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| Levantamento da DocSolution revela que jovens médicos enfrenta obstáculos estruturais, financeiros e emocionais para cursar a residência médica. imagem gerada por IA |
Pesquisa realizada em setembro deste ano apontou que a maior dificuldade dos médicos recém-formados é trabalhar para se sustentar e realizar a residência ao mesmo tempo
Se informações oficiais apontam que o Brasil tem mais médicos por habitante do que a Índia, é preciso entender quais os fatores levam a população a enfrentar uma dificuldade de acesso a médicos especialistas.
O estudo da Demografia Médica 2025, realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), estima que o Brasil terá 635.706 médicos até o final de 2025, com uma média de 2,98 profissionais por mil habitantes. Enquanto a Índia - país com 1,3 bilhão de pessoas - tem apenas um médico para cada mil habitantes, com 1,3 milhões de médicos alopáticos registrados nos Conselhos Médicos Estaduais e na Comissão Médica Nacional (NMC), segundo dados publicados e divulgados pelo Ministro de Estado do Ministério da Saúde e Bem-Estar da Família, Anupriya Patel - a falta de especialistas é um problema que afeta diferentes regiões do país.
No entanto, um levantamento realizado pela DocSolution - ecossistema de inovação voltado para dar suporte ao médico no Brasil - mostrou que a residência segue sendo a principal meta profissional da nova geração médica. Mas o sonho esbarra em obstáculos estruturais, financeiros e emocionais.
Apenas 26,6% dos médicos recém-formados que responderam o questionário conseguiram concluir ou estão cursando uma residência médica. Outros 63,5% estão tentando ingressar ou têm intenção de cursar. Não é à toa que o Governo Federal criou o programa Mais Médicos Especialistas, que está ofertando 500 vagas de aprimoramento para médicos especialistas na rede de serviços próprios do SUS, em 2025.
“Buscamos entender essa discrepância, verificando como é a relação dos jovens médicos brasileiros com a residência médica (RM)", explica Thiago Madureira, CEO da DocSolution.
O levantamento complementa o que foi divulgado, recentemente, pela Associação Médica Brasileira (AMB). E os dados da AMB corroboram com essa percepção: apesar do número de médicos cursando residência ter aumentado 26% em sete anos, a desistência ao longo do curso (que pode ter de 2 a 5 anos) vai crescendo. Em 2024, havia 47.718 médicos cursando residência, distribuídos da seguinte forma: 9.551 cursavam o primeiro ano; 17.731 o segundo ano; 10.068 o terceiro ano; 206 o quarto ano; e 162 o quinto ano.
Os dados da DocSolution mostram que, embora o desejo pela especialização seja majoritário, o acesso e a competitividade das vagas são grandes barreiras, especialmente entre os profissionais de 25 a 29 anos, que representam 44% dos participantes do levantamento.
“A maioria dos jovens médicos quer cursar residência, mas enfrenta um impasse entre sonho e sobrevivência financeira, já que precisam fazer plantão para sobreviver e a residência exige dedicação em tempo integral”, explica Thiago.
O desafio começa na renda: a bolsa auxílio de residência, em 2024, era de R$ 4.106,09 para regime especial de treinamento em serviço de 60 horas semanais, o que exige dedicação integral e exclusiva, impedindo o médico de atuar em plantões remunerados fora do programa.
O valor da bolsa pode não ser suficiente para que os médicos
consigam se sustentar. Recém-saídos da faculdade, muitos ainda pagam o
financiamento estudantil ou não tem apoio familiar. Outros optam por trabalhar
alguns anos antes para juntar dinheiro, ou recorrem a financiamentos, para
conseguirem fazer a RM.
Poucas vagas, muita concorrência
Além dos fatores financeiros, a concorrência é acirrada e o número de vagas de residência médica na maioria das especialidades ainda é insuficiente para a quantidade de médicos formados anualmente. Mesmo que a quantidade de vagas em RM tenha aumentado 26% em sete anos, aumentou mais ainda o número de escolas médicas: são 448 no Brasil. Estima-se que, a curto prazo, o Brasil esteja formando 42 mil médicos por ano (em 2023, o país formou 27.263).
“O médico que sai da faculdade precisa competir com centenas de outros por uma bolsa nem sempre bem remunerada e, muitas vezes, distante de sua cidade natal. Sem contar que algumas especialidades remuneram menos que outras e, por este e por outros motivos, são menos escolhidas e estão com déficit. Não é à toa que 20% das vagas de residência não são preenchidas no Brasil”, analisa o CEO da DocSolution.
Em 2024, dos 26.144 médicos residentes, 54,8% do total cursavam
programas em seis especialidades: Clínica Médica (13,6%), Pediatria (10,5%),
Cirurgia Geral (9,0%), Ginecologia e Obstetrícia (8,6%), Anestesiologia (6,6%)
e Medicina de Família e Comunidade (6,5%).
DocSolution

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