Especialista orienta sobre como evitar doenças gastrointestinais durante a estação mais quente do ano
Com as altas temperaturas do verão, os cuidados com a alimentação devem ser redobrados. O calor favorece a proliferação de microrganismos e pode acelerar a deterioração dos alimentos, aumentando o risco de infecções e intoxicações alimentares.
A gastroenterologista do Hospital Icaraí, Dra. Márcia Moreira Rocha do Canto (CRM 52.654949), destaca que a forma correta de armazenamento, conservação e manipulação dos alimentos é fundamental para prevenir doenças gastrointestinais. A especialista reuniu cinco orientações essenciais para essa época do ano:
1. Armazenamento e conservação
Alimentos perecíveis devem ser mantidos sob refrigeração, em temperaturas abaixo de 5 °C.
Preparações quentes devem permanecer acima de 60 °C até o momento do consumo.
Evite deixar alimentos prontos em temperatura ambiente por mais de 1 a 2 horas — ou apenas 1 hora em dias muito quentes.
“Nunca recongele alimentos que já foram descongelados”, alerta a médica.
2. Higiene e manipulação
Lave bem as mãos antes de preparar ou consumir alimentos.
Higienize frutas, verduras e legumes com água potável e solução sanitizante adequada.
Evite a contaminação cruzada: utensílios e superfícies usados para carnes cruas não devem entrar em contato com alimentos prontos para consumo.
3. Atenção especial aos alimentos de maior risco
Carnes, aves e peixes devem estar bem cozidos, sem partes cruas.
Ovos devem ser totalmente cozidos; evite preparações com ovos crus.
“Maioneses, molhos e cremes precisam ser mantidos sob refrigeração e, sempre que possível, devem ser evitados em ambientes como a praia”, reforça a especialista.
Alimentos que devem ser evitados no verão
Maionese caseira, mousses e sobremesas com ovos crus.
Frutos do mar crus ou malcozidos, como ostras e mariscos.
Carnes malpassadas sem garantia de procedência.
Leite e derivados não pasteurizados.
Alimentos vendidos sem refrigeração adequada ou controle sanitário.
O que evitar consumir em praias e piscinas
Alimentos expostos ao sol por longos períodos.
Produtos vendidos por ambulantes sem condições adequadas de higiene e refrigeração.
Água de procedência desconhecida — dê preferência à água
mineral lacrada.
Gelo de origem duvidosa.
Sucos naturais preparados com água não tratada.
Principais doenças gastrointestinais no verão
Durante o verão, aumentam os casos de:gastroenterites bacterianas, causadas por Salmonella, Escherichia coli e Campylobacter.
Intoxicações alimentares por toxinas bacterianas, como Staphylococcus aureus e Bacillus cereus.
Infecções virais, como norovírus e rotavírus.
Hepatite A, relacionada ao consumo de água e alimentos contaminados.
Parasitoses intestinais, especialmente em regiões com
saneamento inadequado.
Quando procurar atendimento médico?
É fundamental buscar avaliação médica diante de diarreia persistente ou com sangue, vômitos intensos, febre alta, dor abdominal intensa ou sinais de desidratação, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
“Essas orientações simples têm grande impacto na prevenção de complicações gastrointestinais comuns no verão”, conclui a gastroenterologista.
Pediatra enumera 5 dicas para proteger as crianças do calor excessivo do verão
O verão tem sido marcado por fortes ondas de calor, com sensação térmica chegando a 40°C, o que pode trazer questões de saúde para as crianças, como desidratação, queimaduras e problemas gastrointestinais.
Segundo o pediatra Dr. Gabriel Farias da Cruz do Hospital Icaraí, em Niterói, a recomendação médica é de atenção especial diante de temperaturas tão elevadas e de tanto calor.
“É importante beber bastante líquido, fazer o uso do
protetor solar indicado para a idade da criança e manter a hidratação
corretamente, além da alimentação equilibrada”, explica o médico que também é
membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria.
A seguir, o especialista separou algumas dicas:
1 - É necessário priorizar locais fora da incidência direta
dos raios solares (sombras), evitar o período crítico de exposição ao sol (das
10h às 16h) e utilizar protetor solar (o recomendado é de FPS 30+).
2 - A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que seja
utilizado o protetor solar a partir dos 6 meses, lembrando sempre de atentar-se
para as especificações e escolhendo produtos de uso infantil e hipoalergênicos.
3 - É necessário manter a criança sempre hidratada, de
preferência com água. É adequado também priorizar alimentos leves, frutas e
sucos naturais.
4 - As frutas são bastante ricas em água e eletrólitos,
podendo sim contribuir para a hidratação das crianças. Os sorvetes também
contribuem para a taxa hídrica diária (quantidade total de líquidos ingeridos
ao longo do dia), porém esses produtos podem conter ingredientes não tão
adequados como: açúcares em excesso e corantes. É interessante dar preferência
aos picolés naturais da fruta.
5 - Vale lembrar também que no verão é muito importante
proteger as crianças da exposição a insetos, já que é uma época em que aumenta
o número de arboviroses (doenças causadas por insetos, como a dengue, por
exemplo). Além disso, qualquer sinal como febre, dor no corpo, vômitos,
diarreia e hipoatividade (quando a criança fica mais quietinha, sonolenta),
merece avaliação médica.
“Vamos cuidar bem das nossas crianças e aproveitar o que tem
de melhor na estação mais esperada do ano, que é o verão”, diz o médico.
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