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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Copa, feriados e tempo livre: por que 2026 pode ser um ano melhor para o varejo do que o mercado imagina

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Ao contrário do que indica o senso comum, 2026 pode ser um ano fértil para as vendas: com mais tempo em casa e em circulação, consumidores ampliam a navegação online e a frequência em shoppings e comércios fora da rotina. 

 

Enquanto parte do mercado encara 2026 com cautela: ano marcado por Copa do Mundo, múltiplos feriados prolongados e pausas na rotina produtiva, uma leitura mais profunda do comportamento do consumidor brasileiro aponta para um cenário diferente: o ócio pode se transformar em um dos principais motores de vendas, especialmente no e-commerce e no varejo físico voltado à conveniência, lazer e experiência.

Historicamente, períodos com maior concentração de feriados e eventos esportivos globais alteram a dinâmica tradicional do consumo. Menos tempo no trabalho e mais tempo em casa, em deslocamentos ou em atividades de lazer ampliam a exposição das pessoas a telas, vitrines, marketplaces e centros comerciais. Em vez de retração, o que ocorre é uma redistribuição do consumo no tempo, nos canais e nos hábitos.

No Brasil, os dados reforçam essa tese. O e-commerce nacional segue em trajetória consistente de crescimento e já se consolidou como parte estrutural da jornada de compra do consumidor. No primeiro semestre de 2025, o comércio eletrônico movimentou mais de R$ 100 bilhões, com quase 200 milhões de pedidos realizados por mais de 40 milhões de compradores online. As projeções indicam que o setor deve superar R$ 230 bilhões em faturamento anual, com crescimento de dois dígitos, impulsionado principalmente pelo aumento da recorrência de compra e pelo uso intensivo de dispositivos móveis.

Esse comportamento não se restringe a datas comerciais tradicionais. Pesquisas recentes mostram que mais de 70% dos consumidores brasileiros compram online ao menos uma vez por mês, e uma parcela relevante realiza compras múltiplas ao longo do mesmo período. Datas consideradas “secundárias” no calendário, como feriados prolongados ou semanas sem apelos promocionais clássicos, têm registrado picos de tráfego e conversão, especialmente em categorias como moda, beleza, eletrônicos, alimentos e itens para o lar.

“O erro está em analisar 2026 apenas pela ótica da produtividade tradicional. O consumo não desaparece nos feriados, ele muda de lugar, de horário e de canal”, afirma Flávio Gonssa, CMO da AKR Brands, holding de moda masculina que reúne as marcas King&Joe, King&Joe Play e K&J Black. “Quando as pessoas têm mais tempo livre, elas exploram mais. Navegam em sites, comparam preços, visitam shoppings que não fazem parte da rotina e consomem fora dos padrões habituais”. 

O varejo físico também se beneficia desse movimento. Em feriados prolongados, o consumo em serviços e comércio cresce, puxado por alimentação, lazer, turismo e compras por conveniência. Shopping centers e lojas localizadas em regiões residenciais ou turísticas costumam registrar aumento no fluxo e no tempo de permanência do consumidor, sobretudo quando investem em experiência, mix adequado e ações de engajamento.

No ambiente digital, o impacto do ócio é ainda mais evidente. Com mais tempo disponível, o consumidor navega por mais tempo, descobre novas marcas e realiza compras menos planejadas. O crescimento contínuo das vendas online em datas como Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados e até mesmo fora do calendário promocional reforça que o consumo brasileiro já não depende exclusivamente de grandes eventos comerciais para acontecer.

“O tempo livre é um ativo subestimado. Ele gera curiosidade, comparação, descoberta e compras por impulso”, reforça Gonssa. “Empresas que entendem esse comportamento e ajustam comunicação, estoque, logística e canais conseguem performar melhor justamente nos períodos em que o mercado espera desaceleração.”

Em um ano como 2026, marcado por pausas coletivas, Copa do Mundo e maior tempo de lazer, vender bem não será uma questão de calendário, mas de leitura de comportamento. Para o varejo, o desafio não é driblar os feriados, mas ocupar o tempo livre do consumidor com presença, conveniência e relevância, seja no ambiente digital ou no físico.

“Mais do que um risco, o cenário de 2026 aponta para uma oportunidade clara: transformar atenção em conversão e tempo livre em crescimento sustentável”, finaliza Flávio Gonssa. 


AKR Brands - holding de multimarcas de moda masculina

 

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