Especialista do Hospital Alemão Oswaldo
Cruz orienta sobre planejamento e atenção aos sinais do ambiente e do corpo
Com a chegada do verão e do início do ano, cresce o interesse por atividades ao ar livre, como trilhas, cachoeiras e passeios em áreas naturais. O período de férias, aliado ao calor e à associação do clima quente com banhos de rio e contato com a natureza, faz com que muitas pessoas se aventurem nesses programas. Especialistas, no entanto, alertam que essa época também concentra riscos que precisam ser considerados para garantir bem-estar e segurança.
Uma pesquisa do Ministério do Turismo¹, divulgada em 2024, aponta que o ecoturismo já responde por cerca de 60% do faturamento do turismo de natureza no Brasil, refletindo a preferência crescente dos viajantes por experiências em contato com o meio ambiente.
Segundo a médica clínica geral Dra. Leticia Jacome, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o verão não é, necessariamente, o período mais seguro para trilhas. “As chuvas mais frequentes e intensas deixam o solo instável e encharcado, aumentando o risco de quedas, torções e cansaço excessivo. Além disso, o calor favorece a desidratação e o mal-estar, especialmente em pessoas que não estão acostumadas a esse tipo de esforço”, explica.
Um dos perigos mais graves desse período é a chamada cabeça d’água, fenômeno em que o nível da água sobe de forma rápida após chuvas, formando correntezas intensas em rios e cachoeiras, muitas vezes iniciadas longe do ponto onde a pessoa está.
O risco costuma ser subestimado por pessoas iniciantes no
ecoturismo, mas alguns sinais ajudam na identificação dessas situações, como a
mudança repentina da cor da água, que fica mais escura, o aumento da força da
correnteza, a elevação acelerada do nível do rio e ruídos mais intensos vindos
da água. Ao perceber qualquer um desses indícios, a orientação é sair
imediatamente da área e buscar locais mais altos e seguros.
Preparação começa antes de sair de casa
O cuidado com o bem-estar começa no planejamento. Roupas leves, confortáveis e adequadas para caminhada ajudam a evitar assaduras e desconforto. Calçados fechados, com boa aderência, são fundamentais para reduzir o risco de escorregões, especialmente em terrenos úmidos. A proteção contra o sol também deve ser prioridade, com uso de protetor solar reaplicado ao longo do dia, boné ou chapéu, além de roupas que protejam braços e pernas, quando possível.
O uso de repelente é outro ponto importante, principalmente em áreas de mata e proximidade de água, onde há maior presença de insetos. “Picadas podem causar reações alérgicas, infecções e transmitir doenças. A prevenção é sempre o melhor caminho”, afirma a médica.
Outro aspecto que costuma ser negligenciado é a ilusão de facilidade
criada por trilhas populares ou muito divulgadas nas redes sociais. O fato de
um percurso ser conhecido ou amplamente fotografado não significa que ele seja
simples ou seguro em qualquer época do ano. Sempre que possível, a orientação é
evitar trilhas sozinho e priorizar percursos acompanhados, com pessoas que
conheçam o trajeto ou com guias especializados.
Alimentação, hidratação e escuta do corpo
A médica destaca que alimentação e hidratação são pilares para evitar mal-estar durante trilhas. Refeições leves, feitas antes da atividade, ajudam a manter a energia sem sobrecarregar a digestão. Durante o percurso, a ingestão regular de água é essencial, mesmo sem sensação de sede.
“Sintomas como tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea ou cãibras
indicam que o corpo está em sobrecarga. Nessas situações, é fundamental
interromper a atividade, se hidratar e descansar. Ignorar esses sinais pode
levar a quadros mais graves”, reforça.
Noções básicas fazem diferença
Mesmo em trilhas simples, pequenos acidentes podem acontecer. Cortes leves, escoriações, torções e quedas estão entre os problemas mais comuns. Ter noções básicas de primeiros socorros ajuda a lidar melhor com essas situações até que seja possível buscar atendimento adequado.
“Em casos de ferimentos superficiais, o ideal é higienizar o local, comprimir para estancar sangramentos e evitar contato com água de rios ou cachoeiras. Já em suspeita de torção ou fratura, a orientação é imobilizar o membro e evitar continuar a caminhada”, explica a médica.
Alguns itens simples podem ser decisivos para a segurança e o conforto durante o passeio. Lanternas ou luzes de emergência ajudam caso o retorno se estenda além do previsto. Celular carregado, de preferência com bateria extra, facilita pedidos de ajuda. Mochilas adequadas distribuem melhor o peso e reduzem o desgaste físico.
“O início do ano não é proibitivo para trilhas, mas exige escolhas
mais conscientes. Optar por percursos curtos, bem conhecidos, evitar trilhas
com rios e cachoeiras após períodos de chuva intensa e contar com
acompanhamento adequado são atitudes que reduzem riscos”, resume a Dra.
Leticia.
Bem-estar também é saber quando recuar
Atividades na natureza são aliadas importantes da saúde, desde que feitas com responsabilidade. Respeitar os limites do corpo, observar o ambiente e não subestimar os riscos são atitudes que garantem que a experiência seja positiva do começo ao fim.
Em situações de tempestades, por exemplo, a recomendação é interromper a caminhada, evitar áreas abertas ou elevadas, afastar-se de corpos d’água e aguardar em local mais seguro até a condição melhorar.
“O lazer não deve ser sinônimo de sofrimento ou perigo. Quando a pessoa se prepara, se informa e escuta o próprio corpo, a trilha cumpre seu papel de promover saúde, prazer e conexão com a natureza”, conclui a médica.
Hospital Alemão Oswaldo Cruz
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