Cardiologista
explica como cuidar da saúde cardiovascular nos períodos de descanso e aponta
alguns dos principais erros que podem afetar o coração
Com 400 mil mortes
por ano no Brasil, as doenças cardiovasculares continuam entre os principais
desafios de saúde pública, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia
(SBC). Nesse contexto, o período de férias merece atenção, já que, embora traga
momentos de lazer, mudanças de rotina e hábitos mais flexíveis podem aumentar o
risco cardíaco, especialmente entre pessoas com hipertensão, colesterol alto,
diabetes ou histórico familiar. O relaxamento excessivo, seja da alimentação ou
do uso de medicação, pode favorecer desequilíbrios que muitas vezes passam
despercebidos.
A professora de
Cardiologia da Afya Brasília, Dra. Rosangeles Konrad, explica que, mudanças
bruscas de rotina, como horários irregulares, alimentação diferente, noites mal
dormidas, calor intenso e até exercícios fora do habitual exigem maior
adaptação do sistema cardiovascular. “O corpo trabalha mais para se
adaptar a essa nova dinâmica, e nem sempre esse esforço é percebido”, explica a
médica.
Para quem já tem
alguma doença cardíaca ou fator de risco, essas adaptações ficam ainda mais
difíceis. O excesso de álcool, viagens longas, desidratação e o abandono de
medicamentos, por exemplo, podem sobrecarregar o organismo e aumentar as
chances de descompensações. Por isso, a especialista reforça que a combinação
entre mudanças de rotina e comportamentos despretensiosos pode, sim, aumentar o
risco cardiovascular nas férias.
Nesse sentido, a
médica lista 6 erros comuns que impactam diretamente a saúde cardíaca:
1.
Abandonar a rotina de medicamentos
Um dos erros mais
comuns é “dar férias” também aos remédios. Segundo a professora, muita gente
esquece ou reduz as doses por conta da mudança na rotina. O que pode
descompensar quadros de pressão alta e arritmias, elevando o risco de eventos
cardíacos. Ela reforça que medicações como anti-hipertensivos, estatinas,
anticoagulantes e antidiabéticos não podem ser interrompidos.
2.
Exagerar no álcool e nos alimentos gordurosos
A cardiologista
alerta que, nas confraternizações, os exageros no prato e no copo podem trazer
riscos importantes ao coração: o consumo excessivo de gorduras, sal e álcool
eleva a pressão arterial, aumenta a liberação de catecolaminas, acelerando os
batimentos, favorecendo arritmias como a fibrilação atrial, e ainda pode causar
retenção de líquidos, piorar o refluxo e descompensar quem tem insuficiência
cardíaca. Ela ressalta que o problema não é consumir, e sim
consumir sem limite. “Não é preciso cortar tudo, mas manter o equilíbrio faz
toda a diferença para proteger a saúde cardiovascular”.
3.
Ignorar sinais de cansaço durante atividades físicas
Dra. Rosangela
Konradexplica que, nas férias, muitas pessoas tentam “compensar” o sedentarismo
com caminhadas longas, trilhas ou esportes aquáticos, mas esse esforço súbito,
ainda mais sob calor intenso, acelera demais o coração, aumenta a pressão e
eleva a demanda de oxigênio pelo músculo cardíaco. Isso pode desencadear falta
de ar, arritmias e até dor no peito, especialmente em quem tem doença
coronariana, mesmo sem diagnóstico. Por isso, ela reforça que pausas,
hidratação e respeito ao próprio ritmo são essenciais para evitar riscos.
4.
Desidratação por clima quente e excesso de sol
A especialista da
Afya alerta que o calor do verão, somado ao suor, baixo consumo de água e ao
álcool, favorece a perda de líquidos e minerais, reduzindo o volume de sangue
em circulação. Esse desequilíbrio aumenta a frequência cardíaca, desestabiliza
a pressão arterial e pode causar tontura, mal-estar e palpitações, e, em casos
mais graves, até síncope ou piora de doenças cardiovasculares já existentes.
Por isso, ela reforça que hidratar-se regularmente é tão essencial quanto usar
protetor solar.
5. Dormir
mal
Dormir pouco ou em
horários irregulares é comum nas férias, mas esse hábito desequilibra o
organismo, eleva os níveis de estresse e impacta diretamente o sistema
cardiovascular. O sono inadequado aumenta o cortisol e a adrenalina,
desorganiza o controle da pressão arterial e reduz a capacidade do corpo de
lidar com esforços, um risco ainda maior para quem tem hipertensão ou
arritmias. Dessa forma, mesmo fora da rotina, manter uma boa higiene do sono é
fundamental para proteger o coração.
6.
Estresse e nervosismo durante o deslocamento
Pouco se fala sobre isso, mas situações comuns das férias, aeroportos lotados, atrasos, longas viagens de carro, noites mal dormidas na véspera e toda a organização de família e malas, ativam o sistema nervoso simpático, responsável pelas respostas de “alerta”. Como consequência, a pressão arterial sobe, a frequência cardíaca aumenta e o corpo fica mais reativo tanto emocional quanto fisicamente.
Afya
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