratégico que direciona a pesquisa mineral para a próxima década, alinhada com o planejamento do mapeamento geológico básico, definindo as áreas que serão estudadas nos próximos anos, em conformidade com as demandas nacionais e os desafios do cenário global.



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