Pesquisa convida pessoas para responderem a um questionário online
Uma pesquisa na
área da Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está buscando
compreender como a convivência com pessoas em uso de substâncias psicoativas
impacta a vida de seus familiares, avaliando os níveis de sobrecarga emocional
e resiliência.
O trabalho amplia
a compreensão sobre os efeitos da dependência dessas substâncias não apenas no
indivíduo, mas em todo o sistema familiar, explica a estudante de graduação em
Psicologia, Ketlyn Cassiana, responsável pela investigação. "As
substâncias psicoativas são drogas que agem diretamente no sistema nervoso
central, modificando o funcionamento do corpo e do cérebro. Elas alteram o
humor, o comportamento, a percepção e o estado de consciência, podendo causar
dependência e diversos prejuízos à saúde física e mental. Fazem parte desse
grupo tanto substâncias lícitas, como o álcool, quanto ilícitas, como cocaína,
crack e maconha", lista a pesquisadora. "De acordo com o Escritório
das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o uso dessas substâncias
representa um importante risco social e de saúde pública, pois pode afetar
pessoas de diferentes idades e contextos sociais".
O estudo quer
avaliar os níveis de sobrecarga emocional e resiliência de quem lida com
pessoas que usam essas substâncias. A sobrecarga emocional, explica a estudante
da UFSCar, refere-se ao peso psicológico e social vivenciado por familiares ou
cuidadores que convivem com alguém dependente de substâncias psicoativas.
"Essa sobrecarga pode ser objetiva, envolvendo alterações concretas na
rotina, nas finanças e nas relações sociais, ou subjetiva, relacionada aos
sentimentos de tristeza, culpa, frustração e impotência diante da situação",
detalha.
Já a resiliência,
também considerada no estudo, diz respeito à capacidade de enfrentar e superar
situações adversas, reorganizando-se emocionalmente e fortalecendo os vínculos
familiares. "É um processo que envolve esperança, solidariedade, apoio social
e espiritualidade, permitindo que a família se mantenha funcional mesmo diante
das dificuldades impostas pela dependência de substâncias psicoativas".
Participação
Podem participar
pessoas a partir de 18 anos que convivem (ou conviveram) com um familiar
em uso de substâncias psicoativas (como álcool e outras drogas) ao menos duas
vezes por semana. A participação é anônima, voluntária, gratuita e online,
através do preenchimento do formulário disponível em https://bit.ly/3WtFRoR. O tempo estimado de resposta do
formulário é de 10 a 20 minutos. Dúvidas podem ser esclarecidas com a
pesquisadora pelo e-mail ketlyncassiana@estudante.ufscar.br.
Mais
informações
"Para a Psicologia, o tema contribui para o desenvolvimento de estratégias de cuidado e de intervenções que valorizem tanto a saúde mental do dependente quanto a dos familiares. Para a sociedade, a pesquisa traz subsídios importantes para a criação de políticas públicas voltadas ao acolhimento, à prevenção e ao fortalecimento das redes de apoio, reconhecendo o papel da família como espaço de proteção, mas também de vulnerabilidade diante do uso de drogas", avalia a pesquisadora.
O trabalho, intitulado "Resiliência e sobrecarga emocional em familiares de pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas", é conduzido sob orientação da professora Camila Domeniconi, do Departamento de Psicologia (DPsi) da UFSCar, e conta com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) da UFSCar. Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE: 90471325.5.0000.5504).

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