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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Extrato de própolis mostra ação antiviral contra zika, chikungunya e mayaro

A pesquisa foi feita com a própolis produzida pelas
 abelhas nativas sem ferrão 
Scaptotrigona aff postica 
(
foto: Alex Popovkin/Wikimedia Commons)

Pesquisa conduzida no Instituto Butantan busca identificar um composto que possa ser usado tanto na prevenção quanto no tratamento de arboviroses

 

Pesquisa realizada por cientistas do Instituto Butantan, em São Paulo, constatou que o extrato aquoso de própolis é capaz de combater a replicação dos vírus zika, chikungunya e mayaro. Os três patógenos são transmitidos pela picada de mosquitos que circulam no Brasil e causam doenças infecciosas (arboviroses) para as quais ainda não existem vacina nem tratamento específico disponível, o que motiva a busca por compostos com potencial antiviral. O extrato foi testado in vitro e reduziu significativamente a carga viral dos três vírus.

O estudo, conduzido no Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinalização Celular (CeTICS), foi liderado pelos pesquisadores Pedro Ismael Silva Júnior, do Laboratório de Toxicologia Aplicada, e Ronaldo Mendonça, do Laboratório de Parasitologia do Butantan. Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports.

Esta não é a primeira vez que o grupo investiga o potencial antiviral e antibacteriano da própolis. Estudo anterior da equipe, feito com extrato hidroalcoólico da substância, já havia indicado intensa atividade contra os vírus herpes, influenza e rubéola. A partir dos primeiros resultados, os cientistas decidiram avaliar se o extrato aquoso teria a mesma atividade em outros tipos de vírus também importantes do ponto de vista de saúde pública no país.


Preparação do extrato e análise

Para chegar aos resultados, o grupo utilizou a própolis produzida pelas abelhas nativas sem ferrão Scaptotrigona aff postica, originadas de uma colônia na região de Barra do Corda, no Maranhão. A própolis foi obtida por meio da raspagem da caixa de meliponicultura, formando uma espécie de pasta. Esse material foi transportado e congelado a -20°C, formando uma pedra de própolis congelada.

Essa pedra foi macerada manualmente até se tornar um material granulado, que foi passado em peneiras. Em seguida, o produto foi moído de forma a se transformar num composto ainda mais fino, para novamente passar por peneiras granulométricas e se transformar em pó. Por fim, os pesquisadores adicionaram água ultrapurificada ao pó e o material foi centrifugado por 30 minutos para haver a separação da cera do meio líquido. O sobrenadante (a fase líquida que fica por cima) foi filtrado e o produto foi considerado 100% purificado.

imagem: acervo dos pesquisadores

Para determinar a ação antiviral do extrato de própolis, os pesquisadores infectaram células VERO (linhagem originária de rim de macaco, muito usada nesse tipo de estudo), que foram cultivadas a 37°C em microplacas. O crescimento e a morfologia dessas células foram monitorados pela equipe diariamente. “A gente contaminou as culturas com os três vírus em questão e aplicamos somente uma vez a substância que queríamos analisar, na proporção de 10% de volume. A partir de então, fizemos uma diluição seriada, ou seja, fomos diminuindo a quantidade dessa solução para ver qual quantidade impediria o vírus de se multiplicar”, explicou Silva Júnior.

Os pesquisadores observaram que o extrato aquoso de própolis purificado promoveu uma redução de 16 vezes na carga viral do zika e de 32 vezes na do vírus mayaro. No caso do chikungunya, a redução foi ainda mais significativa, de 512 vezes.


Mais pesquisas

Por enquanto, os resultados alcançados estão restritos ao ambiente de laboratório, mas a pesquisa continua. Numa segunda etapa do trabalho, o grupo coletou própolis mês a mês, para associar o produto final à florada de cada período. Isso porque a abelha Scaptotrigona aff postica utiliza as plantas da região do Maranhão, que são diferentes das plantas existentes no Sudeste, e, por isso, provavelmente, a própolis obtida tem componentes específicos relacionados às espécies endêmicas do local.

“Nós já observamos que existem diferenças ao longo do ano. Agora queremos identificar em que época aparece a substância com ação antiviral, porque queremos associar à planta que a abelha utiliza para a produção da própolis”, explicou Silva Júnior.

É importante destacar que a própolis do estudo é diferente da comercial encontrada nas farmácias. O produto vendido ao consumidor, em geral, é um extrato alcoólico que mistura todos os componentes da própolis e, na maioria das vezes, costuma vir da espécie Apis mellifera (abelha europeia), que predomina nos apiários. Já a própolis usada nessa pesquisa vem da abelha nativa do Brasil Scaptotrigona aff postica e os compostos com atividade antiviral são separados, purificados e isolados.


Bioativos

A busca por potenciais medicamentos na natureza – os famosos compostos bioativos – é um dos grandes focos da ciência. O Brasil tem uma área muito extensa com fauna e flora extremante variada e utilizar substâncias originadas da nossa floresta é muito importante, tanto do ponto de vista científico quanto econômico, pois isso pode reduzir os custos do produto final.

O pesquisador ressalta que o objetivo da pesquisa é tentar identificar um composto que possa ser usado tanto na prevenção quanto no tratamento de pessoas infectadas pelos vírus. “A gente ainda não tem elementos para chegar a esse ponto, mas a ideia é alcançar os dois objetivos”, afirmou Silva Júnior.

Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. “Se estamos pensando em criar um possível medicamento, muitos outros estudos terão de ser feitos. Essa é uma descoberta superimportante, mas os resultados foram obtidos in vitro. Ainda será preciso fazer pesquisas in vivo com camundongos e cobaias para verificar se o efeito antiviral se confirmaria e, só posteriormente, iniciar pesquisas em seres humanos”, finalizou.

O artigo Antiviral action of aqueous extracts of propolis from Scaptotrigona aff. postica (Hymenoptera; Apidae) against Zica, Chikungunya, and Mayaro virus pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41598-024-65636-7.
  


Fernanda Bassette
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/extrato-de-propolis-mostra-acao-antiviral-contra-zika-chikungunya-e-mayaro/53202


Estudo sobre DIU e câncer de mama exige cautela na interpretação dos resultados, alerta médica especialista

Médica explica que o método contraceptivo é seguro e eficaz, afirmando que não é necessário gerar pânico


Um estudo recente do Instituto do Câncer Dinamarquês trouxe à tona a relação entre o uso de dispositivos intrauterinos (DIUs) hormonais e o aumento do risco de câncer de mama. Com dados que envolveram mais de 78 mil mulheres, a pesquisa sugere que o uso de DIUs que liberam o hormônio levonorgestrel pode estar associado a um risco 40% maior de desenvolver a doença. Especialistas enfatizam a importância de analisar essas descobertas com cautela para evitar complicações desnecessárias entre as mulheres que utilizam o método contraceptivo. 

Alexandra Ongaratto, coordenadora e médica do Instituto GRIS, destaca que, embora os resultados sejam relevantes, é fundamental interpretá-los no contexto de outros fatores de risco e benefícios. "O DIU hormonal é um método contraceptivo amplamente seguro e eficaz. Esses resultados não devem gerar pânico, mas sim servir como mais uma peça de informação para que cada mulher, junto com seu médico, possa considerar as opções que melhor atendem ao seu perfil de saúde”, explica Ongaratto. 

Ela aponta que o risco associado ao uso do DIU hormonal é semelhante a outros métodos contraceptivos hormonais, como os anticoncepcionais orais. “Assim como acontece com pílulas anticoncepcionais, a presença do hormônio levonorgestrel no DIU pode influenciar no risco de câncer de mama, mas trata-se de um risco relativo e, em muitos casos, é compensado pelos benefícios que o método oferece em termos de eficácia e comodidade", diz. 

Rosangela de Paula Alves, 41 anos, mãe e diarista, foi diagnosticada com câncer de mama há alguns meses, uma notícia que a lançou em uma busca intensa por respostas e esclarecimentos. Como muitas mulheres, ela se deparou com uma avalanche de informações, o que despertou inquietações sobre seu histórico de uso do DIU como método contraceptivo. 

"Quando li sobre a possível relação entre o DIU e o câncer de mama, senti uma preocupação imediata, pois usei esse método por anos", comenta. Embora essa ligação ainda não seja conclusiva, Rosangela percebeu a importância de se informar e entender melhor os fatores que podem ter influenciado sua saúde.


Avanços nas pesquisas 

Além disso, novos avanços na pesquisa genética têm ajudado a compreender melhor as predisposições ao câncer de mama, especialmente entre mulheres jovens. A descoberta de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, responsáveis por uma maior predisposição ao câncer de mama e ovário, permite que mulheres de risco elevado sejam monitoradas de forma mais precisa. “Com esses estudos genéticos, conseguimos personalizar o acompanhamento para mulheres que têm uma maior probabilidade de desenvolver a doença, o que aumenta as chances de detecção precoce e tratamento eficaz”, comenta Alexandra. 

A medicina também aponta a importância de focar em um entendimento mais amplo sobre o câncer de mama, que considere tanto fatores genéticos quanto comportamentais. Ela reforça a necessidade de uma conscientização que informe sem alarmar: "O mais importante é incentivar as mulheres a buscar informações e fazer escolhas baseadas em dados e orientações médicas. Levar em contato com os avanços que oferecem diagnósticos e tratamentos mais precisos, mas sem esquecer que a saúde feminina é um espectro amplo e que cada decisão deve ser individualizada”, conclui. 

Rosangela, que teve de enfrentar o difícil caminho do diagnóstico de câncer de mama, sabe o quanto surgem dúvidas e receios ao longo do tratamento. "É essencial buscar informações confiáveis e conversar com o médico sobre todas as questões que nos preocupam," comenta. A relação entre métodos contraceptivos hormonais e o câncer de mama continua sendo atualizado e, com o avanço da ciência, Alexandra reforça a importância de olhar para cada estudo como uma ferramenta para a tomada de decisões mais informadas e equilibradas.

 

Instituto GRIS



Anvisa aprova novo medicamento para tratamento de dermatite atópica moderada e grave em adultos e crianças a partir de 12 anos

  EBGLYSS (lebriquizumabe) é uma injeção de manutenção mensal aprovada para pacientes que não controlaram a doença com terapias tópicas[1]. O medicamento se mostrou eficaz e seguro em diversos tipos de pele com eczema[2]

 

  • EBGLYSS é um novo tratamento biológico para dermatite atópica moderada a grave que não foi bem controlada com tratamentos tópicos e proporciona eficácia duradoura para os pacientes ao longo de um ano com uma dose de manutenção mensal1 2
  • Em média, 43% dos pacientes que utlizaram EBGLYSS sentiram melhora do quadro geral da doença em 16 semanas e com alívio significativo da coceira em duas semanas.1 2
  • Das pessoas que sentiram alívio da coceira na semana 16, 85% mantiveram esse alívio em um ano de tratamento com dose de manutenção mensal.[3]


 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento EBGLYSS® (lebriquizumabe) para tratamento de dermatite atópica (eczema) moderada a grave em adultos e crianças a partir de 12 anos.1 O fármaco injetável e de manutenção mensal de tratamento da Eli Lilly and Company é uma nova opção para pacientes que não conseguiram controlar a doença com terapias tópicas. 

Considerada crônica, a dermatite atópica (DA) é uma doença caracterizada por sintomas como coceira, ressecamento e espessamento da pele nas lesões, geralmente localizados em áreas de dobra, como braços, joelhos e pescoço. Pessoas de todas as idades podem ser afetadas pela doença, que pode se manifestar de diferentes formas ao longo da vida e a depender de gatilhos externos, como alergias e estresse.[4], [5] 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia apontam que até 25% das crianças e cerca de 7% da população adulta podem ser acometidos pela DA no Brasil. 5 

A aprovação pela Anvisa considerou resultados de três estudos clínicos de fase 3, ADvocate 1, ADvocate 2 e ADhere, que incluíram mais de 1000 pacientes entre adultos e crianças com 12 anos ou mais com eczema moderado a grave que não conseguiram controlar seus sintomas com medicamentos tópicos ou outros tratamentos sistêmicos convencionais.2 

Em dois dos estudos, 38% dos participantes que receberam EBGLYSS apresentaram melhora na resolução das lesões de pele em 16 semanas (contra 12% com placebo) e 10% já observaram as alterações significativas versus placebo em quatro semanas.2 [6] Dentre esses, 77% mantiveram os resultados após um ano com posologia de manutenção mensal (em comparação com 48% que foram randomizados para descontinuar EBGLYSS). 

Com relação ao alívio de coceiras, um dos sintomas mais comuns relatados por pacientes diagnosticados com a doença4, 5 , em média, 43% dos participantes que receberam o medicamento sentiram alívio da coceira em 16 semanas (em comparação com 12% que tomaram placebo) e 5% sentiram alívio em até duas semanas.1 2 3  

O grupo que relatou alívio também demonstrou a manutenção do sintoma no longo prazo, com 85% relatando alívio de prurido (coceira) depois de um ano de tratamento com dose de manutenção mensal (em comparação com 66% que foram randomizados para descontinuar o EBGLYSS).Erro! Indicador não definido.  

“Os pacientes ainda lutam para controlar sua dermatite atópica moderada a grave com as terapias atualmente disponíveis. Muitos experimentam um mau controle da doença a longo prazo, e a coceira grave pode afetar significativamente suas vidas diárias”, disse Jonathan Silverberg, M.D., Ph.D., M.P.H., professor de dermatologia da Escola de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade George Washington, em Washington, DC, e primeiro autor do manuscrito do New England Journal of Medicine resumindo os ensaios clínicos do EBGLYSS.2 

“Pessoas que convivem com dermatite atópica enfrentam barreiras importantes para controlar sintomas que, em muitos casos, limitam a vivência social e afetam a saúde mental dessas pessoas e seus familiares. Estamos muito felizes com a aprovação de uma nova opção de tratamento que pode contribuir com uma melhoria de vida para pacientes e suas famílias”, afirma Luiz Magno, diretor médico da Eli Lilly do Brasil. 

“A Lilly conta com um portfólio robusto de dermatologia e outras doenças imunomediadas. Seguimos olhando para o futuro, investindo em pesquisa e desenvolvimento, para ampliarmos nosso portfólio de imunologia e oferecer tratamentos que podem ajudar as pessoas a controlar a doença e alcançar a sua remissão a longo prazo”, complementa. 

 

Resultados em diferentes tipos de pele 

Em abril de 2024, a Lilly anunciou resultados de um estudo projetado especificamente para pessoas com peles étnicas com dermatite atópica moderada a grave. O estudo de fase 3 ADmirable6, que avaliou tratamento da doença com lebriquizumabe mostrou que 68% dos participantes apresentaram uma melhora em pelo menos 75% da extensão e gravidade da doença, 39% experimentaram melhora na resolução de manchas e 55%, alívio de coceira em regiões afetadas pela dermatite atópica6. Isso reforça ainda mais o potencial de EBGLYSS como um tratamento biológico de primeira linha para dermatite atópica moderada a grave subsequente às terapias de prescrição tópica em peles étnicas.6-[7] 

Na dermatologia, o termo peles étnicas é utilizado para se referir a indivíduos de grupos raciais ou étnicos específicos e com pele mais escura do que a caucasiana, como asiáticos, africanos, povos originários das Américas e das ilhas do Pacífico – em inglês, usa-se skin of color. Existe uma diversidade de doenças e respostas a estímulos cutâneos em cada um desses grupos, assim como práticas culturais variadas relativas aos cuidados com a pele.Erro! Indicador não definido.

 

Como atua o medicamento

EBGLYSS é um anticorpo monoclonal que tem como alvo a inibição da interleucina IL-13, responsável pela inflamação que resulta nos sintomas clássicos da doença, como manchas avermelhadas ou escuras, coceira e ressecamento.7 [8][9][10][11]

A injeção aprovada pela Anvisa, de 250 mg/2 mL, pode ser usada com ou sem corticosteroides tópicos e é administrada como uma única injeção de manutenção mensal, de 250 mg a cada quatro semanas após o período de indução do tratamento.1 

Os efeitos colaterais mais comuns do EBGLYSS incluem inflamação dos olhos e pálpebras, como vermelhidão, inchaço e coceira, reações no local da injeção e herpes zoster. EBGLYSS é contraindicado em pessoas com hipersensibilidade grave prévia ao lebriquizumabe ou a qualquer um dos seus excipientes. O período de manutenção foi geralmente consistente com o perfil de segurança de 16 semanas ao longo de vários estudos.1  

Com a aprovação pela Anvisa, a Lilly aguarda o andamento de outros trâmites importantes para disponibilizar EBGLYSS no mercado nacional. A Lilly tem direitos exclusivos para o desenvolvimento e comercialização do EBGLYSS nos EUA e no resto do mundo fora da Europa. A Almirall S.A., parceira da Lilly, licenciou os direitos de desenvolvimento e comercialização do EBGLYSS para o tratamento de indicações dermatológicas, incluindo eczema, na Europa.

 

Sobre ADvocate 1 e ADvocate 2

ADvocate 1 e ADvocate 2 são estudos de Fase 3 randomizados, duplo-cegos, controlados por placebo, de grupo paralelo, globais, de 52 semanas, desenhados para avaliar EBGLYSS como monoterapia em adultos e crianças (com idade entre 12 e menos de 18 anos de idade e pesando pelo menos 40 kg) com dermatite atópica moderada a grave.2 3 

Durante o período de indução do tratamento de 16 semanas, os pacientes receberam EBGLYSS 500 mg inicialmente e em duas semanas, seguido por EBGLYSS 250 mg ou placebo a cada duas semanas. No período de manutenção, os pacientes com dermatite atópica moderada a grave que alcançaram uma resposta clínica em 16 semanas de tratamento com EBGLYSS foram randomizados novamente para receber EBGLYSS a cada duas semanas ou quatro semanas ou placebo por mais 36 semanas. Os pacientes que necessitaram de tratamento de resgate durante o período de indução ou que não preencheram os critérios de resposta definidos pelo protocolo em 16 semanas passaram para o braço de tratamento aberto do estudo e receberem EBGLYSS a cada duas semanas por mais 36 semanas.2 3 

O desfecho primário foi medido por um escore da Avaliação Global do Investigador (IGA) de pele livre de lesões (0) ou quase livre de lesões (1) com uma redução de pelo menos dois pontos em relação ao valor basal em 16 semanas. Os principais desfechos secundários foram medidos pelo Eczema Area and Severity Index (EASI) e pela Pruritus Numeric Rating Scale (NRS). O EASI mede a extensão e a gravidade da doença e o NRS a intensidade da coceira.2 3

 

Sobre a ADhere

ADhere é um estudo randomizado, duplo-cego, placebo-controlado, de grupo paralelo, global, de Fase 3, randomizado de 16 semanas para avaliar a eficácia e a segurança do EBGLYSS em combinação com corticosteroides tópicos (TCs) iniciado em 211 adultos e crianças (com idades entre 12 e menos de 18 anos de idade e pesando pelo menos 40 kg) com dermatite atópica moderado a grave. No estudo, os sintomas basais de dermatite atópica dos pacientes eram inadequadamente controlados pela TCs com ou sem inibidores tópicos da calcineurina (IAC). O estudo foi desenhado para ser mais consistente com a prática clínica onde os pacientes recebiam TCs de média potência (creme de acetonido de triancinolona 0,1%) ou TCs de baixa potência (creme de hidrocortisona 1%, para uso em áreas sensíveis da pele), que poderiam ser afunilados, interrompidos ou retomados a critério do paciente.[12]

 

 

Eli Lilly

Para saber mais, acesse o site da Lilly do Brasil, e nossas redes sociais: Instagram, Facebook e LinkedIn.

 

Referências

[1] EBGLYSS (Aprovação regulatória) – Disponível em: RESOLUÇÃO-RE nº 3.952, DE 24 DE OUTUBRO DE 2024 - RESOLUÇÃO-RE nº 3.952, DE 24 DE OUTUBRO DE 2024 - DOU - Imprensa Nacional – Acesso em 29/10/2024

[2] Silverberg, et al. Two Phase 3 Trials of Lebrikizumab for Moderate-to-Severe Atopic Dermatitis. N Engl J Med 2023; 388:1080-1091. DOI: 10.1056/NEJMoa2206714

[3] Blauvelt A, Thyssen JP, Guttman-Yassky E, et al. Efficacy and safety of lebrikizumab in moderate-to-severe atopic dermatitis: 52-week results of two randomized double-blinded placebo-controlled phase III trials. Br J Dermatol. 2023 May 24;188(6):740-748.

[4] SBD. Dermatite Atópica: atenção e cuidados com sua pele. Disponível em: Link. Acesso em 15/05/2024,

[5] Sociedade Brasileira de Dermatologia. Sociedade Brasileira de Dermatologia lança campanha com orientações sobre a dermatite atópica. Disponível em: Link. Acesso em 15/05/2024.

[6] Alexis A, et al. Efficacy and safety of lebrikizumab in adult and adolescent patients with skin of color and moderate-to- severe atopic dermatitis: an interim analysis of the open-label phase 3b trial, ADmirable. 2024 American Academy of Dermatology Conference. March 10, 2024

[7] EMA. Medicines information. Lebrikizumab. Disponível em: Link, Acesso em 15/03/2024.

[8] Okragly A, et al. Binding, Neutralization and Internalization of the Interleukin-13 Antibody, Lebrikizumab. Dermatol Ther (Heidelb). 2023;13(7):1535-1547. doi:10.1007/s13555-023-00947-7

[9] Ultsch M, et al. Structural basis of signaling blockade by anti-IL-13 antibody Lebrikizumab. J Mol Biol. 2013;425(8):1330-1339. doi:10.1016/j.jmb.2013.01.024

[10] Bieber T. Interleukin-13: Targeting an underestimated cytokine in atopic dermatitis. Allergy. 2020;75(1):54–62. doi:10.1111/all.13954

[11] Tsoi LC, et al. Atopic Dermatitis Is an IL-13-Dominant Disease with Greater Molecular Heterogeneity Compared to Psoriasis. J Invest Dermatol. 2019;139(7):1480-1489. doi:10.1016/j.jid.2018.12.018

[12] Simpson EL, Bruin-Weller M, Hong CH, et al. Lebrikizumab Provides Rapid Clinical Responses Across All Eczema Area and Severity Index Body Regions and Clinical Signs in Adolescents and Adults with Moderate-to-Severe Atopic Dermatitis Dermatol Ther (Heidelb) (2024) 14: 1145-1160



Novembro Azul: menos de 40% dos homens com mais de 50 anos realizou exames de próstata em 2023, aponta estudo

Segundo pesquisas, menos da metade dos homens têm realizado cuidados regulares, mesmo com alta taxa de mortalidade da doença. O urologista Dr. Samuel Juncal explica a importância do diagnóstico precoce.

 

Mês dedicado à saúde do homem, o Novembro Azul é uma campanha mundial de conscientização acerca do câncer de próstata,  o segundo tipo de câncer que mais acomete os homens no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A iniciativa tem grande valor social, principalmente devido a baixa adesão da população masculina. Em 2023, menos de 40% dos homens com mais de 50 anos realizaram exames de próstata. O estudo é da farmacêutica Apsen em parceria com as seccionais da Sociedade Brasileira de Urologia no Rio de Janeiro e em São Paulo.

 

Além disso, segundo um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)46% dos homens acima dos 40 anos vão ao médico somente quando apresentam algum sintoma. Os dados são alarmantes, demonstrando como os homens não têm se cuidado devidamente e nem feito exames regulares, fator que tende a ser um diferencial para a descoberta da doença.

Segundo o médico urologista, Dr. Samuel Juncal, o câncer de próstata pode ser assintomático na fase inicial e quanto mais cedo o diagnóstico, maior as chances de cura, ou seja, campanhas como o Novembro Azul são essenciais, principalmente no que tange a conscientização da realização de exames. “É muito importante que a população masculina busque se cuidar de maneira regular, Quando falamos de exames relacionados à próstata, além do toque, há também o teste de PSA, Antígeno Prostático Específico, que aumenta as chances de detecção precoce”, destaca.

No Brasil, a estimativa para o triênio de 2023 a 2025 aponta que o câncer de próstata deve representar 10,2% do total de casos no país. Os dados são do estudo “Estimativa | 2023 - Incidência de Câncer no Brasil”, do Ministério da Saúde junto ao Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O especialista em urologia explica que fazer exames de maneira regular, principalmente após os 45 anos é essencial para a detecção precoce da doença. “Como o câncer de próstata pode se desenvolver inicialmente de forma assintomática, é fundamental um rastreamento regular. Muitos homens podem não perceber que têm a doença até que ela se torne mais grave, reduzindo as chances de um tratamento bem-sucedido. Portanto, a conscientização e a busca ativa por exames são essenciais para a detecção precoce e, consequentemente, para um tratamento bem-sucedido”.

Por vezes, o tratamento da condição exige a realização de cirurgia. Nesse contexto, tecnologia para auxiliar procedimentos têm sido cada vez mais importantes, possibilitando a realização de cirurgias complexas de forma mais precisa e com recuperação mais rápida dos pacientes.

Com Fellowship clínico em cirurgia laparoscópica e robótica pela Universidade de Heidelberg, Alemanha, o Dr. Samuel Juncal, reforça que a tecnologia abre novas possibilidades para a medicina, melhorando a qualidade do serviço e o tempo de recuperação dos pacientes. “A utilização de braços robóticos nas cirurgias urológicas permite uma visão tridimensional e ampliada da área. Com pequenas incisões, a cirurgia robótica resulta em menos dor, menor sangramento e tempo de recuperação mais curto", pondera o médico. "Muitos homens não sabem como as cirurgias robóticas têm diminuído os efeitos colaterais de uma cirurgia. Essa informação é relevante, até para fazê-los perder o medo de se cuidar", conclui.

 



Samuel Juncal - Coordenador do Serviço de Urologia do Hospital Aliança Rede D'or, Professor Adjunto do Departamento de Cirurgia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e pioneiro em cirurgia robótica na Bahia, com certificação desde 2013. Tem doutorado em urologia pela Universidade Federal de São Paulo e Universidade da Califórnia, Irvine (2016). Também possui Fellowship clínico em cirurgia laparoscópica e robótica pela Universidade de Heidelberg, Alemanha (2013) e Fellowship de pesquisa em cirurgia minimamente invasiva pela Universidade da Califórnia, Irvine (2013), é médico graduado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e possui um extenso currículo na área. Samuel é filho de um dos precursores da urologia na Bahia, Dr. Manoel Juncal Pazos e pai da Juju.


Estresse Ocupacional: a nova epidemia silenciosa nas empresas

Com o reconhecimento da síndrome de Burnout como doença ocupacional, trabalhadores conquistam direitos e a urgência de ambientes saudáveis se torna mais evidente.

 

Nos últimos anos, o estresse ocupacional tem se tornado uma preocupação crescente em diversas áreas profissionais. A pressão por produtividade e as demandas do dia a dia fazem com que muitos trabalhadores enfrentem sérias consequências para a saúde física e mental. O reconhecimento da síndrome de Burnout como doença ocupacional trouxe à tona a necessidade de discutir não apenas os impactos na saúde, mas também os direitos trabalhistas dos profissionais afetados.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o estresse no trabalho é um dos principais fatores que contribuem para doenças como ansiedade e depressão. É o que comenta Ana Paula Furlan Cepolini, advogada trabalhista do Escritório de Advocacia Macedo Coelho, “estima-se que um em cada quatro trabalhadores já tenha sofrido com o estresse relacionado ao trabalho. Com a nova classificação da síndrome de Burnout, os direitos dos trabalhadores foram ampliados, garantindo acesso a benefícios como licença médica e afastamento remunerado. Essa mudança é crucial, pois muitos trabalhadores ainda enfrentam um ambiente de trabalho hostil, com excesso de carga horária, falta de apoio da gestão e insegurança no emprego.”

 

Além das implicações para a saúde, o estresse ocupacional também afeta as empresas. Aumento das faltas, redução da produtividade e elevação dos custos com saúde são consequências diretas do desinteresse em promover um ambiente de trabalho saudável. Com a síndrome de Burnout agora reconhecida legalmente, os trabalhadores têm garantias importantes, como o direito a cuidados médicos e suporte psicológico. Essa proteção é vital para que possam retomar suas atividades de forma saudável e segura.

 

É essencial que as organizações implementem programas de prevenção e apoio, oferecendo treinamentos sobre gestão de estresse e promovendo a saúde mental. “Medidas simples, como pausas regulares e incentivo à prática de atividades físicas, podem fazer uma grande diferença na rotina dos trabalhadores. Além disso, criar canais de comunicação abertos entre funcionários e gestores é crucial para identificar e tratar problemas antes que se tornem graves.” comenta Ana Paula.

 

O estresse ocupacional é uma realidade que deve ser enfrentada de forma proativa. Com o reconhecimento de doenças como a síndrome de Burnout, os trabalhadores estão mais protegidos, e é fundamental que tanto empregados quanto empregadores colaborem na construção de um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. Essa é uma responsabilidade compartilhada que, quando bem conduzida, resulta em benefícios para todos.



A importância do acolhimento nos processos de reprodução assistida


O acolhimento a pessoas que buscam um tratamento de reprodução humana assistida, depois de terem experienciado inúmeras tentativas naturais de gravidez sem sucesso, é fundamental. Muitas vezes, mulheres e homens vêm de outros tratamentos infrutíferos, e geralmente já muito cansados do desgaste emocional pelo qual passaram. Quase sempre, vêm ainda com dúvidas sobre as medicações, sobre o tratamento em si e com questões psíquicas.

E quando esses pacientes chegam na enfermagem da clínica de reprodução humana, as enfermeiras sanam as dúvidas e repassam as condutas a serem seguidas, e até mesmo esclarecimentos mais amplos sobre os procedimentos a serem seguidos para o tratamento da fertilização assistida. Após esse contato, a equipe de enfermagem encaminha esses pacientes para que outros profissionais que compõem o time de especialistas em reprodução humana possam dar orientações e esclarecimentos mais específicos sobre os tratamentos, como é o caso por exemplo, da nutrição e da equipe de apoio psicológico, também fundamentais durante o processo.

Boa parte das vezes, os casais, hetero ou homoafetivos, e os pacientes solteiros que buscam a tão sonhada maternidade e paternidade, chegam com medo e muita ansiedade para o tratamento dar certo. Esse momento tão desejado e esperado é acompanhado de inúmeras situações desconhecidas: sintomas físicos, sentimentos difusos, medo do que está por vir, inseguranças e incertezas sobre todo o processo e seu desfecho.

Nesse contexto, a enfermagem tem um papel fundamental de ouvir, entender e assim poder ajudar esses pacientes da melhor forma possível, acolhendo e criando estratégias para o enfrentamento dessas angústias e ainda reforçando as orientações médicas, obtendo assim uma assistência qualificada para as pessoas.

Diante do exposto, percebemos que o acolhimento na enfermagem visa acalentar os pacientes criando um ambiente propício seguro e de confiança. Fazendo com que todos os envolvidos tenham ligação humanizada expressando os mais diversos sentimentos num momento tão complexo durante o tratamento de reprodução assistida.

 

Elizabete Frade Rosa - enfermeira na Clínica Origen BH e especialista em Reprodução Humana Assistida Multiprofissional pela Unileya


Criança pode ser vegana? Entenda

Nutricionista do CEJAM esclarece dúvidas e destaca possíveis impactos à saúde 


A escolha de uma dieta vegana ainda gera dúvidas e debates, principalmente quando se trata de crianças. Por se encontrarem em uma fase importante para o desenvolvimento físico e mental, muitas questões surgem em torno do tema: será que elas conseguirão manter esse estilo de vida? A dieta é realmente benéfica para a saúde? E, sobretudo, essa alimentação garantirá a energia e força necessárias? 

Para contextualizar o assunto, é importante destacar que veganos são aqueles que não consomem produtos e/ou alimentos derivados de animais. Por isso, há quem ainda ache que crianças não devem seguir esse tipo de dieta, porém, especialistas afirmam que, logo após o desmame, já é possível fazer essa introdução alimentar com os pequenos. 

“Entretanto, é necessário um planejamento de acordo com as necessidades da idade e com a individualidade da criança. Se a dieta respeitar esses fatores e for realizada da maneira correta, a criança crescerá forte e saudável”, afirma Alice Coca, nutricionista do CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”. 

Para atingir melhores resultados nutricionais, é necessário manter uma variedade de alimentos à disposição, além de ter um excelente monitoramento profissional a longo prazo. Outro ponto bastante importante é buscar entender a necessidade de suplementação, que pode mudar caso a caso. 

A nutricionista enfatiza que, embora a dieta vegana seja rica e diversificada, é importante ressaltar que alguns nutrientes essenciais para o organismo humano são encontrados em maior quantidade, ou exclusivamente, em carnes. Esse é o caso da vitamina B12, que é de origem predominantemente animal. 

“Além dessa vitamina, devemos considerar que nove aminoácidos essenciais, aqueles que o corpo não produz e precisam ser obtidos através da alimentação, estão presentes em 100% da proteína do ovo e em 90% da proteína da carne. Alcançar a ingestão diária recomendada desses nutrientes durante a infância pode se tornar um desafio, exigindo também suplementação nesse sentido. O ferro é outro nutriente que frequentemente requer um cuidado para além da alimentação.” 

Apesar disso, o veganismo pode oferecer uma série de benefícios para as crianças. Entre eles estão a redução do risco de doenças crônicas, um melhor controle do peso e a redução do consumo de alimentos ultraprocessados. 

A dieta vegana também tende a ser rica em fibras, o que pode melhorar a saúde intestinal. Além disso, crianças que seguem esse movimento acabam desenvolvendo certa consciência ambiental, visto que a prática está diretamente ligada à sustentabilidade e ao respeito pela vida animal.
 

Lanche rápido e saudável, é possível?

Sim, totalmente! E para diversificar as opções de refeições e lanches veganos, existem alternativas deliciosas. “Algumas sugestões incluem sanduíche de tofu com um fio de azeite e orégano, feito com pão vegano, ou palitinhos de cenoura com húmus podem ser ótimas escolhas. Outros lanches incluem bolinhos de aveia e hambúrgueres à base de proteína texturizada de soja ou vegetais, acompanhados de talos e folhas verdes”, aponta a especialista. 

Frutas frescas com iogurte de biomassa de banana verde também são opções saborosas e cheias de cor para o lanche da criançada. Quanto aos sucos naturais, é possível encontrar uma variedade de sabores! Beterraba com laranja e cenoura é uma das principais indicações da nutricionista. 

Para substituir alimentos populares, como leite, chocolate, iogurte e cereais, algumas trocas podem ser realizadas. “O leite de vaca pode ser substituído por leites vegetais, como os de amêndoas, coco ou arroz; o chocolate tradicional pode ser trocado por opções de alfarroba, disponíveis em pó ou em gotas; e o iogurte pode ser substituído pelo “inhaminho”, um iogurte à base de inhame, ou ainda fazê-lo com biomassa de banana verde”, ressalta Alice. 

Os famosos cereais industrializados podem dar lugar a aveia em flocos, quinoa ou chia, oferecendo ainda mais fibras e minerais. "De modo geral, incorporar pratos ricos em leguminosas, quinoa, tofu e proteína de soja na dieta da criança contribuirão para um consumo adequado de proteínas em diferentes horas do dia.”
 

Decisão consciente e em conjunto

Mesmo com os benefícios, antes de começar qualquer tipo de dieta restritiva, é essencial dialogar sobre o assunto e verificar se a criança está de acordo. Outro aspecto que faz toda a diferença é buscar proporcionar novas experiências alimentares, respeitando as preferências e o ritmo de adaptação da criança. 

"Aconselho que, antes de introduzir uma dieta vegana para os filhos, os pais adotem esse estilo de vida para si mesmos. Afinal, uma criança tende a seguir a alimentação familiar. Em outras palavras, se a família não seguir uma dieta vegana, será difícil para a criança adotá-la somente porque os pais assim desejam", finaliza Alice.
 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial

 

O DIU hormonal é a solução para a endometriose? Especialista esclarece os mitos e verdades sobre o dispositivo

 Envolto em controvérsias, uso do DIU pode beneficiar pacientes com endometriose; depende de cada caso, diz especialista

 

A endometriose é uma condição crônica que afeta milhões de mulheres no mundo todo, causando dores intensas, infertilidade e outros sintomas debilitantes. Nos últimos anos, o uso do dispositivo intrauterino (DIU hormonal), tem sido apontado como uma opção de tratamento para aliviar os sintomas da condição. O motivo é simples: ele libera progesterona diretamente no útero, inibindo o desenvolvimento do endométrio e, assim, ajudando a reduzir seu crescimento desordenado. 

Mas será que o DIU hormonal é realmente a solução? O Dr. Patrick Bellelis, especialista em endometriose e colaborador do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, esclarece mitos sobre o uso do dispositivo no tratamento. Confira:

 

O DIU hormonal pode curar a endometriose?

Mito. É importante entender que o DIU não cura a endometriose. 

“A endometriose é uma doença crônica e, até o momento, não tem cura definitiva. O dispositivo hormonal, como o de levonorgestrel, pode ajudar a controlar os sintomas, como a dor pélvica e o sangramento menstrual intenso, mas não elimina a doença”, explica o Dr. Patrick. 

O tratamento da endometriose é multifatorial e pode incluir medicamentos, cirurgias e mudanças no estilo de vida, além de terapias hormonais, como o DIU.


 

É indicado para todas as mulheres com endometriose?

Mito. O DIU hormonal pode ser uma excelente opção para muitas mulheres, mas não é adequado para todas. 

“Cada caso de endometriose é único e requer uma abordagem personalizada. O dispositivo é mais indicado para mulheres que buscam controle dos sintomas sem intervenção cirúrgica imediata e que desejam um método contraceptivo de longa duração”, afirma o ginecologista. 

Para mulheres que não respondem bem ao DIU ou que têm formas mais graves de endometriose, outras opções de tratamento podem ser mais indicadas.


 

O DIU hormonal causa efeitos colaterais?

Verdade, em alguns casos. Como qualquer método hormonal, ele pode causar alguns efeitos colaterais, mas varia de pessoa para pessoa. 

“Os efeitos colaterais mais comuns incluem alterações no padrão menstrual, como sangramentos irregulares, e, em alguns casos, dor pélvica leve”, explica. No entanto, muitos desses sintomas tendem a diminuir com o tempo, e a maioria das mulheres se adapta bem ao uso do DIU. 

Devido à complexidade e às variações de cada caso, o Dr. Patrick orienta que haja uma consulta com um especialista para discutir as melhores opções de tratamento, seja o uso do DIU hormonal ou a indicação de cirurgia, garantindo um manejo adequado da endometriose e dos seus impactos na saúde e qualidade de vida.

 


Clínica Bellelis - Ginecologia

Patrick Bellelis – ginecologista. Doutor em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (USP); graduado em medicina pela Faculdade de Medicina do ABC; especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Laparoscopia e Histeroscopia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo); além de ser especialista em Endoscopia Ginecológica e Endometriose pelo Hospital das Clínicas da USP. Possui ampla experiência na área de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva, atuando principalmente nos seguintes temas: endometriose, mioma, patologias intrauterinas e infertilidade.


Violência Ginecológica: Rompendo o silêncio sobre um problema invisibilizado

 

A violência ginecológica é uma forma de abuso que afeta a saúde física e emocional das mulheres, ocorrendo quando profissionais de saúde agem de forma desrespeitosa, negligente ou invasiva durante procedimentos ginecológicos, partos ou consultas. Isso inclui desde comentários inadequados, intervenções sem consentimento, até procedimentos dolorosos sem oferecer anestesia quando existe a possibilidade. Muitas mulheres se sentem desumanizadas, e práticas como exames invasivos ou cirurgias sem autorização configuram abuso. Além do impacto físico, essa violência causa traumas emocionais profundos, muitas vezes mantidos em silêncio, perpetuando o ciclo de desinformação e falta de diálogo sobre os direitos das pacientes.


Segundo a Dra. Debora Rosa “A ginecologia natural propõe uma abordagem crítica em relação à violência ginecológica, ao colocar a mulher no centro das decisões de saúde e promover um cuidado baseado no respeito, na autonomia e na conexão com os ciclos naturais.” A prática questiona as práticas invasivas e a medicalização excessiva sem informar todos os possíveis efeitos adversos contidos em bula, comum em sistemas de saúde tradicionais, e incentiva o diálogo aberto sobre as experiências das mulheres com seus corpos e sua saúde.


O respeito à autonomia do corpo feminino, é um dos principais pontos de debate. A ginecologia natural defende que toda intervenção deve respeitar a autonomia da mulher sobre seu próprio corpo. Além de encorajar as mulheres a conhecerem melhor seus corpos e ciclos menstruais, promovendo o autoconhecimento como uma forma de empoderamento. Ao incentivar o autocuidado e principalmente o conhecimento corporal, a ginecologia natural capacita as mulheres a identificar práticas e procedimentos que não respeitem sua dignidade.


A ginecologia natural questiona como o sistema de saúde, muitas vezes, medicaliza processos naturais do corpo feminino, como a menstruação, a gravidez e o parto. Ela sugere que muitas intervenções, como prescrições indiscriminadas de anticoncepcionais hormonais ou cirurgias desnecessárias, são formas de violência velada, enquanto ignoram o ciclo natural do corpo e a possibilidade de tratamentos menos invasivos.  

 



Dra. Debora Rosa - uma referência no Brasil em ginecologia natural, uma prática que integra conhecimentos ancestrais com a ciência moderna. Com mais de 16 anos de experiência e uma sólida formação acadêmica, é Mestre pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também realizou sua residência médica em Ginecologia e Obstetrícia. Dra. Débora também conta com uma observership em cirurgia ginecológica pela Cleveland Clinic, nos EUA, além de especializações em Fitoterapia e Patologia do Trato Genital Inferior, e o Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO). 
Atualmente, Dra. Débora é professora de pós-graduação e palestrante, comprometida com a disseminação de uma abordagem mais humanizada e natural no cuidado à saúde feminina. Sua carreira inclui docência na UFRJ e atuação em importantes hospitais, como o Hospital Universitário da UFF, o Hospital Miguel Couto e o Hospital da Mulher.
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Ozempic e Wegovy: entenda as diferenças, indicações e benefícios de cada medicamento


A Novo Nordisk, líder global em saúde, esclarece as distinções fundamentais entre Ozempic® e Wegovy®, dois medicamentos que, embora contenham o mesmo princípio ativo, têm indicações e finalidades diferentes.

O medicamento Ozempic® (semaglutida injetável 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg) é indicado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 não controlado, em adição à dieta e exercício. Ozempic® não é aprovado para controle de peso isoladamente ou para uso em adultos que não têm diabetes tipo 2.

Por outro lado, o Wegovy® (semaglutida 2,4 mg) é o primeiro e único análogo de GLP-1 de uso semanal aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar pessoas com obesidade e sobrepeso. Além disso, é o primeiro e único tratamento para obesidade com comprovação de benefício cardiovascular disponível no Brasil. Wegovy® é indicado como parte de um programa de redução de peso que inclui dieta hipocalórica e aumento da atividade física, destinado a adultos com obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) ou sobrepeso (IMC ≥ 27 kg/m²) que apresentem comorbidades. Também é indicado para adolescentes acima de 12 anos com obesidade (IMC ≥ percentil 95) e peso corporal acima de 60kg.

A endocrinologista e vice-presidente da área médica da Novo Nordisk no Brasil, Priscilla Mattar, ressalta: “Apesar de apresentarem o mesmo princípio ativo, semaglutida, Ozempic® e Wegovy® foram estudados para populações e patologias específicas, com indicações, doses e apresentações distintas, que permitem um melhor controle da titulação do medicamento. É importante ressaltar que um medicamento não substitui o outro, devido às suas especificidades.”

Além disso, pesquisas clínicas comprovaram que Wegovy® apresenta redução média de 17% do peso, sendo que 1 a cada 3 pacientes apresentam redução igual ou superior a 20%, além de diminuição de 20% no risco de morte cardiovascular, infarto e AVC não fatais¹. Também já foi comprovado que a redução do risco destes tipos de eventos cardiovasculares ocorre logo após o início do tratamento e independentemente da perda de peso alcançada3, que a redução e manutenção do peso por até 4 anos3, com relação positiva de risco-benefício e perfil de segurança consistente3. “É fundamental enfatizar que, embora não haja a necessidade de retenção da receita pela farmácia, ambos os medicamentos devem ser utilizados sob prescrição médica”, complementa a especialista.

A Novo Nordisk também esclarece que já existe uma apresentação em comprimido para administração oral da semaglutida, Rybelsus®, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2. O medicamento está disponível no Brasil desde março de 2022 e se destaca por promover o controle glicêmico associado a perda de peso e redução significativa no risco de eventos cardiovasculares.



Sobre a semaglutida 2,4 mg (Wegovy®)

Wegovy® é um análogo do peptídeo humano semelhante ao glucagon (GLP-1) que foi desenvolvido para uso semanal no tratamento da obesidade e sobrepeso. O medicamento deve ser administrado por via subcutânea uma vez por semana, a qualquer hora do dia, independente dos horários das refeições.

Wegovy® foi aprovado pela ANVISA em janeiro de 2023 e está disponível para comercialização no Brasil desde agosto de 2024.

Trata-se do primeiro e único tratamento para obesidade com proteção cardiovascular e segurança comprovados, além de ser, no país, o primeiro e único análogo semanal do GLP-1 aprovado pela ANVISA para tratar adultos que vivem com obesidade e sobrepeso com ao menos uma comorbidade associada e adolescentes acima de 12 anos que tenham obesidade e peso corporal acima de 60kg1.


Sobre a semaglutida 1 mg (Ozempic®)

Ozempic® é um análogo do peptídeo humano semelhante ao glucagon (GLP-1) que foi desenvolvido para uso semanal no tratamento do diabetes tipo 2. O medicamento deve ser administrado por via subcutânea uma vez por semana, a qualquer hora do dia, independente dos horários das refeições. ⁶
No Brasil, Ozempic® foi aprovado pelas autoridades regulatórias em agosto de 2018 e comercializado desde o primeiro semestre de 2019 no país. O medicamento é indicado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, como adjuvante à dieta e exercício, tanto em monoterapia (quando a metformina não é tolerada ou é contraindicada) quanto em adição a outros medicamentos para o tratamento do diabetes. ⁶

Todos os produtos da Novo Nordisk da classe GLP-1 são tarja vermelha e por isso só podem ser vendidos sob prescrição médica.


Sobre a semaglutida 14 mg (Rybelsus)

Rybelsus® é indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e está disponível está disponível no Brasil desde março de 2022, nas doses de 3mg, para início de tratamento e nas doses de 7mg e 14mg para manutenção. As duas formulações de semaglutida para tratamento do diabetes tipo 2 (injetável, com nome comercial Ozempic® e oral, denominada Rybelsus®) foram investigadas em uma ampla gama de pacientes com a doença e são apropriadas para esses pacientes. A semaglutida em comprimidos dispensa refrigeração.


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