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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Amamentação depois do câncer: cuidados, limites e possibilidades

 Agosto Dourado destaca a importância do aleitamento também para mulheres que já tiveram câncer de mama

 

Amamentar é, para muitas mulheres, um dos momentos mais aguardados da maternidade. Mas quando o câncer de mama surge antes da chegada do bebê, a dúvida aparece: será que ainda é possível viver essa experiência? No Agosto Dourado, mês dedicado à valorização do aleitamento materno, o tema ganha destaque e ajuda a esclarecer mitos e verdades sobre a amamentação após o câncer. 

De acordo com a oncologista Alyssa Miranda, da São Bernardo Samp, é possível amamentar após o câncer. Em muitos casos, mulheres que passaram pelo tratamento conseguem amamentar seus bebês com segurança. “A amamentação não aumenta o risco de recidiva da doença. Pelo contrário, há estudos mostrando que pode até trazer um efeito protetor a longo prazo contra novos tumores”, afirma. 

A possibilidade de amamentar, no entanto, depende do tipo de tratamento realizado. “Se a paciente passou por mastectomia, aquela mama não terá produção de leite. Já em cirurgias conservadoras, a capacidade pode ser parcial, pois parte da glândula foi retirada. A radioterapia também pode comprometer a função da mama tratada”, explica a médica. 

Mesmo em casos de mastectomia unilateral, muitas mulheres conseguem amamentar exclusivamente com a mama preservada. “A produção de leite ocorre de forma independente em cada mama. Muitas mulheres conseguem amamentar exclusivamente apenas com a mama preservada, desde que tenham orientação adequada”, reforça Alyssa. 

Outro ponto de atenção é o uso de medicamentos. O tamoxifeno, por exemplo, é contraindicado na lactação porque passa para o leite e pode trazer riscos ao bebê. Por isso, é essencial que cada paciente converse com seu médico antes de planejar uma gestação ou o aleitamento.
 

Gravidez após o tratamento

Os especialistas recomendam aguardar pelo menos dois anos após o término do tratamento antes de engravidar, já que esse é o período de maior risco de recidiva. Para mulheres em hormonioterapia, como o uso de tamoxifeno, a recomendação ideal é completar todo o ciclo (de 5 a 10 anos). “Mas já existem pesquisas que mostram que é possível pausar temporariamente a hormonioterapia após pelo menos 18–24 meses de uso, engravidar e depois retomá-la com segurança”, pondera a oncologista da São Bernardo Samp. 

Além de ser fundamental para o desenvolvimento do bebê, a amamentação traz benefícios importantes para a saúde da mulher. Estudos mostram que cada 12 meses de amamentação cumulativa ao longo da vida reduzem em até 7% o risco de desenvolver câncer de mama. Esse efeito é ainda mais significativo em mulheres que amamentam por períodos prolongados ou mais de um filho. 

“Durante a amamentação, há uma redução nos níveis de estrogênio devido à supressão da ovulação. Como a exposição prolongada ao estrogênio está associada ao aumento do risco de câncer de mama, amamentar contribui para diminuir esse impacto hormonal. A amamentação não só nutre o bebê, mas também representa um cuidado preventivo com a saúde da mãe. No caso das mulheres que já tiveram câncer, quando é possível e indicado, representa uma vitória dupla”, conclui Alyssa Miranda.

 

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