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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Estudo revela que medicamentos como Ozempic e Mounjaro reduzem o desejo por álcool e podem se tornar aliados contra dois grandes inimigos do fígado

Pesquisas publicada no JAMA Psychiatry mostra que agonistas do receptor de GLP-1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes, também diminuem o consumo e o impulso pelo álcool. Para a hepatologista Dra. Patrícia Almeida, a descoberta pode representar uma revolução no combate simultâneo à esteatose e às doenças hepáticas ligadas ao álcool

 

Dois dos maiores desafios da hepatologia moderna têm origem em comportamentos distintos, mas convergem no mesmo ponto: o dano hepático causado pelo álcool e pela gordura. Agora, um novo estudo publicado no JAMA Psychiatry indica que os medicamentos à base de incretinas, como a semaglutida (presente em fármacos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro), podem atuar de forma promissora sobre ambos os mecanismos.

O ensaio clínico, conduzido por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte (EUA), acompanhou 48 adultos diagnosticados com transtorno por uso de álcool. Os participantes receberam semaglutida em doses semanais e apresentaram redução significativa no consumo e no desejo por bebidas alcoólicas, sem necessidade de abstinência completa. Os resultados mostraram queda no número de dias de consumo pesado e no nível de álcool expirado, além de menor fissura por álcool em comparação ao grupo placebo.

Segundo os autores, os medicamentos parecem atuar nas mesmas vias cerebrais de recompensa relacionadas ao apetite, à saciedade e à busca por prazer as mesmas envolvidas na compulsão alimentar e no abuso de substâncias. “Estamos diante de uma mudança de paradigma. Pela primeira vez, temos uma medicação que age tanto no metabolismo hepático quanto no comportamento de busca por prazer. O GLP-1 conversa com o fígado e com o cérebro, ajudando o corpo a metabolizar melhor e a mente a desejar menos o que o destrói”, explica a Dra. Patrícia Almeida, hepatologista pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela USP.

A especialista destaca que os achados têm implicações importantes não apenas para o tratamento da obesidade e do diabetes, mas também para doenças hepáticas como a esteatose metabólica (MASLD) e a doença hepática alcoólica (ALD), responsáveis por milhões de mortes anuais em todo o mundo.

“O excesso de álcool e a má alimentação são os dois maiores inimigos do fígado moderno. E as incretinas surgem como uma ponte entre esses dois mundos, atuando na raiz do problema: o descontrole do desejo”, acrescenta a médica.

O estudo americano é o primeiro ensaio clínico randomizado a demonstrar, com base científica, que a semaglutida pode reduzir o impulso e o consumo de álcool. Os autores sugerem que essa linha de pesquisa abra caminho para novos usos terapêuticos dos agonistas de GLP-1 um grupo de medicamentos já considerado revolucionário no tratamento da obesidade e da síndrome metabólica.

“Pesquisas como essa mostram que a hepatologia moderna vai muito além do fígado. Envolve compreender o cérebro, o comportamento e as emoções ligadas ao prazer. É uma nova fronteira no cuidado das doenças hepáticas”, finaliza Dra. Patrícia Almeida.

  

Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821 - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010), Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12), Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15), Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016), Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017), Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017, Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH, Hepatologista.


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