Realidade para muitas mulheres, a violência doméstica deixa cicatrizes que transcendem o tempo e as gerações. Considerada uma epidemia silenciosa, 1 em cada 3 mulheres ao redor do mundo já sofreu violência física ou sexual por um parceiro íntimo, conforme a OMS. Além disso, o Instituto Nacional de Justiça dos Estados Unidos relata que crianças expostas à violência doméstica têm maior probabilidade de sofrer abuso ou negligência, perpetuando um ciclo de violência.
Ainda pouco difundida no país, a Terapia
transgeracional é uma abordagem dentro da terapia integrativa e complementar
que procura entender e cuidar dos padrões de comportamento, crenças e emoções
transmitidos através das gerações de uma família. Ela reconhece que para tratar
efetivamente o trauma, é essencial entender suas raízes e manifestações
transgeracionais, e quando aplicada ao contexto da violência doméstica, ela
pode ser uma ferramenta valiosa para ajudar a quebrar ciclos de violência e
promover a cura nas famílias afetadas.
“O trauma transgeracional
refere-se à transferência de experiências traumáticas de uma geração para a
outra, e isso pode ocorrer através de padrões comportamentais, expressões emocionais
e até alterações biológicas. A memória
epigenética é uma das formas pelas quais esse trauma é
perpetuado”, comenta a terapeuta transgeracional Franciany
Madeira.
“A memória epigenética se
refere à maneira como experiências de vida podem alterar a função de nossos
genes sem mudar o DNA em si. Essas alterações podem influenciar a saúde mental
e o comportamento das gerações seguintes”, conclui a
terapeuta.
Desenvolvida na década de 1970 por Anne Ancelin
Schützenberger, uma psicóloga e psicanalista francesa que se aprofundou na
ideia de que os padrões comportamentais podem ser propagados de uma geração
para outra, influenciando a vida atual de um indivíduo. Com essa informação,
ela propôs técnicas terapêuticas que focavam em trazer e transformar esses padrões
transgeracionais, proporcionando compreensão e solução dos conflitos
familiares.
Durante as sessões, a terapeuta trabalha com o
paciente para identificar quais são os padrões disfuncionais, crenças,
comportamentos e traumas que foram herdados das gerações anteriores para levar
a compreensão e a ressignificação. É comum evidenciar na história familiar, as
histórias individuais dos membros desta família por meio da árvore genealógica,
os eventos traumáticos, relacionamentos e os papéis que cada um desenvolve. A
finalidade da terapia transgeracional é romper com os padrões desestruturados e
proporcionar uma vida saudável dentro da família.
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