Trigo na alimentação: especialista explica mitos, curiosidades e dicas
Presente no pão do café da manhã e na
massa do jantar, o trigo é um dos grãos mais consumidos do mundo. Cultivado há
mais de 10 mil anos, foi um ingrediente essencial para o surgimento das
primeiras civilizações.
No Brasil, o consumo médio de trigo,
presente em diversos alimentos do dia a dia, é de aproximadamente 40,6 kg por
pessoa, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo
(Abitrigo). Esse índice coloca o país entre os 20 maiores consumidores do grão
no mundo.
O professor de nutrição da Afya Centro
Universitário Itaperuna, Diego Righi, explica que esse alimento, tão presente
nas nossas refeições diárias, é cercado de particularidades nutricionais e
comportamentais que passam despercebidas e lista quatro curiosidades sobre o
consumo do trigo grão que nem todos sabem.
1. Nem todo trigo é igual
O trigo pode ser
encontrado em diferentes tipos, como o duro, o mole e o integral. Entre eles, o
trigo integral é o mais nutritivo, pois mantém a casca e o gérmen do grão, que
são ricos em fibras, vitaminas e minerais. Já a farinha branca perde boa parte
desses nutrientes durante o processo de refino e, mesmo quando enriquecida com
ferro e ácido fólico, ainda contêm menos fibras e minerais que a versão
integral. Além disso, pães preparados com fermentação lenta ou natural
facilitam a absorção dos nutrientes do trigo integral, tornando essa opção mais
completa e saudável dentro de uma alimentação equilibrada.
2. O
glúten não é o vilão de todos
O glúten é um
conjunto de proteínas (de baixo valor biológico) presentes no trigo, centeio e
cevada, responsável por dar elasticidade às massas. Para a maioria das pessoas,
ele não traz problemas e pode ser consumido com moderação. No entanto, deve ser
evitado por quem tem doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade não
celíaca ao glúten. Em alguns casos de síndrome do intestino irritável, os
desconfortos estão ligados aos frutanos do trigo, e não ao glúten em
si.
3.
Trigo é sinônimo de energia
O trigo é uma
fonte de carboidratos complexos, que fornecem energia de forma gradual e ajudam
a manter o corpo ativo. Farinhas e massas feitas com o grão podem ser incluídas
na alimentação, preferindo versões com menos fibra antes do treino, para evitar
desconforto intestinal, e opções integrais em outras refeições, que auxiliam na
saciedade e no controle glicêmico.
4. O segredo
está na moderação
De acordo com o
nutricionista, incluir o trigo na dieta é saudável, desde que em quantidades
equilibradas e preferindo sempre as versões integrais, que saciam mais e fazem
bem ao intestino.
O especialista
aproveita para alertar que para aproveitar os benefícios do trigo sem exageros,
o ideal é variar as fontes de carboidrato ao longo da semana para garantir uma
maior quantidade de micronutrientes como vitaminas e minerais. O nutricionista
também reforça sobre a importância de combiná-lo com proteínas magras e
vegetais. “O ideal é montar o prato com uma parte de carboidrato, uma parte de
proteína magra e duas partes de vegetais. Essa combinação favorece a glicemia,
saciedade e recuperação”, afirma.
Outro ponto
destacado por Dr. Diego é que preparações caseiras, feitas com farinhas
integrais, são sempre uma escolha melhor do que produtos ultraprocessados.
“Preparações com farinhas integrais tendem a ter menos sódio, açúcar, gorduras
de baixa qualidade e aditivos. Em geral, é uma escolha melhor”, explica o professor.
“Quem tem sensibilidade ou intolerância ao glúten deve optar por alternativas como arroz, milho, quinoa, amaranto, sorgo, teff ou mandioca. A chave é a moderação. O trigo pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, o importante é saber como e quanto consumir”, conclui.
Afya
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