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sábado, 24 de janeiro de 2026

Dicas para facilitar a adaptação das crianças na volta às aulas

Adelir Marinho, professora e Doutora em Educação, fala como o apoio da família e o acolhimento da escola podem fazer com que este momento seja repleto de experiências positivas 

 

A primeira semana de aula desperta a ansiedade e muitas expectativas, inclusive por parte dos pais. Segundo Adelir Marinho, professora Doutora em Educação pela PUC - Campinas, o início do ano para as turmas da Educação Infantil deve ser desenvolvido com uma programação especial para facilitar ao máximo o acolhimento dos pequenos, com a preocupação com os horários, e se for possível para a unidade escolar oferecer horários diferenciados, atividades mais lúdicas, além de possibilitar com que os responsáveis tenham acesso ao ambiente escolar para deixar e retirar seus filhos.  

“Brincadeiras, passeios internos e dinâmicas são fundamentais para integração das crianças na escola. Ações como essas facilitam bastante a inserção dos pequenos na sala de aula, que contribui no relacionamento diário com a equipe e fortalece a confiança entre pais, filhos e escola”, comenta a especialista. 

Para que essa etapa seja tranquila, as dicas a seguir podem oferecer o suporte necessário aos filhos nessa nova etapa e facilitar a adaptação ao novo ambiente que fará parte do dia a dia deles. 

 

1 – Inicie o processo de adaptação desde cedo. “Caso a família escolha não colocar o filho na escola desde pequeno, orientamos sobre a obrigatoriedade legal da entrada aos quatro anos na Educação Infantil, dois anos antes da entrada no Fundamental, para que a criança possa ter contato pedagógico e socialização com outras crianças e outros adultos, além da inserção ao ambiente escolar e sua rotina”, destaca Adelir. 

 

2 – Acompanhe, se possível, a adaptação de seu filho. É essencial estar alinhado com a escola neste processo. Na medida do possível, é importante que os pais tenham acesso à escola antes do início do ano letivo, conheça a equipe técnico-pedagógica,e feedback diários, principalmente nos primeiros dias. “Essa possibilidade de conhecer mais de perto o ambiente escolar, bem como a equipe traz mais segurança para os pais e essa segurança é transmitida para as crianças que ficam mais seguras quando chegam à escola de educação infantil. A liberdade dada de ligar para a escola também é fundamental nesse processo de inserção dos filhos na escola. Outro dado, que se possível para as escolas, se apresenta com o estreitamento da relação escola-pais, é a possibilidade de que eles - pais/mães -, possam  acompanhar de perto todo o processo de adaptação, permanecendo por um período, determinado pelos gestores, na unidade escolar, juntos aos seus filhos, isso porque alguns ainda precisam do apoio na sala de aula e aos poucos vão ficando mais à vontade e dispensando a presença física do pai ou mãe”, comenta.

 

3 – Respeite o tempo de adaptação de cada criança. Segundo Adelir, uma semana de adaptação costuma ser suficiente, mas é preciso respeitar o tempo de cada criança, sempre conversando com a família, tendo uma escuta ativa e sensível com as crianças. Além disso, algumas crianças necessitam de um objeto transicionais como cobertores, ursinhos ou outros. “Dizemos às famílias que este é o momento mais importante do ano, pois aqui construímos a relação de confiança e respeito com seu filho e se por algum motivo quebrarmos essa confiança, teremos uma criança que poderá ficar insegura o resto do ano”.

 

4 – Mantenha os combinados com seu filho. Adelir explica que a melhor maneira de negociar com o filho é mantendo as promessas que são feitas. “Os combinados de permanecer, seguir à risca os horários de adaptação, que são progressivos, e não mentir para a criança, dizendo que vai ficar e vai embora, são de suma importância de serem cumpridos”, salienta.

 

5 – Fortaleça o vínculo família-escola. É importante o apoio dos pais para que a criança encare esse processo de forma mais tranquila, promovendo a autonomia e transmitindo segurança. “Em alguns momentos, percebemos que a dependência é da família, também vamos conversando e sinalizando que já podem deixar a criança e ir embora, que ligaremos caso for necessário. Com eles também devemos criar e cultivar uma relação de confiança, que também se dá a partir da escuta sensível para esses familiares”, afirma.

 

6 – A importância do acolhimento nos espaços abertos. Na escolha da escola, priorize instituições com ambientes de aprendizagem que vão além da sala de aula. Para lidar com o novo espaço de uma maneira menos impactante, opte por uma escola que procure trabalhar menos com a sala de aula e aproveite ao máximo atividades em área aberta. “O passeio por áreas semelhantes às que já fazem parte da rotina da criança, como os espaços externos e o contato direto com a natureza, idas à horta, por exemplo, ajudam na adaptação dos pequenos”. 

 

7 – Interação com o colégio no período de adaptação. Já na sala de aula, a palavra de ordem é a informalidade. “É importante desenvolver atividades lúdicas que incluam brinquedos, massa de modelar, bolinhas de sabão, atividades motoras e músicas e uma série de outros recursos destacando o acolhimento como objetivo principal”, afirma Adelir Marinho. “Todo esse processo precisa ser acompanhado pela família de alguma forma, seja por aplicativos que são utilizados pelas instituições ou até mesmo em um conversa comum com a professora no momento da retirada da criança. Isso tranquiliza e encanta a criança, fortalecendo ainda mais a conexão entre ela e o/a professor/a”.

 

8 – Continue acompanhando as atividades de seus filhos. Por fim, é importante que os pais continuem acompanhando com afinco as atividades do filho, mesmo depois do período de adaptação. “O mais interessante é que cada um tem suas particularidades e, por isso, é importante respeitar os jeitos e ideias de cada família. Ter um tempo de adaptação respeitado é muito importante tanto para as crianças como para os pais. Acreditar em ações assim, é um ponto que pode ser um diferencial no acolhimento, e permite um relacionamento positivo e potencializa o processo de aprendizagem. Este é o olhar da educação socioemocional, que deve ser considerado por todos nós que participamos do início da história das crianças, completa Adelir.

  

Adelir Marinho - pedagoga, psicopedagoga e pesquisadora da área da Educação, com especializações que conectam tanto à prática quanto o universo da neurociência e da formação docente. Com grande trajetória no setor acadêmico, passou pelo mestrado, doutorado (PUC-Campinas) e, também, por um pós-doutorado (Unicamp) dedicado à investigação da formação de professores da Educação Infantil, onde já atuou como docente - com foco no ensino fundamental, contribuindo no desenvolvimento de projetos de formação acadêmica com temas sobre criação de jogos e as dimensões éticas e afetivas - além de ministrar em cursos de pós-graduação e atuar como orientadora em pesquisas.



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