Especialista do CEJAM alerta para o
aumento de diagnósticos em mulheres jovens e reforça a importância do
autoconhecimento e do acesso ao rastreamento adequado 
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O câncer de mama
segue como o tumor mais frequente entre mulheres no Brasil. Segundo o Instituto
Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar cerca de 73 mil novos casos
por ano até o final de 2025, o equivalente a quase 42 diagnósticos a cada 100
mil mulheres. Embora ainda seja mais comum após os 50 anos, os diagnósticos em
faixas etárias mais jovens vêm crescendo de forma significativa, chamando
atenção para os diferentes perfis da doença.
De acordo com a
oncologista clínica Laísa Silva, da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia
(UNACON) do Hospital Regional de Assis, gerenciado pelo CEJAM – Centro de
Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” unidade da Secretaria de Estado da Saúde
de São Paulo (SES-SP), o câncer de mama em mulheres abaixo dos 40 anos tende a
ser mais agressivo. “Esses tumores estão muitas vezes relacionados a fatores genéticos,
como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, e por isso crescem rápido, podendo
atingir estágios avançados em pouco tempo”, explica.
Além da
predisposição genética, a especialista cita mudanças no estilo de vida e nos
padrões reprodutivos como fatores de risco. A postergação da maternidade, a
menor duração da amamentação e o uso prolongado de anticoncepcionais estão entre
os elementos que aumentam a exposição hormonal.
Outro desafio é a
dificuldade de detecção precoce. O rastreamento sistemático só é recomendado a
partir dos 40 anos, o que deixa as mais jovens sem indicação de mamografia de
rotina. Além disso, a densidade mamária dificulta a visualização por imagem. “A
mama jovem é mais densa, com mais glândulas e menos gordura. Essa densidade
aparece branca na mamografia, assim como os tumores, o que pode mascarar
pequenas lesões”, detalha a médica.
O diagnóstico
tardio também se relaciona à subestimação clínica. “Muitas vezes nem a paciente
nem o médico consideram câncer em uma mulher jovem, o que atrasa a
investigação. Pequenas alterações são confundidas com inflamações ou alterações
hormonais, e a doença segue avançando”, ressalta Laísa.
Já em mulheres
acima dos 40 anos, a doença costuma estar mais ligada ao envelhecimento
celular, ao acúmulo de mutações ao longo da vida e à exposição prolongada ao
estrogênio. Segundo a especialista, o subtipo mais comum é o luminal, receptor
hormonal positivo, associado à influência hormonal cumulativa. “Quanto maior a
exposição ao estrogênio ao longo da vida — seja pela menopausa tardia, terapia
hormonal ou fatores reprodutivos — maior a probabilidade de desenvolver o
tumor”, explica.
Em qualquer faixa
etária, os sinais de alerta exigem atenção. A oncologista orienta que toda
mulher observe seu corpo, independentemente da idade. “O autoconhecimento é a
primeira forma de detecção precoce. É importante se atentar a presença de um
nódulo ou caroço na mama, indolor na maioria dos casos; alterações no mamilo,
como inversão recente ou saída de secreção espontânea; mudanças na pele, como
retração, espessamento, vermelhidão ou aspecto de ‘casca de laranja’; feridas
que não cicatrizam; alterações no formato ou tamanho da mama; dor ou
desconforto persistente; e linfonodos aumentados na axila ou no pescoço”,
orienta.
Embora o autoexame
isolado não substitua a mamografia, ele é considerado um passo essencial no
autoconhecimento. “Nove em cada dez nódulos são benignos, especialmente em
mulheres jovens. Mas somente o profissional de saúde pode confirmar o
diagnóstico por meio de exames clínicos e de imagem”.
O
impacto emocional também varia conforme a fase da vida. Entre as mais jovens,
questões ligadas à fertilidade, imagem corporal e sexualidade ganham peso, já
que muitas recebem o diagnóstico em meio a projetos de vida e carreira. Nas
mais velhas, o medo tende a estar mais associado à autonomia e à dependência de
terceiros. O tratamento varia
conforme o subtipo do tumor, o estágio e o perfil da paciente. Em jovens, o objetivo é controlar a
doença sem
comprometer a fertilidade e a qualidade de vida futura; nas mais velhas,
busca-se equilíbrio entre eficácia e tolerância. Em todos os casos, a mensagem
central é a mesma: atenção aos sinais do corpo.
“Conhecer o
próprio corpo é um ato de amor e de cuidado. Cada mulher deve se olhar com
atenção, sem medo e sem vergonha, porque perceber algo diferente cedo pode
fazer toda a diferença entre um tratamento simples ou mais complexo. O
diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz
e melhora o prognóstico. Não adie suas consultas, não ignore sinais e, acima de
tudo, confie na sua intuição. Se algo parece diferente, procure atendimento
médico. Cuidar de si mesma é o primeiro passo para viver mais e melhor”,
conclui Laísa.
Atendimento
especializado em oncologia
O Hospital
Regional de Assis conta com a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia
(UNACON), gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João
Amorim”, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP),
sendo referência no diagnóstico e tratamento do câncer de mama para Assis e
região. A unidade integra a Rede de Atenção à Saúde do Estado de São Paulo e
atua em conformidade com as diretrizes do SUS, assegurando atendimento
especializado, gratuito e de qualidade à população.
A estrutura do
serviço oncológico é composta por consultórios clínicos, centro cirúrgico,
laboratório, salas de quimioterapia, farmácia oncológica, leitos clínicos e
cirúrgicos, Unidade de Terapia Intensiva adulto e Pronto-Socorro
Referenciado. O hospital realiza ainda mamografias, ultrassonografias,
tomografias, raios-X, exames laboratoriais e procedimentos cirúrgicos oncológicos e
reparadores, o que permite atender de forma integral as necessidades das
pacientes.
De acordo com
Cristiani Bussinatti,
gerente técnica regional do CEJAM em Assis, o atendimento é conduzido por equipe multiprofissional composta por
médicos
especialistas, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, assistentes sociais,
psicólogos e demais profissionais de apoio.
“A atuação
integrada entre as diferentes áreas é essencial para garantir cuidado contínuo
e seguro. O modelo multiprofissional permite acompanhar os
pacientes em todas as fases do tratamento, promovendo acolhimento e suporte
adequados às suas demandas clínicas e sociais”, explica.
A UNACON de Assis
está articulada à Rede de Atenção Oncológica das regiões de Assis e Ourinhos,
contribuindo para a linha de cuidado que tem a Atenção Primária como porta de
entrada. O acesso aos atendimentos especializados é regulado por meio do SIRESP
– Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo, o que possibilita
o início do tratamento em tempo oportuno e de forma organizada dentro da rede pública.
O hospital também
mantém investimentos contínuos em capacitação e qualificação profissional. O
programa EDUCA ONCO é uma das iniciativas voltadas ao aprimoramento técnico das
equipes, com encontros periódicos para discussão de casos, atualização científica
e fortalecimento da abordagem multiprofissional no cuidado oncológico.
Além da
assistência direta, a unidade atua em parceria com a Associação de Voluntárias
do Câncer de Assis na promoção de atividades educativas e ações de
conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e adesão ao tratamento.
“Nosso compromisso é aprimorar constantemente a assistência oncológica prestada à população, assegurando acesso equitativo, cuidado integral e atendimento humanizado, em conformidade com os princípios do Sistema Único de Saúde”, finaliza Cristiani Bussinatti.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial)
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