A cena é cotidiana. Chega a hora dos anúncios no
meio de um vídeo no YouTube e o espectador espera ávido pelos cinco segundos
que o separam do botão “Pular Anúncio”. Ou, assim que os comerciais surgem na
TV, o equipamento rapidamente é colocado no mudo. Quem tem esse hábito não está
sozinho. Mais de oito em cada 10 consumidores preferem fugir da publicidade do
que dedicar tempo e atenção a ela na TV e nos aplicativos de streaming.
É isso que aponta uma pesquisa divulgada pela
Kantar, que mostra que a percepção negativa dos espectadores cresce à medida em
que aumenta a quantidade de anúncios a que são expostos. O cenário,
naturalmente, se tornou um desafio para as marcas.
“Ganhar atenção do público em um mercado cada vez
mais saturado de conteúdo é uma missão e tanto. Mas esse cenário também pode se
tornar uma oportunidade para retirar o excesso das campanhas de marketing. E a
partir daí, focar aquilo que realmente cria uma conexão com os consumidores”,
comenta Thaís Faccin, uma das sócias da Jahe Marketing.
Então, como chamar a atenção de maneira positiva?
Para isso, as marcas devem trabalhar a mensagem correta, que chega ao público
adequado, e na hora certa. “Digamos que você esteja assistindo a um vídeo sobre
lugares para se passar as férias no Nordeste brasileiro. Em um dado momento,
surge um anúncio sobre investimentos em criptomoedas. A probabilidade de que
essa propaganda seja inconveniente é muito maior do que uma chamada sobre
promoções em hotéis”, diz Satye Inatomi, também sócia da Jahe Marketing.
Outro recurso de anúncios não intrusivos está
ligado à liberdade de escolha: a possibilidade de parar um vídeo antes do
final, fechar a janela onde está o anúncio ou apontar que aquele tipo de
conteúdo não lhe interessa.
É claro que chegar a esse nível de aproveitamento
de uma peça publicitária não acontece de uma hora para outra. Mas existem
algumas recomendações que ajudam as marcas a criar anúncios não intrusivos e
mais atraentes para o público.
Veja cinco dicas da Jahe
Marketing para evitar anúncios intrusivos
1 - Considerar os horários da
audiência e os canais adequados. “O momento no qual
a marca vai aparecer para os consumidores é relevante para a eficiência do
anúncio. Para definir boas faixas de horário para uma audiência específica, é
interessante tomar como base as horas nas quais os consumidores mais reagem a
seus posts nas redes sociais. Plataformas como Instagram, Facebook e LinkedIn
geram relatórios fáceis de compreender a partir do conteúdo publicado”,
recomenda Faccin.
“Em relação aos canais adequados, existe uma
verdade que consideramos absoluta: você não precisa estar em todos os canais
digitais para fazer um bom trabalho no ambiente digital. No entanto, é crucial
que atue bem naqueles nos quais seus clientes estão.”
De acordo com ela, o LinkedIn é uma alternativa
excelente para um negócio B2B. Já se o objetivo é atrair um público geral e
mais amplo, o Instagram pode render bons resultados. “Definir uma boa
estratégia de redes é o primeiro passo para que seus anúncios não sejam
intrusivos, e fazer com que eles estejam dialogando com as pessoas corretas.
Outra alternativa são as newsletters utilizadas como e-mail marketing, desde
que, é claro, os destinatários concordem em recebê-las – seguindo não apenas as
boas práticas, mas também a LGPD”, afirma.
2 - Não utilizar clickbaits. As “iscas
de clique” estão em todo lugar na internet. São manchetes tendenciosas ou
sensacionalistas, imagens que chamam a atenção sem conexão real com o conteúdo
e promessas miraculosas. “Se a oferta não condiz com a isca, a marca gera
frustração para o cliente e, como brinde, prejudica sua reputação. Ainda que
seja menos intrusivo do que um vídeo que surge na hora errada, é uma péssima
estratégia para marcas que buscam resultados sólidos ao longo do tempo”, diz
Inatomi.
3 - Aposta em conteúdo
patrocinado. Também chamado de branded content
esse tipo de comunicação se integra ao formato no qual está inserida com parte
do material editorial. Por exemplo, um caderno especial sobre o Rock in Rio
dentro de um jornal diário, um podcast sobre o desenvolvimento de medicamentos
patrocinado por uma indústria farmacêutica, e por aí vai.
“A inserção de links patrocinados nos resultados de
busca no Google também é uma estratégia válida, já que o anunciante só aparece
a partir da pesquisa que o usuário faz, e o público é avisado de que aquele
resultado surgiu a partir de um investimento da marca”, afirma Inatomi.
4 - Marketing de influência
deve ser opção. Influenciadores digitais, incluindo o universo dos
microinfluenciadores (aqueles que têm até 100 mil seguidores), também são uma
opção de parceria que pode gerar retorno comercial sem o incômodo dos anúncios
intrusivos, de acordo com a Jahe Marketing.
“Cada vez mais, marcas de diversos tamanhos
utilizam essas parcerias para que seus produtos alcancem um público maior, já
que os itens são apresentados de maneira natural, para uma audiência que tem
interesse em consumir o material que esses profissionais criam”, diz Faccin.
5 - Inteligência artificial em
prol da marca. Anúncios baseados em comportamento aumentam a
relevância da graças às ferramentas de automação de marketing aliadas à
inteligência artificial. “Hoje já é possível reunir informações sobre seu
público e usá-las para criar campanhas direcionadas. Isso tem sido feito com
cada vez mais eficiência. Ela permite, por exemplo, lembrar os clientes sobre
carrinhos abandonados, ou distribuir conteúdo em newsletters para grupos mais
relevantes”, explica Inatomi.

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