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terça-feira, 5 de agosto de 2025

Pesquisadores aproveitam sargaço na fabricação de matéria-prima para construção civil

Algas marrons têm se deslocado em grandes quantidades para
praias da região Norte brasileira, do Caribe e dos Estados Unidos
(
foto: João Adriano Rossignolo/FZEA-USP)

Acúmulo dessas algas nas praias pode prejudicar a saúde, o turismo, a pesca e a biodiversidade. Geralmente seu destino é a coleta e o descarte em aterros, mas estudo da USP com a UFSCar aproveitou a biomassa para produzir agregados de argila cerâmica leve

 

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma argila cerâmica mais leve que a normalmente utilizada na construção civil graças à adição de algas do gênero Sargassum no processo de fabricação.

Comuns na região central do oceano Atlântico, essas algas marrons – também conhecidas como sargaço – têm se deslocado em grandes quantidades para praias do Caribe, dos Estados Unidos e da região Norte brasileira, onde tornaram-se um problema. Seu acúmulo nas praias pode trazer efeitos nocivos à saúde humana por causa dos gases emitidos durante a decomposição, além de prejudicar o turismo, a pesca e a biodiversidade local.

“Normalmente, o sargaço é coletado e descartado em aterros sanitários sem qualquer uso prático. Por isso, decidimos pesquisar uma forma de aproveitar essa grande quantidade de biomassa nas praias”, conta João Adriano Rossignolo, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), que coordenou o estudo.

Em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o grupo da USP testou o uso da alga na fabricação de argilas cerâmicas, utilizadas na construção civil para diminuir o peso do concreto, em lajes para melhorar o conforto térmico e na jardinagem. A investigação contou com apoio da FAPESP.

O sargaço foi incorporado às amostras nas proporções de 20% e 40% – e também 0%, para comparação. Em seguida, as amostras foram moldadas e sinterizadas (processo que compacta a argila por calor, tornando-a sólida) a temperaturas de 800 °C, 900 °C e 1.000 °C em fornos convencionais e de micro-ondas.

Material é usado para diminuir o peso do concreto, para melhorar
o conforto térmico em lajes e em jardinagem
(
foto: João Adriano Rossignolo/FZEA-USP)

Com os materiais prontos, foram realizados diversos ensaios para avaliar fatores como absorção de água, porosidade e resistência à compressão. Além disso, foi feita uma comparação entre o ciclo de vida (metodologia que avalia os impactos ambientais de um produto desde a extração da matéria-prima até o descarte final) da argila expandida convencional e das diferentes formulações acrescidas de sargaço.

Os resultados, publicados no Journal of Materials in Civil Engineering, indicam que a adição de sargaço levou a uma redução na densidade aparente dos agregados de argila cerâmica leve, especialmente na concentração de 40%. No entanto, apenas os materiais sinterizados em forno de micro-ondas atenderam aos requisitos de resistência para todas as temperaturas. Quanto ao ciclo de vida, as versões com sargaço apresentaram melhor desempenho ambiental em comparação à argila expandida comum.

Isso levou os pesquisadores a concluir que os agregados de argila cerâmica leve com sargaço sinterizado em forno micro-ondas são uma alternativa viável para mitigar os prejuízos provocados pela grande quantidade da alga no litoral, com consumo reduzido de recursos naturais e maior eficiência energética.

Além desse trabalho, a equipe avaliou a viabilidade de usar a alga na produção de painéis particulados, destinados à indústria de móveis e à construção civil, e em telhas de fibrocimento, colocando as cinzas de sargaço como substitutas do calcário. “Os resultados foram surpreendentes, pois conseguimos usar 30% de sargaço nos painéis e substituir 100% do calcário com as suas cinzas, com resultados que atendem plenamente às normas vigentes para esses produtos e melhoram a durabilidade e as propriedades mecânicas dos materiais”, diz Rossignolo.

O artigo Life cycle assessment of lightweight ceramic clay aggregates sintered in a microwave oven with the incorporation of Sargassum spp. particles pode ser lido em: https://ascelibrary.org/doi/10.1061/JMCEE7.MTENG-20224.


Thais Szegö

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/pesquisadores-aproveitam-sargaco-na-fabricacao-de-materia-prima-para-construcao-civil/55490


Abuso em voo expõe falha na segurança e acende alerta para proteção de crianças no transporte aéreo

Caso de menor que teve iPad usado para atos obscenos por funcionário terceirizado nos EUA levanta debate sobre os direitos de passageiros vulneráveis no Brasil

 

Dias depois de uma criança perder o tablet durante um voo nos Estados Unidos, a família descobriu que um funcionário terceirizado da companhia havia utilizado o dispositivo para gravar atos obscenos e acessar indevidamente contas pessoais. O caso, que gerou processo judicial nos Estados Unidos, reacende discussões no Brasil sobre a responsabilidade das companhias aéreas, especialmente quando envolvem passageiros vulneráveis como crianças e adolescentes. 

No Brasil, a legislação não permite que empresas se isentem de responsabilidade alegando que os autores de abusos são terceirizados. “O Código de Defesa do Consumidor prevê responsabilidade solidária de todos os envolvidos na cadeia de prestação de serviços. Assim, a companhia aérea responde diretamente por condutas praticadas por funcionários terceirizados durante o voo ou em atividades relacionadas”, explica Rodrigo Alvim, especialista em Direito dos Passageiros Aéreos. 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já analisou situação similar em 2021, ao condenar uma companhia aérea que desembarcou um adolescente na cidade errada. O tribunal reconheceu que situações de insegurança com menores geram, automaticamente, direito à indenização, sem necessidade de comprovação de dano psicológico específico. "Nos casos envolvendo crianças, os tribunais aplicam o entendimento de que os danos morais são presumidos. A simples violação do direito já é suficiente para justificar a reparação", ressalta. 

Passageiros que passam por esse tipo de situação no Brasil têm direito à reparação integral, que abrange danos materiais, morais e, quando necessário, custos de tratamento psicológico. Em caso de menores de idade, o direito à indenização é ainda mais evidente. 

"Esse tipo de violação não pode ser tratado como algo isolado ou acidental. As empresas têm o dever legal e ético de garantir a segurança de todos os passageiros, especialmente os mais vulneráveis", conclui o especialista. 


O que fazer nestes casos? 

De acordo com o especialista, diante de situações que envolvam a perda de objetos pessoais durante o voo, especialmente quando há suspeita de uso indevido, é fundamental que os passageiros ajam rapidamente. “O primeiro passo é registrar o ocorrido assim que for identificado, buscando imediatamente o setor de achados e perdidos da companhia aérea. É importante manter todos os registros relacionados ao caso como e-mails, protocolos de atendimento, prints de mensagens ou qualquer outra forma de comunicação com a empresa”, explica Alvim. 

De acordo com Alvim, caso haja violação de dados, acesso indevido a contas pessoais ou qualquer outro tipo de abuso, a recomendação é procurar orientação jurídica especializada. Em situações que envolvam crianças e adolescentes, o Ministério Público também pode ser acionado para garantir medidas protetivas e responsabilização dos envolvidos. 

Além disso, o especialista reforça que os passageiros devem exigir reparação integral dos danos sofridos, que podem incluir desde prejuízos materiais até compensações por danos morais e custos com eventuais tratamentos psicológicos. Agir de forma rápida e documentada aumenta as chances de responsabilização da empresa e de obtenção de justiça. 





Fonte:

Rodrigo Alvim: - Mestre em Direito pela PUC/MG. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com um semestre na Univesidad de Barcelona. Possui MBA em gestão empresarial pela FGV. É especialista em Direito dos Passageiros Aéreos


Confiança do consumidor paulista cai 5 pontos em julho e volta ao nível negativo

  Freepik
Indicador da Associação Comercial de São Paulo sugere que os juros e o endividamento elevados começam a segurar o ímpeto do consumidor

 

O Índice de Confiança do Consumidor Paulista (ICCP), divulgado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), voltou ao patamar negativo em julho ao recuar 5 pontos na variação mensal, atingindo 95 pontos. O indicador varia de zero a 200 pontos, sendo que resultados abaixo de 100 mostram um consumidor pessimista.

Segundo Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, “a piora da confiança dos consumidores paulistas, pode ser explicada pelo alto grau de endividamento das famílias e pelos efeitos negativos das elevadas taxas de juros sobre a atividade econômica.”

Segundo ele, “a desaceleração econômica, que já se manifesta no estado de São Paulo, poderá continuar gerando queda na confiança dos consumidores ao longo dos próximos meses.”

No recorte por classes socioeconômicas, o ICCP apresentou resultados mistos: houve aumento de confiança entre famílias da classe DE e queda entre aquelas das classes AB e C.

A percepção das famílias quanto à situação financeira atual piorou, com destaque para a redução da segurança no emprego. Além disso, houve deterioração nas expectativas futuras em relação à renda e ao mercado de trabalho.


Cidade de São Paulo

A ACSP também elabora o Índice de Confiança do Consumidor da Cidade de São Paulo (ICCSP), que recuou 6,4% na passagem de junho para julho, chegando aos 87 pontos. Os motivos para o recuo são os mesmos apontados por Ruiz de Gamboa para o indicador que mede o humor do consumidor paulista.

Na capital, a confiança caiu em todas as classes sociais, com destaque para a classe AB que apresentou a maior retração. Também houve piora das percepções em relação à situação atual, com redução da segurança no emprego e das expectativas futuras de emprego e renda.

Segundo a ACSP, quando os indicadores de confiança recuam, apontam que os consumidores estão menos dispostos a adquirir bens de maior valor.

 


Redação DC
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/confianca-do-consumidor-paulista-cai-5-pontos-em-julho-e-volta-ao-nivel-negativo


Currículos são rejeitados por robôs antes de chegar aos recrutadores, alerta especialista

Gestor de carreiras e fundador da FM2S explica como palavras-chave fazem diferença na seleção automatizada de candidatos

 

Com a digitalização dos processos de recrutamento, muitos profissionais têm seus currículos descartados antes mesmo de chegarem às mãos de um avaliador humano. O motivo? A linguagem usada no documento. Segundo Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, gestor de carreiras e PhD pela Unicamp, o uso incorreto de termos pode fazer com que o currículo "não fale a língua" dos sistemas automatizados que fazem o primeiro filtro nos processos seletivos.

 

"Hoje, quem rejeita seu currículo, na maior parte das vezes, é uma máquina. E, se você não usar as palavras certas, ela simplesmente ignora o seu perfil, independentemente da sua formação ou experiência", explica Santos, que atua como gestor de carreiras e já capacitou milhares de profissionais em empresas e universidades.

 

Os sistemas chamados de Applicant Tracking Systems (ATS) funcionam como leitores automáticos que escaneiam os currículos em busca de palavras-chave. Se o documento não contiver os termos corretos – geralmente extraídos da descrição da própria vaga – o candidato é automaticamente excluído do processo.

 

"Não basta ter pós-graduação, experiência internacional ou saber três idiomas. Se o seu currículo não mencionar exatamente o que a vaga pede, como 'gestão de projetos' ou 'análise de dados', por exemplo, as chances de ser descartado são enormes", afirma. Segundo dados da plataforma americana Jobscan, palavras-chave como "gestão de equipe", "Lean Six Sigma", "indicadores de performance", "atendimento ao cliente" e "Power BI" estão entre as mais bem ranqueadas em processos seletivos automatizados.

 

"A recomendação é que o profissional ajuste seu currículo para cada vaga, espelhando os termos usados pelas empresas. Um currículo bem escrito, com as palavras certas, pode aumentar em até 80% as chances de o candidato ser chamado para entrevista, de acordo com estudos da própria Jobscan", alerta Santos. Segundo ele, currículo não é apenas um relato de experiências, mas uma ferramenta estratégica. "Um bom currículo hoje não é aquele que mostra tudo o que você já fez, mas o que mostra o que o mercado quer ver – com verdade, precisão, contexto e a terminologia certa".

 

Além de personalizar o conteúdo, o especialista recomenda atenção ao título do currículo, que deve ser objetivo e direcionado. Termos genéricos como "profissional versátil" ou "em busca de novos desafios" não agregam. "Um título como 'analista de processos com foco em melhoria contínua e Lean Six Sigma' comunica com muito mais clareza e impacto", completa.

 

Na avaliação de Virgilio Marques dos Santos, a dificuldade em ser notado por recrutadores não está necessariamente ligada à qualificação dos candidatos, mas à capacidade de traduzir essa experiência na linguagem dos processos seletivos atuais.

 

"Hoje, ser competente é pré-requisito. O diferencial está em saber como comunicar essa competência de forma estratégica. Não se trata de inflar o currículo, mas de aprender a moldá-lo para cada contexto — como quem escreve um texto pensando no leitor certo", conclui.

 

Com a automação crescente no recrutamento e seleção, ele reforça: entender os filtros do sistema pode ser o que separa um candidato ignorado de um convocado para entrevista.

 

Virgilio Marques dos Santos - sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria



Êxodo de milionários: 1,2 mil devem deixar o Brasil até o final de 2025

Thinkstock
Estados Unidos, especialmente o estado da Flórida, lideram a preferência dos brasileiros endinheirados. Eles se somarão à já extensa comunidade de ricos e famosos estabelecida no país

 

O mundo deve assistir a uma migração recorde de milionários em 2025, com a mudança internacional de cerca de 142 mil deles. Do total, 1,2 mil devem sair do Brasil, representando o maior êxodo entre os países da América Latina, seguido pela Colômbia, com 150 milionários a menos. Em termos financeiros, a mudança dos endinheirados brasileiros pode gerar a fuga de um patrimônio estimado em US$ 8,4 bilhões do país, cerca de R$ 46,4 bilhões.

Os dados fazem parte do Relatório de Migração de Patrimônio Privado Henley 2025, divulgado pela consultoria internacional de investimentos Henley & Partners e pela empresa global de inteligência patrimonial New World Wealth.

Globalmente, os destinos escolhidos pelos afortunados são, em primeiro lugar, os Emirados Árabes Unidos, com entrada líquida prevista de 9,8 mil milionários, e, em segundo, os Estados Unidos, com saldo positivo de 7,5 mil migrantes endinheirados. Já para os brasileiros, a terra natal do Mickey Mouse e dos parques da Disney lidera a preferência, seguida por Portugal, Ilhas Cayman, Costa Rica e Panamá.


Destino de ricaços e celebridades

Não é de hoje que os EUA são a opção número um de muitos brasileiros bem-sucedidos. Dos bilionários que fazem ou já fizeram parte da lista da Forbes há vários. Alexandre Behring (3G Capital), Pedro Franceschi e Henrique Dubugras (fundadores da Brex), além de Flávio Augusto da Silva (Wiser Educação) são apenas alguns dos que moram há anos por lá. Outros possuem imóveis e se dividem entre os dois países, como o investidor Julio Bozano e o empresário Joesley Batista.

Já o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, colocou à venda este ano o apartamento que possuía na Porsche Design Tower, o suntuoso edifício em Sunny Isles Beach (Flórida) onde era vizinho do jogador argentino Lionel Messi.

Destino dos milionários

Milionários recebidos

Valor recebido (US$ bilhões) 

Emirados Árabes Unidos

9.800

63.0

Estados Unidos

7.500

43.7

Itália

3.600

20.7

Suíça

3.000

18.4

Arábia Saudita

2.400

16.8

Singapura

1.600

8.9

Portugal

1.400

8.1

Grécia

1.200

7.7

Canadá

1.000

5.7

Austrália

1.00

5.6


Fora os bilionários, a lista de ricos e famosos brasileiros que moram ou mantêm imóveis e passam temporadas nos Estados Unidos é enorme. Entre atores, modelos, cantores e dançarinos estão Humberto Martins, Leandro Hassum, Jorge Bem Jor, Carla Perez e Xanddy, que escolheram Orlando, na Flórida. Gisele Bündchen e Anitta, em Miami (Flórida). Rodrigo Santoro, Cláudia Leitte, Alice Braga e Ludmila Dayer, preferiram Los Angeles, na Califórnia.


Por que os EUA?

Os 7,5 mil novos migrantes internacionais que se mudarão para os EUA em 2025 levarão com eles US$ 43,7 bilhões (R$ 241,4 bilhões) e encontrarão um país que já conta com uma quantidade significativa de milionários, centimilionários (aqueles com fortuna acima de US$ 100 milhões ou mais de R$ 550 milhões) e bilionários (mais de US$ 1 bilhão ou R$ 5,5 bilhões).

De acordo com a Henley & Partners, a nação é o lar de mais de 6 milhões de indivíduos com patrimônio líquido acima de US$ 1 milhão, que representam 37% de toda a população milionária mundial, além de 36% dos centimilionários (pouco mais de 10,8 mil pessoas) e 33% dos bilionários (867 cidadãos).

Apesar de uma quantidade crescente de norte-americanos fazerem o caminho oposto e se mudarem para outros países, nos últimos dez anos (2014 a 2024) os EUA apresentaram um impressionante crescimento de 78% no número de milionários. Hoje, eles detêm uma participação de 34% no patrimônio privado líquido global.

“Os Estados Unidos reforçam seu apelo duradouro como um importante centro de talentos e riqueza globais, permanecendo no topo do ranking dos 10 países mais ricos do mundo. Essa força reflete mais do que apenas o desempenho econômico — sinaliza uma mudança mais ampla na forma como o capital global está se reposicionando”, afirma o economista sênior internacional e cientista político Peter Middlebrook, CEO da consultoria Geopolicity Inc.

Ele explica que os pilares dessa atratividade estão em um ecossistema de inovação maduro e mercados financeiros robustos. “A migração de riqueza para os Estados Unidos é cada vez mais moldada por fatores estruturais de longo prazo, em vez de dinâmicas políticas de curto prazo, ressaltando a resiliência e a atratividade estratégica do país em um cenário global em evolução”, completa.

O economista ressalta as iniciativas para atração de criadores de riqueza e inovação por meio de caminhos favoráveis a investimentos. Somado a isso, o surgimento de regiões de baixa densidade e alto crescimento chama a atenção. Cidades como Austin, no Texas, e Miami, na Flórida, vêm se tornando novos redutos de riqueza que emergem além das tradicionais cidades costeiras.


Altos e baixos no mundo

Na outra ponta, o Reino Unido é a localidade com o pior desempenho da lista, com a saída de 16,5 mil milionários e US$ 91,8 bilhões (R$ 506,7 bilhões). O país, que já vinha perdendo atratividade desde o Brexit (a retirada da União Europeia), teve sua situação agravada depois das reformas tributárias de 2024, que aumentaram consideravelmente os impostos sobre ganhos de capital e herança. Outras partes da Europa, vistas como jurisdições de impostos favoráveis, como Mônaco e Malta, bem como paraísos de estilo de vida, como Itália, Grécia, Portugal e Suíça, estão atraindo parte desses milionários.

O contraste dramático com o Reino Unido, no entanto, vem do Oriente Médio. Os Emirados Árabes, líderes na entrada de milionários, com 9,8 mil afortunados e patrimônio de US$ 63 bilhões (R$ 347,7 bilhões), conceberam a estratégia de atração de riqueza mais bem-sucedida da era moderna, segundo os pesquisadores.


Origem dos milionários

Milionários perdidos 

Valor perdido (US$ bilhões)

Reino Unido

16.500

91.8

China

7.800

55.9

Índia

3.500

26.2

Coréia do Sul

2.400

15.2

Rússia

1.500

14.7

Brasil

1.200

8.4

França

800

4.4

Espanha

500

3.1

Alemanha

400

2.2

Israel 

350

2.5

O estudo destaca que, com uma política de imigração acolhedora, imposto de renda zero, infraestrutura de primeira linha, estabilidade política e “estrutura regulatória que trata o capital como parceiro e não como presa”, os Emirados evoluíram de um polo regional para um polo global de riqueza.

Já na Ásia, a Coreia do Sul é o destaque negativo, com menos 2,4 mil indivíduos. A China, por sua vez, é um grande paradoxo, segundo os pesquisadores. Apesar da perda líquida de 7,8 mil milionários em 2025, o número é o menor em anos. O dado poderia ser sinal de uma virada, impulsionada pelo crescimento de setores como o de tecnologia, private banking, saúde e entretenimento.

Assim como a China, os principais países do Brics também registraram déficits menores na comparação com anos anteriores. A única exceção foi o Brasil, com a piora de seu desempenho.

“Uma onda histórica de migração de riqueza está remodelando o cenário financeiro global. Longe de ser uma curiosidade estatística, esse movimento em massa de milionários representa a maior transferência voluntária de capital privado da história moderna”, diz Juerg Steffen, CEO da Henley & Partners.

Segundo ele, os dados indicam que está em jogo uma profunda mudança na influência econômica global, à medida que os países competem não apenas por talentos, mas também pelas fortunas que os acompanham. “Estamos assistindo a um movimento em que alguns vêm emergindo como novos refúgios de prosperidade, enquanto outros saem perdedores em uma corrida global acelerada por riqueza.”

 

Estela Cangerana, dos Estados Unidos

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/exodo-de-milionarios-1-2-mil-devem-deixar-o-brasil-ate-o-final-de-2025



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