Em alguns casos, o uso de hormônios pode aumentar os riscos de saúde, mas existem alternativas seguras e eficazes para diminuir os sintomas indesejáveis da menopausa
A terapia hormonal da menopausa é uma das principais formas de
aliviar os sintomas causados pela queda dos hormônios, especialmente o
estrogênio, que ocorre naturalmente nessa fase da vida. Além de ajudar no
controle de ondas de calor, insônia e irritabilidade, o tratamento também traz
benefícios para a saúde óssea e cardiovascular a médio e longo prazo.
No
entanto, nem todas as mulheres podem fazer uso da reposição hormonal.
Há situações em que os riscos superam os benefícios, tornando o tratamento
contraindicado. Conversamos com a Dra. Emily Izumi Hinoue, médica ginecologista
pela UNIFESP e consultora da
Marjan Farma, para esclarecer todas as dúvidas sobre
reposição hormonal na menopausa. Confira!
- Quando a terapia hormonal é indicada? E quando ela não é?
A terapia hormonal é uma excelente opção de tratamento para
aliviar os sintomas causados pela queda dos hormônios, que proporciona uma
melhora importante e significativa na qualidade de vida dessas mulheres. No
entanto, existem situações em que os riscos superam os benefícios, e nem todas as mulheres são candidatas a esse
tratamento.
As principais contraindicações são: câncer de
mama atual ou prévio, câncer de endométrio, doenças hepáticas ativas graves,
trombose venosa profunda, embolia pulmonar, acidente vascular encefálico,
infarto do miocárdio, doenças cardíacas ou cerebrovasculares ativas, sangramento
vaginal de origem desconhecida, entre outras.
- Por que a reposição hormonal pode ser perigosa para essas
mulheres?
Em mulheres com histórico ou risco elevado de câncer de mama,
câncer de endométrio, trombose, AVC ou doenças hepáticas, o uso de hormônios
pode agravar esses riscos.
Nos casos de câncer de mama ou câncer de endométrio, a terapia
hormonal não é indicada, pois esses tipos de câncer, na maioria dos casos, são
hormônio-dependentes, ou seja, o uso de hormônios pode estimular o crescimento das
células cancerígenas.
Já em mulheres com risco cardiovascular moderado e elevado, o uso
de hormônios, especialmente o estrogênio, pode aumentar o risco de trombose,
infarto ou acidente vascular encefálico, dependendo da via de administração, da
dose e do tempo de uso.
- Quais alternativas podem ser usadas em mulheres que não podem
fazer a terapia hormonal tradicional?
Existem opções não hormonais farmacológicas e não-farmacológicas
para alívio dos sintomas da menopausa. A abordagem precisa ser individualizada,
considerando quais sintomas são mais intensos (fogachos, insônia, secura
vaginal, alterações de humor, etc.) e quais os riscos da paciente no momento da
consulta. Alguns exemplos de como tratar os sintomas são:
- Sintomas vasomotores – medicamentos fitoterápicos,
antidepressivos;
- Alterações de humor – antidepressivos,
psicoterapia;
- Alterações sono – higiene do sono,
medicamentos fitoterápicos;
- Sintomas de atrofia urogenital (como
ressecamento vaginal e dor durante a relação sexual) – lubrificantes à base
de água ou silicone, hidratantes vaginais ou aplicação de laser vaginal.
- De que forma os fitoterápicos agem?
Alguns medicamentos dessa classe podem ser
utilizados para o manejo dos sintomas vasomotores, pois não contém
fitoestrogênios (estrogênio extraído de plantas). Um exemplo é o extrato de Cimicifuga
racemosa (também conhecida como Black Cohosh), considerada uma boa opção
por ser uma alternativa não hormonal.
Ela atua de forma diferente dos hormônios tradicionais, pois não
contém estrogênio e não estimula diretamente os receptores hormonais do corpo.
Acredita-se que seu efeito esteja relacionado à ação sobre o sistema
serotoninérgico, ou seja, ela modula neurotransmissores no cérebro, como a
serotonina, que está envolvida na regulação da temperatura corporal.
- E quais são opções não farmacológicas?
Essas abordagens focam no estilo de vida, na mente e no corpo, e
têm mostrado bons resultados, principalmente para sintomas como ondas de calor,
insônia, irritabilidade, ansiedade e queda de energia. As principais abordagens
incluem:
- Atividade física regular
- Técnicas de relaxamento e controle do estresse, como ioga,
meditação e mindfulness
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
- Acupuntura
- Alimentação equilibrada
- Suporte emocional e grupos terapêuticos
Com tantas opções disponíveis, hormonais e não
hormonais, é fundamental que cada mulher converse com seu médico de confiança
para avaliar o melhor caminho de acordo com seu histórico de saúde e suas
necessidades individuais.
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