Com plataformas de
social commerce em expansão e margens mais apertadas, especialistas defendem
foco em produto validado, caixa protegido e uso inteligente de dados para quem
quer empreender no início de 2026
O início de 2026 encontra o comércio eletrônico
brasileiro mais maduro e competitivo. Dados do Webshoppers, da NielsenIQ Ebit,
mostram que o e-commerce nacional superou R$ 200 bilhões em faturamento em
2024, com crescimento puxado por pequenos lojistas e pelo avanço do social
commerce. Ao mesmo tempo, o DataReportal aponta que mais de 75% dos brasileiros
já usam redes sociais como canal de descoberta de produtos, cenário que muda a
forma de começar um negócio digital do zero.
Para Sabrina Nunes, fundadora da Francisca Joias, e especialista em vendas na internet, o erro mais comum de novos
empreendedores continua sendo investir em estoque antes de entender como
vender. “A maioria das lojas quebra porque compra produtos sem ter estratégia
de venda. Em 2026, errar custa mais caro, porque a concorrência é maior e o
caixa acaba rápido”, afirma.
Segundo ela, quem começa sem marca, seguidores ou
estrutura precisa inverter a lógica tradicional do varejo. O primeiro passo é
escolher um produto com demanda já comprovada, margem adequada e logística
simples. “Menos variedade e mais foco. Um único produto bem trabalhado pode
escalar mais do que um mix grande sem estratégia”, diz. Ela cita exemplos recorrentes no mercado digital de marcas que
cresceram com produtos únicos, apoiadas em marketing e distribuição eficientes.
O movimento ganha força com a consolidação do
social commerce. Relatório da Accenture estima que esse modelo deve crescer
três vezes mais rápido que o e-commerce tradicional até 2026. No Brasil, a
chegada do TikTok Shop reforça a tendência. “Se eu estivesse começando hoje,
concentraria energia em um canal em crescimento, como o TikTok Shop, em vez de
tentar estar em todas as plataformas ao mesmo tempo”, afirma Sabrina. Para ela,
produzir conteúdo e vender no mesmo ambiente reduz custos e acelera a validação
do produto.
Outro ponto central é a proteção do caixa no início
da operação. A empresária defende negociações com fornecedores para compras
menores e reposição gradual, além de evitar gastos elevados com embalagem e
estética antes de gerar vendas consistentes. “O dinheiro precisa ir para onde
volta rápido, produto, tráfego e conhecimento. Embalagem sofisticada não
sustenta negócio sem venda”, diz.
Sabrina também destaca que o começo de 2026
favorece estratégias regionais. Dados do Sebrae mostram que negócios digitais
com foco local têm maior taxa de sobrevivência nos primeiros dois anos.
“Fortalecer a marca de dentro para fora, começando pela própria região, é mais
eficiente do que tentar vender para o Brasil inteiro logo de início”, afirma.
Com mais de 36 mil alunas em cursos e mentorias
espalhadas pelo país e uma operação que começou com investimento inicial de R$
50, a empresária diz que o aprendizado mais importante é abandonar improvisos.
“A internet muda rápido. Fórmulas mágicas não funcionam mais. O que funciona é
estratégia validada, leitura de tendência e investimento em conhecimento”,
afirma. Para ela, o empreendedor que entra em 2026 precisa entender que
crescimento exige visão de longo prazo e reinvestimento contínuo. “Negócio só
cresce até onde o dono enxerga. Se não houver clareza de onde se quer chegar, a
empresa para antes”, conclui.
A especialista elenca sete orientações práticas
para quem pretende montar uma loja on-line ao longo de 2026 e reduzir erros
comuns no início da operação:
- Comece pelo produto, não pela marca
Antes de pensar em identidade visual ou redes sociais, valide um produto com demanda comprovada, margem adequada e logística simples. Produto certo protege o caixa.
- Reduza
o mix para ganhar velocidade
Trabalhar com poucos itens, ou até com um único produto, facilita controle de estoque, comunicação e escala. Variedade excessiva dilui esforço e capital.
- Negocie
estoque de forma progressiva
Evite grandes compras iniciais. Busque fornecedores dispostos a vender em menor volume para validação e aumente pedidos conforme a venda acontece.
- Escolha
um canal principal de venda
Concentrar energia em uma plataforma em crescimento, como o social commerce, tende a gerar resultado mais rápido do que tentar operar em vários canais ao mesmo tempo.
- Invista
primeiro onde o dinheiro retorna
No início, recursos devem ir para produto, tráfego e conhecimento. Embalagem sofisticada e estética vêm depois da venda recorrente.
- Fortaleça
a marca de dentro para fora
Começar pela região ou estado ajuda a ganhar relevância local, reduzir custos de mídia e criar prova social antes de ampliar a atuação.
- Trate
conhecimento como ativo estratégico
Aprender com quem já percorreu o caminho reduz tempo, dinheiro e erros. Informação certa acelera decisões e aumenta a chance de sobrevivência do negócio.
Segundo a especialista, essas escolhas fazem
diferença especialmente no cenário de 2026, em que o e-commerce segue
crescendo, mas com menos espaço para improviso e decisões intuitivas.
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