Aprendemos desde pequenos a cuidar do corpo, do aspecto físico, e
nem sempre da mente que, por sua vez, gere nossos sentimentos, pensamentos,
sonhos, sofrimentos, nossas motivações de vida.
Os processos psíquicos permaneceram como algo secundário, no
entanto, os estados mentais (pensamentos, emoções, memórias, desejos e medos)
exercem impacto significativo sobre o “funcionamento” psicológico, relacional e
adaptativo do ser humano.
O cuidado com a mente passa por aquilo que dá sentido à nossa
existência e alimenta nossa alma. A atenção à saúde mental
constitui um cuidado fundamental com a dimensão mais subjetiva e existencial da
experiência humana. É o cuidar da alma, que passa por cuidar daquilo que nos
constitui por dentro: nossas emoções, história, nossos valores, vínculos, nosso
sentido de vida, nossas feridas e também nossas potências.
Pois, a forma como interpretamos o mundo interfere nas nossas
emoções, escolhas, nos nossos relacionamentos e até no nosso corpo. Quando a
mente está sobrecarregada, tudo pesa mais: o dia parece mais difícil, as
relações mais frágeis, o futuro mais incerto.
Estar com a saúde mental em dia passa pela capacidade de lidar com
as tensões da vida, de encontrar sentido nas experiências, de construir
vínculos saudáveis e de atravessar dificuldades sem perder completamente o
chão. Claro que não temos uma vida linear como uma estrada sem curvas ou
buracos, afinal, isso é uma ilusão, bem como acreditar que seremos 100%
felizes, o tempo todo.
Não se trata de nunca sofrer, pois isso é impossível e faz parte
da condição humana. Mas, como lidamos com a dor quando ela aparece? Como o
sofrimento tem cursado nossa vida?
Muitas pessoas convivem por muito tempo com sinais de sobrecarga
emocional, sem perceber que isso também é um pedido de cuidado. Alguns deles
são: cansaço constante, mesmo após descanso; irritabilidade frequente; dificuldade para dormir ou sono em excesso; falta de motivação ou
prazer pelas coisas; preocupação constante, sensação de estar sempre tenso;
vontade de se isolar; sensação de vazio ou tristeza persistente.
Ter alguns destes sinais não significa que tudo esteja mal, mas
que algo precisa ser revisto. Muitas vezes, a rotina indefinida, muitos
conflitos, um estilo de vida pouco saudável e até mesmo o que assistimos e
consumimos em redes sociais pode prejudicar nossa saúde mental.
Às vezes, esses sinais também podem ser consequência de perdas,
doenças, ou outras realidades sociais. Por isso, observe-se com sinceridade
para perceber o que pode ser a causa desse mal estar emocional em sua vida.
Cuidar da mente não é apenas apagar incêndios emocionais, mas
prevenir, compreender-se melhor, crescer e amadurecer.
Buscar ajuda de um psicólogo é importante, porque ele não olhará
apenas um sintoma, um diagnóstico ou uma doença. O psicólogo cuidará da pessoa,
ou seja, das histórias, de dores, de conflitos internos, de transições de vida,
de perdas e de reconstruções. Conversar com um profissional é aprender a olhar
para si com mais clareza, entender seus padrões, suas reações, suas
necessidades. É criar um espaço seguro para ser quem se é, sem máscaras e sem
julgamento.
Algumas atitudes simples ajudam a sustentar a saúde mental: dormir
melhor, com menor exposição às telas, e horário predefinido; ter momentos de
descanso e lazer (coisas simples, agradáveis), que incluem também algum momento
de silêncio pessoal; cuidar do corpo com movimento e alimentação mais saudável
e menos industrializada; manter bons relacionamentos; permitir-se sentir e
expressar emoções; relacionar-se melhor com sua espiritualidade, o que dá um
sentido superior ao que se é. Aliás, como estão suas práticas espirituais? Tem
parado para agradecer ao milagre diário que é a vida?
Cuidar da mente é cuidar do modo como você vive sua própria vida, olhando com mais amor e respeito para você, o que traz maior sentido ao que somos e como vivemos!
Elaine Ribeiro - psicóloga clínica e organizacional
e colaboradora da Comunidade Canção Nova.
Instagram: @elaineribeiro_psicologa
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